l LIVRARIA DO SERIE CHAIN FUNDAMENTO .auro Eduardo 1023 - f. 241249 - Maríngã - Pr. _ úiano da Gama Kuir Chefe do Setor de Filologia da Fundação Casa de Rui Barbosa, da Academia Brasileira de Filologia e do Círculo Lingüístico do Rio de Janeiro Professor de Filologia Romãnica da Universidade Santa Úrsula NOVAS LIMÕES DE ANALISE SINTÁTICA 2.a edição LQ . Direção Samira Youssef Campedelli Benjamin Abdala Junior Preparação de texto José Pessoa de Figueiredo Arte Coordenação e projeto gráfico (miolo) Antônio do Amaral Rocha Arte-final Renê Etiene Ardanuy Elaine Regina de Oliveira Capa Ary Normanha ISBN 85 08 00711 6 1986 Todos os direitos reservados Editora Atice S.A. - Rua Barão de Iguape, 110 Tel.: (PAU) 278-9322 - Caixa Postal 8656 End. Telegráfico "Bomlivro" - São Paulo Sumário Advertência 5 Epígrafes 7 1. Noções básicas preliminares 9 2. O período simples A oração independente absoluta 20 Termos essenciais: sujeito e predicado 20 Termos integrantes da oração 44 Termos acessórios da oração 54 O vocativo 61 3. O período composto 62 Composição do período 62 Tipos de oração 63 Orações independentes coordenadas entre si 65 Orações ou períodos interferentes 70 Orações subordinadas 70 4. Problemas e fatos sintáticos de interesse 110 para a análise 117 Apêndices 117 1. Modelos de análise sintática 2. Quadros sinópticos 140 3. Exercícios de verificação 148 4. Textos exercícios de revisão 166 para Livros utilizados (e respectivas siglas) 191 índice analítico 197 índice geral 202 Ao receber da Editora Ãtica o convite para republicar minhas Lições de Análise Sintática, há vários anos esgotadas (e não reeditadas, a despeito da vontade do autor), não hesitei quanto ao caminho a seguir: decidi manter, no seu cerne, a estrutura desse trabalho, que tão útil se revelou nas sucessivas edições, e que vinha sendo em vão procurado, especialmente por estudantes de Letras, convidados a comparar um método pejorativamente rotulado de "tradicional" com as novidades da moda. Apesar desse epíteto de tradicional que se tem dado à análise estrutural, saussuriana, da frase, ela se tem revelado, no curso dos anos, sólida e consistente. Resistiu incólume às novidades em voga na década de 70, e mantém-se como o método mais adequado ao exame da estrutura da frase. Muitos acréscimos se fizeram (como por exemplo os sete parágrafos iniciais sobre o sintagma); e muitos conceitos foram revistos e mudados - espero que para melhor: baste mencionar os parágrafos em que trato do sujeito indeterminado e da oração sem sujeito, ou do aposto. Não têm conta as novas definições, as pequenas emendas de redação destinadas a tornar mais clara a exposição, os novos exemplos e textos para exercícios. Se com isso tornei estas Novas Lições ainda mais prestantes que as antigas, só os usuários do livro poderão dizê-lo. Quanto à terminologia, coincide, grosso modo, com a Nomenclatura Gramatical Brasileira, que, velha embora de 25 anos, e necessi- 6 ADVERTÊNCIA tando de reforma, ainda se presta razoavelmente, no seu conjunto, ao uso prático. Se dela por vezes me afasto, nisso não vai indisciplina nem sede de originalidade, mas a convicção doutrinária, da qual não abdico, e a necessidade mesma da exposição. Àqueles que acaso estranhem a mudança de opinião revelada no tratamento de alguns conceitos, remeto para o texto de Rui Barbosa que encabeça as epígrafes. Espero, de bom grado, a crítica dos colegas e dos usuários, responsável pelo reexame a que procedi de muitos pontos controversos desse campo movediço da análise sintática. Rio de Janeiro, junho de 1984. Adriano da Gama Kury. "Pelo que toca ao variar das opiniões, deixem-me ter, mais uma vez, o consolo de trazer à praça como coisa de que me prezo, e não me pesa, a deliciosa culpa dos homens de consciência, a única em que hei de morrer impenitente. Beata, beata, beatíssima culpa! Não mo tenham a mal os imutáveis. Deus os desencrue. Deus os reverta da pedra e cal em homens. Deus os ensine a mudar. Porque todo o aprender, todo o melhorar, todo o viver é- mudar. De mudar nem mesmo o céu, o inferno ou a morte, escapam. Mudar é a glória dos que ignoravam, e sabem, dos que eram maus, e querem ser justos, dos que não se conheciam a si mesmos, e já melhor se conhecem, ou começam a conhecer-se. O que, no mudar, se quer, é que se não mude para trás, nem do bem para o mal, ou do mal a peior." (RUI BARBOSA, Queda do Império, 1.0 vol. Rio de Janeiro, Livr. Castilho, 1921, p. LXXX. ) "Nem tudo pode explicar a análise lógica. A língua é o que é e não o que ela deveria ser ou o que quereríamos que ela fosse. Há frases cujo sentido é claro, embora às vezes seja impossível, e até sem interesse algum, determinar a função dos elementos que as compõem." (MÁRIO BARRETO, últimos Estudos, Rio de Janeiro, Epasa, 1944, p. 229.) "La langue n'a pas été créée pour satisfaire les amateurs d'analyse logique." (ANDRÉ THERIVE, apud M. BARRETO, ibid.) r ADRIANO DA GAMA KuRY Rua Marquês de Olinda, 64, ap. 708-A. 22251 - Botafogo, Rio de Janeiro, RJ. 1 Noções básicas preliminares •O sintagma. 1. SINTAGMA é palavra criada por F. de Saussure (Cf. CLG, p. 170; Mattoso Camara Jr., DFG, s. v. sintagma; F. Lázaro Carreter, DTF, s. v. sintagma.) para designar dois elementos consecutivos, um dos quais é o DETERMINADO (principal) e o outro O DETERMINANTE (subordinado). Há, portanto, uma relação necessária de subordinação entre os dois. Obs. - Embora Saussure estenda o conceito de sintagma à Morfologia (reler, por exemplo, forma-se do determinado ler e do determinante re-), aqui só o empregamos no campo da Sintaxe. Estendem muitos, hoje em dia, na esteira de Noam Chomsky, o uso do termo sintagma, que aqui só se utiliza no sentido saussuriano. O tipo por excelência de SINTAGMA é a ORAÇAo normal, composta de SUJEITO (o determinante) e PREDICADO (o determinado). Assim: DETERMINANTE (SUJEITO) DETERMINADO (PREDICADO) 1. Vênus cintila. 2. 0 planeta Vênus cintila no céu. 10 NOÇõES BÁSICAS PRELIMINARES SINTAGMA E SEQI7ÊNCIA 11 Sintagma e seqüência. 4. Nem todos os termos consecutivos apresentam entre si uma relação sintagmática, subordinativa: "Quando a com~ DETERMINANTE (SUJEITO) DETERMINADO (PREDICADO) 3. O céu está límpido. 4. O cavalo é um animal útil ao homem. S. O cavalo e o boi são animais úteis ao homem. 2. Nem todos os sintagmas, porém, são oracionais, como nos exemplos: há O SINTAGMA SUBORACIONAL, correspondente a uma parte da oração, quando o sujeito, ou o predicado, ou seus adjuntos ou complementos são complexos. Desse modo, são sintagmas suboracionais, por exemplo, DETERMINANTE DETERMINADO • planeta Vênus planeta no céu cintila no céu • céu • cavalo um animal útil animal ao homem útil ao homem • homem, formados, cada um deles, de um determinante e de um determinado. 3. Pode igualmente ocorrer sintagma numa ordem superior à oração (SINTAGMA SUPERORACIONAL), em que a oração subordinada funciona como determinante, e a principal como determinado: "Quando o céu está límpido 1 vemos mais estrelas." "Sabemos ~ que Vênus é um planeta." binação cria uma mera COORDENAÇÃO entre os elementos, tem-se, ao contrário, uma SEQÜÊNCIA." (M. Camara Jr., ibid.). É o caso, por exemplo, da combinação o cavalo e o boi (sujeito composto da oração n.0 5 do § 1.0). 5. Também a seqüência apresenta planos hierárquicos de formação 1.0 - SEQÜÊNCIA SUBORACIONAL, quando se está diante de termos COMPOSTOS (sujeito, complementos, adjuntos) coordenados entre si, como no exemplo do § 4.0 ou neste outro "Toda verdade nova desperta a desconfiança, o despeito e a inimizade." Estão em SEQÜÊNCIA os elementos grifados do objeto direto composto, que é o determinante do sintagma suboracional que tem como determinado o verbo desperta: DETERMINADO DETERMINANTE desperta a desconfiança, o despeito, a inimizade (SEQÜÊNCIA) 2.0 - SEQÜÊNCIA SUPERORACIONAL, quando se coorde nam entre si duas ou mais orações, como na celebrada frase: "Vim, vi, venci." Ou neste exemplo de Alcântara Machado (Obras, 11, 185.) "O mar se prolonga na noite, j a noite se prolonga no mar, ~ as ondas se empurram, ~ o ronco do navio é contínuo." Ou neste outro de Olavo Bilac (PI): "Pede a Deus que te proteja 1 e que dê vida a teus pais.", em que as duas orações que servem de objeto direto ao verbo pede constituem uma seqüência. Obs. - Da própria natureza coordenativa da seqüência se depreende que não pode haver seqüência oracional, uma vez que a oração cons- 12 NOÇÕES BÁSICAS PRELIMINARES FRASE, ORAÇÃO, PERIODO 13 titui um sintagma, com relação subordinativa entre seus dois componentes (como se observa em cada uma das orações das seqüências citadas acima). Sintagma e análise sintática. 6. Do exposto se conclui naturalmente que a análise sintática se resume "na depreensão dos sintagmas em ordem decrescente ... e na separação das seqüências que se encontram em cada nível sintagmático." 7. Para fixação da teoria até agora exposta, damos a seguir um modelo de depreensão dos sintagmas e seqüências que compõem o período "Pede a Deus que te proteja e que dê vida a teus pais.". É de observar a plena coincidência com a análise sintática. SINTAGMA SUPERORACIONAL Pede DETERMINADO DETERMINANTE a Deus que te proteja e que dê vida a teus pais SINTAGMAS SUBORACIONAIS DETERMINADO DETERMINANTE 1.0 (Tu) pede a Deus 20 que (ele) te proteja 3.0 e que (ele) dê vida a teus pais SINTAGMAS SUBORACIONAIS DETERMINADO DETERMINANTE 1.0 pede a Deus 2.0 proteja te 3.0 dê vida 4.0 dê a teus pais 5.0 pais teus SEQÜÊNCIA que te proteja 1 e que dê vida a teus pais. *Que é análise sintática. 8. ANÁLISE (dos ubstantivo grego analysis, cognato do verbo analyein, "desatar, desprender, soltar", composto do prefixo ana-, "para cima", + lyein, "soltar") é a decomposição de um todo em seus elementos componentes. 9. A ANÁLISE SINTÁTICA decompõe os elementos componentes (sintagmas) da "frase", examina a sua estrutura: divide um "período" nas "orações" que o compõem, e cada oração nos seus termos (essenciais, integrantes e acessórios). *Finalidade da análise sintática. 10. A análise sintática serve para tornar "claras e racionalmente perceptíveis as relações entre os membros da frase" (sua concordância, sua regência, sua colocação) ; serve, mais, como elemento de verificação da boa construção de uma frase: "a análise lhe revelará o ponto fraco, a estrutura mal urdida"; permite, ainda, racionalizar a pontuação. (Cf. Gladstone Chaves de Melo, NMAS, 25, e Augusto Gotardelo, O Emprego da Vírgula, 3.) *Frase, oração, período. 11. FRASE é a unidade de comunicação entre falante e ouvinte, entre escritor e leitor. Na linguagem oral, cada frase possui uma melodia, um ritmo, uma entoação peculiar que a escrita procura sugerir por meio dos sinais de pontuação e que lhe empresta sentido completo na situação em que é proferida ou escrita. É a entoação a alma da frase. Um simples fonema, uma única sílaba, um vocábulo, podem, graças a ela, ascender ao nível da frase. Tomemos, para exemplificar, o fonema /é/: No nível do fonema, sem valor significativo, diremos que /é/ representa a vogal anterior oral aberta, que se opõe a /a/ ou /é/, o que nos permite distinguir como vocábulos autônomos, por exemplo, prazo, prezo e preso. 14 NOÇSES BÁSICAS PRELIMINARES FRASE, ORAÇÃO, PERIODO 15 No nível do vocábulo, é se identifica como 3.a pessoa do singular do presente do indicativo do verbo ser, que difere de todas as demais do mesmo verbo: és, que é a 2.a pessoa do singular do mesmo tempo; era, foi, será, etc., 3.a pessoa de outros tempos; etc. Já no nível da frase é a entoação que lhe dará vida como unidade de comunicação. Veja-se este trecho do livro O Coruja, de Aluísio Azevedo (p. 149): "- Ele é seu parente? - Não. - Tutor, talvez... Se esse "- É.", no contexto, representa uma frase (e, desfeitas as elipses, uma oração, equivalente a "- Sim, ele é o meu tutor."), isso se deve à entoação com que se profere. 12. A frase pode apresentar-se sob as mais variadas formas, desde simples enunciados monossilábicos, como "- Não." e "- É." do diálogo acima reproduzido, aos mais complexos "Quem o feio ama, bonito lhe parece."; "Pra quem diz `Já!' e não `Depois.', um dia vale dois." (Leonardo Mota, Adagiário Brasileiro.) 13. O tipo mais comum de frase é a ORAÇÃO, sintagma formado de suJEiTO e PREDICADO (V. § L), e como tal estruturada em torno de um verbo; o verbo, explícito ou não, é a característica do predicado, indispensável à existência da oração: "A água corre para o mar."; "A água silenciosa é a mais perigosa." (Leon. Mota, Adagiário... ) Em certos tipos de oração o sujeito se reduz a zero, mas o predicado (e portanto o verbo) não pode faltar: "Choveu muito."; "Houve protestos." (Estas duas orações não têm sujeito. V. § 30.) 14. Nem todas as frases constituem orações: aquelas com que se exprimem sentimentos (e não pensamentos) vêm muitas vezes fortemente carregadas de emoção, e não se constroem em torno de um verbo. Elas não se bipartem em sujeito e predicado, e nelas nem sequer se pode identificar um predicado. Isso acontece, sobretudo: a) nas exclamações (em que deixamos transparecer quase tudo quanto nos vai no íntimo); às vezes se reduzem a simples interjeições: "- Que maçada!"; "- O quê?!"; "- Fogo! "- Hum... ". b) nas indicações: "Eletricista" (tabuleta no alto de uma porta); "Silêncio" (inscrição na parede de um corredor de hospital); c) em certas descrições: "Alta noite, lua quieta, muros frios, praia rasa." (C. Meireles, AP, 27.) A frase não-oracional, por não ter estrutura lingüística elaborada, não se presta a análise sintática; só a frase-oração, pela sua estruturação, admite análise sintática completa. Compare-se a frase "Fogo!", inanalisável, com a oração "A loja está incendiando-se." 15. PERÍODO é o enunciado, de sentido pleno, constituído de uma ou mais orações, e terminado por uma pausa bem definida, marcada na escrita por: . a) ponto: "Devagar se vai ao longe." "Quem semeia colhe."; b) ponto-de-exclamação: "E como é branca de graça / / A paisagem que não sei, / Vista de trás da vidraça / Do lar que nunca terei!" (Fernando Pessoa, OP, 79.) ; c) ponto-de-interrogação: "Do teu moreno / Encanto hoje que resta?" (M. Bandeira, ET, "Sonho branco".) ; d) reticências: "Choraste em meus braços..." (Id., ibid., "Mascarada'.); e) dois-pontos: "Não te afastes de mim, temendo a minha sanha / E o meu veneno ... Escuta a minha triste his- 16 NOÇõES BÁSICAS PRELIMINARES A ORAÇÃO COMPLEXA 17 tória: / Aracne foi meu nome, e na trama ilusória / Das rendas florescia a minha graça estranha." (Id., "A aranha", in PC, 16.) ; "O monólogo final contém a chave do clima doentio em que a novela se desenvolve:" [Segue-se uma citação de 4 linhas.] (F. Lucas, FFSAD, 6.) ; f) mais de um sinal simultaneamente: "Silfos ou gnomos tocam?. .. " (F. Pessoa, OP, 41); "Como o luar é ralo / No chão vago e austero!. .. " (Id., ibid., 46. ) Devem também considerar-se períodos as orações intercaladas ou interparentéticas, que vêm usualmente entre parênteses ou entre travessões, e ocorrem (tendo ou não pontuação própria) intercaladas numa oração: "Na cidade velha, as ruas estreitas de muros negros (não convém acordá-las) dormem, no silêncio lírico, um sono que já dura séculos." (Alc. Machado, Obras, II, 158.); "O Padre Gerôncio diz que respeita e estima João XXIII - um verdadeiro candidato à canonização - mas acha (`Deus me perdoe!') que no seu pontificado a Igreja avançou demais em suas reformas." (E. Veríssimo, IA, 167.) *Período simples e período composto. 16. O período é.SIMPLES quando formado de uma só oração, a qual se diz ABSOLUTA: "Os seus olhos azuis são como duas doces elegias." (Eça, PB, 5.) 17. Se é constituído de mais de uma oração, diz-se com POSTO: "A noite descia; caía de cima uma claridade láctea; pesava um austero e lento silêncio; a larga brancura celeste era gloriosa." (Id., ibid., 83.) *Orações independentes e subordinadas. 18. Se, todas as orações de um período têm sentido completo (isto é, se são orações-frases), recebem o nome de ORA ÇÕES INDEPENDENTES, como as do exemplo do § 17. E, em princípio, cada oração independente, como as desse período, é capaz de formar um período por si. 19. Havendo num período orações sintaticamente dependentes de outra, ou de um vocativo (V. § 88. ), e que nela ou nele exercem uma função, elas se dizem SUBORDINADAS "O presente que se ignora vale o futuro." (M. de Assis) [que se ignora é adjunto adnominal de presente]; "Ó Deus que estás nos Céus, tem piedade de mim." [que estás nos Céus é adjunto adnominal do vocativo Deus]; "Não pude sair porque choveu." [porque choveu é adjunto adverbial de causa de Não pude sair]; "Desejo que sejas feliz." [que sejas feliz é objeto direto do verbo transitivo direto desejo]. Concomitantemente, a oração de que depende uma subordinada se chama PRINCIPAL: "Lá fora da barra está um navio que apita." (J. Amado, MM, 62.) A oração complexa. 20. Em certos períodos compostos por subordinação, se a oração subordinada representa um termo essencial ou integrante (subordinadas substantivas) ou um adjunto adnominal de valor restritivo (subordinada adjetiva restritiva), a chamada "oração principal", sozinha, fi,~a truncada e, em geral, totalmente desprovida de sentido, só perceptível quando se considera o conjunto. E o que acontece em períodos como: 1.°) "[Quem mais se afoga] é [quem melhor nada]." (L. Mota, Adagiário... ), cuja "oração principal" se reduziria a é, uma vez que o sujeito e o predicativo (entre colchetes) têm a forma de orações subordinadas. Ou: 2.°) "Os [que mais duvidam] são os [que menos sabem].", em que a "oração principal" seria Os são os, sem qualquer sentido nem estrutura sintática. 18 NOÇõES BÁSICAS PRELIMINARES ELIPSE 19 É de todo desaconselhável, portanto, essa separação artificial. Em lugar de destacar uma teórica "oração principal", considera-se o conjunto uma ORAÇÃO COMPLEXA (ou GERAL, OU COMPOSTA), como o faziam Sousa da Silveira e José Oiticica e como fazem lingüistas de língua castelhana. (V., por exemplo, o lúcido artigo de Juan M. Lope Blanch citado na Bibliografia.) Assim se analisam essas orações complexas SUJEITO PREDICADO Quem mais se afoga é quem melhor nada. O sujeito é uma oração subordinada, que por sua vez assim se analisa: SUJEITO: Quem; PREDICADO: mais se afoga. O predicado é nominal; é, verbo de ligação; o predicativo do sujeito é uma oração subordinada, que assim se analisa: SUJEITO: quem; PREDICADO: melhor nada. "É impossível não saibas que o pássaro / caído em teu quarto por um vão da janela / era um recado do meu pensamento." (Cassiano Ricardo, PC, 250.) [Estão elípticos a conjunção que e o pronome tu.] "Afeiar as suas graças, parecia-lhe um crime; tirar orgulho delas, frivolidade." (M. de Assis, ap. Gotardelo, EV, 79.) [Após delas, subentendem-se as palavras parecia-lhe uma.] Pode o termo elíptico subentender-se numa flexão dife= rente: é o que se denomina zEUGMA: "Chamo-me Inácio; ele, Benedito." (M. de Assis, ibid.) [_ = ele chama-se Benedito.] "Outros querem apanhar os que, no entender deles, manejaram o criminoso, assim como este o punhal." (C. de Laet, "Microcosmo", O País, 6-10-1915.) [Depois de este subentende-se manejou.] *Núcleo. 21. NÚCLEO de uma função sintática é a sua palavra ou termo central, principal; em torno deste podem estar anexados ou subordinados outros. Numa oração como esta (Graciliano Ramos, Inf., 19. ), "Mergulhei numa comprida MANHà de inverno.", é o substantivo manhã o núcleo da função grifada; numa, comprida e de inverno são termos dele sintaticamente dependentes. *Elipse. 22. Denomina-se ELIPSE a omissão, numa frase, de termo facilmente subentendível, porque presente em nosso espírito: "Pouco olho o céu, quase nunca a lua, mas sempre o mar." (L. Barreto, GS, 38.) Caso muito comum de elipse é o do pronome pessoal sujeito, quando implícito na desinência verbal: estou = eu estou; fizestes = vós fizestes. 0 termo omitido pode ser flexivo ou não TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 21 2 0 período simples. A oração independente absoluta TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO *Orações de um e de dois termos. 23. O tipo mais comum de oração é a bimembre, isto é, bi partida em SUJEITO e PREDICADO: "A chuva / cai levemente dentro do meu coração." (Fernando Pessoa, OP, 528.) Há, entretanto, orações unimembres, sem sujeito (V. § 30. ), constituídas apenas do predicado, que é, pois, o núcleo da oração e, em rigor, o seu único termo essencial: "Chove demais este mês." - "Nevou em São Joaquim." *Predicado e sujeito. 24. PREDICADO é, na oração de um só termo, a enunciação pura de um fato qualquer: "Chove." - "Está nevando." - "Era de madrugada." - "Há um grande som no arvoredo." (F. Pessoa, OP, 527.) Na oração de dois termos, é aquilo que se diz do sujeito: "Meu pensamento é um rio subterrâneo." (Id., ibid., 49.) SUJEITO, em contrapartida, é o termo que exprime o ser de quem se diz alguma coisa: "A chuva cai." *Núcleo do sujeito. 25. O sujeito pode ter como núcleo: a) quando da l.a e 2.a pessoas do discurso, um pronome pessoal (eu, nós, para a 1.a pessoa; tu, você, o senhor, V. S.a, V. Ex.a, vós, vocês, etc., na 2.a pessoa); b) como 3.a pessoa do discurso: 1.°, um substantivo, só ou acompanhado de adjuntos (V. § 75.): "DEUS te acompanhe." - "A larga BRANCURA celeste era gloriosa." (Eça, PB, 81); 2.°, um pronome pessoal (ele e flexões, S. S.a, S. Ex.a, etc. ) ; 3.°, qualquer equivalente de substantivo (as outras classes de pronomes substantivos; numerais substantivos; palavras substantivadas) "Isto não te impressiona?" - "Ninguém reparou em mim." - "Todos estavam pasmados." - "Tudo nos une, / nada nos separa." - "Ambos têm razão." - "Terrível palavra é um não." No período composto por subordinação, a função de sujeito pode também ser exercida por uma oração subordinada (V. § 108, 1.). 22 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... *Sujeito simples e composto. 26. Quando tem um só núcleo (substantivo, equivalente, ou pronome), o sujeito é SIMPLES: "Eu teria ido meu caminho." (M. de Assis, Sem., 48.) ; "Por que está você com esse ar?" (Id., VH, 229.) ; "Amanhã é feriado nacional." (Aníbal Machado, HR, 159.) ; "Súbita mão de algum fantasma oculto / sacode-me." (F. Pes soa, OP, 57.) 