Nasci em Angola.
Sónia Neves
Espaço Ágora, 7 de Setembro de 2001
Mas não me sinto Angolana,
Nem tampouco Lusitana...
Mas neste nariz em que me escondo
Guardada de Irlandês estrondo,
E de Arábico hábito
Que me encapuça a beleza,
Vivo com a certeza
Que se por um lado vê pouco
Este Português,
E a vaidade lhe tolda
A sensatez,
Também não é louco
De vez
Para se pôr aos tiros de arma na mão
Porque está na moda
Escrever sobre o vilão.
Pode ser estúpido na sua tacanhez
Mas por amabilidade cortês
Fala a língua do Inglês.
(O que não acontece com o Francês).
Nem todos somos cegos
Como nos fazem crer
Aqueles que lá fora estão!
Nem todos somos pategos,
Por preferirmos o lazer
A trabalhar como no Japão!