Abstract - Many southern eclipsing binaries have been neglected since publication of the original papers announcing their minima prediction elements. NP Pavonis is an exception. Good quality photoelectric photometry data were obtained in 1984 and again in 1995 and were used to refine the period. However, the number of elapsed cycles in that eleven-year interval was miscalculated. Persistent visual observation reveals this error and provides corrected elements.
Resumo - Muitas binárias eclipsantes austrais tem
sido negligenciadas desde a publicação de artigos originais
anunciando seus elementos para previsão de mínimos. NP Pavonis
é uma exceção. Dados de fotometria fotoelétrica
de boa qualidade foram obtidos em 1984 e novamente em 1995 e foram utilizados
para refinar o período. No entanto, o número de ciclos decorridos
naquele intervalo de 11 anos foi mal-calculado. Observação
visual persistente mostra este erro e provê elementos corrigidos.
1. HISTÓRICO:
A estrela NP Pavonis foi catalogada como binária eclipsante
pela primeira vez por Hoffmeister em 1949. Em 1970 Shaw e Sievers a classificaram
como uma Binária Algoólica (EA) com período de 1.266821
dias e com profundo secundário. A 5ª edição do
GCVS alista os seguintes parâmetros:
Binária
Eclipsante Algólica (EA) do tipo KE
RA
= 20h 48m 01.54s
Dec =
-69° 06' 03.2" (2000.0)
Variação
de brilho 10.7 - 11.7
Época
= 2438234.400
Período=
1.2668210268 dias
Em 1994 Avelino Alves recebeu diversas cartas de binárias
eclipsantes do Sr. Marvin Baldwin (coordenador de Binárias Eclipsantes
da AAVSO), entre elas a NP Pavonis. Sem tomar conhecimento de um eclipse
anterior, e usando o período de 1.26 dias, Alves iniciou as observações
dessa estrela em 24 de novembro de 1994, quando a estimou em 11.5 - a variável
se encontrava eclipsada.
Normalmente o observador de binárias eclipsantes calcula
os eclipses subseqüentes após a observação do
primeiro eclipse. Mas um descuido providencial foi importante para que
Alves descobrisse o real período desta binária. Simplesmente
ele desconsiderou o cálculo para a previsão dos eclipses
futuros e seguiu suas observações. Somente após um
intervalo maior de dados que Alves decidiu montar a curva de luz com base
no período do GCVS (neste caso ele usou a informação
da carta fornecida por Baldwin, isto é, 1.26 dias).
A partir de então Avelino percebeu que o secundário
era profundo o suficiente para que fosse, na verdade, um eclipse primário.
Dessa forma, o período seria reduzido pela metade ficando em torno
de 0.6335 dias. Durante o período de observação de
1997, Avelino ajusta o período para 0.63336 dias, mas refina para
0.6334375 dias durante a campanha de observação em 1998-1999.
Esta indefinição do período estaria relacionada com
uma provável variação deste parâmetro, hipótese
que foi descartada conforme veremos mais adiante.
No jornal de divulgação astronômica "Cosmos",
ano VII (1998), nº1, p.5 lemos:
"NP Pavonis também é uma eclipsante, mas com período
curto: apenas 1.267 dias. Na realidade, ela apresenta dois eclipses, a
intervalos de 0.6335 dias. Porém, através da coleta de muitas
medidas de magnitude ao longo de 466 eclipses entre agosto de 1996 e julho
de 1997, Avelino descobriu uma diferença de 0.066 dias, cerca de
0.00014 dias por ciclo a menos que o período catalogado. Pode parecer
pouco mas, em apenas um ano, os eclipses se adiantaram em mais de uma hora.
As observações realizadas por [Avelino] permitiram a obtenção
de uma fórmula melhorada para a predição de futuros
eclipses desta variável." Estas informações também
foram publicadas no periódico "A Notícia" de 18 de abril
de 1999. Vale ressaltar que Alves não observou 466 eclipses como
o texto dos periódicos sugerem. Alves apenas continuou suas observações
abrangendo um intervalo em que ocorreram 466 eclipses de NP Pavonis.
Em 13 de setembro de 2000, Miguel A. Cerruti publicou um trabalho
sobre NP Pavonis no IBVS nº 4956 intitulado "First Determinations
of Photoelectric Minima, Real Period and Study of the Period of NP Pav"
onde calculou o período desta variável em 0.63353658 dias.
Cerruti usou medidas fotoelétricas tomadas em 1984 e 1995, bem como
as datas de mínimos publicados na literatura disponível até
então, apontando um adiantamento dos eclipses.
