Te olhar

 

Te olho tanto e te incomodo um pouco...

Que olhos estranhos os meus que adoram olhar assim todos os traços que existem no teu rosto de moço. São suaves e se entrecruzam a formar um desenho perfeito e agradável de se olhar. Testa em curva leve, nariz de romano. O lábio inferior mais carnudo que seu complemento e, quando entreabertos, expõem uma expressão de prazer e desejo. Pele fina e morena como um árabe, conserva o brilho natural e fresco da manhã que acaba de começar, ainda à noite. Cabelos lisos de índio grisalho, óculos de intelectual circunspecto. Sorriso de menino a brincar com a vida e sorver goles de cerveja gelada pra refrescar a cabeça e o corpo cansado da lida. As mãos também olho e sei do que são capazes enquanto ensina e aprende, enquanto ama e transcende. Os dedos longos e delicados afagam minhas mãos e me entrego ao seu agrado.

Te espero todo dia a sonhar com os momentos bons que vivemos a nos amar.

Te olho porque gosto do que vejo e não me privo do que é bom gostar.

Te olho porque te quero perto e enquanto a distância é assim tão pouca, aproveito o momento e me deixo simplesmente a te olhar...

 

                                                           (verão de 2002)

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