![]() Não hesites, diz-lhes que não existo
Ou com o eco que vem de longe, Ou contigo própria, na tranquilidade dos desejos satisfeitos, Feiticeira das àguas brandas do canal bem desenhado,
Diz-lhes que não existo.
O futuro não se constrói a partir de ilusões sem sentido, Quando falares com todas as mulheres que espreitam, Que vêem brilho nos olhos das fadas errantes, Feiticeira dos artistas do espaço do vazio, Novos senhores da cultura que cheira a modernidade, Diz-lhes que não existo. não ligues ao medo que me paralisa, Feiticeira de todas as sortes por anunciar, Lê o significado de todas as cruzes baralhadas,
Sem hesitações, não tenhas receio, Diz-lhes que não existo. Palavras que convidem a novas descobertas, Amores reaprendidos depois de grandes decepções, Dá-lhes o sorriso que seduz, Cavalgadas incontroladas de quem muito quer, Feiticeira da espontaneidade que desarma, Diz-lhes que não existo. Numa fúria que não podia durar, Tintas que nunca chegaram a secar, Manchas sem forma nem coerência, Sombras que fogem, fantasmas de noites sem estrelas, Feiticeira das pinturas com grades, Diz-lhes que não existo. Estou cansado de sonhar com planetas azuis e flores que se abrem ao som das palavras Quero desaparecer de repente, como quem cai na cama cansado, Depois de muito caminhar por lugares povoados por deuses invisíveis, Mestres das vidas que flutuam ao acaso de todas as falências. Olha, Diz-lhes que não existo, Apaga a luz sem arrependimentos, O Verão acabou.)
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