De acordo com Cerruti, a fórmula do eclipse é:
Min I = 2445984.7095 + 0.63353658 x E (1)
Mesmo assim Cerruti mostrou informações contraditórias
em seu artigo ao afirmar que "não foi possível encontrar
uma solução comum entre os mínimos fotográficos
e fotoelétricos" e "comparando os períodos da solução
fotográfica com aquele correspondente da solução fotoelétrica,
o período varia... Consideramos que numa primeira aproximação
o período tem permanecido constante durante toda a 'história'
deste sistema". Cerruti usou esta fórmula (1) para seu segundo
trabalho sobre NP Pavonis, publicado em 2003.
Usando a fórmula (1) não era possível obter
consistência nas curvas de luz com os dados visuais de Alves, Amorim
e, mais recentemente, das medidas CCD do ASAS3.
2. O CICLO MAL-CALCULADO
Um aspecto interessante apontado por S. Otero, M. Baldwin e A. Amorim
foi que a tabela de Cerruti no IBVS nº 4956 apresenta ciclos incorretos.
Ao determinar os valores de O-C para as medidas fotográficas, Cerruti
confundiu os valores de todos os ciclos anteriores a época 2445984.7098
. A Tabela 1 mostra uma comparação entre os valores corrigidos
e os valores de Cerruti, usando o fórmula (1):
| Min I
E E'
2438234.4080 -12233 -12236 2438258.4520 -12195 -12198 2438260.3610 -12192 -12195 2438307.2330 -12118 -12121 2438314.2310 -12107 -12110 2438555.5490 -11726 -11729 2438562.5120 -11715 -11718 2438614.4370 -11633 -11636 2438614.4650 -11633 -11636 2438621.4280 -11623 -11625 2438640.3980 -11593 -11595 2438642.3110 -11590 -11592 2438649.3110 -11578 -11581 2438675.2400 -11538 -11540 2438694.2500 -11508 -11510 2439029.3330 -10979 -10981 2439373.2820 -10436 -10438 2439378.3280 -10428 -10430 2439385.3340 -10417 -10419 2440089.0310 -9306 -9308 2440096.0070 -9295 -9297 2440419.0310 -8785 -8787 2440450.0620 -8736 -8738 2445984.7098 0 0 |
Cálculo do ciclo E para a DJ = 2440450.0620
E = (t-Ep)/P
E = (2440450.062 - 2445984.7098) / 0.63353658
E = -8736.11
E ~ -8736
E = ciclo (ou nº de eclipses)
Ep= Época inicial
P = Período
E'= ciclo, segundo tabela de Cerruti (2000)
3. DETERMINAÇÃO DOS PARÂMETROS DE NP PAVONIS COM BASE NOS DADOS DE AVELINO ALVES:
Usando 189 estimativas tomadas entre nov/1994 e ago/1999 e utilizando
o método de redução de período para estrelas
variáveis dispostos no livro "Variable Stars" de Hoffmeister et
alli (1985), notamos que o período de NP Pavonis não
sofreu alteração, mesmo usando a época inicial do
GCVS.
Resolvemos partir do zero e calcular o período recente de
NP Pavonis com base exclusivamente nos dados de Alves. O primeiro eclipse
desta estrela foi bem acompanhado na data juliana de 2450657.529 e seu
mínimo foi determinado pelo método das cordas bi-seccionadas
(Pogson). Outros 6 mínimos resultaram na curva O-C da Figura 1.
Figura 1 - Diagrama O-C usando apenas dados de Alves
Usamos a metade do período fornecido pelo GCVS:
P = 1.2668210268 d
P/2 ~ 0.6334105 d
A Tabela 2 mostra as etapas do cálculo.
| Minimos OBS Dias Dif.E E C1 O-C1 C2 O-C2 |
| 2450657.5290
0 2450657.5290 0.000 2450657.5 0.000
1.9 3.0 2450659.4300 3 2450659.4292 0.001 2450659.4 0.001 12.0 19.0 2450671.4660 22 2450671.4640 0.002 2450671.5 0.002 17.1 27.0 2450688.5580 49 2450688.5661 -0.008 2450688.6 -0.008 1.9 3.0 2450690.4690 52 2450690.4663 0.003 2450690.5 0.003 366.1 578.0 2451056.5610 630 2451056.5776 -0.017 2451056.6 -0.018 344.0 543.0 2451400.5340 1173 2451400.5195 0.014 2451400.5 0.012 |
O cálculo de regressão apontou a fórmula y
= -0.0024 + x.6.10^(-6).