27. É COMPOSTO o sujeito quando tem mais de um núcleo (substantivo, equivalente, ou pronome): "Meu pai e minha mãe conservaram-se grandes, temerosos, incógnitos." (Graciliano, Inf., 11); "O magistrado e sua família eram odiosos ao pai de Teresa." (Camilo, AP, 21); "Deus e tu são testemunhas." (Garrett, ap. Mário Barreto, GL, 106.) *Sujeito oculto (elíptico). 28. Nem sempre há necessidade de explicitar o sujeito de uma oração, seja porque já figura numa oração contígua, seja porque a desinência do verbo claramente o indica. Diz-se, então, que o sujeito está elíptico; ou oculto por "elipse" (V. § 22.): "Estou sozinho." (O sujeito é o pron. eu, implícito na forma verbal estou) ; "A empregada que D. Alice me arranjou traz-me o café e as refeições. É discreta e alheia." (Corção, LA, 14.) - (O sujeito dos predicativos discreta e alheia, no 2.° período, é o pron. ela, substituto de a empregada que D. Alice me arranjou, que não se repete por já ter aparecido no 1.° período.) *Sujeito indeterminado. 29. Muitas vezes não se pode, ou não se deseja, ou não interessa indicar o sujeito de uma oração, o qual então se diz INDETERMINADO. TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 29 í 1.0 caso - Verbo na 3.a pessoa do plural. A apresentação lingüística típica de sujeito indeterminado, em português, é deixar o verbo na 3.a pessoa do plural, "não referido a nenhum substantivo no plural anteriormente expresso, nem ao pronome eles" (G. C. Melo, NMAS, 40.): "Pediram silêncio." (An. Machado, HR, 290.) - "Vão lá pedir sinceridade ao coração!" (Camilo, AP, 39.) 2.0 caso - Verbo na 3.a pessoa do singular + pronome se. A maioria dos autores relacionam entre os casos de sujeito indeterminado aquele em que o verbo está na 3.a pessoa do singular, acompanhado do pronome se: "Devagar se vai ao longe." "Não se progride sem esforço." Entendem que, quando se diz "Devagar se vai ao longe.", tem-se em mente que "alguém vai", "qualquer pessoa vai", "a gente vai". E, ao contrário destas equivalências com pronomes ou locuções indefinidas, não existe na oração nenhum termo para exprimir o sujeito. Ao pronome se, por ser átono, não pode caber esse papel: o se é apenas um sinal, um indicador da indeterminação. O sujeito existe, mas é INDETERMINADO. Para outros autores, como Mattoso Camara Jr., trata -se de um caso de ORAÇÃO SEM SUJEITO (V. § 30.), numa construção passiva impessoal (V. § 51, obs.), sendo o se pronome apassivados (Cf. DFG, s. v. A passivador e Passividade.). Embora didaticamente seja aconselhável a análise como sujeito indeterminado, frases há em que a construção com o pronome se é sem dúvida um caso de oração sem sujeito, como as orações com tratar-se de (V. § 30, e.). Raciocinam eles que, quando se diz "Devagar se vai ao longe.", não se cogita, em princípio, de que "alguém vai ao longe", mas que "é possível ir ao longe", impessoalmente; e que "Não se progride sem esforço." equivale a "Não há progresso sem esforço." antes que "A gente progride sem esforço.". 24 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 25 O debate sobre o problema seria interminável. Veja-se o que acrescentamos a respeito no § 51. Didaticamente, pelo menos, julgo mais aconselhável incluir este caso entre os de sujeito indeterminado. Obs. - Autores há que apontam como caso de sujeito indeterminado o que é constituído materialmente por pronomes indefinidos "que nada esclarecem quanto à identidade do agente (ou do paciente, na voz passiva)" (G. C. Melo, NMAS, 42.), numa aproximação natural entre os conceitos de "indeterminado" e "indefinido", numa análise antes lógica do que sintática. Na verdade, ao dizermos "Alguém bateu à porta.", o sujeito alguém é determinado, embora indefinido, apesar de "nada esclarecer quanto à identidade do agente" - tão determinado e indefinido como o substantivo desconhecido nesta oração: "Um desconhecido bateu à porta." Cf. Mattoso Camara Jr., DFG, s. v. Indefinidos. *Oração sem sujeito. 30. Caso distinto é o das orações sem sujeito: nelas a enunciação se concentra no predicado, que não se atribui a nenhum ser; o sujeito é inexistente, e o verbo, por não estar referido a nenhuma pessoa gramatical, se diz IMPESSOAL. Eis os principais casos: a) com verbos e expressões que denotam fenômenos da natureza (amanhecer, entardecer, anoitecer, chover, fazer calor, fazer frio, estar frio, gear, nevar, relampejar, trovejar, ventar, etc.) ; ,b) com o verbo haver quando significa "existir": "Há uma gota de sangue em cada poema." (Mário de Andrade); Obs. - Embora a muitos pareça pacífico este caso, muito se tem debatido a respeito, e autores há, de renome, que julgam pessoal a construção existencial com haver, sobretudo pela abundância de exemplos literários como o célebre "Houveram coisas terríveis.", de Camilo Castelo Branco. Mattoso Camara Jr. (DFG, s. v. Impessoalidade.), entretanto, com a sua autoridade, explica a gênese desta construção sem sujeito pela transformação de um primitivo sujeito (que desaparece) em adjunto adverbial de lugar, em frases do tipo: "A África há (= tem) leões." SUJEITO "Na África há leões." ADJ. ADV. DE LUGAR (E, na linguagem popular, especialmente a do Brasil, "Na África tem leões.") É indispensável a leitura do longo artigo de VALENTÍN GARCíA YERBA publicado na Revista de Filologia Espan"ola, tomo LXIII, Madrid, 1983, p. 33-71: "¿Complemento directo o sujeto con Ias formas unipersonales de haber?" O argumento mais forte em favor da impessoalidade é sem dúvida o fato da exclusiva ocorrência da forma o (e flexões) do pronome pessoal de 3.a pessoa, própria do objeto direto: "Há moções japonesas. Quando as houver chinesas, chegou o fim do mundo." (M. de Assis, Sem., 9.) ; - E de cravos, como vamos? - Aindã não os há, disse o Jerônimo, conssternado...." (C. Neto, CF, 46.) c) com o verbo ser, na designação de tempo em geral: "É cedo." - "SãO duas horas." - "Era de madrugada."; d) com os verbos andar, fazer, haver, ir, na indicação de tempo decorrido: "Andava por um mês que Dagoberto se achava no Bondó." (J. A. de Almeida, Bag., 116.) [Poderia dizer-se também "Fazia um mês", "Havia um mês", "Ia para um mês".]; "Fazia um tempão que não me dava sinal de vida." (J. A. de Almeida, Bag., 35.) ; "Demais, com os políticos ... vivia eu em declarado antagonismo, há longos anos." (Rui, ÀCC, in OC, XLVI, t. I. 47.) ; "Eis, senhores, como eu, vai por mais de cinco lustros, já vos falava." (Id., ibid., 7.); e) em certas orações de conjugação pronominal impessoal (§ 51) "Trata-se de uma estranha confusão etnológica." (C. de Laet, "Crôn. Lit.", in Rev. Brasileira, 1879, t. I, 217.) Aqui se tem em mente apenas o predicado, não se atribuindo o processo verbal a nenhum ser. 26 O PERDDO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 27 -2. 0 PREDICADO 31. A exceção do vocativo (§ 88), tudo o que, na oração bimembre, não é sujeito ou não está no sujeito constitui O PREDICADO, termo que contém a informação nova para o ouvinte. *Predicado nominal, verbal e verbonominal. 32.. Essa informação nova ora está essencialmente contida num verbo, ora num nome ou pronome, ou simultaneamente num verbo e num nome. Daí a classificação do predicado em: 1) NOMINAL, quando a informação que se dá acerca do sujeito - o seu verdadeiro predicado - está contida num NOME (adjetivo, locução adjetiva, substantivo ou equi valente) ou pronome, que se denomina PREDICATIVO; este se liga ao sujeito por intermédio de um verbo sem significação precisa, que por isso mesmo se chama VERBO DE LIGA ção (§ 55). Ex. "O mistério é o ENCANTO da vida." (M. de Assis, HSD, 71); "OPINIÁTICO, EGOÍSTA e algo CONTEMPTOR dos homens, isso fui." (Id., BC, 34.); "VOCê é DAS ARÁBIAS." (lb., 55.) ; "Desde então fiquei PERDIDO." (Ib., 128.); "O Prudêncio está LIVRE." (lb., 133.); "O professor sou EU." 2) VERBAL, quando tem como núcleo de sentido um VERBO de significação precisa, sozinho ou em locução verbal: "Está CHOVENDO."; "SUPORTA-SE com paciência a cólica do próximo." (M. de Assis, BC, 304.); "Ia eu ANDANDO pelas alamedas." (torção, LA, 96.) ; "Todos os caminhos vão DAR a Roma." 3) VERBONOMINAL: é o predicado misto, que possui dois núcleos significativos, um VERBO e um NOME PREDICA TIVO "Ela CHEGAVA sempre ATRASADA." (Corção, LA, 16.) ; "A lua IA GRANDE e BELA." (Garrett, VMT, 303.); "Virgília ENTROU RISONHA e SOSSEGADA." (M. de Assis, BC, 207.) ; "Fabiano MARCHAVA TESO." (Graciliano, VS, 37.) ; "A ignorância FAZ os brutos IMPECÁVEIS." (Macias Aires, RVH, 242.) *O predicativo. 33. Chama-se PREDICATIVO à palavra ou locução de natureza nominal ou pronominal que constitui: a) o núcleo de um predicado nominal "A rua estava SILENCIOSA,"; "O anel Ye' _ E OURO."; "O aluno ^é voçÊ."; b) o elemento nominal de um predicado verbonominal "Encontrei a rua SILENCIOSA." 34. O predicativo pode referir determinado atributo ou a um "sujeito" ou a um "objeto", donde a sua classificação em PREDICATIVO DO SUJEITO e PREDICATIVO DO OBJETO. 35. O predicativo do sujeito pode encontrar-se: a) num predicado nominal "Ela parecia ESPANTADA." (Corção, LA, 231); "Nossa vida tornou-se IMPOSSÍVEL." (M. de Assis, BC, 137.); b) num predicado verbonominal: "A rua foi encontrada SILENCIOSA." (Outros exemplos no § 32, 3.) 36. O predicativo do objeto só aparece no predicado verbonominal "Um fraco rei faz FRACA a forte gente." (Lus., 111, 138.); "Levo a minha consciência SOSSEGADA." (Camilo, AP, 75.) Obs. - Um único verbo, chamar, aparentemente apresenta a anomalia de ter um predicativo anexado ao objeto indireto: "A Pedro chamou-lhe Cristo `CEPHAS, pedra." (Vieira, ap. G. C. Melo, NMAS, 64, n.) 28 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 29 Melhor parece, entretanto, considerar a Pedro objeto direto (preposicionado), pleonasticamente relembrado no lhe: "Em lugar de o, a, os, as pode empregar-se lhe, lhes como complemento direto do verbo chamar (dar um nome), v. g. Chamar-lhe severo." (Epifânio Dias, GE, 11 L) - "No português antigo empregava-se como complemento direto lhe(s) ou (1)0 ... Chamar (= apelar, dar um nome), suceder, anteceder, presidir e talvez mais algum outro, aceitam ainda hoje indiferentemente lhe ou (1)o." (S. da Silveira, TS, 44, de onde tiramos a citação anterior.) 37. Pode vir preposicionado, num predicado verbonominal, o predicativo anexo ao sujeito ou ao objeto: "Ele era tido POR sábio."; "Acusavam DE injusta a medida."; Alçaram-no EM chefe." PREDICAÇÃO VERBAL A - Verbos principais 38. Chama-se PREDICAÇÃO (OU REGÊNCIA) VERBAL ao tipo de "conexão entre sujeito e verbo, entre verbo e complementos" (C. Luft, GR, 130.). 39. Quanto à predicação, classificam-se os verbos em: intransitivos, transitivos (diretos, indiretos, diretos e indiretos simultaneamente, adverbiais) e de ligação. Obs. - A predicação de um verbo depende do seu emprego na oração. V. o que dizemos no § 60. 1) VERBOS INTRANSITIVOS 40. INTRANSITIVOS são os verbos que podem conter em si toda a significação do predicado sem acréscimo de complemento. São habitualmente intransitivos: a) os verbos de fenômenos naturais ou acidentais: chover, ventar; nascer, morrer; acontecer, ocorrer; cair, surgir; acordar, dormir; brilhar, girar; etc.: "Choveu de madrugada."; "Amanheceu."; "Durmo cedo."; "O Sol brilha."; "Ocorreu uma tragédia."; Obs. - Cumpre lembrar que, em sentido figurado, podem estes verbos empregar-se como transitivos diretos (V. § 42.) "Deus choverá B€Nçnos sobre este casal." b) certos verbos de ação, que exprimem fatos causados por um ser capaz de executá-los, um AGENTE: ler, brincar, trabalhar, correr, voar, etc.: "Leio muito."; "As crianças brincam."; "Os pássaros voam."; c) verbos de movimento ou situação: chegar, partir, ir, seguir, vir; morar, estar, ficar; etc. Obs. - Um verbo intransitivo pode ter anexado a si um nome predicativo que exprime o estado ou a condição do sujeito ao dar-se o fato mencionado: "Vai REDONDA e ALTA a lua." (F. Pessoa, OP, 46.); "Olhou CONFRAN GIDO." (An. Machado, HR, 63.); "Entrei APRESSADO." (M. de Assis, BC, 124.) Pode-se dizer que, em casos destes, o verbo intransitivo faz simultaneamente as vezes de verbo de ligação, sem, contudo, perder seu valor nocional. 2) VERBOS TRANSITIVOS 41. TRANSITIVOS são os verbos que requerem o acréscimo de um COMPLEMENTO que integre o sentido do predicado. Classificam-se em TRANSITIVOS DIRETOS, TRANSITIVOS INDIRETOS, TRANSITIVOS DIRETOS E INDIRETOS ao mesmo tempo e TRANSITIVOS ADVERBIAIS. 30 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 31 *Verbos transitivos diretos. 42. TRANSITIVOS DIRETOS são os verbos que têm seu sentido integralizado por um complemento não introduzido por pre posição obrigatória, ou ocasionalmente pela preposição a, denominado OBJETO DIRETO (V. § § 61-65.). Os verbos transitivos diretos, quando pessoais (isto é, com sujeito), possuem as seguintes características próprias: 1) Exprimem ação e, por isso, têm um AGENTE, que na VOZ ATIVA (V. § 47.) é o sujeito da oração. 2) O seu objeto direto representa o ser que, recebendo a ação, é o seu PACIENTE. 3) Pelo fato mesmo de possuírem agente e paciente (este sem preposição necessária), admitem, além da construção habitual, a "voz ativa", outra forma, a "voz passiva", em que o paciente passa a exercer a função de sujeito (V. §§ 47 e 48.). Obs. - Este é o sentido etimológico de "transitividade": chamavam os gramáticos latinos transitiva a oração que podia "transitar" para a voz passiva, e, por extensão, transitivo ao verbo que lhe formava o predicado. É este sentido etimológico que leva A. Nascentes a afir mar categórico: "Um verbo não pode ser transitivo duas vezes. Ou é transitivo ou é intransitivo." (CNGB, 26.) - Não é essa, todavia, a conceituação que se depreende na NGB, que admite transitivos diretos e indiretos, estes sem voz passiva; para a NGB é transitivo o verbo que pede objeto, e intransitivo o que não o tem. Para nós, é transitivo o verbo que pede COMPLEMENTO. *Verbos transitivos indiretos. 43. TRANSITIVOS INDIRETOS são os verbos que têm seu sentido integralizado por um OBJETO INDIRETO, isto é, um complemento que, quando substantivo, ou pronome substantivo, vem obrigatoriamente regido de preposição sem valor circunstancial: Obs. 1 - Convém notar que a existência obrigatória de preposição no objeto impede que os verbos transitivos indiretos se construam na voz passiva analítica, o que é próprio dos transitivos diretos. Uns poucos verbos, atualmente transitivos indiretos, admitem, entretanto, a voz passiva, muitas vezes pelo fato de se construírem, no português antigo, como transitivos diretos. Tais são, por exemplo, obedecer, perdoar, pagar, visar, etc. Cf. Clóvis Monteiro, NAB, 53, n. 5. Obs. 2 - Uma preposição pode introduzir seja objeto indireto, seja complemento ou adjunto adverbial: no primeiro caso é mero nexo gramatical, sem valor significativo: "Gosto DE música." (de música = = objeto indireto); já no 2.° caso tem valor circunstancial nítido: "Venho DE casa." (de casa = complemento adverbial de lugar). Obs. - Aos verbos nestas condições se dá tradicionalmente o nome de bitransitivos ou biobjetivos. Nenhum destes nomes se adotou na. NGB. Antenor Nascentes, que repele o termo bitransitivo no seu comentário à NGB, p. 26, usa, entretanto, biobjetivo no Problema da Regência, 2.a edição, 1960. E nas Dificuldades de Análise Sintática (1959), declara, a propósito de expressões como "dar à manivela", que se pode "subentender a palavra movimento e dar ao verbo o caráter de DUPLAMENTE TRANSITIVO" (p. 15). "Escrevi A meus pais." "Perdoa A teus inimigos." "Discordava DE tudo." "Pensei muito EM ti." *Verbos transitivos diretos e indiretos simultaneamente. 44. Outros verbos transitivos há que, em certas frases, além do objeto direto, requerem simultaneamente o acréscimo de outro complemento, O OBJETO INDIRETO, que, quando substantivo, vem obrigatoriamente precedido de preposição (a, mais raramente para), e que designa o ser a quem a ação beneficia ou prejudica (dar, devolver, entregar, mostrar, oferecer, pedir, etc.): "Deu tudo AOS pobres." "PARA o filho reservara os melhores livros." 32 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 33 A denominação bitransitivo nos parece útil e didática, e não vemos inconveniente no usá-la. *Verbos transitivos adverbiais. 45. Certos verbos de movimento ou de situação (como che gar, ir, partir, seguir, vir, voltar; estar, ficar, morar, etc. ), quando pedem Um COMPLEMENTO ADVERBIAL DE LUGAR que lhes integre o sentido, embora tradicionalmente classificados como intransitivos, devem ser considerados transitivos, desde que se entenda por TRANSITIVIDADE a necessidade de um complemento "que vem acabar uma idéia insuficiente em si mesma" (A. Sechehaye, de quem transcrevemos a passagem a seguir, que subscrevemos integralmente): "Chama-se na gramática tradicional `verbo transitivo' a qualquer verbo que é comumente seguido de um objeto direto, como tomar, comprar, trazer, etc. A transitividade neste sentido representa um fenômeno de certa importância, seja de um ponto de vista teórico, pois são com efeito os verbos transitivos que possuem normalmente voz passiva, seja às vezes de um ponto de vista prático, caso se pense, por exemplo, na concordância do particípio com o objeto direto em francês. Mas qualquer que seja a importância da transitividade assim definida, é impossível deixar de ver que ela se liga a um caso mais geral de que é difícil separá-la. Há, como o fizeram notar os que se ocuparam da terminologia escolar, uma quantidade de verbos que não são seguidos de objeto direto e que nem por isso estão menos estreitamente unidos ao seu `objeto': servir-se de, aspirar a, fr, nuire à, etc. Estes verbos, tanto como os precedentes, têm necessidade do seu complemento como de uma determinação que vem acabar uma idéia insuficiente em si mesma. Em qualquer caso, a idéia representada por essas palavras se ofe rece à mente com um caráter de incompletação: é um prin cipal que é feito para um complemento e que parece não ter cumprido a sua função se não chega até ele. Ora, se definirmos a transitividade pela incompletação da idéia principal, vemos logo abrir-se diante de nós uma perspectiva muito mais ampla. Os verbos transitivos já não serão necessariamente verbos de ação que pedem um objeto, no sentido especial do termo; pertencer a, que pede complemento que designa o possuidor, ir a, que pede uma indicação de lugar, serão igual mente transitivos." (Essai sur Ia Structure Logique de Ia Phrase, p. 80-81.) Levando em conta esse fato, vários autores têm incluído esses verbos entre os transitivos: José Oiticica os denomina "verbos adverbiados"; Rocha Lima lhes chama "transitivos circunstanciais"; Evanildo Bechara sugere o nome "transiti vos adverbiais", observando que, numa oração como "Irei à cidade.", à cidade é COMPLEMENTO, e não ADJUNTO (LPAS, p. 44, nota.). Antenor Nascentes, embora os inclua entre os intransitivos, adverte : "Tratando-se de verbos in transitivos de movimento, o complemento de direção não pode ser considerado elemento meramente acessório." (PR, 17-18.). Considerando esses motivos, incluímos entre os verbos transitivos os ADVERBIAIS. Exemplos: "Ela IA à igreja todas as manhãs."; "MORO no Rio de Janeiro."; "O Presidente VOLTOU da China." CONSTRUÇÕES ESPECIAIS DOS VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS - AS VOZES VERBAIS *Voz ativa e voz passiva. 46. Os verbos transitivos diretos, como já se disse no n.° 3 do § 42, admitem voz ativa e voz passiva. Entende-se por voz a forma ou flexão em que se apresenta o verbo transitivo direto para indicar a relação que há entre ele e o sujeito. 34 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 35 *Voz ativa. 47. VOZ ATIVA é a forma habitual que reveste o verbo transitivo direto para denotar que o seu sujeito (claro, elíptico, ou indeterminado) é AGENTE, isto é, executa ou pratica a ação que exprime: SUJEITO AÇÃO OBJETO DIRETO (= AGENTE) (verbo na voz ativa) (= PACIENTE) Cairo matou Abel. (Eu) amo (a) meus pais. (?) Construíram muitos edifícios. *Voz passiva com auxiliar (analítica). 48. VOZ PASSIVA ANALÍTICA é a forma composta, com auxi liar, que o verbo transitivo direto assume para exprimir que o seu sujeito é PACIENTE, isto é, recebe ou sofre a ação: SUJEITO AÇÃO AGENTE DA (= PACIENTE) (verbo na voz passiva) PASSIVA Abel foi morto por Cairo. Meus pais são amados por mim. Muitos edifícios foram construídos. (?) Obs. - O agente (sujeito, na voz ativa), quando indeterminado, não é expresso nem na voz ativa nem na passiva, conforme se pode ver no último exemplo. 49. É a mais comum em português a voz passiva analítica com o auxiliar ser (passiva de ação). Encontram-se, porém, ainda, construções passivas com os auxiliares estar, andar, viver (exprimindo estado) "A atriz está (anda, vive) cercada de admiradores."; ficar (mudança de estado): "Ficam revogadas as disposições em contrário."; ir e vir (movimento) "A imagem ia (vinha) carregada pelos fiéis." Obs. - Nem todos os verbos transitivos diretos, entretanto, podem construir-se na voz passiva analítica. Alguns, porque já possuem sentido passivo (agüentar, sofrer, etc.); outros, pelo uso da língua, que não obedece a normas fixas (ter, conter, querer, poder, crer, etc.). *Voz passiva pronominal (ou sintética). 50. Quando, numa oração na voz ativa com verbo transitivo direto, o agente (sujeito) é indeterminado, e o paciente (objeto direto) é um ser inanimado, incapaz de praticar a ação expressa pelo verbo, nossa língua admite, além da voz passiva composta, com auxiliar, outra construção, sintética, em que à forma do verbo na voz ativa se acrescenta, para indicar passividade, o pronome se. Obs. - Se o paciente for um ser animado,, em vez de passividade, a construção pronominal poderá também indicar reflexividade, ou reciprocidade: "Salvaram-se todos nadando." Cf. § 54. Compare-se: 1. Voz ativa: "Construíram muitos edifícios." (sujeito indeterminado; verbo construir, transitivo direto, na voz ativa; objeto direto, paciente : muitos edifícios.) 2. Voz passiva com auxiliar (analítica) : "Foram construídos muitos edifícios." (sujeito paciente: muitos edifícios; verbo construir na voz passiva analítica: foram construídos; não se declarou o agente.) 