Projeto de leitura literária visando a inclusão deste ato nas séries 5ª, 6ª, 7ª e 8ª do 1º grau.

 

Realizado pelos acadêmicos; Fábio, vandro, Xênia e Vagner.

 

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ

CENTRO DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS HUMANAS

Curso: Letras Português/Inglês – 4º período

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Projeto de leitura a ser aplicado no ensino médio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Curitiba/PR

2004

Acadêmicos: Fabio, Vagner, Vandro e Xênia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Projeto entregue a professora e orientadora Marlise Sapiensinsk

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Curitiba/PR

2004

Introdução

 

Hoje vivemos num governo democrático. Temos o direito de ‘ir e vir’, pensar, dizer e fazer tudo o que é licito. Porém não foi sempre assim em nosso país. O Brasil viveu 21 anos sob a Ditadura Militar, de 1964 a 1985. Um período de nossa historia em que a censura filtrava toda as manifestações, tanto políticas como artísticas, e o Estado exercia o poder policial sobre os divertimentos públicos, e podia limitar a audiência aos maiores de certa idade e até proibir a apresentação de um espetáculo. Nesta fase de nossa história surge a comedia romântica teatral “Maria Minhoca”, de Maria Clara Machado, que de modo sutil consegue criticar a política em seu momento histórico.

Peça que analisado superficialmente o enredo, o conflito principal, nos faz lembrar a comédia dramática “Romeu e Julieta”, de Shakespeare cujo drama estava na impossibilidade do amor entre dois jovens apaixonados. É o que parece acontecer na obra de Maria Clara. Os personagens, Maria Minhoca e Chiquinho Colibri, também vivenciam uma história de amor contrariado. O humor, a fantasia e uma dose de crítica política são marcas desta autora. 

Nosso intuito com este projeto de literatura infantil é iniciar o aluno para o mundo maravilhoso do teatro e, de uma forma simples, gostosa, porém objetiva fundámentá-lo para a teoria e a pratica teatral. Com a obra escolhida podemos trabalhar a ‘visão além obra’do aluno, ao nos referirmos sobre o momento histórico, político e social e as intenções propostas pela autora da obra. O objetivo é trabalhar com alunos de séries mais adiantadas no ensino fundamental, a sétima série seria o alvo ao qual nosso projeto pode alcançar melhores respostas por parte dos alunos.

 

 

Delimitação do tema

 

         A obra de Maria Machado explica de uma maneira simples a relação do autoritarismo no Brasil e as pessoas, que até mesmo hoje julgam, erradamente, que com o poder militar era melhor. O Mister Buldog, pai de Maria Minhoca, demonstra sua simpatia pelo porte militar de Capitão Quartel. Chiquinho Colibri e seu amigo Fon-Fon usam da malandragem para conseguir desmascarar o Capitão e mostrar ao pai de Minhoca que Colibri, mesmo sendo um civil, era melhor pretendente para sua filha.

         Utilizando a peça pretendemos dar aos alunos uma pequena introdução de teoria teatral, em seguida discutir as características que identificam esta comedia romântica com a comedia dramática “Romeu e Julieta” e, por fim descobrir com os alunos o universo contextual da autora e o tipo de produções que ela realiza.

         As crianças devem começar a pensar sobre a importância da livre escolha, sem censuras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Interpretando a obra e elaborando as etapas do projeto

 

Sabendo-se qual o objetivo a ser alcançado, agora passamos ao projeto em sua pratica.

         O mesmo foi dividido em duas (02) partes, sendo que a primeira parte particiona-se em cinco etapas que abordam a obra com o intuito de fazer com que os alunos apreendam o conteúdo geral da obra a fim de estigá-los para uma segunda etapa na qual será feito uma abordagem mais profunda referente ao texto. Cada uma com particular importância. Mas essenciais para um todo maior. Aqui não será levada em conta a realização de uma leitura que o aluno deverá fazer em casa. Na primeira parte iremos dispor de cinco aulas de 45 minutos cada.

