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Canto Gregoriano

    A unificação da liturgia concebida por São Gregório acabou por ser conhecida como "canto gregoriano", nome pelo qual continua a ser conhecida, embora sucessivas investigações tenham alterado pouco a pouco a interpretação dos neumas ou meios de notação musical usados do século IX ao XII, bem como a sua avaliação rítmica, áreas em que as discrepâncias entre os investigadores se mantêm praticamente até aos nossos dias.

    O processo de unificação e, sobretudo, de implantação, foi progressivo e lento, dando lugar a diversas exceções em que foram reconhecidas liturgias não gregorianas. É o caso do canto visigótico, que passou a ser conhecido por "canto moçárabe", termo anacrônico, dado que era anterior à invasão da península espanhola pelos árabes que se conservou até ser abolido, em 1071, por Gregório VII. Nos fins do século XI só se praticava em seis igrejas de Toledo, mas foi recuperado pelo Cardeal Cisneros, que fundou a capela moçárabe da catedral de Toledo e editou o Missale e o Breviarium moçárabes em 1500 e 1502, respectivamente.

    Ao regulamentar o canto litúrgico cristão, mantém-se o princípio da homofonia, ao qual se acrescenta a ausência de acompanhamento instrumental. É destas características que vem o nome de canto chão, do latim cantus planus, utilizado pela primeira vez como sinônimo de canto gregoriano por Jerónimo de Moravia, por volta de 1250. O termo emprega-se, porém, à margem das exigências do canto gregoriano, para o canto religioso dos séculos XVII e XVIII. Chão, do latim cantus planus, utilizado pela primeira vez como sinônimo de canto gregoriano por Jerônimo de Moravia, por volta de 1250. O termo emprega-se, porém, à margem das exigências do canto gregoriano, para o canto religioso dos séculos XVII e XVIII.

    O sistema musical do canto gregoriano baseia-se nos modo, embora não tenha provocado adaptações aos estabelecidos pelos gregos. A primeira diferença é a do sentido, descendente para os gregos e ascendentes no canto gregoriano. Coincidem, sim, no número. São oito, na sua origem, dos quais os ímpares se conhecem como autênticos e os pares como "plagales", por derivarem dos primeiros. Juntaram-se, no século XVI, os modos maiores e menores da música posterior, bem como os respectivos "plagales", e assim se chegou aos doze modos, chamados: dório, hipodórico, frígio, hipofrígio, lídio, hipolídio, mixolídio, hipomixolídio, jónico, hipojónico, eólico e hipoeólico. O fato de ter utilizado, para os oito primeiros, as denominações gregas foi a causa de que se generalizara a idéia da sua correspondência com os modos gregos.

    Entretanto, mantinha-se a homofonia e o ritmo era confiado ao tratamento silábico, introduziram-se as mudanças na ruptura deste segundo tratamento, com as quais a nota podia corresponder a uma sílaba ou a um conjunto de sílabas, surgindo a vocalização. Foram-se acumulando este e outros "desvios" com o decorrer dos séculos até ao "Motu próprio" do Papa Pio X, a princípios deste século, que implicou uma revisão e reconsideração de todo o corpo gregoriano, libertando-o de todas as impurezas acumuladas pelo tempo.

    Por volta do século IX apareceu, pela primeira vez, a pauta musical. O monge italiano Guido d'Arezzo (995 - 1050) sugeriu o uso de uma pauta de quatro linhas. O sistema é usado até hoje no canto gregoriano. A utilização do sistema silábico de dar às notas deve-se também ao monge Guido d'Arezzo e encontra-se num hino ao padroeiro dos músicos, São João Batista:

    Ut queant laxit Ut queant laxit

    Re ssonare fibris

    Mi ra gestorum Mi ra gestorum

    Fa muli tuorum

    Sol vi polluti Sol vi polluti

    La bii reatum

    S ancte l oannes

    Com o passar do tempo o Ut foi substituído pelo Do.




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