Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Centro de Teologia e Ciências Humanas
Curso de Licenciatura em Letras português/inglês 2º Período
Resumo da obra O Visconde Partido ao Meio
Curitiba
2003
Acadêmico: Vandro Elaino Feretti
Trabalho entregue ao P.ª de Literatura com a finalidade de obtenção de nota parcial
Professor e orientador Nilton.
Curitiba
2003
O Visconde Partido ao Meio
É possível dividir o livro em três estágios, A ida do Visconde de Terralba à guerra, o seu retorno da guerra, para o reino de Terralba sem seu lado bom e humano e a terceira, onde o Visconde consegue Reencontrar sua parte perdida.
O conto inicia-se descrevendo a guerra que era travada entre os turcos e a coroa. Nesta introdução, o Visconde de Terralba (personagem principal), começa a fazer descobertas a respeito da guerra e sobre todas as coisas novas que estava vendo. Havia se alistado em tal guerra somente para satisfazer o desejo de alguns nobres da coroa. Quando chegou ao acampamento foi conduzido a presença do imperador, que em sua sala recoberta de tapeçarias e troféus, estudava planos de guerra. Após as apresentações e entrevistas o Visconde de Terralba, por tratar-se de um membro de uma família nobre foi nomeado tenente.
Na manhã seguinte aconteceu a primeira batalha de Medardo. Poderíamos dizer que foi também a última, pois o Visconde de Medardo foi ferido no peito por um tiro de canhão.
Durante uma das tréguas da batalha o carro encarregado de recolher os mortos e feridos recolheu Medardo , levando-o para o hospital.Lá chegando os médicos foram ver oquê seria possível fazer para ajudar o visconde e após darem uma olhada, conferiram que o tiro havia lhe arrancado metade do corpo, diziam eles, sobrou somente um olho, uma orelha, uma perna, uma narina,e um braço.
Medardo após o acidente volta para o castelo de seu pai e todos os cidadãos de sua cidade natal, querem vê-lo porêm, Visconde de Terralba, adentra o castelo e se tranca no quarto, evitando tudo e a todos.
O pai de Medardo querendo agradar seu filho, treinara um pássaro conhecido por lavadeira, para que este chegasse ao quarto do filho e o alegrasse. E como já fazia um bom tempo que seu filho estava trancado no quarto, o pai do Visconde resolvera soltar o pássaropara que este cumprisse o que lhe fora ensinado. O bom homem libertara o referido animal e ficou o observando e como já esperado o pássaro voou até a janela do quarto do filho. Porêm, não demorara muito o pássaro seria morto pelas mãos de Medardo e atirado para fora do quarto.
O pai de Medardo pegou o pássaro, e notou que o pássaro estava com uma asa dilacerada, um olho furado e uma perninha esmagada, ficou muito entristecido pelo que o filho acabara de fazer, demasiadamente magoado tranca-se em um viveiro, junto com seus pássaros e morre no dia seguinte.
Após a morte do pai, Visconde de Medardo começa a sair do castelo. Durante estas saídas seu intuito era somente o de fazer mal a todos os seres que encontrasse.
Nesta segunda parte, o Visconde era um ser mau sem compaixão, que deseja apenas o mau para todos e utilizando seu poder e autoridade, enforca, tortura, e destrói tudo e todos que pode, sem um motivo aparente, apenas para satisfazer seus prazeres macabros.
Medardo, em sua maldade tenta por repetidas vezes matar seu sobrinho, porém, não consegue, não que seu sobrinho seja muito esperto, mas no conto a sorte o ajuda.
Visconde consegue com que sua ama, (madrasta), seja mandada ao exílio dos leprosos. Utilizando mentiras. Dizendo que ela está com lepra, baseando sua desconfiança em algumas manchas que ela tem em seu rosto que foram provocadas por um incêndio provocado pelo próprio Medardo.