 

 

Parte A

 

         Na primeira etapa - esperando que todos os alunos tenham lido o livro em casa - será realizado uma leitura com a participação direta do professor e dos alunos (interessante seria a que o professor interpretasse de maneira a chamar a atenção dos alunos para uma futura encenação). Aproveitando que a peça é razoavelmente curta e de fácil entendimento após a sua leitura será distribuído uma folha contendo conceitos e principais termos de teatro.

         Na próxima etapa serão distribuídos fragmentos de textos cuidadosamente retirados da peça “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, para que os alunos identifiquem características de igualdade entre as duas peças. Nesta etapa, também será explicada uma breve história sobre Shakespeare e Maria Clara Machado.

 

Na terceira etapa pretendemos utilizarmos uma caixa de papelão contendo as rubricas das personagens e pedir para que os alunos peguem tais papéis, que conterão as falas das personagens. Desta forma pretendemos firmar no intelecto do aluno os fatos e cenas depostos na peça.

Na etapa seguinte, após os alunos terem firmado o entendimento da peça, iremos montar um grupo teatral, no qual, os alunos participarão como atores, contra-regras, supervisores, iluminadores, maquiadores, e demais cargos, sendo que o único cargo ocupado pelo ou pelos professores, será o de diretor.

E coroando toda esta primeira parte, fechando-a com chave de ouro, desejamos demonstrar aos nossos alunos a visão tradicionalista, antiquada e capitalista passada na peça, que persiste em sobreviver em um mundo avançado, futurista e libertário no qual vivemos, além de querermos que a peça seja encenada, e desta forma, concluiremos esta primeira parte referente ao projeto de leitura.

 

 

Parte B

 

Nesta segunda parte pretendemos utilizarmos nossas aulas para fazer uma abordagem gramática e contextualizar a obra com os dias de hoje. Iremos utilizar aproximadamente mais cinco aulas para que possamos fazer esta abordagem.

Na primeira aula da parte (b), iniciaremos nossa abordagem de uma forma que podemos chamar de tradicional, pediremos aos alunos para que façam um resumo da obra a fim de podermos descobrir o que e quanto da peça pode ser absorvido pela nossa classe. Acreditamos que o resumo não é um método exemplar de abordagem, porém é necessário.

Dando seqüência na parte (b) iremos apresentar aos aluno a paráfrase, pô-la em contraposição ao resumo e explicar as diferenças existentes nos dois tipos de abordagem. Ao serem esclarecidas as diferenças, iremos solicitar uma resenha da obra lida, pretendendo com isso perceber a visão crítica do aluno, notando seu ponto de vista no que se refere ao autoritarismo presente na obra.

Na terceira etapa, novamente traremos à sala de aula a obra sheaksperiana ’Romeu e Julieta’, mas desta vez, de uma forma adversa a forma em que esta peça foi apresentada aos alunos. A obra ‘Romeu e Julieta’, irá ser uma adaptação, não particionada, e, apresentada na íntegra, pois, não pretendemos amedrontar nossos alunos, não que julguemos que estes alunos da 7ª série não sejam capazes de ler a obra na sua escrita primordial, mas faz-se necessário atentar que em uma classe temos diferentes tipos de alunos, cujos intelectos também são desiguais.

Após a leitura da peça ‘Romeu e Julieta’, iremos apresentar um questionário que irá configura da seguinte forma:

 

 

1) Você aluno, após ler as obras de Maria Clara Machado e de Sheakspeare, poderia apontar o que notou de similaridade entre as duas peças, e, se não percebeu nenhum paralelismo, também o diga, faça-o da forma escrita, diga o que há em comum ou incomum entre as duas leituras feitas, se não houver, diga o que há de adverso.

 

2) O que você acredita que mudou nas famílias dos dias de hoje quanto a autoridade praticada pelo pari de Maria Minhoca, E nos pais de Julieta? Justifique sua resposta contrapondo os comportamentos dos pais de ontem e dos pais de hoje.

