O termo gótico é derivado dos Godos, povo europeu considerado bárbaro e precursor do estilo arquitetônico que se oporia ao românico na Europa medieval. A questão é: Qual a relação entre os Godos e a Cultura Gótica?
A arquitetura gótica era considerada opositora as tendências medievais. Então, a idéia de ��contramovimento'' foi associada a qualquer manifestação artística não convencional, sendo assim, designada como �gótico�. Busquemos a essência de outros movimentos culturais, religiosos, sociais. Por exemplo: Cristão é aquele que segue Cristo. Então, gótico é o adepto da Cultura Gótica. Neste caso, a apreciação intrínseca pela arte cemiterial, o cultivo da tristeza e melancolia, sugerem o contramovimento ocorrido na era medieval, mas agora rompendo as fronteiras das artes e alcançando a condição de segmento social. Portanto, a Cultura Gótica ainda é o oposto. Mas desta vez, é o outro pólo dos modos de vida da maior parte da população. A filosofia gótica contraria as tendências fugazes, contrapõe-se aos rótulos e modismos, choca-se com os ideais eternamente consolidados da sociedade. Trazendo para os dias atuais, vemos na mídia uma busca intensa pelo mercantilismo, a indução selvagem ao status social e a exploração da arte pelo consumismo. Já a Cutura Gótica é tão restrita, que suas manifestações artísticas não são difundidas pelos meios de comunicação mais acessíveis, ficando limitadas aqueles que buscam a face obscura da vida e da arte, formando um sub-mundo abstrato. Ainda assim, é impossível defilir com precisão um termo que designa personalidades; características individuais que diluem numa expressão cultural muito variada. Sintetizar em palavras o elemento gótico será apenas uma tentativa de comprimir um universo de questões filosóficas, espirituais e ideológicas que agem diretamente na razão humana. Portanto, qualquer definição sobre o elemento gótico será frágil e incompleta. Mas poderíamos resumir gótico, como o indivíduo de personalidade introspectiva e melancólica (além de tantas outras conotações empregadas ao termo no decorrer dos séculos). Vestir-se com trajes pretos e freqüentar cemitérios é apenas uma de suas características. Ser gótico é, antes de tudo, cultivar e preservar a solidão (não a solidão literal, mas sim a interior), buscando no ego respostas para as próprias aflições. O gótico não cultua o negativismo, porém convive em harmonia com a escuridão. Possui uma sensibilidade à detalhes intrínsecos que a maioria das pessoas não possui. Ele já nasce gótico, não existindo assim transformação, e sim um encontro e uma identificação com algum tipo de manifestação gótica. Embora nem sempre manifestadas, tristeza e melancolia são sentimentos constantes na personalidade gótica. É o combustível da criação gótica, já que inspiram diversas obras literárias, musicais e em outros tantos segmentos artísticos. Falar sobre tristeza é diferente de falar sobre pessimismo, desilusão, aflição, desespero. Estar triste é estar em paz com o ego; é retroceder na alma a tal ponto que o indivíduo fique submerso em si. Tristeza não é um sentimento negativo; assim como os cemitérios não são ambientes degradantes. Tristeza é o remanso do espírito; é paz introspectiva e nostálgica, não é antônimo de felicidade... Esteticamente a arte gótica vai além da atmosfera sombria, explora também o surrealismo como base de qualquer criação. Na literatura abordam-se temas como a morte, o terror, desilusão, amores platônicos, dramas e tragédias. Na música, percebe-se a influência do que foi denominado �existencialismo� além das outras já citadas. Sabemos que as definições sempre são distantes da essência, e a Cultura Gótica não pode ser compactada em poucas linhas. Entretanto, tento expor uma fração atômica do que é a cultura mais sensível e sutil que o homem pode criar. Sutil e sensível, porque alguns conhecem a Cultura Gótica, mas poucos podem sentir e entender...
Faculdade Senac de Comunicação e Artes
Tecnologia em Design de Multimídia