Férias e você

 

Entende-se o mundo enquanto a vida passa mansa ou nervosamente. Sente-se a brisa que antecipa o balouçar das folhas que se desprendem e caem. Corta-se o medo do que não se sabe e deixam-se os dias fluírem, qual rio manso ou enxurrada breve. Solta-se o corpo na rede, olha-se pra parede e se vai, como no colo do verão que vem, como na terra de ninguém. Espalham-se flores amarelas, risos em janelas, acenos de mão, amor no coração. Vêem-se luzes que tocam frontes, dedos que tocam tudo, asas de anjo enfeitiçado, que, como se dono fosse, me espreita de um tanto que me deixo frouxa e me submeto a seu doce encanto.

 

(inverno de 2004                                             Voltar

 

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