3. Voz passiva com pronome se: "Construíram-se muitos edifícios." (sujeito paciente: muitos edifícios; verbo construir na voz passiva pronominal: construíram-se; não se declara o agente.) Obs. 1 - Na voz passiva com auxiliar, a omissão do agente é eventual, podendo declarar-se, quando convier: "Muitos edifícios foram construídos PELOS CANDANGOS." 36 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 37 Já na voz passiva pronominal a língua moderna não explicita o agente. Não se usa, atualmente, dizer: "Construíram-se muitos edifícios pelos candangos", sintaxe usual no português antigo: "A virtude ama-se dos bons." (João de Barros) (isto é: "A virtude é amada pelos bons.") Podem encontrar-se numerosos exemplos em Jucá, Fator, 64-66. Autores há que, excepcionalmente, hoje em dia, tentam ressuscitar o uso antigo, tornando claro o agente na voz passiva pronominal: " .... lembranças que se foram acumulando com o correr dos anos por meu pai." (Diná S. de Queirós, Eles Herdarão a Terra, p. 113, apud Lassa, MBLP, 301) Obs. 2 - Mesmo certos verbos que não se constroem na voz passiva com auxiliar (§ 49, obs.) admitem a passiva com se: "Quantas coisas há que só se prezam quando já não se têm." *Extensão do emprego da conjugação pronominal: oração de sujeito indeterminado. 51. A construção lingüística de um verbo acompanhado do pronome se, a princípio reflexiva (V. § 5 3.) , teve, como vimos no § 50, estendido o seu emprego a significar passividade, quando com verbos transitivos diretos, em orações providas de sujeito. Na evolução da língua, entretanto, passou a usar-se, extensivamente, com todos os tipos,de verbos principais (intransitivos, transitivos indiretos, de ligação), mas em frases sem sujeito determinado: "Também se morre de amor."; "Obedeça-se às prescrições."; "Nunca se é excessivamente bom."; "De uma hora para outra, se está no oco do mundo." (J. A. Almeida, Bag., 79.) Obs. - A essa construção se denominava, algo inadequadamente, seguindo a tradição da gramática latina, passiva impessoal: passiva quanto à forma (verbo seguido do pronome se, como na voz passiva pronominal, que estudamos no § 50); impessoal porque desprovida de sujeito. Cf. Mattoso Camara Jr.: "Como então falta um paciente para ser sujeito, o verbo fica sem sujeito ou impessoal." (DFG, s. v. Passiva, voz.) O latim pode ajudar-nos a compreender o fato: A conhecida frase latina "Sic ITUR ad astra." apresenta o verbo ire, intransitivo, numa forma em tudo idêntica à passiva de um verbo transitivo direto (amaTUR, deleTUR), mas não para exprimir passividade, o que não se coaduna com a natureza do verbo, porém impessoalidade (para Mattoso Camara Jr.), ou melhor, indeterminação do sujeito. Tal como, em português, "Assim se vai aos astros.": se vai tem forma idêntica à de um verbo transitivo direto na voz passiva pronominal ("Pouco se ama a virtude, hoje em dia."); mas, enquanto este possui sujeito explícito ("a virtude"), aquela outra declaração se concentra no fato expresso pelo verbo, que não possui sujeito determinado. Daí a classificação que se poderia fazer para a voz passiva pronominal 1) pessoal (= com sujeito): "Ouviam-se AMPLOS BOCEJOS;.... trocavam-se de janela para janela as PRIMEIRAS PALAVRAS, OS BONS-DIAS; reatavam-se CONVERSAS interrompidas à- noite; .... No confuso rumor QUE se formava, destacavam-se RISOS." (A. Azevedo, Cort., 43-44.); 2) impessoal (= sem sujeito) (Mattoso Camara Jr.) "Pigarreava-se grosso por toda a parte." (Id., ibid., 43.); "Já não se falava, gritava-se." (Id., ibid., 45.). Julgamos mais adequado, entretanto, dizer, simplesmente que se trata de uma conjugação pronominal de sujeito indeterminado. 52. A freqüência do emprego do pronome se, para indicar sujeito indeterminado, com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação - "Vive-se bem aqui."; "Precisa-se DE uma secretária."; "Nunca se é excessivamente bom." -, levou a estender esse uso aos próprios verbos transitivos diretos, desde que empregados com objeto direto preposicionado, ou intransitivamente: "Admira-se A Bernardas."; "Começa-se, acaba-se, interrompe-se, adia-se, continua-se ou descontinua-se à vontade e sem comprometimento." (Garrett, VMT, 294.) *Conjugação pronominal de sujeito indeterminado com verbos transitivos diretos. 38 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 39 O uso vulgar estende esse emprego até aos verbos transitivos diretos sem objeto preposicionado ("Conserta-se relógios.", "Aluga-se apartamentos."), construções que contrariam a norma vigente na boa linguagem literária. Apesar disso, já se encontram exemplos literários, como este de Aluísio Azevedo "Como que se sentia ainda na indolência da neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente. ... " (Cortiço, 41) Obs. - A propósito do que se disse neste parágrafo, consultem-se: Martins de Aguiar, "Evolução da conjugação reflexiva% em Notas e Estudos de Português, p. 181; Mattoso Camara R., DFG, s. v. Impessoalidade, Passiva, voz; e Cândido Jucá Filho, Fator, 66-81. *Voz reflexiva ou mediai. 53. Quando a ação denotada por um verbo transitivo direto é simultaneamente exercida e recebida pelo mesmo ser, diz-se que o verbo, então acompanhado de pronome, está na voz medial ou reflexiva: "Narciso contemplava-se na água." [O objeto direto de contemplava (o pronome reflexivo se) representa a mesma pessoa do sujeito (Narciso).] 54. Çonvém notar que sob a denominação genérica "voz reflexiva" a NGB engloba outros casos diversos, que podemos assim sistematizar: 1) Voz reflexiva propriamente dita: aparece exclusivamente com verbos transitivos diretos, que têm como objeto direto um pronome, de qualquer pessoa gramatical, que representa o próprio sujeito: "Eu me penteio, tu te penteias, ele se penteia, nós nos penteamos", etc. - Compare-se (o mesmo verbo sem reflexividade): "A mãe penteava os filhos." Na prática se reconhece que ,o verbo está na voz reflexiva quando se pode acrescentar a expressão de reforço a si mesmo (e flexões) : "Ela se penteia a si mesma." 2) Voz medial recíproca: o verbo é igualmente transitivo direto, tem sujeito simples no plural (ou composto, de mais de um núcleo), e a ação expressa se distribui no pronome reflexivo objeto, também da mesma pessoa: "Os desafetos cumprimentaram-se publicamente." "Carlos e. Joaninha amavam-se." Na prática se reconhece a voz medial recíproca pela possibilidade de acrescentar as expressões de reforço "um ao outro", "uns aos outros", "mutuamente": "Cumprimentaram-se um ao outro."; "Amavam-se mutuamente." 3) Voz medial dinâmica, que aparece: a) com verbos que exprimem "ato material ou movimento que o sujeito executa em sua própria pessoa, idêntico ao que executa com cousas ou outras pessoas, sem haver propriamente a idéia de direção reflexa: Afastei-me do fogo (à semelhança de: Afastei a criança, o livro, do fogo). Ele arremessou-se sobre o inimigo (à semelhança de: arremessou uma pedra). A mãe deitou-se na cama (à semelhança de: deitou a criança na cama." (Said Ali, GS, 138.); b) sem qualquer idéia reflexiva, com verbos intransitivos que também se usam sem pronome, para exprimir movimento ou ação executada com vivacidade, ou espontaneamente: "Ele ria-se à toa."~Cp.: ria à toa); "Foi-se embora." (Cp.: foi-embora); "Alma minha gentil que te partiste." (Cp.: que partiste); "Deitou-se tarde." (Cp.: deitou tarde). Obs. - Nestes casos, o pronome, de valor antes estilístico do que gramatical, é uma palavra expressiva, de realce, sem denominação especial na análise sintática. Não deve, nesta, separar-se do verbo. 4) Voz medial pronominal, em que aparece, integrado no verbo, que nunca se conjuga sem ele, um pronome fossilizado sem função sintática: 91 "Queixas-te sem razão. 40 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 41 E assim arrepender-se de, orgulhar-se de, atrever-se a, lembrar-se de, etc., verbos que, por se usarem sempre conjugados com pronome, denominam-se pronominais. Obs. 1 - A NGB não utiliza o termo medial, para as vozes verbais. Empregamo-lo por necessidade de sistematização. Obs. 2 - Os verbos intransitivos, transitivos indiretos e de ligação não têm voz ativa nem passiva: são neutros. Obs. 3 - Com uns poucos verbos bitransitivos o pron. reflexivo se tem a função de objeto indireto: "Ele se arroga tal direito." - "Deu-se pressa em sair." 3) VERBOS DE LIGAÇÃO 55. Chamam-se DE LIGAÇÃO verbos que, sem possuírem geralmente significação precisa, ligam um sujeito a um predicativo (Cf. § 31), exprimindo ao mesmo tempo: a) o estado ou condição do sujeito; b) o tipo de relação (aspecto) que há entre sujeito e predicativo. 56. Embora a NGB não classifique tais estados e aspectos, parece-nos útil à compreensão sintática e estilística classificá-los: 1) Aspecto permanente (estado natural ou habitual), expresso pelo verbo ser, que pode ligar-se a um adjetivo, designando atribuição ou qualificação, ou a um substantivo, indicando classificação: "Vênus É brilhante.", "Vênus É um planeta." 2) Aspecto transitório (estado adquirido) - estar, andar, viver: "Fulano ESTÁ (OU ANDA, OU VIVE) resfriado." 3) Aspecto permansivo (mudança de estado) - ficar, acabar, fazer-se, meter-se, torno r-se, virar (com substantivo): "FICOU louco.", "ACABOU mendigo.", "O príncipe METERA-SE frade.", "O sofrimento VIROU esperança." 4) Aspecto durativo (duração de estado) - continuar, ficar, permanecer: "Fulano CONTINUOU (OU FICOU, OU PERMANECEU) silencioso." 5) Aspecto aparente (aparência de estado - natural ou adquirido) - parecer (com adjetivo ou substantivo): "Vênus PARECE uma estrela." (= parece ser); "A Terra PARECE imóvel." (= parece estar); semelhar (com substantivo) : "Aquilo SEMELHAVA procissão de espectros." (Guedes de Amorico, "Os Cegos de Rubiães", in MCP, 176.) B - Verbos auxiliares *Locução verbal; verbos auxiliares. 57. Quaisquer dos tipos de verbos examinados até agora - verbos PRINCIPAIS (intransitivos, transitivos [diretos, indiretos, adverbiais] e de ligação) - podem constituir uma conjugação composta, chamada LOCUÇÃO VERBAL, com a participação de um (ou mais de um) verbo secundário, AUXILIAR, que lhe auxilia a conjugação, precisa o sentido, ou determina com mais rigor o momento do processo verbal. 58. Os componentes da locução verbal podem vir ou não ligados por preposição. O verbo principal aparece forçosamente numa forma nominal (infinitivo, gerúndio, particípio), enquanto o primeiro auxiliar recebe as flexões de modo-tempo e número-pessoa: TENHO DE fazer, ESTAVAS estudando, HOUVÉSSEMOS chegado. Havendo mais de um auxiliar, só o primeiro recebe flexões; os demais ficam em forma nominal: ESTAVAM querendo chorar. *Classificação dos verbos auxiliares. 59. Segundo a finalidade do seu emprego, assim podemos classificar os verbos auxiliares: l. Auxiliares que servem para a formação de novos tempos (sempre com o verbo principal no particípio): 42 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ESSENCIAIS: SUJEITO E PREDICADO 43 a) na voz ativa: ter, haver e, hoje mais raramente, ser: TINHA feito, HAVIA dito, "Já Sois chegados", "Os cavaleiros ERAM partidos."; b) na voz passiva analítica: 1) de ação - ser: "Abel FOI morto por Caim."; 2) de estado - estar: "O filho ESTÁ cercado, em Santarém, do Mauro povo cego." (Lus., 111, 80.); 3) de mudança de estado - ficar: "FICAM revogadas as disposições em contrário." 2. Auxiliares que determinam com mais rigor o momento do processo verbal, indicando, entre outros, os seguintes "aspectos" a) momento inicial (INCOATIVOS) : começar a, deitar a, desatar a, entrar a, passar a, pegar a, pôr-se a, principiar a, etc. (todos com o verbo principal no infinitivo) : "Pus-me a pensar."; "ENTROU a coser."; "DESATOU a correr, como louco." (Guedes de Amorico, "Os Cegos de Rubiães", in MCP.) ; b) repetição, hábito (ITERATIVOS OU FREQÜENTATIVOS): costumar, tornar a, voltar a, etc. (com o verbo principal no infinitivo) : "COSTUMO estudar pela manhã."; "TORNOU a errar."; c) duração, continuação, progressão (PROGRESSIVOS Ou CURSIVOS): 1) com gerúndio: andar, estar, ficar, ir, vir, etc.: "Que ANDAS fazendo?"; "VEM chegando o verão."; 2) com infinitivo: andar a, estar a, ficar a, etc.: "Que ANDAS a fazer?"; "Fico a meditar."; d) momento final, cessação: acabar de, cessar de, deixar de, parar de (todos com o verbo principal no infinitivo) "Ele ACABA DE chegar."; "DEIXEI DE fumar."; ` e) momento futuro próximo : ir + infinitivo : "Vou viajar para a Catalunha." Obs. - Said Ali chama a estes auxiliares acurativos ou determinativos. 3. Auxiliares MODAIS, que indicam o modo segundo o qual o sujeito, ou o falante, encara o processo do infinitivo; acrescentam à locução caráter de: a) volição: desejar, querer, haver de: "QUERO votar para presidente."; "HAVEMOS de superar esta crise."; b) possibilidade ou capacidade: poder, saber: "PODE entrar."; "Não SABIA resolver o problema."; c) necessidade: dever (de), ter de, ter que: "Não DEVES desistir."; "TENHO QUE sair agora."; d) intenção: tentar, buscar, ousar, pretender, etc.: "TENTAREI ser mais claro."; e) consecução: conseguir, lograr, vir a, etc.: "CONSEGUIU tirar o primeiro lugar."; "VEIO A ser presidente."; f) aparência: parecer: "As estrelas PARECIAM sorrir." (Cf. § 108, 1, obs. ) Além destes três tipos, há outros auxiliares, conhecidos como "causativos" e "sensitivos", que não formam locução verbal: deixar, fazer, mandar; ver, ouvir, sentir. Deles trataremos no estudo do período composto, § 108, 2, c, obs. *Predicação variável. 60. Há numerosos verbos cuja predicação somente pode ser determinada no contexto de uma frase, nunca isolados. Aqui vão alguns exemplos de verbos de predicação múltipla (ser, estar, ficar, virar, ir, querer) a) de ligação: "O Sol é um astro."; "O Sol está avermelhado."; "O Sol ficou avermelhado."; "O sofrimento virou esperança."; b) intransitivos: "Deus disse: Sê; e tu foste."; "A canoa virou."; c) auxiliares: "A banhista foi salva pelo guarda-vidas."; "Aquela cidade estava tornando-se inabitável."; "Fiquei rondando a casa."; "O inverno vai chegando. Vou sair cedo."; "Ninguém queria assumir a responsabilidade."; 44 O PERÍODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO 45 d) transitivos diretos: "O vento virou a canoa."; "O gado ia seu caminho mansamente."; "Todos querem eleições diretas."; e) transitivos adverbiais: "Ninguém estava em casa."; "Onde ficarás?"; "Você já foi à Bahia?". Poderíamos multiplicar os exemplos. 1. OS COMPLEMENTOS VERBAIS 1) O OBJETO DIRETO 61. Chama-se OBJETO DIRETO ao termo da oração que integra o sentido de um verbo transitivo direto (§ 42), exprimindo, pois, o ser para o qual se dirige a ação: "O sino chama os CRISTÃOS à matriz." (B. Lopes, Cromos. ) 62. Disso resulta que o objeto direto é o termo que exprime o paciente de um verbo na voz ativa (§ 42 ), e portanto se torna sujeito na voz passiva (§ 46): "OS CRISTÃOS são chamados à matriz pelo sino." 63. O objeto direto pode exprimir-se por meio de: a) substantivo (ou palavra substantivada) não regido de preposição obrigatória: "Vais encontrar o MUNDO." (R. Pompéia, Aten., S.); "Louvemos A DEUS."; b) pronome pessoal oblíquo átono (me, te, se, nos, vos); na 3.a pessoa tem as formas privativas o, a, os, as (com suas variantes lo, no, etc.): "Viste-A?"; "Trouxemo-LO."; "Trouxeram-NAS."; C) pronome pessoal oblíquo tônico regido da preposição a: "Jacó a ela pretendia como prêmio."; d) qualquer pronome substantivo não regido de preposição obrigatória: "(A) quem procuras?". No período composto, o objeto direto pode ser expresso por meio de oração substantiva (V. § 108, 1): "Quero que voltes logo." *Objeto direto preposicionado. 64. Quando o objeto direto tem como núcleo certos substantivos ou pronomes substantivos, não raro vem regido da preposição a, sobretudo quando se segue a verbos que expri mem sentimentos. Eis os principais casos em que ocorre o objeto direto preposicionado: a) em certas expressões da língua em que aparecem substantivos próprios: "Louvemos a Deus."; "Os romanos adoravam a Júpiter."; b) quando o substantivo indica pessoa: "Estimo a meus pais."; c) quando é pronome pessoal tônico (uso obrigatório): "Ofendeste a ele, não a nós."; "Feriu-se a si mesmo."; d) com pronomes substantivos demonstrativos, indefinidos, interrogativos: "Apreciei mais a este."; "Ofendeu a todos indistintamente.% "A quem preferes?"; TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO 46 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO 47 e) com pronome de tratamento: "Muito estimamos a V.S.a."; f) com numerais substantivos: "Aprovei a ambos."; g) quando vem antecipado: "Aos maus, não os temo."; "A estas penas nem o esquecimento cura." (Matias Àires, RVH, 14.); h) para evitar ambigüidade: 1) quando se usa a ordem inversa: "Venceram aos chineses os japoneses."; 2) na comparação: "Respeitava-o como à sua mãe." (An. Machado, "Taci, a Garota".) ; i) na expressão de reciprocidade um ao outro (e flexões): "Amai-vos uns aos outros." *Objeto direto pleonástico. 65. Sempre que haja necessidade expressiva de reforço, de ênfase, pode o objeto vir repetido. Essa reiteração recebe o nome de PLEONASMO, e pode ocorrer em qualquer função sintática (V. § 157.): "A mim, abandonaste-me." (Eça, PB, 146.) (O objeto direto me, que relembra a mim, antecipado, é pleonástico.) 2) O OBJETO INDIRETO 66. Recebe o nome de OBJETO INDIRETO o termo da oração que, sem caracterização lógica perfeitamente definida, pode exprimir: a) o ser para o qual se dirige a ação de um verbo transitivo indireto, podendo ter, pois, neste caso, valor análogo ao do objeto direto: "Gosto de MúsICA." (Cp.: "Aprecio música."); "Ele recorreu ao DICIONÁRIO." (Cp. "Consultou o dicio nário.") ; "Consentimos nisso." (Cp.: "Admitimos isso."); b) nos verbos bitransitivos, o ser a quem se destina o objeto direto: "Entreguei o livro ao ALUNO."; c) o ser em benefício ou em prejuízo de quem se realiza a ação: "A TODOS dirigiu palavras de reprovação."; "Falou carinhosamente a TODOS."; d) o ser em que se manifesta a ação: "Aconteceu a FULANO uma desgraça."; "Custou muito ao MENINO aceitar esta situação."; "Lembraram-ME então as outras noites." (Eça, PB, 85.) ( _ - Lembrei-me então das outras noites.) ; "Nunca ME esqueceu esse fenômeno." (M. de Assis, BC, 39.) ; e) o ser a que faz referência especial o conjunto verbo de ligação + predicativo, verbo tratísitivo direto + objeto, ou um verbo intransitivo: "Tudo LHE era indiferente."; "A TODOS pareceu mudado."; "Flores ME são teus lábios." (M.:de Assis, PC, 81.) "Pulsa-LHE aquele afeto verdadeiro." (Id., ibid., "A Caro lina".) ; 48 O PERÍODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO 49 "A vista se LHE perturbava." (Alb. Bertha, Ex., 156.); "Não LHE tenho medo."; "Pareceu ao POBRE LENHADOR sentir, naquele vento, o som de um choro e uma voz bradando aflita." (Eça, PB, 46.) (É o que chamamos OBJETO INDIRETO DE REFERÊNCIA.) f) o possuidor de alguma coisa: "Beijou as mãos à DAMA." (Cf. obs. ao § 76.); g) como expletivo, o ser vivamente interessado na ação expressa pelo verbo: "Não ME toque no José!" (José Lins do Rego, MVA, 241) (É O OBJETO INDIRETO DE INTERESSE.) 67. Se o caráter lógico da objeto indireto é um tanto flu7uante,; muito mais-nítida é a sua característica foririal:" 1) quando substantivo, ou pronome substantivo, vem necessariamente regido de preposição sem valor circunstancial, esvaziada de conteúdo significativo; 2) tirante o caso visto no § 66, a, pode ser representado pelo pronome pessoal oblíquo átono LHE, LHES: "Entreguei-lhe o livro."; Dirigiu-lhes palavras de estímulo."; "Falou-lhes carinhosamente."; "Aconteceu-lhe uma desgraça."; "Pareceu-lhes mudado."; "Beijou-lhe as mãos." No período composto, o objeto indireto pode ser ex presso por uma oração subordinada substantiva (V. § 108, 1): "Opôs-se a que abandonassem o cavalo ferido."; "O amigo Gonçalves .... o convenceu de que semelhante ato seria rematada loucura." (M. de Assis, RCV, 112.) Obs. - Pelo fato de não corresponder, no caso do § 66 a, a LHE, LHES, autores como Rocha Lima preferem criar nova categoria de verbos, os "transitivos relativos", e a esse complemento denominam "complemento relativo'. Gladstone Chaves de Melo, seguindo nisso a Sousa da Silveira (Cf. NMAS, 52-53.), também se limita a considerar objeto indireto "o complemento que indica o ser em favor do qual ou em relação ao qual se realiza a ação expressa pelo verbo; .... quando representado por um substantivo, vem regido de preposição a (ou para), podendo ser substituído pelo pronome lhe ou lhes". A complementos como "em ti", na frase "Uma noite eu pensava em ti", diz que é um "complemente verbaLsçm.,.nome espç_ ial". Nem doutrinária, nem, muito menos, didaticamente, nos parece aconselhável tal separação: em primeiro lugar, não se fez ainda, em nossa língua, o estudo definitivo que está por merecer o objeto indireto, apesar da tentativa de Rocha (Uma Preposição Portuguesa) ; e a presença obrigatória..__ de_ preposição sem valor circunstancial é suficiente para a ca cterização estruturo dessa função sintática. *Duplo objeto indireto. 68. Em casos bastante limitados, podem aparecer dois objetos indiretos referidos ao mesmo verbo. Isso ocorre, por exemplo: 1.° - Em virtude de um cruzamento de regência, com verbos como ajudar, ensinar (um dos objetos é oracional) "Ajudei-lhe a pôr o selo e despedimo-nos." (M. de Assis, RCV, 65.); ".... ensinara ao homem a respeitar em outro a imagem de um Deus comum." (C. de Laet, "Credo", in Tribuna Liberal, 21-4-89.) ; "Antes de ensinar ao filho a falar, ensinava-lhe a ler." (J. A. Almeida, Bag., 131) 2.° - Pelo uso simultâneo de dois objetos indiretos de valor diverso (V. § 67.): "Só hoje lhe respondo à carta de janeiro findo. *Objeto indireto pleonástico. 68 a. A expressividade pode provocar o aparecimento de um objeto indireto pleonástico, representado por um pronome 1 SO O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO Sl pessoal ou por um substantivo; um dos dois objetos costuma vir antecipado: "Este conselho de um desconhecido poderá parecer exorbitante das boas normas: mas eu lho dou, ao já ilustre propagandista, com espírito de simpatia e para o bem dele e da sua novidade." (C. de Laet, "Futurismo", in Jornal do Brasil, 7-8-910.) ; "A tia é que contava algumas [memórias], com amor, para concluir que lhe saía a ela, que também fora assim na mocidade." (M. de Assis, RCV, 25.) ; "Parece-me a mim que você não tem razão." 