1173 ciclos após o primeiro eclipse escolhido, a razão
calculada foi 0.000004 dias . Como o coeficiente angular da fórmula
de regressão é positivo, somamos esta razão ao período
inicial:
P' = 0.6334105 + 0.000004
P' = 0.6334145
P' = 0.633414 (valor satisfatório para observações
visuais)
As efemérides de Alves apontam para a fórmula:
Min I = 2450657.529 + 0.633414 E (2)
Usando esta fórmula e aplicando a todos os mínimos disponíveis (incluindo dados de Amorim e ASAS3) obtivemos o valor final de 0.633413 dias, de modo que a fórmula apropriada para todas estas observações fica assim estabelecida:
Min I = 2438234.400 + 0.633413 E (3)
A Figura 2 mostra o diagrama O-C resultante.
Figura 2 - Diagrama O-C usando a fórmula (2)
Construindo curvas de luz com base na época do GCVS e no
período refinado obtivemos boa consistência em todas as observações
exceto em 2 (duas) datas de mínimos, a saber: 2445984.7098 (Cerruti)
e 2452093.6656 (ASAS3) . Notamos na Figura 2 que os pontos destas duas
datas estão respectivamente abaixo e acima dos demais. No entanto
isto é resultado do arredendamento usado ao calcularmos o ciclo
para cada mínimo. Uma vez utilizando valores decimais, tais pontos
ficam consistentes com os demais.
A Figura 3 mostra uma curva de luz fasada contendo as observações
de Alves (x) e do ASAS3 (pontos).
Figura 3 - Curva de luz com dados de Alves (x) e ASAS3 (.)
Já a Figura 4 mostra outra curva de luz fasada comparando as observações de Amorim (círculos), dados do IBVS nºs 4956 (triangulos) e 5542 (quadrado preto) e ASAS3 (pontos). As curvas das Figuras 3 e 4 foram montadas usando a fórmula (3).
4. ASPECTOS FÍSICOS DE NP PAVONIS
Utilizando a fotometria UBV Cerruti publicou outro interessante
trabalho sobre NP Pavonis na Revista Mexicana de Astronomía y Astrofísica
Vol. 39 (2003).
Duas informações interessantes podemos destacar deste
trabalho:
1º) Cerruti afirma que as observações mostram uma curva do tipo b-Lyr. Ele sugere que o sistema possa ser classificado entre uma binária algoólica e b-Lyrae . De fato isto pode ser verificado nos pontos observacionais do ASAS3 nas Figuras 3 e 4.
2º) O artigo mostra uma configuração do sistema (Figura 5) com as seguintes características:
estrela
primária secundária
massa (Sol = 1)
1.82 0.89
raio (Sol = 1)
1.35 1.01
distância entre centros 3.84 raios
solares
Figura 5 - Modelo para NP Pavonis (Cerruti, 2003)
5. CONCLUSÃO
NP Pavonis é mais um exemplo de como podemos calcular importantes
parâmetros, neste caso a fórmula para efemérides, com
base em observações visuais. E conforme a literatura disponível,
esta binária possui bons dados fotográficos e fotoelétricos.
No entanto foi baseado em observações visuais que a binária
chamou a atenção da comunidade astronômica. Simultaneamente
a estas observações visuais temos o trabalho profissional
de Cerruti, permitindo uma compreensão melhor desta binária.
Se a fórmula (3) continuará válida, só o tempo
e mais observações, visuais ou fotometria CCD, dirão.
Por isso publicamos uma carta de localização de NP Pavonis
e algumas estrelas de comparação para futuros trabalhos observacionais
(Figura 6).
Agradecemos a colaboração e comentários de
Marv Baldwin e S. Otero.
Figura 6 - Carta para NP Pavonis
6. BIBLIOGRAFIA
ALVES,A.A, comunicações em privado e fichas de observações.
ALVES,A.A. e AMORIM,A.,"NP Pavonis - A Misplacing Cycle", JAAVSO,
Vol.31, Nº 2 p. 174.
ALVES,A.A. e AMORIM,A.,"NP Pavonis", http://geocities.yahoo.com.br/costeira1/variaveis/nppav.htm
em 26 de julho de 2002.
BALDWIN,M., comunicações em privado.
CERRUTI,M.A., in IBVS 4956, 13 de setembro de 2000 .
CERRUTI,M.A.,"Differential Corrections Analysis of the UBV Observations",
Revista Mexicana de Astronomía y Astrofísica Vol. 39, pp.
141-148 (2003).
DVORAK,S.W., in IBVS 5542, 8 de julho de 2004.
HOFFMEISTER,C.,RICHTER,G. and WENZEL,W.,"Variable Stars", 1985.
KHOLOPOV et alli, GCVS 5th Edition, disponível no
software "Carte du Ciel", ©P.Chevalley.
OLIVEIRA,M., "Astronomia de Quintal", A Notícia, 18 de abril
de 1999.
OTERO,S., comunicações em privado.
POJMANSKI,G. 2002, Acta Astronomica, 52,397 - "The All Sky Automated
Survey".
SILVA, L.A.L., Cosmos, ano VII, nº1, p.5 (1998).