NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DA GUATEMALA
A bela e vulcânica Guatemala tem a honra de ter sido a primeira nação do mundo católico a celebrar a festa de Nossa Senhora, Rainha do Universo. Sendo bispo Dom Gómez Fernandez de Córdova (1574-1598), ficou estabelecida a festa da "Ressurreição e Coroação da Virgem, Rainha do Universo", para o dia 18 de agosto, segundo consta em todos os missais da época. O Rosário chegou a Guatemala em 1539, com os primeiros frades dominicanos que o propagaram como meio eficaz de evangelização. Com o bispo Marroquín, em 1559, iniciam-se as Confrarias do Rosário. O mesmo bispo figurará como primeiro confrade no livro da Associação. A devoção ao Rosário penetrou rapidamente em todo o país. Fruto desta poderosa corrente espiritual será a imagem da Virgem do Rosário, com seu vestido e pedestal todo de prata. A rica e bela imagem é obra dos artistas Nicolás Almonina, Lorenzo de Medina e Pedro Bozarraes. O trabalho foi realizado em oficinas de Antigua. O Pe. Remesal, primeiro historiador da Guatemala, afirma que "a imagem era a melhor que existia", em seu tempo, "nas Índias". A belíssima estátua da Virgem do Rosário, colocada em uma suntuosa capela, transformou-se no centro mariano mais importante da piedade guatemalteca. Após o terremoto de 1651, a imagem foi colocada na Praça do Convento de São Domingos e custodiada por uma guarda perpétua, formada por cidadãos que se revezavam, dia e noite, rezando o Rosário para "implorar a divina clemência, ajuda e consolo". No dia 9 de fevereiro do mesmo ano, a Virgem do Rosário foi proclamada Patrona da cidade contra os terremotos, e teve anualmente uma festa solene, o domingo mais próximo a 18 de fevereiro. Em 1773, o terremoto de "Santa Marta" destruiu a antiga cidade de Guatemala. Houve perdas totais no templo e convento de São Domingos. A imagem ficou seriamente prejudicada, mas rapidamente a restauraram, ficando, segundo os cronistas, ainda mais bela. No dia 1 de outubro de 1843, o Presidente da República reafirma que "a Virgem do Rosário é Patrona oficial de todas as almas do Estado e Rainha de toda a jurisdição da Guatemala" e ordena "uma grande salva de artilharia", pedindo ao Vigário geral do Arcebispado que "proceda a um repique solene na Santa Igreja Catedral". "A influência que tem, na piedade popular, a Virgem do Rosário, com o Menino Jesus nos braços, tem sido decisiva na formação da piedade popular do guatemalteco. Inclusive nos tempos dolorosos de escassez do Clero, motivada por perseguições religiosas, a recitação do Santo Rosário foi, sem dúvida, a oração mais usada tanto no culto comunitário sem sacerdote, como no culto familiar. Pode-se considerar o Rosário o culto familiar de nossos dias". Anualmente acorrem a seu Santuário centenas de milhares de peregrinos de toda a América Central, para honrá-la, agradecer-lhe e fazer-lhe súplicas. O Papa João Paulo II assim rezou no dia 7 de outubro de 1979: "Virgem do Rosário, Rainha da Guatemala, contempla esta imensa messe e intercede para que o Senhor infunda fome de santidade em todo o povo de Deus... Dá a paz, a justiça e a prosperidade a nossos povos, já que tudo o que temos e somos colocamos sob teu cuidado, Senhora e Mãe nossa". Nossa Senhora do Rosário da Guatemala, Rogai por nós que recorremos a vós!
NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE POMPÉIA
No dia 24 de agosto do ano 79 de nossa era, às 11 h. da manhã, os 25 mil habitantes da cidade de Pompéia, ao sul de Nápoles, dedicavam-se aos seus afazeres, quando um estrondo os levou à rua. Do Vesúvio subia uma imensa coluna de fogo. Momentos depois sua cratera começou a expelir pedras incandescentes. Uma chuva de cinzas, impregnada de vapores sulfúreos e de cloro, escureceu o céu. A população, em pânico, começou a esconder-se nas casas ou a fugir sem direção. Era muito tarde: em pouco tempo Pompéia e mais quatro cidades ficaram sepultadas sob 10 metros de cinzas. Aos poucos foi-se perdendo a memória da tragédia e nos 1600 anos seguintes ninguém ouviria falar da cidade. No início do século XVII, o arquiteto Fontana redescobriu Pompéia. Mas só no final do século seguinte é que começariam os trabalhos arqueológicos sistemáticos, que continuam até hoje, para resgatá-la das cinzas. Precisávamos dessa introdução para começar a falar de Bartolo Longo, filho de um médico da província de Brindisi, que tendo estudado no ginásio dos Padres Escolápios recebera educação cristã e aprendera a rezar e a amar o rosário. Na Faculdade de Direito, contudo, deixou-se contaminar pela mentalidade anti-clerical e anti-religiosa que ali reinava, ingressando aos 20 anos no movimento revolucionário de Garibaldi, Cavour e Vitor Emanuel, destinado a levar a cabo a unificação italiana, com a eliminação dos Estados Pontifícios e a supressão do poder temporal dos Papas. No entanto, um de seus professores, deixou-se impressionar pelas qualidades naturais daquele jovem, vendo nele, talvez, a possibilidade de reabraçar o catolicismo. Procurou o mestre conquistar a amizade do aluno, encaminhando-o a um frade dominicano, sob cuja influência Bartolo reencontrou a fé da infância. O jovem ingressou na Ordem Terceira Dominicana, decidiu-se a amar a Deus com todas suas forças, tomou como modelo o Coração Sacratíssimo de Jesus e entregou-se a obras de caridade. Bartolo conheceu a condessa Marianna Farnararo, viúva, de muita fé. Essa dama o contratou com administrador de seu patrimônio. Assim sendo, em outubro de 1872, o jovem dirigiu-se ao vale de Pompéia, onde a condessa possuía terras. Aí encontrou muitos que trabalhavam nas escavações, afastados de qualquer experiência de fé. Uma voz interior lhe murmurou: "Propague o Rosário". Bartolo tornou-se catequista e apóstolo daqueles operários, incentivando-os a entrar na Confraria do Rosário. Acompanhado de seu diretor espiritual, Bartolo começou a procurar uma imagem de Nossa Senhora do Rosário para a igreja paroquial. Certo dia uma religiosa, que soubera do que necessitavam, apresentou ao advogado uma pintura da invocação desejada, mas em péssimo estado. A condessa não se entusiasmou com a imagem ao vê-la tão danificada. Mas, à falta de melhor, a estampa, enrolada num tecido ordinário, foi colocada sobre uma carroça carregada de lixo que se dirigia a Pompéia. O Bispo de Nola, do qual dependia a região, decidiu construir uma igreja mais próxima do local. Com o dinheiro arrecadado para iniciar a obram mandaram restaurar e enquadrar a tela da Virgem do Rosário, expondo-a pela primeira vez à veneração pública no dia 13 de fevereiro de 1876, Desse dia até o 19 de março seguinte oito grandes milagres realizaram-se diante da modesta estampa. Os milagres tiveram ampla repercussão em toda a Itália. Bartolo era um homem de visão. Por isso viajou pela Europa pedindo donativos não só para o novo santuário, mas para outras obras que planejava. Em 1884 fundou um periódico chamado "O Rosário e a nova Pompéia", para o qual montou uma tipografia em que empregou crianças pobres da cidade, Criou um orfanato para os filhos e depois para as filhas dos encarcerados. Para a formação destas, fundou a congregação das Filhas do Santo Rosário da Ordem Terceira Dominicana. A devoção à Senhora do Rosário cresceu tanto que, em 1887, recebeu a honra da coroação solene. A nova igreja foi consagrada em 1891 com o título de Rainha das Vitórias e, em 1901, foi elevada à condição de Basílica. Vale lembrar que o título Nossa Senhora de Pompéia não é um novo título. Ele é a forma como se venera Nossa Senhora do Rosário na cidade italiana de Pompéia.
Oração à Nossa Senhora do Rosário de Pompéia
Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos ensinastes a recorrer a vós e com confiança chamar-vos de "Pai Nosso que estais no Céu". Ó Senhor, infinitamente bom, a quem é dado usar sempre de misericórdia e perdoar; por intercessão da Imaculada Virgem Maria, ouvi-nos, a nós que nos gloriamos do título de devotos do Rosário, aceitai as nossas humildes orações dando-vos graças pelos benefícios recebidos, e tornai perpétuo e cada dia mais glorioso o trono que lhe elevastes no Santuário de Pompéia, pelos merecimentos de Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.
Rogai por nós
Rainha do Sacratíssimo Rosário
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Amém.
Fonte: Milícia da Imaculada