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Diana
Que tipo de amor é
esse que mora aqui no peito?
Âmago poético do espírito
sânscrito
Que desde o primórdio tempo tento eu
Enquanto homem projetar
Que faz minha tônica incômoda vibrar
Como tímpano romântico esplendoroso
Que me faz desejar a carne da pélvis
Que dança com o ventre
Com o potencial de vida nascida de mulher
Como a guerreira da caça
Que mata um labor por amor
E descansa da violência
Da amarga dor
Mas com cor
Hei de transformar a erótica falta de pudor
Na filia mais bela e eterna
Sem paixão débil risível
Que é pouco saudável
Na tentativa sublime do sabor ágape
Que sem humor desnecessário
Faz corpo rir e chorar espiritualizado
Tendendo ao absoluto inalcançável
Te amo, tchamo, te chamo
De bonita menina-flor que virá desabrochar
Como a lótus-rosa negra e branca
Que um dia irá brilhar
Crescer e florescer no éden
Acima do pântano
Que socorre a minha alma e o meu corpo
Aqui no chão, quando lhe peço a mão
Enquanto em nome da idolatria
Recitamos com amor a uma tal de Sofia
Que por cima do véu
Faz cair em desuso com sua beleza sombria
Que me faz amar mais e mais a forma
Quando menos e menos sofremos
Pois quando o amor está para além da vida
Carecemos de guia ativa e espirituosa
Que encontrará para além
da obscuridade
A unidade
Por meio de poema
Para toda a história filha
Que com carisma e auto-estima
Faz-nos encontrar na sabedoria
Mimada pelo nosso apego
Que no desprezo faz-nos apoiar
Para saciar
A ausência do buraco tapado
De um corpo que pede uma coisa
De uma alma que pede outra
E se sente culposa
Irei amar a deusa na terra
Ainda mais distante
Da posse enciumada de um corpo ético e etéreo
Que na época epopéia saúda e venera
Um dom de tom dionisíaco
Que mesmo para além do homem
Degusta o vinho da adega furtada
Que surrupia o saber do gosto do coração doloso
Um tom de dom apolíneo
Que ama só quando é amado
Que sangra só quando é violado
Que migra para a cama de uma santíssima semana
E agora, depois de lamentos
Latentes e onipresentes que se tornam contentes
Afrouxo um pouco o plexo
Para nutrir-me do prana sintético
Que não é do Eu, mas do
ego-seu
Amor da minha esquina
Que queria no leito
E que agora amo com a chama
De eterna lareira
E não de paixão que engana
Mas de abraço sutil que me sana
Amando e amamentando como eu ando
Salvando por amor filos
O eterno filósofo
Com Vênus virtual no útero
Emana, emana...
Dida Diva Diana
v i c t
o r . n a i n e
Petrópolis, 22 de agosto de 2006
   
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