As atitudes do Visconde de Medardo começam a mudar apartir do dia em que avista uma camponesa chamada de Pámela, Medardo tenta de várias maneiras convencer a moça a ir morar no castelo com ele, mas, ela na sua sabiência e por já ter ouvido falar nas atitudes do Visconde sempre nega os pedidos dele, argumentando que se isto o fizer será morta, judiada e presa na tal torre que o Visconde tinha oferecido a ela como morada.
Quando queria dizer algo à camponesa, visconde de Medardo mandava mensagens horrendas, essas mensagens, eram sempre acompanhadas de animais mortos, mutilados ou qualquer outra coisa do gênero.
Medardo tentava de várias formas convencer a moça a casar-se com ele, mas a
camponesa resistia como uma rocha aos medonhos galanteios do Visconde.
Podemos começar a notar uma diferença no comportamento de Medardo, quando a camponesa encontra um esquilo morto pelo Visconde, que está partido ao meio, porém, está com a cauda intacta.
Em uma conversa com seus pais, Pámela, diz para seu pai deixar as colméias descobertas para que as abelhas ataquem o Visconde de Terralba, da mesma forma diz para sua mãe amarrá-lo no formigueiro e deixa-lo lá até morrer. Os pais da menina, na sua ingenuidade falam para Medardo oquê a filha os dissera.
No dia seguinte, Pámela voltou mais cedo para casa e encontrou seu pai e sua mãe amarrados e amordaçados um em cima do formigueiro e outro rodeado pelas abelhas, ou seja, o Visconde ainda tentava convencer Pámela de vir junto com ele pela maneira mais cruel.
Certa ocasião quando o sobrinho de Medardo dormia ao pé de uma árvore, acorda assustado e avista seu tio com a mão por cima de seu rosto retirando-lhe uma aranha que estava pronta para morder o menino. O sobrinho do Visconde não entende oquê está acontecendo, mas, nota que a mão que lhe salva, não é a mesma que em outra ocasião lhe dera uma espada para se agarrar quando estava prestes a se afogar em um rio, aquela mão que acabara de lhe salvar parecia-lhe estar localizado ao lado esquerdo do corpo e aquela que lhe deu a espada para se segurar, localizava-se ao lado direito do corpo.
Uma outra prova de que se tratavam de pessoas distintas é quando o menino retira seu anzol da água e encontra no referido anzol um anel com o brasão dos Terralba, o qual fora posto ali por seu tio.
Após este acontecimento começaram a surgir deveros acontecimentos semelhantes, ou seja, de uma boa natureza. Muitas crianças que se perdiam na floresta eram resgatadas por Medardo e levadas novamente para sua família, muitas viúvas eram ajudadas com seus fechos de lenha, etc.
Em contra-ponto muitas crianças eram achadas presas em grutas com a entrada obstruída por uma pedra, avalanches despencavam por sobre as velhinhas, etc.
Uma certa noite quando uma tempestade afligira a cidade de Terralba, a pastorinha procurava abrigo na floresta, quando avistou uma caverna, logo notou que um vulto estava saindo da gruta, quando se preparava para correr ouviu uma voz, era Medardo que a chamava para se abrigar da chuva, a pastorinha, com medo negou, mas o Visconde à convencera. Ela então adentrou ao abrigo e foi protegida da chuva pela caverna e pela capa que o Visconde estendera por sobre a entrada da gruta.
Admirada com a bondade repentina de Medardo, ela ficou olhando para suas mãos e notou que a mão que segurava o manto era a mão esquerda, ou seja, aquele não era o mau Medardo, era a outra metade que havia se perdido e agora havia voltado.
Agora, a camponesa entendia oquê estava acontecendo, ficaram os dois lá parados até que a chuva cessace, e após as explicações do bom Medardo,que disse que fora encontrado e salvo e que havia peregrinado até ali fazendo o bem, resolveram apaixonar-se.
Dada ocasião, quando o bom Medardo, lia para sua amada no bosque, escutaram um barulho entre as árvores que os rodeavam, surgiu como um raio uma lâmina de espada e cortou o livro que o bom lia para a moça, era o mau Medardo. Havia acontecido ali o primeiro encontro do bom com o mau.