3) O COMPLEMENTO ADVERBIAL 69. COMPLEMENTO ADVERBIAL é o termo de valor circuns tancial que completa a predicação de um verbo transitivo adverbial (V. § 45.). É expresso por um advérbio, locução ou expressão adverbial: "ONDE estavas?" "Venho DE CASA." "Fique Aí." "Vou LÁ agora." No período composto, o complemento adverbial pode ser expresso por uma oração adverbial: "Fique ONDE ESTÁ." 4) O AGENTE DA PASSIVA 70. Chama-se AGENTE DA PASSIVA, como o próprio nome o diz, o termo da oração que exprime, na voz passiva com auxiliar (V. § 49.), o ser que exerce a ação que o sujeito paciente recebe ou sofre: "O espaço está sendo conquistado pelo HOMEM." "Ele é estimado de TODOS." 71. Este complemento verbal, sempre regido de preposição por (mais comum) ou de (usual na língua clássica), expri me-se por meio de substantivo, pronome ou numeral subs tantivo. No período composto, a função de agente da passiva pode também ser exercida por uma oração substantiva. (V. § 108, 7.) 2. 0 COMPLEMENTO NOMINAL *Conceito. 72. Sabemos que há verbos cuja idéia, em princípio, só se completa com a adjunção de um objeto direto (fazer, vender), de um objeto indireto (pertencer a, servir-se de, crer em, concordar com), ou de um complemento adverbial de lugar (ir a, vir de, ficar em) : são verbos de significação relativa, de predicação incompleta. Ao lado deles existem igualmente certos nomes (e advérbios) com valor, em determinadas frases, por assim dizer transitivo, ou seja, relativo, incompleto em sua significação, pois a idéia que nos apresentam se oferece à nossa mente com um caráter de incompletação, como à espera de um complemento. É o complemento dessas palavras transitivas (nomes e advérbios), obrigatoriamente preposicionado, que recebe o nome de COMPLEMENTO NOMINAL. Comparem-se estas construções: 1. a) vender mercadorias (obj. dir.) b) venda de mercadorias; (compl. nora.) 2, a) Creio em você. (obj. ind.) b) minha crença em você; (compl. nom.) 3. a) Referi-me a esse fato. (obj. ind.) 52 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO 53 i b) referente relativo referência a esse fato; com relação (compl. nom.) relativamente 4. a) Estive no Nordeste. (compl. adv. de lugar) b) minha estada no Nordeste. (compl. nom. adverbial) Obs. 1 - Também ocorre complemento nominal de substantivos ligados, formalmente ou pelo sentido, a alguns verbos que funcionam também como auxiliares determinativos e modais (§ 59, 2 e 3), tais como costumar, dever, desejar, querer, poder, pretender: 1. a) Costumavam ouvir música à noite. b) o costume de ouvir música; 2. a) Devo esclarecer o fato. b) Sinto-me no dever de esclarecer o fato.; 3. a) Ele desejava entrar para a Academia. b) seu desejo de entrar para a Academia; 4. a) Ele podia (ou sabia) falar cinco línguas. b) Era capaz de falar cinco línguas.; 5. a) Pretendia conhecer a Europa. b) Tinha a pretensão de conhecer a Europa. Obs. 2 - A essa função sintática davam-se ainda os nomes de complemento terminativo e complemento relativo. No período composto, a função de complemento nominal também pode ser exercida por uma oração subordinada (§ 108, 4). *Relação formal e relação semântica. 73. Em princípio, o nome e o advérbio a que se subordina o complemento nominal mantêm relação estreita com um verbo, seja cognato, como nos exemplos citados, seja ligado semanticamente a ele. Compare-se, por exemplo, "suspender as aulas" (verbo e obj. din ), primeiro com "suspensão das aulas" (subst. e compl. nom.) em que o substantivo é cognato do verbo; e depois, com "recesso das aulas", em que o substantivo recesso tem ligação apenas de sentido com o verbo suspender. O mesmo ocorre com "merecer gratidão", "merecedor de gratidão" (cognato) e "digno de gratidão" (relação semântica). Como esses, há numerosos nomes, em português, que podem ter subordinado a si um complemento nominal sem que exista verbo transitivo morficamente correspondente. Citemos, p. ex., sede, sedento, avidez, ávido, utilidade, útil, nocivo, alheio, que têm valor transitivo, embora não haja verbos cognatos seus em nossa língua; mas é fácil descobrir sua relação semântica com verbos como desejar, servir, prejudicar, afastar-se e análogos. De qualquer modo podemos estabelecer que o complemento nominal está para o nome assim como o objeto (ou o complemento adverbial) está para o verbo. *Complemento nominal e adjunto adnominal. 74. Essa correlação é sintaticamente necessária para caracterizar o complemento nominal. Se, em lugar da relação objetiva ou completiva (de objeto, ou de complemento adverbial), houver relação subjetiva (de sujeito), não se tratará de complemento nominal, mas de adjunto adnominal (§§ 75 e 76). Só no contexto da frase será possível distinguir as duas funções sintáticas. Por exemplo, diante da oração "A lembrança de meu pai alegrou-me.", são duas as possibilidades de análise da expressão "de meu pai" 1.0 - complemento nominal, se do contexto se depreender a significação "Lembrei-me de meu pai e alegrei-me." (relação objetiva); 2.0 - adjunto adnominal, caso se compreenda como "Meu pai se lembrou de algo, e isso me alegrou." (relação subjetiva). Assim acontece com numerosos complementos de substantivos regidos da preposição de, o que, por vezes, torna, se não difícil, pelo menos sutil a distinção entre as 54 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO SS duas funções. Desaconselhamos, por isso, se dê ênfase ao estudo desenvolvido da função de complemento nominal entre os iniciantes no estudo da análise sintática. Nenhum prejuízo advirá dessa atitude de cautela. No caso de ser o termo principal adjetivo ou advérbio, não há qualquer dificuldade, visto que o adjunto adnominal só se subordina a substantivo. TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO 1. 0 ADJUNTO ADNOMINAL 90 adjunto de valor adjetivo. 75. Em qualquer função sintática que possa ter como núcleo um substantivo, este pode vir acompanhado de palavras ou locuções de valor ou função adjetiva que lhe delimitam o sentido geral: "OS TEUS olhos NEGROS SãO COMO DUAS flores Do MAL." (Eça, PB, 5.); "Tinha UMA Vontade DE FERRO." Essas palavras ou locuções que gravitam em torno do núcleo substantivo São OS ADJUNTOS ADNOMINAIS. 76. O adjunto adnominal pode ser expresso por: a) nome adjetivo: olhos negros, olhos felinos; b) locução ou expressão adjetiva: olhos de gata, força de leão, carioca da gema, crista da serra; c) artigo : os olhos, uns olhos; d) pronome adjetivo: 1) possessivo: teus olhos; 2) demonstrativo: esses olhos; 3) indefinido: tais olhos, mais aulas, qualquer livro, cada dia; 4) interrogativo: que livro?, qual problema?; 5) relativo (cujo e flexões): livro cujas qualidades apreciamos; e) numeral adjetivo: trinta alunos, primeiro dia. No período composto, a função de adjunto adnominal também pode ser exercida por uma oração adjetiva: olhos que atraem. (V. § 109. ) Obs. - Não nos parece boa doutrina considerar adjunto adnominal • pronome pessoal átono que indica posse (`Beijou-lhe as mãos."), pela sua equivalência (_ "Beijou suas mãos.", "Beijou as mãos dela."). Em primeiro lugar, essa equivalência de .sentido não é perfeita, • nunca se deve analisar um equivalente, mas a forma usada; segundo, • caráter de complemento verbal é módica e fonicamente nítido: um pronome pessoal átono, subordinado foneticamente a um verbo, em próclise, ênclise ou mesóclise; terceiro, é possível usar tanto a preposição a como a preposição de: e há diferença entre "beijar as mãos dela" (adj. adnominal) e "beijar as mãos a ela" (obj. indireto) (V. § 66.). Atente-se a exemplos como este: "No corredor beijei a mão a tio Zeca." (M. de Assis RCV, 90.) [a tio Zeca equivale a lhe, objeto indireto, e não a dele, adjunto adnominal.] 2. 0 ADJUNTO ADVERBIAL 00 adjunto de valor adverbial. 77. Advérbios ou locuções adverbiais, que, na frase, acrescentam circunstâncias a verbos, ou intensificam a idéia expressa por verbo, adjetivo ou advérbio, recebem o nome de ADJUNTOS ADVERBIAIS. "Podem ser, pois, modificadores (`cantar bem') ou intensificadores (`automóvel bastante estragado', `riram muito', `cantar muito mal')." (G. C. Melo, NMAS, 76.) 56 O PERIODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ACESSóRIOS DA ORAÇÃO 57 *Classificação dos adjuntos (e complementos) adverbiais. 78. Muito difícil seria relacionar todos os tipos de adjunto ou complemento adverbial. Quantas vezes somente num caso concreto se consegue dar a denominação mais expressiva. Deve o professor aceitar todas as que revelem no aluno compreensão inteligente. Sirvam apenas de guia os exemplos que adiante se dão: acréscimo: Além da medalha, ganhou'vários prêmios; assunto: Falavam de gramática (ou sobre gramática, ou acerca de gramática, ou a respeito de gramática) ; Informava-o de tudo; Especializou-se em grego; causa: Morriam à míngua; Não saí por precaução; Con sumia-se de tédio; Graças a seus esforços (ou Em vir tude dos seus esforços) progredia; companhia: Sairei contigo; comparação: Ele fala como um inspirado; concessão : Apesar dos seus esforços (ou Não obstante seus esforços) não conseguia progredir; condição: Sem esforço, não progredirás; conformidade: Pagar dízimos segundo o costume; direção: Apontou para o alto; dúvida: Talvez vá; favor, interesse: Daria a própria vida por ela; fim: Vive para o estudo; Tinha sérios motivos de queixa; freqüência: Apareço lá com regularidade (ou freqüen temente); instrumento: Preferia pintar a óleo (ou com guache) ; intensidade: Dormi pouco (ou muito, ou bastante, ou à farta) ; limite: A estrada vai até Belém; lugar aonde (direção) : Voltou à casa paterna; lugar donde (origem) : Venho da cidade; lugar onde (situação) : Vive no deserto; lugar para onde (direção) : Embarcou para a Europa; lugar por onde (passagem) : Voltaremos pelo túnel; matéria: 0 telhado foi construído de zinco; meio: Ganharam por (ou mediante) fraude; Voltarei de avião; modo (incl. intenção) : O barco vogava à mercê do vento; Estejam à vontade; Fiquei de pé; Saiu de man sinho; Faltou de propósito; Escolhi-os a dedo; preço: Cobrava cada fruta a cem cruzeiros; substituição ou troca: Em lugar da Raquel recebeu a Lia; Deu um automóvel por um terreno. tempo (incl. concomitância, prazo) : Durante as férias, li três romances; Só atenderei das 2 às 4; Volte logo. No período composto, a função de adjunto adverbial também pode ser exercida por uma oração subordinada (V. §§ 117-155.): "Se não te esforçares, não progredirás." 3. 0 APOSTO 1) APOSTO EXPLICATIVO E ENUMERATIVO 79. Uma idéia fundamental contida num termo de valor substantivo, em qualquer função sintática, pode ser continuada, explicada (inclusive por comparação), desenvolvida ou resumida num termo acessório, seu equivalente ou adjunto, também necessariamente substantivo, APOSTO. Conforme seu valor na oração, classifica-se o aposto em: a) EXPLICATIVO: "Sete anos de pastor Jacó servia Labão, PAI DE RAQUEL, SERRANA BELA." (Camões, Rimas.) (Pai de Raquel é aposto explicativo de Labão; serrana bela o é de Raquel.) ; "Amanhã, SÁBADO, não sairei."; b) ENUMERATIVO: "Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três cousas: OLHOS, ESPELHO e LUZ." (Vieira, ap. G. C. Melo, NMAS, 76.) ; 58 O PERÍODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... TERMOS ACESSÕRIOS DA ORAÇÃO 59 C) RESUMIDOR OU RECAPITULATIVO: "Sem isso, velha, cadeira, dobadoira, TUDO pareceria uma graciosa escultura." (Garrett, VMT, 85,); d) COMPARATIVO: "As estrelas, GRANDES OLHOS CURIOSOS, espreitavam através da folhagem." (Eça, PB, 8.) No período composto, pode o aposto ser expresso por uma oração subordinada. (V. § 108, 6.) Obs. - O aposto explicativo e o enumerativo podem vir precedidos das locuções explicativas isto é, a saber, por exemplo, etc. 2) APOSTO DE ORAÇÃO 80. Pode também um aposto explicativo referir-se a toda uma oração: "Os animais pararam, creio que de si mesmos, por também conhecerem a tio Zeca, IDÉIA que Felícia reprovou com o gesto, e que eu defendi rindo." (M. de Assis, RCV, 93.); "Certa raposa esfaimada encontrou uma parreira carregadinha de lindos cachos maduros, COISA de fazer vir água à boca." (M. Lobato, Fáb., 161.) 3) APOSTO DE ESPECIFICAÇÃO 81. Um substantivo de sentido genérico pode ser imediatamente seguido, sem pausa, de um termo, preposicionado às vezes, que o especifica ou individualiza. É o que se chama, dentro da tradição da gramática latina ("urbs Roma'), APOS TO DE ESPECIFICAÇÃO: cidade de Roma; mar Mediterrâneo. 82. Escritores modernos utilizam, noutra construção, um tipo de aposição algo semelhante, para designar a ocupação habitual ou profissão: "Mestre Gaudêncio curandeiro gingava." (Gr. Ramos, HA, 63.) Obs. - A maior parte dos autores não arrolam este caso de aposto, baseados na ausência da pausa entre ele e o nome fundamental, razão simplista demais a nosso ver, pois a justaposição sem pausa se explica seja pela inversão dos termos em aposição (cp.: Roma, cidade da Itália; Mediterrâneo, mar euro-africano), seja pelo desejo de uma ligação mais direta com o fundamental. Autores como Graciliano Ramos, por exemplo, empregam o mesmo aposto ora seguido de pausa, ora simplesmente justaposto: "Naquela noite de lua cheia estavam acocorados na sala pequena de Alexandre: seu Libório, cantador de emboladas, o cego preto Firmino e mestre Gaudêncio curandeiro." (HA, 9.) ; "Seu Libório cantador e o cego preto Firmino juraram que estavam atentos." (HA, 10.) 4) APOSTO APARENTE "Os castanheiros, GRANDES E CONCENTRADOS, ouviam subir a seiva." (Eça, PB, 6.) Obs. - Como a função de aposto é exercida somente por substantivo, cumpre excluir dessa função os adjetivos que ocorrem nessa situação: são simplesmente PREDICATIVOS, pela sua natureza atributiva (os castanheiros eram grandes, e estavam concentrados). Observe-se ainda a possibilidade de mudança de posição, na frase, desse tipo de predicativo do sujeito: "Grandes e concentrados, os castanheiros ouviam subir a seiva." Ou ainda, sem vírgula obrigatória: "Os castanheiros ouviam subir a seiva grandes e concentrados." 60 predicativo atributivo. 83. Há um tipo de predicativo cuja colocação na frase, em aparente aposição, leva alguns a incluí-lo entre os casos de aposto: vem separado do substantivo fundamental por uma pausa (indicada por vírgula) e exprime a situação do sujeito no momento do processo indicado pelo verbo: 60 O PERÍODO SIMPLES. A ORAÇÃO INDEPENDENTE... 60 predicativo circunstancial. . 84. Muitas vezes, numa construção sintética vigorosa e de belo efeito estilístico, uma oração adverbial Q 154) de predicado nominal pode aparecer representada, na frase, sem o conectivo e o verbo de ligação, ápenas pelo nome predicativo, em aparente aposição, conservando o seu valor circunstancial. Assim, em lugar de "Como era pobre, lutou muito para formar-se.", podemos dizer: "Pobre, lutou muito para formar-se." O adjetivo pobre conserva o valor de adjunto adverbial de causa, e na frase é igualmente predicativo. Estamos, pois, diante de Um PREDICATIVO CIRCUNSTANCIAL. Obs. - Dessa dupla função decorre a denominação de aposto circunstancial que autores de renome lhe dão. Cf., a respeito, Epifânio Dias, SHP, § § 45 b e 52, e Sousa da Silveira, LP, § 234 c. 85. Algumas vezes, o predicativo circunstancial vem preposicionado "Em rapaz, foi cortejado de muitas damas." 86. O que distingue o predicativo atributivo do circunstancial é que ao primeiro não corresponde oração adverbial, mas adjetiva, sem o conectivo. Nalguns casos, são imprecisos os limites entre um e outro tipo, cabendo mais de uma interpretação. Assim, "Os sinos, alegres, repicam." poderia ter como equivalentes: "Os sinos, que estão alegres, repicam." ou "Os sinos, por estarem alegres, repicam." 87. Eis alguns exemplos de predicativo circunstancial: 1) De causa: "Pobre, lutara muito para se formar em Medicina." (M. Rebelo, SAP, 101) 2) De tempo: "Almoçado, descia a passo lento até à repartição." (M, de Assis, IG, 3.) 88. A parte tanto do sujeito como do predicado, pode ocorrer na oração um termo com que se interpela o ouvinte - o VOCATIVO: "E à noite, nas tabas, se alguém duvidava Do que ele contava, Dizia prudente: - MENINOS, eu vi!" (G. Dias, OP, 11, 35.) Na análise, procede-se assim: Sujeito: eu. Predicado: vi. Vocativo: meninos. Sem embargo de se considerar à parte, é de notar que só raramente aparece, como no exemplo acima, o vocativo independente; na maior parte das vezes, liga-se a uma 2.a pessoa do discurso, representada seja por um pronome pessoal, reto ou oblíquo, seja por um possessivo ou demonstrativo "MOSCA, esse refulgir, que mais parece um sonho, Dize, quem foi que to ensinou?" (M. de Assis, Poes., "A Mosca Azul'.) (O vocativo mosca tem três elos no período: o pronome da 2.a pessoa esse, o pronome tu, contido na forma dize, e o pronome te.); "MORTE, onde está tua vitória?" (O vocativo morte se liga ao pronome da 2.a pessoa tua.); " 6 MAR, estás muito lindo! Mas a mim, já não me enganas!" (Lúcio de Mendonça, "Experiência", apud A. G. Kury, PB, 213.) (O vocativo mar liga-se ao sujeito tu, implícito nas formas ver bais estás e enganas.) ; "Cuidado, MEU FILHO!" (M. Lobato, Fáb.) (Está implícita no vocábulo-frase cuidado uma forma verbal referida à 2.a pessoa do discurso: tem cuidado; tenha cuidado.). Obs. 1 - Em muitos casos, como no penúltimo exemplo, aparece o vocativo antecedido da interjeição ó. Obs. 2 - A um vocativo pode subordinar-se uma oração (V. § 91.) "õ Deus, [que estás no Céu], tem piedade de mim!" 0 VOCATIVO 3 O período composto TIPOS DE ORAÇÃO 63 89. Já sabemos (§ 17) que se diz COMPOSTO o período formado de mais de uma oração, e que as orações que o com põem podem ser de três tipos: INDEPENDENTES, PRINCIPAIS e SUBORDINADAS. (V. § § 18 e 19.) *Período composto por coordenação. 90. Se todas as orações de um período são independentes, isto é, têm sentido por si mesmas, e poderiam, por isso, constituir cada uma um período, o período se diz COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. Ex.: "Aqui estou, aqui vivo, aqui morrerei." (M, de Assis, MA, 4.) ; "Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, j Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores." (G. Dias, "Canção do Exílio'.) [Repare-se que no último verso houve ELIPSE do verbo tem.] *Período composto por subordinação. 91. O período se diz COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO quando haja nele uma oração PRINCIPAL e uma ou mais SUBORDINADAS, isto é, dependentes dela. Pode também haver orações subordinadas nãoa á uma principal, mas a um VOCATIVO. Ex.: "Não permita Deus [que eu morra] [Sem que eu volte para lá]." (Id., ibid.); "Alma minha gentil, [que te partiste] / Tão cedo desta vida descontente V_Répousa lá no céu eternamente / E viva eu cá na terra sempre triste." (Camões, Rimas.) [Repare-se que a oração que te partiste se subordina ào vocativo álina minha, e não a uma oração principal.] *Período misto. 92. Havendo no período orações do mesmo valor, coordenadas entre si, e orações subordinadas, estamos diante de um período misto, composto simultaneamente por coordenação e subordinação. Ex.: "Minha terra tem palmeiras, [Onde canta o sabiás j - As aves [que aqui gorjeiam} Não gorjeiam [como lá]. (G. Dias, ibid.) ["Onde canta o sabiá", "que aqui gorjeiam" e "como lá" são orações subordinadas; "Minha terra tem palmeiras" e "As aves.... não gorjeiam" são orações principais coordenadas entre si. Na oração como lá está elíptico o verbo gorjeiam.] *Orações principais de vários graus. 93. Observe-se que a denominação principal é relativa, pois quer dizer "regente", isto é, que tem uma oração dela depen- C TIPOS DE ORAÇÃO i 64 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 65 *Coordenação de orações. dente. Por isso mesmo, é possível que uma oração subordinada tenha outra dependente dela, em relação à qual é principal. O exemplo esclarece melhor: "'Não permita Deus que eu morra Sem que desfrute os pfi rioïës -—, Que não encontro por cá," (Id., ibid.). [A oração "que eu morra" é subordinada à 1.a ("Não permita Deus"), sua principal; mas é, ao mesmo tempo, principal (de segundo grau) em relação à 3.a ("sem que desfrute os primores"), subordinada a ela e que, por sua vez, é principal (de terceiro grau) com referência à última. Poder-se-á, pois, para maior clareza, falar em principal de 1.°, 2.°, 3.° graus, etc. O conjunto constitui uma ORAÇÃO COMPLEXA. (V. § 20.)] *Orações desenvolvidas e reduzidas. 94. Se uma oração tem o seu verbo no indicativo, subjuntivo, ou imperativo, recebe o nome de DESENVOLVIDA (ou EXPLÍCITA); se, porém, o verbo está numa forma nominal (infinitivo, gerúndio, ou particípio), ela se denomina REDU ZIDA (OU IMPLÍCITA). 95. Quaisquer orações do mesmo valor (exceto, é óbvio, a ABSOLUTA, que é a única oração independente de um período simples), sejam independentes, sejam principais, sejam subordinadas, podem achar-se, num período, ligadas entre si, ou por meio de uma conjunção coordenativa, ou por simples pausa (justaposição). Exemplifiquemos cada caso (marca-se a coordenação com uma barra vertical): 1) Coordenação de orações independentes: "Fecha o livro, mira-o, remira-o, chega-se à janela 1 e mostra-o ao sol." (M. de Assis, BC, 197.) 2) Coordenação de orações subordinadas: "Dizem que ensandeceu e que não sabe como / Perdeu a sua mosca azul." (Id., Poes., "A Mosca Azul'.) Obs. - Era costume denominar "egüipolentes" as orações subordinadas coordenadas entre si. A NGB não adotou o termo. Basta dizer que as subordinadas se acham coordenadas entre si: "Coordenadas entre si podem estar quer principais, quer independentes, quer subordinadas (desenvolvidas ou reduzidas)." (NGB.) 3) Coordenação de orações complexas: "Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem." (M. de Assis, BC, 100.) ; "(Ele) estava certo de que a sobrinha nutria por mim verdadeira paixão, 1 mas, se ela o consultasse, o seu conselho seria negativo." (Id., ibid., 313.) Obs. - Parece-nos artificial apontar, em períodos como os do texto, coordenação de orações principais (grifadas); o que há é coordenação de dois grupos ou membros oracionais, de duas orações COMPLEXAS: no 1.° exemplo, as duas orações complexas coordenadas se separam por ponto-e-vírgula; no 2.