 

3) A peça de Maria Clara Machado escrita em 1968, período em que o Brasil passava por inúmeras transformações em nosso governo teve influências no momento em que foi escrita?  Qual era o regime governamental vigente nesta época?

4) O que são rubricas? Notamos a presença delas na peça. Para que servem? Existe texto sem rubricas? Porque?

 

5) Agora, após ler, reler, interpretar, contextualizar a peça de Maria Minhoca, produza um texto levando em consideração a sociedade vigente nos dias de hoje, utilize-se dos mesmos personagens da peça de Maria Clara Machado, porém, demonstre como seria o comportamento de Maria Minhoca, do pai dela, de Chiquinho Colibri, espelhe-se em seus amigos e em sua família.

 

 

Dando seqüência a nossa abordagem na quarta etapa iremos provocar uma discussão em sala de aula pedindo para que os alunos falem de seus textos, de sua família, de seus pais, pedir que digam qual o diferencial existente entre seus pais e o pai de Maria Minhoca, solicitar que relatem oralmente as diferenças entre eles (alunos) e Maria Minhoca.

Quase ao término da aula, após as discussões e argumentações dos educandos, nós professores poderemos descobrir um pouco mais sobre a família de nossos alunos, desta forma, perceberemos o quanto o fator autoritarismo se faz presente nos dias de hoje a fim de criar textos e enviá-los à família de nossos alunos para que possam também se tornarem leitores, o intuito desta idéia é o de tornar presente e diária a convivência com o livro dentro da casa dos educandos sem que sejamos libertários demais ou conservadores de menos.

Por fim, encerrando esta segunda parte, levaremos nossos alunos à biblioteca pública, e pediremos para que os mesmos façam uma pesquisa e encontrem no acervo outros livros de Maria Clara Machado, Cecília Meireles, Rute Rocha, Monteiro Lobato, entre outros autores e após a leitura, produzam um texto demonstrando a visão política abordada no livro lido, as influências do período em que foi escrito, as diferenças existentes entre os dois livros lidos, pedir para que digam que gênero literário foi o escolhido, se a visão de mundo deposta no livro é a mesma que o de Maria Minhoca, entre outras atividades que achamos desnecessário apresentar neste momento.

 

 

Conclusão

 

Maria Clara Machado, um dos maiores nomes do teatro brasileiro, nasceu em Belo Horizonte, em 1921. Filha do escritor Aníbal Machado foi para o Rio de Janeiro ainda criança, e lá dedicou sua vida as artes dramáticas. Morreu com 80 anos de idade, mas contribuiu para a orientação de professores e grupos amadores. Fundou a companhia de teatro O Tablado, em 1951 e, em 1956, a revista Cadernos de teatro.

Acrescentando à dramaturgia para crianças dimensão poeticamente libertária e calorosamente afetiva. Mais de 30 textos, nos quais a condição infantil reflete a perplexidade da autora diante do enfrentamento do mundo. As histórias clássicas - O patinho feio, A gata borralheira, O Chapeuzinho vermelho, As cigarras e os formigas, João e Maria - passam pelo filtro fabular de Maria Clara Machado imprimindo uma nova forma de reconstruir a fantasia do original.

Maria Clara Machado, autora de diversas obras teatrais como: A bruxinha que era boa; O rapto das cebolinhas; Pluft, o fantasminha; O dragão verde; A menina e o vento; Tribobó City; O diamante do grão-mongol; Camaleão na Lua; A volta do Camaleão Alface.

Enfim, concluímos que tal projeto servirá de base para uma iniciação no que se refere ao gênero literário denominado de teatro. Acreditamos também que através deste projeto, nossos alunos irão aprender a contrapor uma obra com outra(Romeu e Julieta/Maria Minhoca), e desta forma, aprenderão e apreenderão a relacionar uma obra com outra.

Portanto, pensamos serem necessários tais projetos para incentivar nossos alunos a descobrirem de uma forma simples e direta quão bom é o ato da leitura.

 

 

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