a viajante do azul profundo


 

Embarcadiça de muitas aguas,

Navegante de mares escuros e ondas bravas,

Jovem lançada cedo aos caprichos dos temporais,

Senhora de grandes paixões,

Errante de viagens sem conto,

Sonhadora de vales férteis e caminhos com flores de tons rosa,

Deusa do muito vivido,

Divaga agora na tranquilidade da ondulação suave,

Ao sabor da brisa que puxa para terra.



Será que as viajantes do azul profundo

Algum dia deixarão de navegar?



Àguas passadas não movem paixões,

Ventos acalmados não enchem velas,

Rotas percorridas não abrem novas paisagens,

Medos de ontem, desilusões que ferem, prudências de hoje,

Mulher de longo curso não pode viver de tempestades controladas.



Será que as viajantes de muitos arquipélagos,

Bandeiras de muitos náufragos loucos,

Vagamente artistas, perdidos nas multidões à deriva,

Miragens dos homens falhados que enchem as ruas do declínio,

Algum dia se poderão transformar em ilhas de aguas tranquilas,

Ancoradas ao dia a dia do que é fácil e previsível?



Belezas vividas dão lugar aos traços vermelhos que definem o horizonte,

Linhas que querem desaparecer com o fim do dia,

Pensamentos de acalmia, depois de muitos remoinhos de ventos ardentes,

A querer descer devagarinho,

No refúgio das emoções bem comportadas,

Como nos dias em que o sol hesita em se esconder.



Será que as viajantes do azul profundo,

Senhoras de grandes aventuras sem bússola,

Desnorteio dos marinheiros que nelas se inspiram

Sereias de muitos oceanos de desejos,

Algum dia deixarão de navegar?



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