°, temos: 1.a - "Ele estava certo de que a sobrinha nutria por mim verdadeira paixão", e 2.a - "mas, se ela o consultasse, o seu conselho seria negativo." 1. ORAçõES INDEPENDENTES COORDENADAS ENTRE SI 96. Quando um período é composto por coordenação, as orações independentes que o formam se dizem COORDENADAS uma à outra. Essa coordenação se estabelece: 1) Por justaposição (= colocação lado a lado), sem qualquer conectivo, separadas as orações independentes coordenadas por uma pausa, que se indica na escrita por vír gula, ponto-e-vírgula ou dois-pontos. Neste caso, as orações se dizem ASSINDÉTICAS. EX.: "Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça." - "Dei de ombros, saí do quarto." (M. de Assis, BC, 99.) 2) Com o auxílio de "conjunção coordenativa"; a oração conjuncional se denomina, então, SINDÉTICA. Ex.: "Bati-lhe e ela caiu." (Id., ibid.). 66 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 67 CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES INDEPENDENTES COORDENADAS 97. Segundo a natureza da coordenação, as orações independentes coordenadas, com a conjunção clara ou não, classificam-se, da mesma forma que as conjunções coordenativas, em: 1) ADITIVAS: quando os vários pensamentos coordenados estão simplesmente em seqüência, sem o acréscimo de outra idéia. Quando sindéticas, são introduzidas pelas conjunções e, nem, ou pelas locuções não só .... mas (também), tanto .... como, e análogas. Ex: a) assindéticas: "Cheguei, vi, venci."; "Aqui estou, aqui vivo, 1 aqui morrerei." (M. de Assis, MA, 4.); b) as primeiras assindéticas, a última sindética (construção mais comum): "Não vê, 1 não ouve, ~ não fala e não conhece ninguém." (Garrett, VMT, 318.) ; c) todas sindéticas (construção mais rara: é o "polissíndeto" ) "E zumbia, e voava, ¡ e voava I e zumbia." (M. de Assis, "A Mosca Azul".); d) com correlação (um termo em cada oração): e) reduzidas de gerúndio. Ouçamos a Said Ali: "Se o acontecimento ocorrido em primeiro lugar for enunciado por uma oração explícita [= desenvolvida], o ge rúndio, denotando fato imediato, equivalerá a uma oração coordenada iniciada pela conjunção e: Recebeu a jóia, entregando-a [= e entregou-a] depois à esposa". (GS, 147.) Outros exemplos: "(A mocidade) ama a vigília, aborrecendo o sono." (Bilac, "Mocidade".) ; "Nos últimos tempos o Patrão ia à fazenda quase diariamente, nunca regressando com o sol ainda alto." (Ciro dos Anjos, ET, 21); f) reduzidas de infinitivo, exprimindo "adição enfática" (Bechara, MGP, 290.): " .... as toucas e lencinhos, sobre não serem enfeites mui sedutores, algumas vezes tornam a virtude rançosa. ... " (Camilo, QA, 111, apud Bechara, ibid.) 2) ADVERSATIVAS: a segunda oração coordenada ex prime contraste, compensação. Quando sindéticas, são introduzidas pelas conjunções e locuções conjuntivas mas (típica), porém, entretanto, no entanto, contudo, não obstante, senão, todavia, etc. Ex.: a) assindéticas: "Entrei; ninguém reparou em mim: todos estavam como pasmados." (Herc., MC, 15.); b) sindéticas "Crê em ti; 1 mas nem sempre duvides dos outros." (M. de Assis, BC, 305.) Obs. - Nem sempre entretanto e no entanto figuram na oração como conjunções: podem conservar seu antigo valor adverbial, seja temporal (significando "nesse meio tempo", "entrementes"), seja concessivo ("apesar disso"), o que permite se usem até a acompanhar e e mas: "Entretanto ia-se fazendo tarde." (P. Mallet, O Hóspede, 53.); tretanto tinha começado o almoço." (Id., ibid., 60.); "57 anos se passaram sobre essas conversas de Enes de Sousa na sala de jantar da Rua Major Ávila. Entretanto esse passado me surge mais nítido, denso e forte que o passado ainda incolor que vai se desprendendo sem parar da abstração do preste." (P. Nava, CF, 191-2.); "Nesta [Constituição] se curou de questões mínimas...; mas entretanto aí não se trata do modo de resolver os grandes conflitos entre potes- "Quincas Borba não só estava louco, louco." (M. de Assis, BC, 379.) ; mas sabia que estava de o PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ~ÃO y fades políticas..." (C. de Laet, "Paradoxópolis", Jornal do Brasil, 14-2-1914.); '78m-se-lhe erguido estátuas em diversas localidades; e entretanto a família desse benemérito ainda está sob a pena de banimento infligida ao seu chefe." (Id., ibid.) ; "A sociedade te maltratou amargamente, mas no entanto o que lhe ficaste devendo como benefício para teu espírito foi inestimável." (V. Licínio Cardoso, Maracds, 133.) 3) ALTERNATIVAS: as várias orações exprimem pensamentos que se alternam, ou se excluem. A conjunção alternativa típica é ou, a única que pode aparecer apenas na última oração "As pessoas atingidas baixavam a cabeça, humildes, ou corriam a executar ordens." (Gr. Ramos, Inf., 28.) (Á l.a oração é assindética; a 2.a, sindéticas ambas alternativas.) As outras conjunções alternativas, palavras de outra classe que se usam com esse valor, sempre ocorrem repetidas (ora.... ora, já.... já, quer.... quer, seja.... seja, etc.): "Os homens que perderam o segredo da alma ora se isolam, ora se aglomeram." (Corção, LA, 176.); "A vaidade, que comumente produz as nossas alegrias, e tris tezas, umas vezes tudo nos apresenta alegre, outras [vézes] tudo nos oferece triste." (Matias Aires, RVH, 168.) Obs. 1 - Cumpre lembrar que o par seja.... seja não está de todo gramaticalizado, tanto que, em certas construções, aparece flexionado, por manter o seu valor verbal: "Sempre discordam de tudo, sejam as discordâncias ligeiras, sejam de 1 •"; "Sempre discordavam de tudo, fossem as discordâncias ligeiras, fossem de peso." B interessante observar que, embora também de origem verbal, quer.... quer, ao contrário, já está inteiramente gramaticalizado, e permanece sempre invariável. Obs. 2 - Não é boa sintaxe combinar ora, já, quer e seja com ou. 4) CONCLUSIVAS: a segunda oração coordenada exprime conclusão ou conseqüência lógica da primeira. As orações conclusivas são introduzidas pelas conjunções ou locuções logo, portanto, então, assim, por isso, por conseguinte, pois (posposta ao verbo), de modo que, em vista disso, etc.: "Teu amigo está doente e sem recursos; 1 deves, portanto, auxiliá-lo e confortá-lo." (Said Ali, GS, 185.); "A desintegração do núcleo libera calor, logo fornece tra balho." Obs. - Das conjunções conclusivas, umas só se usam antes do verbo (logo, de modo que); pois usa-se exclusivamente após o verbo; as outras, ora antes, ora depois. 5) EXPLICATIVAS: a segunda oração coordenada exprime o motivo de se ter feito a declaração anterior. Quando sindéticas, são introduzidas pelas conjunções pois (anteposta ao verbo), porque, porquanto, que: a) assindéticas: "Não zombes dele: 1 está apaixonado.% b) sindéticas: "Roda, meu carro, pois vamos rodando...." (C. Meireles, OP, 221); "Roda, meu carro, que é curto o caminho." (Id., ibid., 222.) Obs. - Quanto à distinção entre orações independentes explicativas e orações subordinadas causais, ver § 125. *Valores não-aditivos assumidos pela conjunção "e". 98. Pode a conjunção e, tipicamente aditiva, assumir valores diversos, inclusive subordinativos. Apontemos os dois mais comuns: 1.0) Com sentido adversativo: "Todos fugiam da morte, e a morte os seguia, invisível e tenaz." (J. Montello, DP, 16.) ; "Dizem `Tudo acabou', e principia tudo!" (Guerra Junqueiro.); "É rico, e não paga as suas dívidas."; "Deitei-me,_ e não pude adormecer.% " A tarde puxou o dinheiro, meio tentado, e logo se arrependeu." (Gr. Ramos, VS, 35.) 2.0) Com valor consecutivo: "Citai Salamina, e tereis nomeado Temístocles." (Laet, "O Visc. do Rio Branco", Crôn.) ; "Segue o meu conselho e [= = que] não te arrependerás."; "Pode o mundo vir abaixo, e você 79 O. PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 71 nem se mexe!" (C. dos Anjos, ET, 33.); "Minha avó .... condenou o procedimento da filha, e esta afligiu-se." (Gr. Ramos, VS, 30.) 2. ORAÇõES OU PERÍODOS INTERFERENTES 99. Não se encontra na NGB classificação onde, a nosso ver, caibam as orações de que vamos tratar. Costumam os gramáticos chamar-lhes orações intercaladas ou interferentes. José Oiticica denomina-as, num sentido especializado, justapostas. São, na verdade, orações independentes (ou mesmo, a rigor, períodos), visto que nenhuma função sintática exercem na frase a que se justapõem. Representam como um comentário subjetivo, uma ressalva, um desabafo do autor, de valor antes expressivo, estilístico, do que sintático, gramatical. Eis alguns exemplos: "Um dia - que linda manhã fazia! - resolvemos um grande problema." (M. Rebelo, SAP, 105.); "Lá no fundo do seu instinto vegetal (Por que não haverá um instinto vegetal? Que sabemos nós?) teria despertado a per cepção de que o seu destino estava cumprido, de que a sua existência de árvores generosas chegava ao termo." (V. Coaraci, C V, 41); "Na cidade velha, as ruas estreitas de muros negros (não convém acordá-las) dormem, no silêncio lírico, um sono que já dura séculos." (Alc. Machado, O, 11, 158.) O mais simples será considerar essas orações interferentes como períodos à parte, intercalados ou justapostos, que se analisarão lado a lado com aquele em que se inserem. (V. modelo 37.) 3. ORAÇÕES SUBORDINADAS 100. Já sabemos (§ 19) que é SUBORDINADA a oração que depende de um termo da frase (como um vocativo), ou de uma oração principal, nele ou nela exercendo uma função sintática. Noutras palavras, as orações subordinadas são termos da frase desenvolvidos em oração. Assim, na frase "Desprezo o homem que mente.", a oração subordinada que mente equivale ao desdobramento do adjetivo mentiroso, e exerce na oração principal a função de adjunto adnominal do substantivo homem. *Valores funcionais da oração subordinada. 101. Qualquer oração subordinada se classificará, primeiramente, conforme a sua função na oração principal, em: 1) SUBSTANTIVA, quando exerce função própria de substantivo (sujeito, objeto, predicativo, complemento nominal, aposto, agente da passiva); 2) ADJETIVA, quando exerce função de adjunto adnominal; 3) ADVERBIAL, quando exerce a função de adjunto adverbial. CLASSIFICAÇÃO 'DAS ORAÇÕES SUBORDINADAS A - Substantivas *Formas de apresentação. 102. As orações substantivas podem apresentar-se em forma desenvolvida (com ou sem conjunção) e em forma reduzida (com o verbo no infinitivo, nalguns casos precedido de preposição ou locução- prepositiva). 72 O PERÍODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 73 *Orações substantivas desenvolvidas conexas. 103. As desenvolvidas conexas são introduzidas por uma das conjunções integrantes que e se, mais raramente como (_ que). Pode ocorrer elipse da conjunção que. Exemplos: "Era indispensável [que nos persuadíssemos] [de que os princípios são tudo] [e os homens nada]." (M. de Assis, RCV, 104.); "Peça-lhe [que viva], [que se case], e [que me esqueça]." (Camilo, AP.) ; "Aposto [como não acreditas nas suas palavras]." Com a conjunção elíptica: "Só peço [o dia em que eu morra / faça uma noite de lua]." (Ad. Tavares, PC, 176.) (Houve elipse da conjunção que após o verbo peço.) ; "É impossível [não saibas] que o pássaro / caído em teu quarto por um vão da janela / era um recado do meu pensamento!" (Cassiano Ricardo, PC, 250.) (Elipse do que depois de impossível.) *Orações substantivas desenvolvidas sem conectivo. 104. Outro tipo de orações desenvolvidas substantivas (que julgamos "justapostas", isto é, assindéticas, não conjuncionais, sem conectivo) são as introduzidas por pronome indefinido, pronome ou advérbio interrogativo ou exclamativo. Ex.: "Lúcio compreendeu [como a beleza era pérfida]." (J. A. de Almeida, Bag., 136.) ; "[Quem espera] alcança."; "Não sabe [como perdeu a sua mosca azul]." (M. de Assis, "A Mosca Azul".) ; "Sê útil mesmo [a quem não conheces]." Obs. 1 - Há quem considere os pronomes e advérbios introdutores de oração substantiva investidos do papel de conectivo. Como quer que seja, o importante é que a conjunção integrante, conectivo puro, não tem outra função na oração subordinada, enquanto aqueles sempre têm. Assim, no exemplo de Machado de Assis dado acima, o advérbio como exerce, na oração objetiva direta, a função de adjunto adverbial de modo; se, porém, em vez de como, usarmos que ou se ("Não sabe que perdeu.", "Não sabe se perdeu."), estas conjunções não terão qualquer outra função sintática na oração respectiva: serão apenas conectivos. Obs. 2 - É de todo desaconselhável desdobrar um advérbio ou pronome interrogativo ou indefinido e analisar a frase resultante. Alguns, por exemplo, em lugar de "Quem espera alcança." dizem "Aquele que espera alcança.", analisando, então, a nova oração subordinada "que espera", adjetiva. É processo artificial e aleatório: as orações subordinadas devem classificar-se PELA SUA FUNÇÃO NO PERÍODO. E sempre na frase dada, não noutra refeita por quem analisa. Assim o praticavam mestres como Said Ali, Sousa da Silveira, Mattoso Camara Jr., e assim o indicava o Anteprojeto da NGB. "Toda análise que exige desdobramentos, subentendimentos (exceto no caso de elipse evidente), é sempre precária. Deve-se analisar o que está no texto e não os sucedâneos." (Nascentes, DAS, 10.) 105. Puramente justapostas, inteiramente desprovidas de conectivo, são as orações (ou antes períodos) que se seguem a dois-pontos, após um verbo declarativo (dizer ou sinônimo). Ex. "Papai respondeu: - [Meu filho, ainda é cedo.]" (M. Rebelo, TC, 188.) Noutros casos, o verbo declarativo vem posposto, separado por uma pausa indicada por vírgula ou travessão: "- [Está na hora, Edgar?] - perguntou Catarina." (Id., ibid., 202.) 106. É comuníssima, nos diálogos, a elipse do verbo declarativo, como se pode ver destes exemplos, em que o pomos entre parênteses: "Que horas são? (perguntou ele.)"; "Papai interrompeu (dizendo) : - Deixe a pobre mulher, Filoca." (Id., ibid., 201.) Obs. - Muitos incluem as orações estudadas nos dois últimos parágrafos entre as interferentes. Seriam antes períodos. (V. § 99.) 74 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 75 *Orações substantivas reduzidas. 107. Só se encontram, no português atual, orações substantivas reduzidas de infinitivo, nunca de gerúndio ou de particípio "Talvez a minha intenção secreta fosse [passar dali ao casamento da própria sobrinha dele]." (M. de Assis, MA, 25.) ; "Primeiramente convinha [tomar fôlego]." (J. Cardoso Pires, D, 12.) Convém relembrar que as orações reduzidas devem classificar-se e analisar-se tais como se encontram no período, evitando-se o condenável processo de trabalhar com a equivalente em forma desenvolvida, que se poderá utilizar apenas como confronto, para esclarecimento de alguma dúvida. CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES SUBSTANTIVAS 108. As orações subordinadas substantivas, segundo a função que desempenham no período, recebem a seguinte classificação: [Nota: Nos exemplos, colocamos entre colchetes as orações subordinadas; a subdivisão em alíneas significa: a, desenvolvidas de conectivo conjuncional; b, desenvolvidas sem conectivo (§§ 104-106) ; c, reduzidas.] 1) SUBJETIVAS (exercem a função de sujeito). Exemplos: a) "É claro [que não tenho medo]." (Ferr. de Castro, in MCP, 128.) ; "Em verdade, eu tinha fama e era valsista emérito: não admira [que ela me preferisse]." (M. de Assis, BC, 144.) ; "Parece [que o patrão nos queria experimentar]." (A. Arinos, PS.); "Não se sabia [se era verdade]."; b) "[Quem canta] seus males espanta."; "Só não o sente [quem não tem olfato] e [não tem alma]." (V. Coaraci, CV, 42.); c) "Não me agrada [lembrar o passado]." (An. Machado, HR, 98.); "Vejam como é bom [ser superior às borboletas]!" (M. de Assis, BC, 101.) É de utilidade conhecer os verbos e expressões que habitualmente têm por sujeito uma oração subordinada substantiva. São, entre outros, os seguintes, quando na 3.a pessoa do singular e seguidos de que ou se, ou de infinitivo (Cf. Oiticica, MA, 201.) : convir, cumprir, importar, urgir; ocorrer, acontecer, suceder; parecer, constar; admirar, espantar; e numerosas expressões na voz passiva (sabe-se, soube-se, conta-se, diz-se, dir-se-ia; é sabido, foi anunciado, estava decidido, ficou provado), ou com verbo de ligação mais predicativo (é bom, é conveniente, é de crer, é claro, está visto, ficou claro, parece certo, torna-se evidente, etc.). Obs. - É de toda conveniência atentar para as três regências do verbo .parecer: l.a - Verbo intransitivo (§ 40), e só neste caso vem seguido de oração subjetiva (Repare-se nas inversões possíveis) : "Parecia [que as estrelas sorriam no céu.]"; "As estrelas parecia [que sorriam no céu.]" (na análise se desfará a inversão); "As estrelas parecia [sorrirem no céu.]" (idem); "Então nos parece [brilharem, destas paragens, as lâmpadas silenciosas.]" (Rui DCA, 8.); 2.a - Verbo auxiliar (§ 59, 3), formando locução verbal que exprime aparência: "As estrelas pareciam sorrir no céu."; 3.a - Verbo de ligação (§ 55) : "As estrelas pareciam pupilas cintilantes.". 2) OBJETIVAS DIRETAS (exercem a função de objeto direto). Ex: a) "[Que ela andou por aqui], tudo proclama." (Ad. Tavares, PC, 111); "Não me venham dizer [que flor de jabuticaba não tem perfume]." (Coaraci, CV, 41); "Sei [que estou salvo, apesar dos meus pecados]." (O. Lessa, EL, 45.); "Todas as manhãs ia ver [se as flores já haviam desabrochado]."; "Sabe dizer [se ela tem filhos]?" (An. Machado, HR, 64.) ; b) "Não sejam indiscretos; não perguntem [quando foi isso]." (Coaraci, CV, 41.) ; "Não sabe [como perdeu a sua mosca azul]." (M. de Assis); "Desprezo [quem mente]."; "Não sabe [qual deva escolher]."; "Fitavam o azul do céu, a perguntar [de onde vinha aquela noite adiantada no tempo]." (J. Amado, MM, 11); c) "Eu vi [as ondas engolirem-no]." (HR, 247.); "Fingia [prestar atenção]."; "Quase toda a noite ouviu [rodarem os bondes]." (A. Caminha, B-Cr, 150.); "Mandei-[os entrar]." 76 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 77 Obs. - Repare-se na regência dos verbos ver, ouvir, sentir (sensitivos) e fazer, mandar, deixar (causativos) : podem vir seguidos de outro verbo no infinitivo (com que não formam locução verbal), provido de sujeito próprio e constituindo oração objetiva direta: "Deixai [vir a mim as criancinhas]." É digno de nota que o verbo da oração infinitiva pode ter como sujeito um pronome átono, geralmente na forma de objeto direto: "Deixai-[AS vir a mim]."; "O Governador fez-[SE representar na cerimônia]." É esta a única ocasião em que o pronome se pode funcionar como sujeito (V, modelo 45.). V. Said Ali, GH, § 1685, p. 355. 3) OBJETIVAS INDIRETAS (exercem a função de objeto indireto exigido por verbo transitivo indireto). Ex: a) "Lembrou-se [de que a classe estava sem serviço]." (O. Lessa, FS, 25.) - Pode também vir elíptica a preposição: "Lembre-se [que a vida é curta]."; b) "Obedece [a quantos te são superiores]."; "Só dê conselhos [a quem os pede]."; c) "Anuiu [a libertarem os presos]." 4) COMPLETIVAS NOMINAIS (exercem a função de complemento nominal). Ex. a) "Tenho a horrível sensação [de que me furam os tímpanos . com pontas de ferro]." (Gr. Ramos, Inf., 32.) - Pode estar elíptica a preposição; b) "Tinha remorso [de quanto fizera]." (C. P. Luft, GR, 153.); "Para defesa [de quem vinha ao Senhor dos Navegantes], haviam construído ali um murozito." (Ferr. de Castro, in MCP, 127.) ; c) "Fora desrespeitada a recomendação [de se preservar a pessoa do réu]." (An. Machado, HR, 9.) 5) PREDICATIVAS (exercem a função de predicativo). a) "A conclusão que tiro é [que a vida e a morte são heterogêneas] 1 e [que a vida não se pode tomar como um objeto de arte, música ou poema]." (Corção, LA, 75.) ; "Quem mais reclama é [quem menos sabe]."; c) "Sua resposta foi [compelir-me fortemente] a olhar para baixo." (M. de Assis, BC.) 6) APOSITIVAS (exercem a função de aposto). Ex: a) "Não é impossível que descobrisse meia verdade, a saber, [que estava ali o pai do inventor das borboletas]." (BC, 100.); b) "Ela me disse apenas isto: [não me aborreça]."; c) "Uma coisa me assombrava: [terem eles mentido]." 7) COM FUNÇÃO DE AGENTE DA PASSIVA. Estas ora ções são sempre justapostas, sem conjunção, introduzidas por pronome indefinido regido de por ou de. Não as consigna a NGB. Ex.: "Este trabalho foi feito [por quem entende do riscado]."; "É estimado [de quantos o conhecem]." Obs. 1 - Há outro tipo de orações subordinadas, formalmente idênticas às substantivas conexas: conjunção integrante ou verbo no infinitivo precedidos de preposição: "Já era tempo [de que te emendasses]"; "Já era tempo [de te emen dares]."; ` É significativo o fato [de que ele não tenha protestado]." A I.a e a 2.a parecem-nos adverbiais de fim; a 3.a, adjetiva. Não nos parecem completivas nominais, dada a natureza não transitiva dos substantivos a que se ligam; correspondem antes, pela função, a adjuntos adverbiais e adnominais formados de preposição mais substantivo. Rigorosamente, portanto, têm o valor de locução adverbial ou adjetiva, com núcleo substantivo, motivo da sua identidade formal com as substantivas. Mas como a classificação há de ser funcional, devem, a nosso ver, ser arroladas entre as adverbiais e as adjetivas. Cf., a respeito, Olmar Guterres, OSSO, Celso Pedro Luft, GR, 154, e Evanildo Bechara, LPAS, 144. Obs. 2 - Para efeito meramente didático, de simples reconhecimento, quase todas as orações substantivas podem substituir-se por um dos pronomes isto, isso, aquilo, este, esse, aquele, todos: "Peça-lhe que viva." _ "Peça-lhe isso." "Quem espera alcança." _ "Este alcança." "Não admira que ela me preferisse." _ "Não admira isto." "Não me agrada lembrar o passado." _ "Não me agrada isso." "Descobri que ele é o do Acre." _ "Descobri isso." "Desprezo quem mente." _ "Desprezo esse." "Quase toda a noite ouviu rodarem os bondes." _ .... ouviu aquilo." "Lembre-se de que a vida é curta." _ "Lembre-se disso." "Só dê conselhos a quem os pede." _ "Só dê conselhos a esses." "Tinha remorsos de quanto fizera." _ "Tinha remorsos disso." Ex.: 79 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 79 "A conclusão que tiro é que a vida e a morte são heterogêneas." = "A conclusão que tiro é esta." "É estimado de quantos o conhecem." = "É estimado de todos." Apenas às apositivas não se pode aplicar a substituição. B - Adjetivas *Valor das orações adjetivas. 