Portas me seduzem e as vejo
tantas, de tantas formas! Me seduzem, nem sei o por quê! Toco as que posso, se
meus olhos por motivo diverso se apercebem das especiais. Sinto a
rugosa superfície, aliso a
maçaneta, se há. Os pés, coloco-os na soleira, como se a algum lugar me
levassem, e abro os braços tentando alcançar as extremidades. Em algumas até
dá! Coloco-me entre as folhas que parecem portal para o infinito. Cada uma me
deixa um gosto, me provoca o novo, me chama atenção para as portas bem dentro
de mim...
E há tantas de formas estranhas, com trancas que já
perdi, tramela emperrada, sem chave nem nada. Mas há as que já venci empurrada
por ventos, amparada por anjos.
Depois que se abre é fácil, nem na memória se fixam
mais!
Mas sabem, nós, seres humanos, temos mania de criar
paredes, de fechar portas e trancar corações como se donos da vida fôssemos e,
mesmo tentando de tudo, abrimos algumas aqui, criamos outras ali...
Há que se ter discernimento, olharmos além da razão,
sermos filhos da emoção, olharmos pra cima, sentirmos o bom que se expande
agora e veremos que portas de nada valem, são ilusão do caminho, fantasias com
espinho.
Que todas as portas se abram...as palpáveis, as
estranhas, as grandes e pequenas, as reais, as impossíveis, as distantes e as
visíveis e se faça claro o caminho, aberto, seguro, centrado, alegre e maduro.
(verão de 2001)