W Crucis – Uma Binária Intrigante
Avelino Alcebíades Alves
O artigo que acompanha a carta de busca, em Universo 4, # 16, descreve aspectos de W Crucis, entre eles o seguinte:
"W Crucis (AR 12h 09.6min , Dec -58.5 graus) varia de 8.0 a 9.5 magnitudes
num período de 198.53 dias. Este período é muito longo
para ser W Crucis do tipo b Lyrae (período
de 12.6 dias), com uma variação contínua da curva
de luz, o que implicaria num sistema em contato ou muito próximo.
O período de 198.53 dias foi determinado por O’Connell em 1936 fotograficamente...
Segundo Mirek J. Plavec (1984) os mínimos podem ser preditos pela
fórmula:
T = 2440731.6 + 198.53 x E
Onde E é o número de períodos transcorridos. Sendo o mínimo muito largo e difuso, requer cuidados nas observações, pois o descenso leva cerca de 30 dias e outros tantos para recuperar o brilho normal. Também não se sabe se a curva de luz é plana no mínimo e por quanto tempo. Este é um assunto de interesse, pois uma curva plana indica um eclipse total, e, se não é plana, o eclipse é parcial. Portanto os elementos orbitais não são bem conhecidos. De acordo com as medidas da velocidade radial feitas por Woolf em 1962, a estrela secundária , a menos brilhante, deveria ter uma massa maior que a mais brilhante. Se, por exemplo, a primária tivesse 8 MS (massas solares), a secundária deveria ter 15 MS. Medidas recentes realizadas por Paul B. Etzel, podem ser interpretadas como sendo W Crucis uma estrela do tipo G1, supergigante. Entretanto o modelo proposto por O’Connell e depois por Kopal (1941) a estrela secundária seria algo mais fria que a primária (tipo espectral G8), porém aproximadamente o dobro de diâmetro. Isto faria que ambas fossem visíveis, coisa que não se observa.
O trabalho que segue pretende oferecer elementos para elucidar, em parte,
as questões expostas acima.
Em curva publicada pela LIADA em Universo 5, # 19 (1985), a partir de observações
feitas por Luiz Augusto L. Silva e Yamandu Fernandez; e a anexa feita pelo
autor, nota-se que a curva é bicuda.
Figura 1 : Dois eclipses observados por Avelino Alves
O primeiro e o segundo eclipse observado pelo autor foi em maio/junho de
1989 e junho/julho de 1990 respectivamente, ou seja, em intervalos de 2
x 198.53 dias, desde o eclipse observado por Victor G. Trombotto (em que
a curva também mostrou-se "bicuda"). As curvas de luz apresentam-se
igualmente "bicudas", caracterizando eclipses parciais, durando cerca de
43 dias cada um.
Convém atentar que os eclipses descritos até aqui foram observados em intervalos pares, deixando o autor curioso, na expectativa de verificar o comportamento da estrela num intervalo ímpar, relativo aos já observados. Até então a queda de luz foi de apenas 1.0 magnitude, enquanto que a carta de busca indicava uma queda de 1.5 magnitudes. Haveria um eclipse secundário mais profundo?
Em meados de dezembro/90 e janeiro/91 aconteceria um eclipse num intervalo ímpar, com a Crux despontando pela madrugada. Sendo verão, não foi difícil levantar bem cedo e quando o eclipse começou com uma queda brusca de magnitude (0.9) em apenas 8 dias, achou-se que desta vez decairia até 9.5. No entanto a queda de parou em mag. 9 por cerca de 20 dias, com pequenas flutuações de 0.1 mags , recuperando o brilho normal em mais 9 dias. A planura desta curva indicava um eclipse total, com duração menor que os eclipses parciais anteriormente observados. Em julho-agosto/91 e fevereiro/92 mais 2 eclipses foram observados, um parcial e outro total, com características semelhantes aos anteriores.
Diante das evidências da alternância de eclipses parciais e totais a cada 198.53 dias, passamos a conceber um modelo de órbita que justificasse tal comportamento.
Deduzimos o seguinte:

Figura 3 : Superposição de 3 eclipses parciais observados
por A.Alves
Como se vê, o trabalho
não é conclusivo, no entanto abre espaço para uma
contínua investigação de W Crucis, onde astrônomos
mais bem equipados, poderiam dar uma maior contribuição.
(extraído de REA – reporte #6, pags 34-7)
Copyright 1993 A.A.Alves
Produced in 1993, 1999 by A.A.Alves and
A.Amorim