109. As orações subordinadas adjetivas têm o valor de adjetivo, e exercem a função de adjunto adnominal de um substantivo ou pronome antecedente: "Há enganos [que nos deleitam] (= deleitosos), como desenganos [que nos afligem]" (= aflitivos). (M. Maricá, Máx., n.° 223. ) Nem sempre, todavia, existe um adjetivo correspondente, como no exemplo; mas o princípio é válido: as orações adjetivas equiparam-se sempre a um adjunto adnominal. CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES ADJETIVAS 110. Classificam-se as orações adjetivas em dois tipos: 1) RESTRITIVAS: apresentam como de uma classe o substantivo antecedente, ao qual delimitam ou definem mais claramente; por isso mesmo são indispensáveis à significação cabal de toda a oração complexa, a qual, sem elas, pode não fazer sentido, ou tê-lo incompleto e até absurdo. Na fala, ligam-se ao antecedente SEM PAUSA; portanto não se isolam, na escrita, por vírgula. Ex.: "Os [que aprendiam a ler na escola rural] achavam indigna a labuta agrícola." (J. A. de Almeida, Bag., 135.); "Ama, com fé e orgulho, a terra [em que nasceste]." (Bilac); "Cada qual tem o ar [que Deus lhe deu]." (M. de Assis, VH, 229.); "A palavra, esse dom celeste [que Deus deu ao homem] 1 e [recusou ao animal], é a mais sublime expressão da natureza." (Alencar, "A Palavra".) ; "Incorpórea como o espírito [que a anima], rápida como a eletricidade, ... comunica-se ao nosso pensamento, apodera-se dele instantaneamente, e o esclarece com os raios da inteligência [que leva no seio]." (Id., ibid.) 2) ExPLICATIVAS: exprimem o sentido geral do substantivo antecedente; têm o valor aproximado de um aposto explicativo ou atributivo; sua eliminação, por isso, não traz, em princípio, prejuízo lógico, mas principalmente estilístico, ao sentido geral. Na fala, isolam-se do antecedente por uma pausa, indicada na escrita por vírgula. Ex.: "O homem, [que é mortal], tem alma imortal."; "A vaidade, [que comumente produz as nossas alegrias e tris tezas], umas vezes tudo nos representa alegre, outras tudo nos oferece triste." (Macias Aires, RVH, 168.); "Era uma vez uma agulha, [que disse a um novelo de linha]." (M. de Assis, VH, 229.); "O pátio, [que se desdobrava diante do copiar], era imenso." (Gr. Ramos, Inf., 12.) Obs. - Se a oração adjetiva explicativa, como no 1.° exemplo acima, é de predicado nominal, pode também exprimir-se por meio de um predicativo (§ 83): "O homem, mortal, tem alma imortal." *Formas de expressão das orações adjetivas. 111. As orações adjetivas ora se apresentam desenvolvidas (com o verbo no indicativo ou no subjuntivo), ora reduzidas (com o verbo no gerúndio ou no infinitivo). *Orações adjetivas desenvolvidas. 112. Há dois tipos de orações adjetivas desenvolvidas: 1.0) RELATIVAS: são introduzidas por um pronome 80 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 81 relativo, muitas vezes precedido de. preposição, ou por um advérbio pronominal relativo. O conectivo relativo, ao contrário do que acontece com as conjunções, SEMPRE EXERCE UMA FUNÇÃO NA ORAÇÃO SUBORDINADA. (V. § 115) Os advérbios pronominais relativos trazem inclusa no seu significado uma preposição: onde = em que; como = = por que; quando = em que. Destes, só onde é usual: "A maneira [como o receberam] era um aviso." (An. Machado, HR, 9.) ; "Foi um barbeiro recebido na sala, [que era mobiliada por quatro ou cinco longos bancos]. .. , uma mesa pequena [que pertencia ao mestre], e outra maior [onde escreviam os discípulos], ... ; nas paredes e no teto havia penduradas uma porção de enormes gaiolas. .. , [dentro das quais... cantavam passarinhos]." (M. A. Almeida, MSM, 72.); "A esta gente bruta e indomável, [cujo esforço vem das crenças da outra vida], se ajuntam os esquadrões de cavaleiros sarracenos [que vagueiam pelas solidões da Arábia]." (Herc., Eur., cap. IX.) Obs. - Na classificação de uma oração adjetiva, a NGB julga inútil a denominação "relativa". Não pensamos assim, uma vez que há orações adjetivas não relativas, como as seguintes. 2.°) JUSTAPOSTAS: são introduzidas por um pronome indefinido, sem antecedente. Vêm sempre regidas da preposição de. Ex.: "Sobre isto disse-me muita palavra bela e heróica, propícia a levantar o ânimo [de quem já tivesse tendência para a luta]." (M. de Assis, RCV, 36.) ; "Não vemos os defeitos [de quem amamos]."; "Chegou a vez [de quantos esperavam]."; "O coração no peito que estremece / [De quem os olha], se alvoroça e teme." (Lus., VI, 64.) (Entenda-se: "O coração, que estremece no peito de quem os olha, se alvoroça e teme." Repare-se, ainda, no hipérbato, comum na época de Camões: a oração relativa tem uma expressão ("no peito") a separá-la do antecedente.) Obs. -- Não costumam os .manuais referir-se a este tipo de orações adjetivas. Pode consultar-se a respeito a tese de Olmar Guterres da Silveira, Orações Subordinadas sem Conectivo. Veja-se ainda Jucá, 132 Restrições, p. 61, e Evanildo Bechara, Lições de Português, p. 144. corações adjetivas reduzidas. 113. Apresentam-se ainda as orações adjetivas em forma reduzida, sem conectivo e com o verbo no infinitivo ou no gerúndio 1.0) De infinitivo (regidas da preposição a): "Na pausa solene dos quadris [a deslocarem-se na marcha], há a segurança da força." (God. Rangel, VO, 111.) ; "Recebi prospectos dos aparelhos [a serem adquiridos]." 2.0) De gerúndio "Pareceu ao pobre lenhador sentir, naquele vento, o som de um choro, e uma voz [bradando aflita]." (Eça, PB, 53.); "Havia ali um bêbado [tresvariando em voz alta]." (Gr. Ramos, VS, 45.) ; "O agoniante sofrer vira esperança / de um cérebro [domando um coração]." (P. L. Masi, SC, soneto 11.); "Acudiam cartas do nosso arcebispo a miúde, escritas com muito calor, e [pedindo a Sua Santidade] declarasse a preemi nência." (Fr. Luís de Sousa, apud' Said Ali, GS, 249.). Obs. 1 - Há quem aponte, ainda, orações adjetivas reduzidas de particípio, como nestes exemplos: "Uma senhora magra, minha indistinta mãe, tentou com desespero fechar uma porta balançada pela ventania." (Gr. Ramos, Inf., 10.); "Havia alguns homens agachados em redor de um fogo que enchia o cárcere de fumaça." (Id., VS, 45.) ; "Acudiam cartas do nosso arcebispo a miúde, escritas com muito calor, e pedindo a Sua Santidade declarasse a preeminência." (Said Ali, loc. cit.) A presença de oração, nesses casos, é inadmissível: o particípio, aí, pelo seu valor adjetivo, deve analisar-se como simples adjunto adnominal, uma vez que não tem sujeito próprio. Mesmo quando é mais acentuado o valor verbal do particípio, persiste a falta de sujeito próprio, o que aconselha a sua análise como adjunto "Dir-se-ia que era o arcanjo das batalhas, mandado por Deus para salvar Teodomiro." (Herculano, Eur., cap. X.) Para considerá-los orações, apelam alguns para uma elipse um tanto forçada: "que fora balançada pelo vento"; "que estavam agachados em redor do fogo"; "que eram escritas com muito calor"; "que 82 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 83 fora mandado por Deus". Nesse caso, porém, já não seriam orações reduzidas, uma vez que, desfeita a suposta elipse, aparecem um relativo e um verbo de ligação em forma finita. A NGB é omissa quanto a este assunto. Obs. 2 - A mesma objeção pode fazer-se ao antigo particípio presente, latinismo hoje fora de uso: a ausência de sujeito próprio aconselha sua classificação como adjunto adnominal: "Ali o rio corrente / De meus olhos foi manado." (Camões, Sôbolos Rios.) *Orações adjetivas circunstanciais. 114. Certas orações adjetivas - tal como acontece com alguns predicativos -, além do seu valor qualificativo ou atributivo, podem simultaneamente exprimir, embora com menos nitidez e precisão do que nas orações adverbiais, matizes circunstanciais de causa, concessão, condição, conseqüência e fim - herança da sintaxe latina ocorrente em várias línguas românicas: CAUSA "Henriette, que era muito branca, devia atrair Heráclito, mestiço." [Observe-se que mestiço já está reduzido a simples predicativo.] CONCESSÃO: "Eu, que disse mal das vaidades, vim a cair na de ser autor." (Matias Aires, apud Barleta de Morais, Contr., 24.) CONDIÇÃO "Eu que digo isto é porque sei o que V. Ex.a é para Jorge." (Camilo, apud id., ibid.) ; "Mas com este clima, com este ar que Deus nos deu, .... o próprio Xavier de Maistre, que aqui estivesse, ao menos ia até o quintal." (Garrett, apud id., ibid.) [Note-se o matiz concessivo que acompanha o consecutivo.] "Procuravam uma sombra onde pudessem repousar." FIM "Mandou, pois, Saul uns beleguins, que trouxessem preso a Davi." (A. P. de Figueiredo, apud B. de Morais, ibid., 21); "Tem você .... alguma cousa que eu leia?. .. " (Eça, apud id., ibid., 24.) Obs. - Clóvis Barleta de Morais, no § 65 da sua tese (p. 25), lembra que "o conjunto formado por uma oração no subjuntivo seguida de uma adjetiva no mesmo modo exprime objeção indefinida e é sentido como uma verdadeira [oração complexa] adverbial concessiva". E aduz estes exemplos: "Gazetas é que eu me não atrevo a desmentir, suceda o que suceder." (Camilo.) ; "Aconteça o que acontecer, juro por todos os santos que lhe quebro as costelas." (Graciliano Ramos.) Consultem-se, a respeito deste tipo de orações: Clóvis Barleta de Morais, Contribuição ao Estudo das Orações Adjetivas nas Línguas Românicas, tese de doutoramento mimeografada (Marília, 1972, p. 23-26); Amini Boainain Hauy, Da Necessidade de uma Gramática-Padrão da Língua Portuguesa (São Paulo, Ática, 1983, p. 101-105). *Função sintática dos relativos. 115. Os pronomes relativos, que introduzem oração adjetiva, SEMPRE exercem, nela ou numa oração substantiva que a segue, uma função sintática (sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, adjunto adnominal, complemento nominal, adjunto adverbial, agente da passiva). Onde e como são sempre adjuntos adverbiais; cujo e suas flexões, sempre adjunto adnominal: 1) Como sujeito: "Eram profundas as trevas [que se dilatavam pela face da terra]." (Herc., Eur., cap. IX.) [O que é sujeito de se dilatavam.] 2) Como objeto direto: "Alguns esculcas e vigias .... creram perceber um ruído longínquo, [que menos excitados ouvidos não saberiam distinguir do i CONSEQÜÊNCIA "Ele distribuía palmatoadas com uma agilidade que esperaria de sua corpulência."; não se 84 O PERÍODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 85 remoto e quase imperceptível despenhar da torrente]." (Id. ibid. ) [O que é objeto direto de distinguir.]; "O espetáculo [que elas ofereciam] era sublime." (Id. ibid.) [O que é objeto direto de ofereciam.] 3) Como objeto indireto: "(A cavalaria dos godos) resistia facilmente aos cavaleiros do deserto, [para quem a maior ligeireza e o mais destro modo de acometer eram baldados no meio das trevas]." (Id., ibid.) [Quem, regido da preposição para, sem valor adverbial, é objeto indireto de eram baldados.]; "Felícia, [a quem comuniquei a possibilidade do espetáculo], não me pareceu gostar muito." (M. de Assis, RCV, 92.) [A quem é objeto indireto de comuniquei.] 4) Como predicativo: "Deixe-me viver como um urso, [que sou]." (M. de Assis, BC, 87.) [O que é predicativo do sujeito oculto eu.] 5) Como adjunto adnominal "Torvos e ferozes eram o gesto e os meneios destes homens sem disciplina, [cujas paixões se lhes pintavam nos rostos]." (Herc., Eur., cap. IX.) [Cujas é adjunto adnominal de paixões.] 6) Como complemento nominal "Os portentos, [de que esta força é capaz], ninguém os calcula." (Rui, OM, 33.) [O que é complemento nominal de capaz.] 7) Como adjunto adverbial: ".... armas terríveis, [com que abolavam os elmos mais reforçados]." (Herc., Eur., loc. cit.) [O que, regido de com, prep. de valor circunstancial, é adj. adv. de instrumento.]; "Subia rápido a encosta [donde Ruderico atendia aos sucessos da batalha]." (Id., ibid., cap. X.) [Donde é adjunto adv. de lugar.]; "Endireitou a carreira para o lugar [onde flutuavam os pendões]" (Id., ibid.) [Onde é adjunto adverbial de lugar.] 8) Como agente da passiva: "Desconfia dos amigos [por quem sempre és endeusado]" [O quem da oração adjetiva restritiva é agente da passiva do verbo endeusar.] *Relativo com função noutra oração. 116. Em certas construções, o pronome que introdutor de uma oração adjetiva nela não exerce nenhuma função: vai exercê-la numa oração substantiva dela dependente: "Não faças a outrem o [que não queres] [que te façam]." O relativo da oração adjetiva que não queres é objeto direto de façam, verbo da oração objetiva direta que te façam. É um cruzamento sintático, não exclusivo do português (Cf., por exemplo, o francês "Ne fais à autrui ce que tu ne vaudrais pas qu'on te fit à toi-même.".), que nos mostra o entrelaçamento estreito das orações e o artificialismo da partição que delas se costuma fazer. Muito mais racional é o sistema de considerar, como o fazia José Oiticica, "orações gerais" as que, tendo um termo em forma de oração subordinada, somente com ela têm sentido cabal. Leiam-se, também, as judiciosas palavras de Said Ali: "Quando a subordinada representa o sujeito, um complemento essencial ou um termo atributivo de função restritiva, a oração principal sem a dita subordinada é uma proposição imperfeita e truncada." (GS, 181.) Sousa da Silveira denominava-as "orações complexas", nome que adotamos. C - Adverbiais *Formas de apresentação das orações adverbiais. 117. As orações subordinadas adverbiais, que funcionam sempre como adjunto ou complemento adverbial da oração 86 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 87 principal de que dependem (Cf. § 19), podem apresentar-se desenvolvidas (conexas ou justapostas) e reduzidas (de infinitivo, de gerúndio, de particípio). 118. As desenvolvidas conexas começam por uma conjunção ou locução conjuntiva subordinativa circunstancial (= não-integrante), clara ou elíptica, que não desempenha qualquer outra função sintática na oração: "A minha energia no estudo não diminuiu com os anos, [como era de esperar]; cresceu sempre progressivamente." (Lima Barreto, REIC, 16.) ; "E, [à proporção que se avizinhava o momento supremo], mais e mais imprudente lhe parecia a sua temeridade." (A. Azevedo, CP, 281.) Com elipse: "Porém, [como quer que o pai lhe falecesse], e [a mãe contrariasse a projetada formatura], ... renunciou à carreira das letras." (Camilo, QA, 789.) [Na 2.a oração causal, que está coordenada à l.a, suprimiu-se a locução que já aparecera nesta.] 119. As desenvolvidas sem conjunção apresentam dois tipos: 1.°) Puramente justapostas, mais raras; "[Há quanto tempo] não o vejo!" 2.°) Introduzidas por advérbio com função dentro da oração subordinada: "[Onde me espetam], fico." (M. de Assis, M.) [A oração "Onde me espetam" é adverbial de lugar; nela, o advérbio onde é adjunto adverbial de lugar de espetam]. É procedimento inaceitável desdobrar o onde (= no lugar em que) e analisar o equivalente obtido. 120. As reduzidas têm o verbo em forma nominal, e podem ser: 1.0) De infinitivo (sempre regidas de preposição com valor circunstancial): "[Ao chegar o momento decisivo], começou a tremer."; "Fazia um calor: [de torrar ©s miolos]." 2.°) De gerúndio "[(Em) chegando o momento decisivo], começou a tremer."; "[Penetrando no aposento] que lhe fora designado, despiu o hábito e deitou-se." 3.°) De particípio "[Chegado o momento decisivo], começou a tremer." CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES ADVERBIAIS 121. As orações subordinadas adverbiais classificam-se, de acordo com a circunstância que exprimem, em causais, com parativas, concessivas, condicionais, conformativas, consecutivas, finais, locativas, modais, proporcionais e temporais. As locativas e as modais não figuram na relação da NGB. 122. 1) ORAÇõES CAUSAIS - Equivalem a um adjunto adverbial de causa. Podem apresentar-se desenvolvidas (conexas ou sem conectivo) e reduzidas. *Orações causais desenvolvidas. 122 a. Quando desenvolvidas conexas, são introduzidas por conjunção ou locução conjuntiva causal, cujo tipo é porque (pois, como, porquanto, pois que, uma vez que, visto que, visto como, por isso que, já que, como quer que, etc.): "Um dia quebrei a cabeça duma escrava, [porque me recusara uma colher do doce de coco] que estava fazendo." (M. de Assis, BC, 33.); "[Como fosse acanhado], não interrogava a ninguém." (Id., ibid., 139.) ; 88 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 89 "[Já que não pude ser feliz], busquei a companhia dessas aves que nasceram livres." (João Ribeiro, FE, 11.) Obs. - Como só se emprega quando a oração subordinada se antepõe à principal. - Escritores do século passado, como Camilo, ainda usam com certa freqüência, em vez de como, a locução como quer que: "[Como quer que o pai lhe falecesse] .... renunciou à carreira das letras." (QA, 789.); "O santo arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires uma vez perguntara que nome havia; e, [como quer que o padre respondesse `Onofre de Benevides'1, o arcebispo acudira dizendo: .... " (Ibid., 790.) Menos usual, hoje, é a oração causal iniciada por que: "O povoléu intacto fugira espavorido, [que ninguém se atrevia ao filho do corregedor]." (Camilo, AP, 18.) A locução posto que, no português moderno, fixou-se com valor concessivo, e não causal (Cf. § 129.), a despeito de raros exemplos em contrário. *Orações causais sem conectivo. 123. Podem as orações causais aparecer justapostas à sua principal, sem auxílio de conjunção; num dos tipos dessa justaposição poderá dizer-se elíptica uma conjunção causal: "Ninguém reparou em mim: todos andavam como pasmados." (Herc., MC, 22.) Num segundo tipo, a que os manuais não costumam referir-se, a oração causal, puramente justaposta, se inicia por uma palavra intensiva (tão, tamanho): "Ainda que tivesse escondido o infame objeto, emudeceria, [tão apavorado me achava]." (Gr. Ramos, Inf., 32.); "Dias inteiros passava-os Boemundo .... todo absorto e alheio, fora de si e pudera dizer-se fora de todas as cousas, [tamanho lhe era o desprendimento dos sentidos]." (João Ribeiro, FE, 220) *Orações causais reduzidas. 124. Também se apresentam com freqüência orações causais com o verbo em forma nominal, REDUZIDAS: 1.0) De infinitivo - e neste caso são encabeçadas por uma das preposições por (a mais comum), de, com, em, visto, e por locuções como por causa de, em conseqüência de, em vista de, em razão de, à força de, etc. "[De tanto pedir], eu entrara na posse do objeto sonhado." (J. L. do Rego, ME, cap. 27.) ; "Entre si ficaram vitoriando [de terem um homem bastante audaz]." (Camilo, QA, 801.); "O remoque, talvez [por ser de santo], era medianamente engraçado." (Ibid., 790.) ; "Alugou uma casa no bairro de Alfama, [por lhe terem dito] que, naquela porção da Lisboa antiga, a cada esquina havia um monumento." (Ibid., 796.) ; "Devia fazer-nos abatimento, [visto sermos bons pagadores]." (Said Ali, GS, 204.) ; "Porém, como quer que o pai lhe falecesse, e a mãe contrariasse a projetada formatura, [em razão de ficar muito sozinha no casarão de Caçarelos], como bom filho, renunciou à carreira das letras." (QA, 789.) 2.°) De gerúndio "[Não sendo meu costume] dissimular ou esconder nada, contarei nesta página o caso do muro." (M. de Assis, BC, 286.); "[Não obtendo resultado], fustigou-o com a bainha da faca." (Gr. Ramos, Inf., 8.) *Distinção entre orações causais e explicativas. 125. As orações independentes explicativas, quando sindéticas, são introduzidas por conjunções coordenativas que também podem ter valor de subordinativas causais: que, porque, pois, etc., e nem sempre se torna fácil distinguir umas de outras. Não nos parece aconselhável exigir de alunos o que nos causa embaraço a nós professores. Didaticamente, entretanto, podem aplicar-se alguns artifícios de efeito prático, alguns dos quais arrolamos adiante. 1 - Tendo sempre em mente que a oração subordinada adverbial vale por um adjunto adverbial (o que não 90 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 91 acontece com a coordenada explicativa, sintaticamente independente), tente-se substituir a oração desenvolvida iniciada com que, pois, porque por outra equivalente, reduzida de infinitivo, iniciada pela preposição por. Se isso for possível, sem forçar o sentido, é sinal evidente de que a oração em tela é subordinada causal. - Este processo parece-nos o mais eficiente de todos. 2 - A oração explicativa, por ser independente, admite pausa forte, que se pode indicar por dois-pontos ou ponto-e-vírgula, o que em geral será forçado ou impossível para as causais. 3 - O conectivo, nas orações explicativas, pode omitir-se sem qualquer prejuízo da clareza, fazendo-se preceder a oração de dois-pontos, o que, em princípio, não acontece em relação às causais. 4 - Na maior parte dos casos, a oração que antecede uma explicativa tem o verbo no imperativo, indicando tempo futuro; compare-se: "Não chores, porque estou a teu lado." (explicativa); "Não chores [porque estou a teu lado] (causal), que não te farei mal." (explicativa) ; "Chorava [porque a mãe não estava a seu lado]." (causal). 5 - Na sua maioria, as orações causais de que, pois, porque podem substituir-se por equivalentes com os conectivos como (no início do período), uma vez que e análogos, o que não é possível com as explicativas. A aplicação conjunta destes critérios, mormente o primeiro, sanará talvez todas as dúvidas, principalmente se não se esquecer este fato: só é subordinada adverbial causal a oração que exerce, em relação a outra, a função de adjunto adverbial de causa. Para aplicação prática, tomemos alguns exemplos: 1) "Fala-lhe tu, que eu não quero que ele me conheça." (Camilo, AP, 65.) É perfeitamente possível a omissão do conectivo: "Fala-lhe tu: eu não quero que ele me conheça"; o verbo da oração anterior está no imperativo; seria forçada a substituição da oração indicada por outra introduzida por como, ou por uma oração reduzida. Tudo isso indica que se trata de oração independente explicativa, coordenada à anterior. 2) "O povoléu intacto fugia espavorido, que ninguém se atre via ao filho do corregedor." (Id., ibid., 18.) A oração pode ter uma equivalente reduzida ( .... por não se atrever ninguém .... ), ou introduzida por uma vez que, ou visto que, ou como. Basta, para concluirmos, tratar-se de oração subordinada adverbial de causa. 