: : v i c t o r . n a i n e . é t i c a
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prof . v i c t o r . n a i n e
17 de agosto de 2008

Um dos métodos para entender um conceito se faz iniciando com a elucidação do termo referente, com base em sua origem etimológica. O termo ética vem dos vocábulos gregos "éthos" (hábito, costume) ou "êthos" (caráter, modo de ser). Todavia, assim como qualquer conceito, devemos conceber o que é Ética, para além de sua etimologia.

Ética, portanto, é uma disciplina especificamente filosófica, cujo escopo e objeto final é o Bem, do qual podemos entender como sendo uma idéia universal ou, como diz a tradição filosófica, um universal. (Assim como Verdade - objeto da Filosofia em geral e da Teoria do conhecimento - e Belo - objeto da Estética e/ou Filosofia da Arte).

O Bem, pois, enquanto universal, não é sinônimo de bom ou de um bem menor, relativo a fatos particulares. Os filósofos (principalmente os clássicos e modernos) buscavam conhecer a natureza desse universal para poder, assim, olhar o mundo "de cima". O conhecimento dos universais permite a aplicação de um poder de discernimento sobre as particularidades correntes do mundo. Antes de entendermos o que é Bioética, por exemplo, devemos entender o que é pura e simplesmente Ética.

Se considerarmos Aristóteles como o pai da Ética (enquanto ciência ou disciplina filosófica no ocidente) podemos adotar as bases de seu conhecimento para que primeiramente os conceitos tornem-se claros, para depois chegarmos as críticas posteriores de grandes filósofos como Kant e de Nietzsche sobre as questões éticas mais relevantes.

Estando claras essas especificações, podemos assim definir: Ética é a disciplina filosófica prática e normativa da ação humana, segundo a luz natural da razão. Portanto, Ética vai estudar não apenas a natureza do Bem universal, mas a conduta reta das ações humanas, com base nisto que se acredita ser digno de todo ser humano, que é o entendimento racional.

Devemos definir e precisar alguns pontos, como tentativa de cessarmos alguns equívocos:

Qual a diferença entre Ética e moral?
Etimologicamente, moral semelha-se a ética. Vinda do Latim mos (plural: mores) também significa hábito ou costume. Todavia, enriquecendo a nossa Língua de significados, podemos hoje usar o termo Ética para designar a disciplina filosófica que trata de um objeto universal; e moral como o julgamento habitual de uma determinada sociedade a respeito dos bens particulares. Para ilustrarmos e tornarmos isso mais claro, podemos imaginar, apenas como exemplo, numa sociedade cuja a moral vigente permite que atirem pedras às mulhres que cruzam o caminho dos homens sem as vestimentas apropriadas, como em alguns países árabes; ou outra que permite escravizar os seus vencidos de guerra. Esses atos, mesmo que longe da realidade de nós brasileiros, são atos morais em outros lugares. Porém, cabe àqueles que estão no caminho do conhecimento ético, compreender o que há para além dos atos e conceber, assim, o que é o verdadeiro Bem.

Que se entende por ação humana?
O termo moral pode ser usado em disciplinas sociológicas e/ou antropológicas como nos casos acima, mas também para compreensão do que é moralidade. A moralidade é o caráter humano daquilo que cabe à ação moral, tipo de ação especificamente humana, consequente da vontade deliberada de um ser humano. Uma ação moral, portanto, não faz parte da mesma natureza de uma ação involuntária, inconsciente, etc. Será a moralidade da ação voluntária do homem aquela a ser ajuizada depois do conhecimento claro do que é verdadeiramente o Bem e o que é Ética de forma geral. Uma ação moral, pois, pode ser considerada boa ou má se equiparada a um bem maior (ou ao próprio Bem), como ponto de referência.

Como chegar a esse Bem e como agir moralmente bem?
Podemos buscar responder esta pergunta entendendo dois termos pragmáticos, comuns do nosso cotidiano: virtude e vício
. Aristóteles nos ensinou a teoria dos hábitos em seu texto Ética a Nicômaco. Para este filósofo, todo homem não apenas visa o saber, mas também tem um impulso e um desejo natural de ser feliz. Tanto a busca pelo saber (o que será explorado em sua Metafísica) quanto a busca pela felicidade são inatas ao homem. Para além da teoria, a Ética visa a prática do homem para que este possa encontrar a felicidade. A distinção que Aristóteles faz entre hábitos bons e hábitos ruins é a mesma que faz entre virtudes e vícios. Um homem virtuoso é aquele que através da escolha de caminhos do meio, ou seja, que opta pelo que é prudente e não extremista, adquiri hábitos que o fazem bem, acompanhados de um prazer. Contudo, esse prazer deve ser do tipo que não morre em si mesmo num instante, mas um prazer que acompanha um bem maior ou, quiçá, o Bem. Ao contrário, um homem vicioso é aquele que adquiri hábitos ruins, onde o prazer é acompanhado de um bem menor, pessoal, egoísta e momentâneo, que morre rapidamente. Um vicioso tende sempre a buscar diversos bens em quantidade; enquanto o virtuoso busca a qualidade de seus bens adquiridos, tendendo, assim, a mantê-los perenemente. A tendência do homem é não apenas um bem (ou pequenas coisas boas da vida), mas ao Bem Supremo.

Dado que "todo homem é um animal político" (como diria o próprio Aristóteles), ou seja, que essencialmente tende a viver em sociedade, na codependência com outros homens, podemos constatar que há, ao menos, um bem maior que este reduzido à um mero prazer individual e momentâneo, que é o bem comum. Quando iniciamos nossas reflexões, parece-nos que chegar a esse Sumo Bem pela teoria é mais fácil que chegar a vivenciar em nossas ações este Bem. Todavia, juntando essa tendência natural, ao estudo teórico e a busca por bons hábitos, podemos, consequentemente, nos aproximar desse Bem e da felicidade (que supõe a felicidade dos outros) e nos afastar dos prazeres mais vis.

c o n t . . .

: : na i n t e r n e t
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ética

OBS: A Wikipédia brasileira, apesar de ser uma boa referência para estudos, em geral básicos, pena neste verbete que aqui nos interessa, devido a uma falta de rigor em algumas colocações. Todavia, como estudo introdutório, vale a leitura.

inde x x xl i n k s

 
 

 

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