Após a descoberta de Pámela, ouveram muitos acontecimentos bons e ruins, O bom Medardo, sempre ajudava os pobres, carentes e enfermos e o mau sempre destruía, mautratava e judiava de todos que pudesse, até que certa ocasião, a mãe de Pámela sofrera um acidente provocado pelo mau e caíra em um poço, segurando-se na corda olha para cima e avista o mau, que lhe diz: Case sua filha com o bom Medardo. De uma maneira inversa, o pai de Pámela andava com um saco de azeitonas nas costa e quando notou que o saco estava mais leve olhou para traz e notou que o saco estava furado e havia ele perdido quase todas azeitonas, teve uma grande surpresa quando olhou com um pouco mais de atenção e viu o bom Medardo recolhendo as azeitonas e guardando-as em seu manto. Aproximando-se o bom disse; O senhor deve casar sua filha com o Visconde, mas este casamento deve ser feito na igreja.
No dia do casamento, o mau Medardo caíra de seu cavalo negro e não conseguiu chegar a tempo para o casamento, o bom por sua vez andava devagar e cauteloso com seu burro e chegou na hora certa para o acontecimento.
O povo ficou decepcionado por ver chegar somente o bom, mesmo assim o casamento começou.
Na hora que o padre estava prestes a declarar os noivos casados, aparece na entrada da igreja o mau, com sua roupa nova de veludo e com os pufs encharcados de água.
Nesta ocasião encontran-se o bom e o mau frente a frente, começam a duelar um com o outro, caem os dois no chão e notam que não conseguem duelar somente com uma perna, adiam o duelo para mais tarde, enquanto isto Pámela foge par o bosque.
O inventor do castelo cria um aparelho que mantém os dois coxos em pé e possibilita movimentos diversos para os dois.
O duelo é marcado, e na data pré-estabelecida os dois se encontram no prado das Monjas; começam a duelar, um tentando atingir o outro, o bom com seu braço esquerdo empunhava a espada e a investia contra o mau o mau com sua mão direita investe a espada contra o bom que se esquiva para não ser atingido.
Em um momento de lapso, o bom é atingido pelo mau, o bom cai, mas, antes de cair desfere um golpe contra o mau que também cai, ficando assim os dois deitados no chão com seus mantos empapados de sangue.
O doutor
Trelawney estava pulando de alegria com suas pernas de grilo, batendo palmas e
gritando.
Rapidamente
corre em direção à ambos e junta-os novamente, amarrando-os com ataduras,
juntando-os e levando-o para o castelo.
Assim, o visconde foi juntado novamente, não se tornando completamente bom ou completamente ruim, mas sim um homem bom e mau ao mesmo tempo, com seus sentimentos equilibrados pela natureza de ser novamente um só ser.
Visconde de Medardo casou-se com a camponesa, teve uma
vida feliz, muitos filhos, e seu governo foi justo. O inventor do castelo
conhecido por Pietrochiodo não construiu mais forcas,
sim moinhos, doutor Trelawney
abandonou os fogos fátuos em favor dos sarampos e erisipelas, porém, logo
voltou para sua terra natal. O sobrinho do Visconde continuou vivendo sua
juventude, fechado em seu mundo de fantasias, e somente esperando, esperando,...
Concluo,
que todos nós somos dotados de relativas metades, nas quais temos o poder do
bem ou do mau, no livro este poder foi dividido em duas metades, na vida real, não
o fazemos, pois é impossível sermos totalmente bons ou maus.
Os
humanos possuem consigo o poder da sabiência, que nos difere dos demais animais
e com este poder somos capazes de equilibrar estes lados para que em algumas
ocasiões possamos pressupor atitudes tomados pelos que nos rodeiam.
Enfim,
digo que a obra serviu-me para refletir sobre as capacidades de ações e
atitudes que somos levados a tomar ou praticar, deixando-nos levar por influências
negativas ou positivas que nos levam a tomar decisões e atitudes, deixando-nos
levar hora vezes pelo nosso lado bom e hora vezes pelo nosso lado mau.
Bibliografia
Ítalo Calvino, O Visconde Partido ao Meio