126. 2) ORAçõES COMPARATIVAS - Equivalem a um adjunto adverbial de comparação; servem, pois, "para esclarecer um pensamento ou conceito mostrando a semelhança, a igualdade (ou desigualdade), ou aquilo com que outra coisa está ou deixa de estar de acordo'. (Saio Ali, GS, 199.) 127. Dessa conceituação decorrem os vários tipos de ora ções comparativas, que são sempre desenvolvidas conexas: 1.°) AssIMILATivAS - quando se aponta semelhança. Neste caso, a conjunção típica é como: "Eu deixo a vida [como deixa o tédio / Do deserto o poento caminheiro]." (Alvares de Azevedo, "Lembrança de morrer".) Usam-se igualmente as conjunções ou locuções qual, tal como, assim como e semelhantes. Quando a oração comparativa vem encabeçando o período, pode aparecer na oração seguinte uma palavra ou locução correlativa (assim, assim também) "[Assim como o sexo feminino, para aumentar a sua formosura, pede emprestada a das flores e pérolas e plumas], assim aquele monarca, para parecer terrível, se enrascara com as apa rências de um dragão." (Bernardas, ap. Saio Ali, GS, 200.) Se à comparação se acrescenta a conotação de hipótese, emprega-se a locução como se: "Os meus olhos rompiam a escuridão do horizonte, [como se a luz do sol os iluminasse]." (Herc., ap. Saio Ali, GS, 201.) TIPOS DE ORAÇÃO 93 92 O PERIODO COMPOSTO Obs. - Alguns desdobram desnecessariamente essa construção em mais uma oração (condicional), subentendendo após o como o verbo da oração principal ("como romperiam se. .. ") . Preferimos considerar como se uma locução. 2.0) QUANTITATIVAS OU INTENSIVAS, que exprimem igualdade, ou se correlacionam à superioridade ou inferioridade expressa na oração principal. Neste caso, a conjunção que introduz a oração comparativa (que, do que, como, quanto) se acha em correlação com uma palavra intensiva da oração principal (tão, tanto, mais, menos, melhor, pior, maior, menor) "Sabe-o o leitor tão bem [como eu sei]."; "Ninguém ama a brandura mais [do que eu amo]."; "Venho apertar nos braços um parente, que me honra tanto com a inteligência, [quanto seus avós me honraram com a lança]." (Camilo, QA, 809.) ; "Foram menos belos os dias da sua mocidade [que o foram os da sua velhice].", "E zumbia, e voava, e voava, e zumbia, / Refulgindo ao clarão do sol/ E da lua melhor [do que refulgiria / Um brilhante do Grão-Mogol]." (M. de Assis, "A Mosca Azul'.) Obs. - É freqüente a elipse, nas orações comparativas, do verbo que já figura na oração principal: "Sabe-o o leitor tão bem [como eu]." - "Ninguém ama a brandura mais [do que eu]." - "Foram menos belos os dias da sua mocidade [que os da sua velhice]." - "Refulgia melhor [do que um brilhante]." 128. 3) ORAçõES CONCESSIVAS - Equivalem a um adjunto adverbial de concessão; indicam "que um obstáculo - real ou suposto - não impedirá ou modificará, de modo algum, a declaração da oração principal". (Bechara, LPAS, 132.) Podem apresentar-se desenvolvidas (simples e intensivas) ou reduzidas. *Orações concessivas desenvolvidas simples. 129. Quando desenvolvidas conexas simples, as orações concessivas são introduzidas por uma conjunção ou locução conjuntiva concessiva, cujo tipo é embora (ainda que, ainda quando, mesmo que, conquanto, bem que, se bem que, posto, posto que, sem que (= embora não), nem que, apesar de que, que, etc.): "[Ainda que tivesse escondido o infame objeto], emudeceria, tão apavorado me achava." (Inf., 32.); "[Mesmo que começasse a ventar], não era razão para que as famílias se recolhessem, insensíveis que eram, de tão habituadas, àquele vento famoso." (An. Machado, HR, 7.); "Todos os dias vêm ao mundo marrecos, perus e pintos [sem que isso ponha comichões na pena dos novelistas]." (Lobato, Ur., 548.) ; "Os centros dos dons exércitos semelham o tigre e o leão no circo, abraçados, despedaçando-se, estorcendo-se enovelados, [sem que seja possível prever o desfecho da luta]." (Herc., Eur., cap. X.) ; "[Nem que venham agora contra mim o sol e a lua], não recuarei das minhas idéias." (M. de Assis, BC, 355.); "Pascal é um dos meus avós espirituais; e, [conquanto a, minha filosofia valha mais] do que a dele, não posso negar que era um grande homem." (Id., ibid., 349.) ; "Este clérigo, [bem que tivesse exercido as funções de desembargador], era menos letrado que o antiquário." (Camilo, QA, 800.); "No meado do décimo século, [posto que esse distrito fosse assaz povoado], o seu aspecto assemelhava-se ao de um de serto." (Herc., LN.) ; "[Posto não fosse feio] nem repugnante, era certo que não se lhe viam os olhos nem os ouvidos, de tão encobertos pela grenha devota e suja, despenhada pelos ombros abaixo." (J. Ri beiro, FE, 219.) *Orações concessivas intensivas. 130. Há outro tipo de orações concessivas - as INTENSIVAS, como lhes chama Said Ali -, "que se referem a uma qualidade ou modalidade qualquer, consideradas em grau inten sivo e sem limites. Caracterizam-se pelas expressões por 94 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 95 mais... que, por muito ... que, ou simplesmente por... que, eliminando as palavras mais ou muito' (GS, 1,91.): "O suplício durou bastante, mas, [por muito prolongado que tenha sido], não igualava a mortificação da fase preparatória." (Gr. Ramos, Inf., 33.); "Não acha um homem malaio, [por pobre que seja], que queira levar às costas cousa própria nem alheia." (Lucena, ap. Saio Ali, lOC. Cit.) Obs. 1 - Numa construção de ordem inversa, usa nossa bém a conjunção que, com valor concessivo: "[Dez beijos que fossem] não queria dizer cousa nenhuma." (M. de Assis, BC, 128.) ; "[Carregada e feia que estivesse], achar-lhe-ia a mesma formosura." (Herc., ap. Saio Ali, GS, 192.) Obs. 2 - Quando se coordenam alternativamente duas orações concessivas, pode não aparecer qualquer conectivo subordinativo: "[Quer chova], / [quer faça sol], sairemos amanhã." *Orações concessivas reduzidas. 131. Podem as orações adverbiais concessivas apresentar-se reduzidas 1.0) De infinitivo (introduzidas pelas prepgsições ou locuções sem, apesar de, com, não obstante, sem embargo de, etc.): "[Sem o querer], associou o trio à imagem das bancas examinadoras." (An. Machado, HR, 17.) ; "[Apesar de estar doente], saiu para o trabalho."; "Sei que se pode admirar uma mulher, [sem a desejar]; que se pode desejar [sem a amar]." (Garrett, VMT, 292.) 2.0) De gerúndio (que pode, neste caso, vir reforçado das palavras concessivas mesmo ou embora): "[Mesmo estando doente], saiu para o trabalho."; "[Sendo pobre], ainda assim auxiliava os mais pobres." 3.0) De particípio (reforçado de mesmo ou embora): "[Mesmo afastado o perigo], o temor ainda lhe perpassava no olhar." 132. 4) ORAçõES CONDICIONAIS - Equivalem a um adjunto adverbial de condição e exprimem condição ou hipótese. Apresentam-se desenvolvidas e reduzidas. *Orações condicionais desenvolvidas. 133. Quando desenvolvidas conexas, as orações condicionais são introduzidas por uma conjunção ou locução conjuntiva condicional, cujo tipo é se (caso, sem que - = se não -, contanto que, salvo se, exceto se, desde que, a menos que, a não ser que, etc.): "Não te irrites, [se te pagarem mal um benefício]: antes cair das nuvens, que de um terceiro andar." (M. de Assis, BC, 305.) (Também poderia dizer-se: caso te paguem mal ... ) ; "[Se tenho nos olhos malferidos / Pensamentos de vida formulados], / São pensamentos idos e vividos." (Id., ibid., "A Carolina".) ; "Eles não prosseguirão nas obras [sem que o Governo lhes pague]." (Ou então: "a não ser que o G. lhes pague", "a menos que o G. lhes pague", "salvo se o G. lhes pagar", "exceto se o G. lhes pagar.") ; "Calisto era incapaz de empecer a roda do progresso, [contanto que o progresso não lhe entrasse em casa], [nem o quisesse levar consigo]." (Camilo, QA, 791.); "Podem dizer o que quiserem, [contanto que não mintam]. (Ou: "desde que não mintam.") 134. Numa construção de ordem inversa, começada pelo verbo, a oração condicional é justaposta, sem conectivo: "[Tivesse eu meus cinqüenta anos], daria lições a esses jovens de hoje."; "[Visse-a Juno], talvez se abrandaria." (Castilho, ap. Saio Ali, GS, 190.) *Orações condicionais reduzidas. 135. Apresentam-se as orações condicionais também em forma reduzida: língua tam 96 O PERIODO COMPOSTO 1.0) De infinitivo (introduzidas pelas preposições ou locuções a, sem, na hipótese de, no caso de, etc.): "As restantes feições de Calisto Elói de Silos eram regulares, [a não querermos encarar a alta e brunida fronte]." (QA, 807.) ; "[Na hipótese de ser feriado amanhã], a conferência será pronunciada no sábado."; "Não obstante os meus quarenta anos, como eu amasse a harmonia da família, entendi não tratar o casamento [sem primeiro falar ao Cotrim]." (M. de Assis, BC, 313.) 2.0) De gerúndio "[Responsabilizando quálquer deles], meu pai me esqueceria." (Gr. Ramos, Inf., 32.); "Se o inverno viesse, aquele despotismo seria estrago; [chegando a seca], não se colheria um fruto, ainda que se enterrassem na lama todas as sementes." (Id., ibid., 11) 3.0) De particípio: "[Executada], esta blasfêmia não faria senão inaugurar a organização da miséria." (Rui, OM, 33.) 136. 5) ORAÇÕES CONFORMATIVAS - Equivalem a um ad junto adverbial de conformidade, e exprimem acordo ou conformidade de um fato com outro. Sempre desenvolvidas conexas, são introduzidas pelas conjunções conforme, como, consoante, segundo: TIPOS DE ORAÇÃO 91, Didaticamente, aconselhamos um processo: Se o como for substituível por conforme, a oração será como, ual. Além disso, o verbo quando o como onder aa serro mesmo da principal, o que não da oração comparativa ocorre nas conformativas. ORAÇÕES CONSECUTIVAS - Equivalem a um ad 137. b) rimem, pois, que o fato junto adverbial de conseqüência; exp ue se declarado na oração subordinada consecutivas enuncia na principal. Podem desenvolvidas (simples e correlatas), ou reduzidas (de infinitivo) - corações consecutivas desenvolvidas. são 138. Quando desenvolvidas conxlocúçõesoque,ude forma introduzidas pelas conjunções ou que, de modo que, de sorte que, tanto que, sem que (- que não), etc. "Eles me contavam estas histórias dando detalhe por detalhe, [que ninguém podia suspeitar de mentira]." (J• I-• do Rego, ME, 84.); procissão de "0 padre Júlio beijava os pés dos pobres, fazia encontro e um sermão de lágrimas [que todo o mundo chorava na igreja]." (Ibid., 74.); C. Alves, "Deus, ó Deus, onde estás [que não respondes]?" "A saudade crescia [consoante a ausência e desprezo do ma 1 VA.) ; perfume discreto e suave, [que "Flor de jabuticaba tem um V. Coaraci, CV, rido aumentava]." (Camilo, QA, 850.) ; acorda saudade nem a gente sabe de quê]" ( lo o que como "Cada um colhe [conforme semeia]." (Prov.); 42.). (Embora se possa considerar, neste exemp "A voz (dela) era, [como dizia o pai], `muito mimosa'." (M. consecutiva: de Assis, BC, 250.) ; pronome relativo, preferimos tê-10 como conjunção consecutiva: "Com certeza a sala não era vasta, [como presumi]." (Gr. Ra (tão) discreto e suave, que .... )' o se recorde o deplo mos, Inf., 8.) "Não se fala da Monarquia [sem que e o MaçonismoV' Obs. - Conforme se vê, as orações conformativas se aproximam rável incidente da luta entre o Episcopado (Laet, "Ela", JB, 1-8-907.); ver defunto [que não chore]."; "Não logo]." bastante, muitas vezes, das comparativas, e nem sempre são suficiente i posso "Todos estavam exaustos, [de modo que se recolheram mente nítidos os limites entre umas e outras. (Cf. Said Ali, GS, 201.) 98 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 99 *Orações consecutivas correlatas. 139. Mais comuns são as orações consecutivas encabeçadas pela conjunção que em correlação com um termo intensivo (tão, tanto, cada, tamanho, etc.) da oração principal: "Viegas tossia com tal força [que me fazia arder o .peito]." (M. de Assis, BC, 239.) ; "O choque foi tamanho [que me senti vazio de cérebro]." (Lo bato, Ur., 314.) *Orações consecutivas reduzidas. 140. Quando reduzidas, as orações consecutivas têm o verbo no infinitivo, introduzidas pelas preposições e locuções de, para, sem, a ponto de, etc.: "Fazia um frio [de rachar pedras]." (S. Lopes Neto, CR, cap. XII.); "Muito alucinado devia de estar Simão [para lhe não ver as lágrimas]." (Camilo, AP, 116.); "Não podia vê-lo [sem rir]."; "O arco se dilatava [a ponto de comprometer localmente o trânsito]." (C. dos Anjos, ET, 4.); "O excesso de elogios [ao livro] .... preocupou de tal modo o escritor [a ponto de abandoná-lo]." (Renard Perez, Escr. Bras. Contemp., 1.a série, Rio de Janeiro, Civilização Bras., p. 20.) Obs. - Não são convincentes os exemplos de consecutivas reduzidas de gerúndio como o seguinte: "Deram no arraial de repente, [rompendo-o por muitas partes]." (Here., ap. Bechara, LPAS, 171.) É duvidosa a equivalência rompendo-o = de modo que o romperam. Prefiro considerá-la aditiva reduzida de gerúndio. (Cf. § 97, e.) 141. 7) ORAçõES FINAIS - Equivalem a um adjunto adverbial de fim, e exprimem a finalidade do que se enuncia na oração principal. Apresentam-se desenvolvidas conexas, ou reduzidas de infinitivo. #Orações finais desenvolvidas. 142. Quando desenvolvidas, as orações finais são introduzidas por uma conjunção ou locução conjuntiva final, cujo tipo é para que (a fim de que, que, porque): "Fiz-lhe sinal [para que não insistisse], e ele calou-se por alguns instantes. (M. de Assis, BC, 241.) (Ocorre também a constru ção apenas com o que: "Fiz-lhe sinal [que não insistisse]."); "Era preciso que minha mãe me repreendesse, [para que eu fosse mais zeloso]." (L. Barreto, REIC, 30.); "Orai, [porque não entreis em tentação]." (Bernardes, ap. M. Barreto, Fatos, 121); "Seu tenente dá licença [que eu visite um amigo no hospital]?" (A. Caminha, B-Cr, 81.) *Orações finais reduzidas_ 143. Têm sempre o verbo no infinitivo as orações finais reduzidas. Excepcionalmente, podem apresentar-se justapostas, sem preposição: "Foram a Inglaterra [pelejar em desagravo das damas inglesas]." (Herc., ap. Bechara, LPAS, 167.) Mais comumente, entretanto, são introduzidas pelas preposições para, a, de, por, ou pela locução a fim de: "Trepava [a tirar mangas]." (Casimiro de Abreu, "Meus Oito Anos.") ; "Essas camadas mereceriam um capítulo, que não escrevo, [por não alongar a narração]." (M. de Assis, BC.) ; "O capitão fingia não crer na morte próxima, [talvez por en ganar-se a si mesmo]." (Id., ibid., 65.); "Ele ia formar-se [para poder sustentá-la]." (Camilo, AP, 24.); "Ai, porém, dos que prevaricam fechando os olhos à luz da notória verdade, [a fim de se fingirem cegos]!" (Id. QA, 792.); "Com um gesto pegou na fulgurante mosca, / Curioso [de a examinar]." (M, de Assis, "A Mosca Azul".) ; "Sua resposta foi compelir-me fortemente [a olhar para bai xo]." (M. de Assis, BC.) 100 O PERIODO COMPOSTO Parecem-nos também finais orações como as seguintes: "Terás muitas ocasiões [de te manifestares]." (= para que te manifestes) ; "Ainda é tempo [de te inscreveres.]" (= para que te inscrevas). 144. 8) ORAçõES LOCATIVAS - Equivalem a um comple mento adverbial de lugar. Apresentam-se sempre como desenvolvidas sem conjunção, introduzidas pelo advérbio de lugar onde (combinado ou não com preposição): "Os mortos ficam bem [onde caem]." (M. de Assis, MA, 10.); "Para ir [onde ela mora], / São caminhos e caminhos." (AI berto de Oliveira.) ; "Precipitou-se [para onde mais cerrado fervia o pelejar]." (Herc., Eur., cap. X.) ; "[Por onde ele atravessava], nem as fileiras se uniam nem os godos achavam adversários." (Id., ibid.) Nota - Estas orações não figuram na NGB. 145. 9) ORAçõES MODAIS - Equivalem a um adjunto adverbial de modo. Exprimem a maneira, o meio pelo qual se realiza o fato enunciado na oração principal. A NGB não inclui as modais entre as orações subordinadas adverbiais. Em que classificação se enquadram, então, as orações que assim vinham sendo indevidamente chamadas? 1) Entre as comparativas, as que são encabeçadas pela conjunção como com o valor de tal qual, assim como, do mesmo modo que: "Eu deixo a vida [como deixa o tédio / Do deserto o poento caminheiro]." A propósito, consulte-se Oiticica, MA, pág. 67. 2) Entre as conformativas, as que são introduzidas por como com a significação de conforme, segundo, consoante: "A voz dela, [como dizia o pai], era muito mimosa." A esse respeito, consultem-se Said Ali, GS, pág. 201, e Oiticica, MA, pág. 65. 3) Entre as consecutivas, as que se iniciam com as locuções de modo que, de sorte que, de forma que: "Todos estavam exaustos, [de modo que se recolheram logo]." 4) Entre as concessivas, nalguns casos, as que começam pela locução sem que, sinônimo de embora não, ainda que não: "Todos os dias vêm ao mundo marrecos, perus e pintos [sem que isso ponha comichões na pena dos novelistas]." Note-se que a locução sem que tem outros valores: condicional (= se não), consecutiva (= que não). (V. exemplos ante riores.) 146. Admitimos que, na maioria dos casos, seja possível desviar para as concessivas as orações de sem que aparentemente modais, embora fique às vezes um tanto forçado o sentido concessivo: "[Sem que eu desse fé], foi à sala de jantar, e arrebatou-me as famosas xícaras de Sèvres." (Marques Rebelo, SAP, 105.); "Depois, os desconhecidos partiam [sem que ninguém ousasse atalhar-lhes os passos]." (Herculano, Eur., cap. IX.) Nalguns exemplos, entretanto, não é possível, com toda a boa vontade, deixar de reconhecer o valor modal a orações desenvolvidas com a locução sem que, ou as suas equivalentes reduzidas de infinitivo com a preposição sem: "Em casa estudo à vontade, [sem que ninguém me perturbe]."; "Cavalguei [sem dizer palavra]." -(Herc., MC, 35.); "Cheguei-me a ele [sem que me sentisse]." (Id., ibid., 22.); "Sentiu vontade de passar os dias longe da vida, lendo, [sem pensar mais nada]." (R. Braga, Q, 75.) ; "Retirou-se à francesa, isto é, [sem se despedir de ninguém]." Há igualmente modais reduzidas de infinitivo introduzidas pela preposição com: "Nem vos tome nunca a tentação de largardes as vossas tarefas úteis, [com dizer] que os frutos do vosso esforço e trabalho outros os hão de colher e não vós." (Latino Coelho, "O Califa e o Plantador de Árvores".) 102 O PERÍODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 103 *Orações modais reduzidas de gerúndio. 147. Ainda mais estranhável foi a omissão das orações adverbiais modais, pela freqüência com que o gerúndio exprime o modo ou o meio. Ouçamos a Said Ali: "Com o gerúndio absoluto constituem-se orações implícitas [= reduzidas] de várias espécies... Muitas vezes o gerúndio denota o MoDO, meio ou instrumento: Muitos dos naturais de Cochim se passavam do reino a outras partes, fugindo de noite em barcos (J. de Barros). A disciplina militar prestante não se aprende, senhor, na fantasia, sonhando, imaginando, ou estudando; senão vendo, tratando e pelejando (Camões). Escreveu a dissertação empregando tinta encarnada. O ladrão abriu a porta servindo-se de gazua. Os Mouros se afastaram do navio remando a toda pressa." (Gramática Secundária, p. 248.) E ainda este outro passo: "As proposições de caráter adverbial podem-se expressar pela forma explícita, excetuadas as de MoDO, meio ou instrumento, para cuja enunciação nos valemos sempre da ORAÇÃO GERUNDIAL." (Id., ibid., 183.) Alega-se que o gerúndio, nesses casos, não forma oração: será simples adjunto adverbial de modo, pois continua, com o mesmo valor, o ablativo latino de que se origina. O argumento não nos parece ter qualquer solidez: a análise sintática é estrutural, não histórica; se se admitem orações adverbiais reduzidas de gerúndio causais, condicionais, temporais, por exemplo, é porque, no período, exercem a função de adjunto adverbial de causa, condição, tempo; e o mesmo raciocínio se deve fazer para as modais de gerúndio: são orações porque contêm um verbo que forma predicado; adverbiais modais porque têm no período a função de adjunto adverbial de modo. Que importa, para a análise da estrutura da frase, que umas remontem ao latim, e outras tenham formação româ nica? Parece-nos, pois, de toda a conveniência rever, neste corno noutros pontos, a NGB. Para se aquilatar a freqüência desse tipo de orações, transcrevemos, ainda, alguns exemplos extraídos, quase ao acaso, de autor contemporâneo (Godofredo Rangel, Vida Ociosa): "E, [troiZeçando no escuro], aos tombos, aflitos, a olhar para trás, fugimos [correndo] quanto podíamos." (111); "Então, [recobrando alento], pudemos gemer as nossas contusões, e, [acendendo pedaços de taquara e palha de pinheiro], conseguimos achar o caminho da fazenda." (Id., ibid.); "E, esperto na sua placa, [revivendo também antigüíssimas memórias], ilusão de um retrocesso aos bons tempos, o papagaio quebro u sua obstinada mudez, [clamando em falsete estridente] .... " (Id., ibid. ) 148. 10) ORAÇÕES PROPORCIONAIS - Equivalem a um ad junto adverbial de proporcionalidade, e exprimem: a) passagem gradual ou proporcional no tempo, ou concomitância (motivo por que poderiam figurar entre as subordinadas temporais); b) "aumento ou diminuição que se faz paralelamente no mesmo sentido ou em sentido contrário a outro aumento ou diminuição" (Said Ali, GS, 202.). São sempre desenvolvidas conexas e apresentam dois tipos 1 - Simples, introduzidas pelas locuções à proporção que, à medida que, ao passo que: "As criaturas são mais perfeitas, [à proporção que são mais capazes de amor]." (M. Aires, RVH, 169.); "O ruído abafado e bem distinto do mover dos dons exércitos vai-se gradualmente confundindo num som único, [ao passo que o chão intermédio se embebe debaixo dos pés dos cavalos]." (Eur., cap. X.); "E, [à proporção que se avizinhava o momento supremo], mais e mais imprudente lhe parecia a sua temeridade." (Al. Azevedo, CP, 281.); "[À medida que o céu clareava], iam-se desenhando a torre da igrejinha e plumas vizinhas de uma palmeira imperial." (P. Nava, CF, 61) 104 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 105 2 - Correlatas, em que o termo intensivo que introduz a oração subordinada (quanto mais, quanto menor, quanto melhor, quanto pior) se acha em correlação com outro que introduz a chamada oração principal (mais, menos, tanto mais, tanto menos, etc.): "[Quanto mais se agitava], mais preso na rede ficava." (M. Lobato, Fábulas, 171); "E tanto mais me enfumava eu, [quanto maior era o número de curiosos]." (C. dos Anjos, ET, 9.) 