
NASCE
UM ÍDOLO:
No dia 28 de junho de 1945, em Salvador, Bahia, nasce Raul Santos Seixas. Filho
de Raul Varella Seixas e de Dona Maria Eugênia Santos Seixas.
"Nascido no ano da bomba atômica"
Filho de família da classe média, o garoto adorava devorar os livros da vasta biblioteca do pai, lendo de tudo, desde gibis a livros de filosofia. Daí sua miopia precoce. Extremamente caseiro, vivia trancado lendo e inventando histórias, as quais transformava em gibis, que vendia para seu irmão caçula, Plínio. "Eu escrevia os livros e ainda tinha que ler, porque ele não sabia ler direito. Eu lia pra ele e levava ele em viagens assim incríveis, através do universo." Nas suas próprias estórias, t inha um personagem fixo chamado de "Melô", um cientista maluco.
O
Rock começou a entrar na sua vida quando, aos doze anos de idade, mudou-se
com a família para um casarão ao lado do consulado norte-americano. Raul
fez amizade com os garotos do consulado, que lhe emprestaram alguns discos
de rock, como de Elvis Presley, Little Richards, Chuck Berry, entre outros.
Também sofreu influência de Luiz Gonzaga.
"Eu vivia matando aula para ouvir disco"
O COMEÇO:
A paixão pelo rock cresceu tanto que em 1962, junto com os irmãos Delcio e
Thildo, forma o grupo Relâmpagos do Rock, que dois anos mais tarde passa
a se chamar The Panters. Com esse nome, chegam a gravar duas músicas em
estúdio, que não foram lançadas comercialmente. Eles tocam em várias boates
e shows, até receberem um convite para gravarem um disco no Rio de Janeiro, já
com o nome de Raulzito e os Panteras. O disco, que saiu em 1967, foi um
fracasso. Foi nesse período que Raul conheceu a americana Edith Wisner, sua
primeira esposa.
Ele volta para Salvador e começa a trabalhar como produtor de discos na antiga
CBS (atual Sony Music). Lá grava o LP "Sociedade da Grã Ordem
Kavernista Apresenta: Sessão das Dez", juntamente com Sérgio Sampaio,
Miriam Batucada e Edy Star. Fez isso sem o consentimento do dono gravadora e,
por esse motivo, acaba sendo demitido.
Participou ainda do VII Festival Internacional da Canção (FIC), em 1972, onde
inscreveu duas músicas: "Let me Sing Let me Sing" e "Eu
sou Eu, Nicuri É o Diabo". As duas foram classificadas.
O SUCESSO:
O sucesso vei no ano seguinte, 1973, com o lançamento do compacto "Ouro
de Tolo", o que lhe rendeu um contrato com a gravadora Polygram.
No mesmo ano gravou "Krig-Ha, Bandolo!", com algumas músicas
assinadas em parceria com Paulo Coelho. Ainda ao lado de Paulo, Raul lança "Gita"
SOCIEDADE ALTERNATIVA:
Nesse mesmo período, Raul fundou a Sociedade Alternativa, com a idéia de criar
uma cidade onde tudo era livre, sem regras. Sob o governo de Tancredo Neves,
durante o regime militar, foi torturado e expulso do país.
A VOLTA E A EXPLOSÃO DO DISCO GITA:
O disco "Gita" explode, vendendo 600 mil cópias, fazendo Raul
voltar para o Brasil. É o primeiro disco de ouro de sua carreira.
"Raulzito" lança o "Novo Aeon" e "Há Dez
Mil Anos Atrás", e encerra sua parceria com Paulo Coelho.
Seguem-se os lançamentos de 19 discos, entre eles: "O dia em que a
Terra parou" (1977), "Abre-te Sésamo" (1980), "Metro
Linha 743" (1984) e "UAH-BAP-LU-BAP-LAH-BÉIN-BUM!"
(1987), entre outros. Raul fundiu o tal rock'n roll americano com diversas variações
rítmicas brasileiras, do xote ao baião, ajudando a criar a cara do rock
nacional, e influenciando assim as bandas que foram surgindo.
Lançou ainda dezenas de compactos, o livro "As Aventuras de Raul Seixas
na Cidade de Thor" e fez contratos em todas as gravadoras maiores do país.
Teve ao todo cinco mulheres e três filhas.
Entre 30 de julho e 13 de setembro de 1987, Raulzito esteve em tratamento de
desintoxicação em Vila Serena, São Paulo.
No dia 21 de agosto de 1989, às 9 horas, Dalva Borges da Silva, empregada de
Raul, chega ao apartamento nº 1003 do Edifício Aliança, zona central de São
Paulo, e encontra Raul morto em sua cama. Ele havia falecido duas horas antes da
chegada de Dalva, de parada cardíaca causada pela pancreatite de que sofria há
anos, conseqüência do alcoolismo.