149. 11) ORAçõES TEMPORAIS - Equivalem a um adjunto adverbial de tempo em suas várias modalidades: anterioridade, posterioridade, repetição periódica (que para José Oiticica formavam a classe das freqüentativas), simultaneidade (para Oiticica: concomitantes), término. Apresentam-se desenvolvidas (conexas e justapostas) e reduzidas (de infinitivo, gerúndio e particípio). *Orações temporais desenvolvidas conexas. 150. Quando desenvolvidas conexas, são introduzidas por uma conjunção ou locução subordinativa temporal (quando, enquanto, antes que, depois que, desde que, que, logo que, assim que, até que, apenas, mal, sempre que, tanto que, agora que, primeiro que, todas as vezes que, (de) cada vez que, sem que (= antes que), etc.) "Vão passados quase dois anos, [depois que protestei] não abrir mais este romance." (Camilo, AP, LXXVIII.); "Transcorreram dois anos [sem que eu retornasse aos periquitos]." (Lobato, Ur., 30.) ; "Muito tempo passará [sem que os homens compreendam a inutilidade da guerra]."; "[Cada vez que chegava pela madrugada], lamentava o tempo perdido na província." (An. Machado, HR, 179.); "[Agora que se fechava no quarto], sentia o quanto lhe peri gava a liberdade." (Id., ibid., 9.) ; "[Sempre que posso] evito pensar no passado." (Id., ibid., 117.); "[Assim que os personagens dos romances começam a ganhar a estima ou aversão] de quem lê, vem logo ao leitor a vontade de compor a fisionomia do personagem plasticamente." (Camilo, QA, 807.) ; "Sentei-me, [enquanto Virgília, calada, fazia] estalar as unhas." (M. de Assis, BC, 125.) ; "Despedi-me [apenas nos levantamos da mesa]." (Id., ibid., 178.); "[Tanto que entrei na pousada], .... encerrei-me na minha câmara." (Herc., MC, 35.); "Ninguém, senhores meus, que empreenda uma jornada extraordinária, [primeiro que meta o pé na estrada], se esquecerá de entrar em conta com as suas forças." (Rui, OM, 29.) *Orações temporais sem conectivo. 151. Consideram-se orações temporais desprovidas de conectivo, puramente justapostas, expressões feitas como "Há muito tempo", "Faz muitos anos", quando no mesmo período aparecem junto a outra oração, que é a principal: "[Há muito tempo] não o vejo.", ou "Não o vejo [há muito tempo].", ou "Não o vejo [faz muitos anos]." Certos autores, entretanto, preferem ver nas expressões "há muito tempo" ou "faz muito tempo", sem embargo da presença do verbo, uma locução estereotipada, "gramaticalizada", sem valor oracional - simples adjunto adverbial de tempo. Cf., a respeito, as informações e bibliografia que nos fornece Evanildo Bechara, LPAS, 141 e 142. Qualquer das duas análises encontra defensores de pres tígio. A construção "Há muito tempo (que). ..". 152. Mais complexa, porém, é a interpretação sintática das frases em que a oração de sentido principal vem precedida 106 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 107 de que: "Há muito tempo que não o vejo." Essa construção admite, usualmente, três exegeses: l.a) Aproximando-a de frases como "Há vinte anos que ouvi dum coevo do fato a história do assassínio." (Camilo, Ap, 8. ), consideram alguns professores (Sílvio Elia, Rocha Lima) o que expletivo, e a oração que o segue principal, classificando "há vinte anos" como subordinada temporal. 2.a) A análise mais comum, defendida por mestres de renome (Leite de Vasconcelos, Epifânio Dias, Said Ali, Mattoso Camara Jr.), é a que vê na partícula que uma conjunção temporal, com o valor aproximado de desde que, e por conseguinte dá a classificação de principal à oração de haver ou fazer, considerados impessoais, e de temporal à de que. Milita a favor desta hipótese a tendência natural à impessoalização que se observa nas expressões que designam tempo: "É cedo.", "Deram três horas.", "Era de madrugada.", "Hoje são vinte de novembro.", etc. Nem sempre, contudo, é aceitável o valor temporal do que. 3.a) Sustentam outros mestres (Martins de Aguiar, Mário Barreto, Cândido Jucá Filho) ser conjunção integrante o que, e em conseqüência subjetiva a oração por ele encabeçada; o verbo haver (e igualmente fazer) não seria, pois, impessoal, mas unipessoal (como urgir, convir, parecer, constar, etc. ), tendo o sentido concreto de "ter", "durar", "completar". Então, um período como "Havia alguns meses que nós nos conhecíamos." (M. Rebelo, SAP, 1 L) seria interpretado assim : "O nosso conhecimento havia (= tinha) alguns meses." A primeira das interpretações, embora deixe de considerar um elemento lingüístico, o que, parece-nos, em certos casos, bastante adequada; a segunda, malgrado a interpretação algo forçada de certos casos concretos, tem a seu favor a justeza de outros (como o trilhado exemplo de Camões "Já cinco sóis eram passados que [- desde que] dali nos partíramos.") e a impessoalidade habitual das expressões temporais; finalmente, para a aceitação da terceira será pre ciso, antes de mais nada, deixar de lado o preconceito de serem impessoais, no caso, os verbos haver e fazer, e considerar conjunção integrante o que. No estádio atual do conhecimento da gênese da construção em foco, não nos parece lícito rejeitar qualquer das três interpretações, conforme o contexto. Em qualquer caso, é preciso atender ao valor relativo das equivalências sintáticas, que muitas vezes nos prestam auxílio bem mesquinho. *Orações temporais reduzidas. 153. Apresentam-se as orações temporais, com bastante fre qüência, em forma reduzida: 1.°) De infinitivo (introduzidas pela preposição a, com binada, então, com o artigo o, e pelas preposições ou locuções após, até, de; antes de, depois de, sem) "[Ao chegar em casa], deitado na cama, pronto para dormir, é que se lembrou da face financeira da proposta." (Marques Rebelo, Oscarina, 31); "Este é o único privilégio dos poetas: que [até morrer] podem estar enamorados." (Garrett, ~, 80.); "Não vos desgosteis do trabalho que fizerdes, só porque as nogueiras que plantardes vos não possam lisonjear a gulodice, logo ao segundo dia [de as haverdes enraizado na terra]." (Latino Coelho.) ; "Um dia, [depois de me confessar] que tinha momentos de remorsos, como eu lhe dissesse que, se tinha remorsos, é porque me não tinha amor, Virgília cingiu-me com os seus magníficos braços, murmurando: - Amo-te, é a vontade do céu." (M. de Assis, BC, 161.) ; "Não vá [sem eu lhe ensinar a minha filosofia da miséria]." (Id., ibid., 168.) 2.°) De gerúndio: "[Entrando em casa de D. Plácida], vi um papelinho dobrado sobre a mesa." (Ibid., 286.); 108 O PERIODO COMPOSTO TIPOS DE ORAÇÃO 109 "Nunca me viu? - perguntou Virgília, [vendo] que a encarava com insistência." (Ibid., 125.) [V. § 155.]; "[Isto dizendo], arrebatou-me ao alto de uma montanha." (Ibid., 21); "Um homem carrancudo examinava-as, [marchando vagaroso]." (Gr. Ramos, Inf., 14.) 3.°) De particípio: "[Cumprida a obrigação], Fabiano levantou-se com a consciência tranqüila." (Id., VS, 21.); "[Findo o despropósito], vi a pessoinha com a mão envolta em panos." (Id., Inf., 11.); "[Dito isto], o frade benzeu-se, pegou no seu breviário e pôs-se a rezar." (Garrett, ~, 319.) ; "[Decorridos alguns dias], D. Rita disse ao marido que tinha medo de ser devorada das ratazanas." (Camilo, AP, 12.) *Observações finais sobre as orações subordinadas adverbiais. 154. Algumas orações subordinadas adverbiais de predicado nominal, despojadas do conectivo e do verbo de ligação, enunciam-se como simples predicativos, mantendo, contudo, seu valor adverbial: De causa: "Acanhado, não interrogava a ninguém." [= Como fosse acanhado, .... ] De concessão: "Carregada e feia, achar-lhe-ia a mesma formosura." [= Carregada e feia que estivesse, .... ] De condição "Vencidos, nunca se lhes ouvia pedir compaixão; porque, vencedores, não havia a esperar deles misericórdia." (Herc., Eur., cap. IX.) [= se fossem vencedores, .... ] De tempo: "Estudante, tudo me parecia sorrir; professor, as responsabilidades me encasmurram." [= Quando eu era estudante; depois que me tornei professor, .... ] Não nos parece devam ser desdobrados esses predicativos em oração, como fazem alguns: classifiquemo-los, mais adequadamente, como predicativos circunstanciais. #Classificação múltipla de orações de gerúndio. 155. Muitas vezes uma oração adverbial reduzida de gerúndio se presta a mais de uma classificação, e nem sempre é possível fixar-nos numa delas como sendo a melhor. Deve o professor aceitar a classificação que revele exame inteligente e compreensivo do texto "[Sabendo], ficávamos de alguma maneira sagrados, deificados..." (Lima Barreto, REIC, 30.) (Pode aceitar-se ou a classificação de causal ou a de modal, dadas as equivalências "por sabermos" e "com sabermos".) ; "[Proporcionando-me esta oportunidade], mereceste a minha gratidão." (Além do valor causal, podem aceitar-se o modal e o temporal, pois são válidas estas equivalências de sentido: "por me proporcionares", "com me proporcionares" e "ao me pro porcionares".) t PLEONASMO E ANACOLUTO 111 4 Problemas e fatos sintáticos de interesse para a análise *Hapiologia. 156. Dá-se o nome de HAPLOLOGIA ao fenômeno de superposição ou redução de duas sílabas contíguas, iguais ou semelhantes, seja no mesmo vocábulo, seja entre dois vocábulos. Neste último caso - o único que nos interessa agora -, temos a haplologia sintática, responsável por certas elipses. Ler-se-á com proveito o livro de Sousa da Silveira, Fonética Sintática. Pela haplologia sintática podemos explicar este exemplo de Matias Aires: "Um infeliz não se persuade que a sua sorte passa ter mudança." (RVH.) A elipse da preposição de que introduziria a oração objetiva indireta, fato corrente na língua, foi facilitada, aqui, para evitar a colisão com a sílaba final de persuade, dando-se, então, a superposição silábica. No seguinte exemplo, Camilo escreveu mais feia do que e não mais feia do que o que, preferindo mais .... de a mais .... do que, talvez para evitar a colisão: "Casara com sua prima Teodora, menina estabilíssima por vir tudes, mais feia do que pede a razão que seja uma senhora ho nesta." (QA, 820.) *Pleonasmo e anacoluto. 157. PLEONASMO é a repetição, para fim expressivo, de termo já enunciado em determinada função sintática. Na maior parte das vezes, o pleonasmo se deve à antecipação de um termo nominal da oração, que depois se relembra, no lugar próprio, com um pronome na mesma função sintática: 1) Do sujeito: "Mas as coisas findas, muito mais que lindas, Essas ficarão." (C. Drummond, "Memória", in Faz., 421:) O pronome essas, equivalente de as coisas findas, é su jeito pleonástico. 2) Do objeto direto "Estas palavras ainda As ouviu frei Vasco." (Herc., MC, 30.) O objeto direto de ouviu se desdobra em estas palavras e as (pleonástico). 3) Do objeto indireto "Aos ricos, nada LHES devo." O pronome lhes (pleonástico) e aos ricos desempenham a mesma função: objeto indireto de devo. 4) Do predicativo: "Cristão ainda o sou." Cristão e o (pleonástico) são o predicativo do sujeito elíptico eu. 112 PROBLEMAS E FATOS SINTÁTICOS DE INTERESSE... "ERA UMA VEZ UM REI" 113 Silepse. 158. Outras vezes, um termo antecipado fica desligado sintaticamente da oração, uma vez que, pela sua forma, não pode ter a mesma função sintática da palavra que o relembra. A essa quebra na construção se denomina ANACOLUTO, e o termo que não se pode integrar sintaticamente na frase não tem análise: "A casa, não sendo grande, não podiam LÁ caber todos." (M. de Assis, DC, 341.) • advérbio lá é adjunto adverbial de lugar; a casa, termo a que o advérbio se refere, mas sem função na frase, é anacoluto. Analisa-se, contudo, a oração adjetiva reduzida de gerúndio, com matiz causal, dependente de casa. "O que perde a honra, não LHE serve de alívio a vida que conserva." (Matias Aires. RVH, 4.) • pronome demonstrativo o não tem função sintática no período: há um anacoluto; está relembrado pelo pronome pessoal lhe, objeto indireto de serve. Nada obstante, é analisável a oração adjetiva dependente do o. 159. A sILEPSE - concordância com o sentido - consiste em relacionar um termo dependente não com o seu principal expresso na frase, mas com uma idéia que dele temos, implícita em nossa mente: "Os que adoramos esse ideal, nela (= na ira divina) vamos buscar a chama incorruptível." (Rui, OM, 22.) • verbo adoramos não concorda com o pronome demonstrativo os, nem com o seu substituto, o pronome relativo que, mas com o pronome pessoal nós, latente no espírito do falante, que se inclui na ação. O sujeito de vamos, igualmente, é de 3.a pessoa, os. A análise sintática, necessariamente estrutural, deve analisar os e que, como sujeito, apesar da falta de concordância gramatical. *"Era uma vez um rei". 160. O verbo ser nem sempre é auxiliar ou de ligação; pode ter sentido nocional, significando "existir", e nesse caso é intransitivo "Deus disse: - Sê. - E tu foste." É esta mesma a sua significação nas fórmulas introdutórias das tradicionais histórias de Trancoso: "Era um rei muito poderoso.", "Eram duas princesas muito lindas.", cuja análise não oferece qualquer dificuldade: SUJEITO: um rei muito poderoso ou duas princesas muito lindas. PREDICADO: era ou eram (verbal), verbo intransitivo. Se, porém, ocorrer depois do verbo ser a locução temporal uma vez, a análise se torna menos fácil, em vista da invariabilidade do verbo: "Era uma vez uma princesa." "Era uma vez duas princesas." Esse fato leva os hermeneutas a dizerem impessoal a oração, e a considerarem princesa ou princesas predicativo sem sujeito. Não pensamos assim. A análise deve continuar a mesma que se faz sem a locução temporal. A silepse de número se pode explicar pela atração fortíssima que exerce o numeral uma da locução uma vez. Tal fato está longe de constituir exceção. Lembraremos apenas dois casos análogos: 1 - A concordância do verbo na expressão mais de 114 PROBLEMAS E FATOS SINTÁTICOS DE INTERESSE... "EIS QUE" E "TOMARA QUE" 115 um, de significação visivelmente plural, se faz no singular: "Mais de um desistiu." 2 - Com a expressão um dos que também é lícito o emprego do verbo no singular. Em ambos os casos, como no que discutimos, é a presença de um ou uma o responsável pela silepse, o agente catalisador. *Termos substitutivos ou vicários. 161. Examinemos este período de Herculano: "E quando o vento acalma, é para saltar ao poente ou ao sul." (LN, 11, 102.) Trata-se de um período coordenado a um anterior por meio da conjunção e. A l.a oração, "quando o vento acalma", introduzida pela conjunção subordinativa temporal quando, é adverbial temporal; a última, "para saltar ao poente ou ao sul", reduzida de infinitivo, é adverbial final. E a oração principal? No período resta apenas o verbo é. Qual o seu valor? Evidentemente não é verbo de ligação (pois não há predicativo), nem verbo auxiliar, já que não existe locução verbal. Não se trata, igualmente, de verbo intransitivo do tipo que examinamos no § 160. Qual será, então, a sua predicação? O verbo ser, em situações destas, é um verbo substitutivo ou vicário: está em lugar de acalma, termo já anteriormente expresso, e que não se repete por economia verbal. Na análise deve repor-se, ficando assim o período supra: "Quando o vento acalma, acalma para saltar ao poente, ou ao sul", em que é, equivalente de acalma, representa a oração principal. (V. modelo 61.) Nestes versos de Camões, é, que também constitui a oração principal, deve substituir-se por dizem-no: "Se dizem, fero Amor, que a sede tua / nem com lágrimas tristes se mitiga, / é porque queres, áspero e tirano, / tuas aras banhar em sangue humano." (Lus., 111, 119.) 162. Igualmente vicário é o verbo fazer em frases deste tipo; é, porém, caso diferente dos anteriores, pois há o pronome demonstrativo o, e a oração pode analisar-se tal como está: "Indignou-se o filho mais velho, e não queria entrar; mas o pai, saindo, rogou-lhe que o fizesse." (= que entrasse.) 163. Também se usa a palavra sim como termo substitutivo; e na análise há de levar-se em conta o seu equivalente: "Não discuto o seu direito, mas sim (= discuto) o meu." Cf. Mattoso Camara Jr., DFG, s.v. vicário. "Eis que" e "Tomara que". 164. As palavras eis e tomara, de valor interjectivo, quando seguidas da conjunção integrante que, fazem o papel de uma oração principal que tem como objeto direto a oração encabeçada pelo que. Assim se analisa a frase "Tomara que chova": Período composto por subordinação. A oração principal é "Tomara", que vale como verbo transitivo direto. "Que chova" é oração subordinada substantiva objetiva direta. Análise idêntica se fará com frases de eis, palavra que, sintaticamente, se há de considerar com valor transitivo direto, apesar da origem controversa (talvez ecce). APÊNDICES 1 Modelos de análise sintática I - PERÍODO SIMPLES N.O 1: "O mistério é o encanto da vida." (Machado de Assis, HsD, 71) Período simples; oração absoluta. SUJEITO: o mistério (simples); adjunto adnominal de mistério: o. PREDICADO: é o encanto da vida (nominal); verbo de ligação: é; predicativo do sujeito: o encanto da vida; adj. adn. de encanto: o; compl. nominal de encanto: da vida (Cp.: "O mistério encanta a vida."); adj. adn. de vida: a. N ° 2: "Há uma gota de sangue em cada poema." (Mário de Andrade.) Período simples; oração absoluta. SUJEITO: não há. PREDICADO: toda a oração (verbal): verbo transitivo direto: há; objeto direto: uma gota de sangue; adj. adn. do núcleo gota: uma e de sangue; adjunto adverbial de lugar: em cada poema; adj. adn. de poema: cada; a preposição em é conectivo. N,° 3: "O magistrado e sua família eram odiosos ao pai de Teresa." (Camilo.) 118 MODELOS DE ANÁLISE SINTÁTICA PERIODO SIMPLES 119 Período simples; oração absoluta. SUJEITO: o magistrado e sua família (composto); adj. adn. de magistrado: o; adj. adn. de família: sua. PREDICADO: eram odiosos ao pai de Teresa (nominal); verbo de ligação: eram; predicativo do sujeito composto: odiosos; obj. indireto de referência (Cf. § 66, e.): ao pai de Teresa; adj. adn. de pai: o e de Teresa. N." 4: "Chegamos cansados." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: nós (simples), elíptico. PREDICADO: chegamos cansados (verbonominal); verbo intransitivo: chegamos; predicativo do sujeito: cansados. N.° 5: "Pediram silêncio." SUJEITO: indeterminado. PREDICADO: pediram silêncio (verbal); verbo trans. dir. na voz ativa: pediram; objeto direto: silêncio. N.° 6: "Suporta-se com paciência a cólica do próximo." (Machado de Assis.) SUJEITO: a cólica do próximo (simples); adj. adn. de cólica: a e do próximo; adj. adn. de próximo: o. PREDICADO: suporta-se com paciência (verbal); verbo trans. dir. na voz passiva pronominal: suporta-se; adj. adv. de modo: com paciência. N.° 7: "Devagar se vai ao longe." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: indeterminado. PREDICADO: toda a oração (verbal); verbo intr.: se vai (o se é sinal de indeterminação do sujeito); compl. adv. de lugar aonde: ao longe; adj. adv. de modo: devagar. N.° 8: "A ignorância faz os brutos impecáveis." (Matias Aires.) Período simples; oração absoluta. SUJEITO: a ignorância (simples); adj, adn.: a. PREDICADO: faz os brutos impecáveis (verbonominal); verbo trans. dir, na voz ativa: faz; obj, dir.: os brutos; predicativo do obj. dir.: impecáveis; adj. adn, de brutos: os. N.° 9: "A Pedro chamou-lhe Cristo Cephas, pedra." (Vieira.) Período simples; oração absoluta. SUJEITO: Cristo (simples). PREDICADO: a Pedro chamou-lhe Cephas (verbonominal); verbo trans. dir.: chamou; obj. dir.: a Pedro (preposicionado) e lhe (pleonástico); predicativo do obj. dir.: Cephas; aposto expli cativo de Cephas: pedra. (Cf. § 36, obs.) N.° 10: "Em rapaz, foi cortejado de muitas damas." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: ele (simples, oculto por elipse). PREDICADO: toda a oração (verbal) ; v. trans. dir. na voz pas siva com auxiliar ser: foi cortejado; agente da passiva: de mui tas damas; adj. adn. de damas: muitas; predicativo do sujeito ele (adverbial de tempo) : em rapaz. (V. § 84 e 85.) N O 11: "Romeu e Julieta, os amantes de Verona, amavam-se perdidamente." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: Romeu e Julieta, os amantes de Verona (composto); aposto explicativo dos núcleos: os amantes de Verona; adj. adn. de amantes: os e de Verona. PREDICADO: amavam-se perdidamente (verbal); verbo trans. dir. na voz reflexiva: amavam-se; obj. dir.: se (exprime reciprocidade); adj. adv. de modo: perdidamente. N.° 12: "Ela penteava-se alegre." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: ela (simples). PREDICADO: penteava-se alegre (verbonominal); verbo trans. dir. na voz refl.: penteava-se; obj. dir. reflexivo: se; predicativo do suj.: alegre. N O 13: "Queixas-te sem razão, meu caro." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: tu (simples), elíptico. PREDICADO: queixas-te sem razão (verbal); verbo intr. conju gado com pron. sem função sintática: queixas-te; adj. adv. de modo: sem razão. VOCATIVO: meu caro (refere-se a tu); adj. adn. de caro: meu. 120 MODELOS DE ANÁLISE SINTÁTICA PERIODO SIMPLES 121 N.' 14: "Ele costuma discordar de tudo." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: ele (simples). PREDICADO: costuma discordar de tudo (verbal); loc. verbal: costuma discordar; verbo auxiliar: costuma; verbo principal, trans. indir.: discordar; obj. indir.: de tudo. N.' 15: "Por amor de Deus, deu tudo - dinheiro, jóias, imóveis - aos pobres." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: ele ou ela (simples), elíptico. PREDICADO: toda a oração (verbal); verbo transitivo direto e indireto na voz ativa: deu;_ obj. dir.: tudo - dinheiro, jóias, imóveis; aposto enumerativo do núcleo tudo: dinheiro, jóias, imóveis; obj. ind.: aos pobres; adj. adn. de pobres: os; adj. adv. de causa: por amor de Deus; compl. nominal de amor: de Deus (Cp.: "Amava a Deus.") N.° 16: "Informaram o Governador de todas as irregularidade:." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: indeterminado. PREDICADO: toda a oração (verbal); verbo trans. dir. na voz ativa: informaram; obj. dir.: o Governador; adj. adn. de Governador: o; adj. adv. de assunto (C. § 78.): de todas as irregularidades; adj. adn. de irregularidades: todas as. N.O 17: "Estava querendo chover." SUJEITO: não há. PREDICADO: estava querendo chover (verbal); é uma locução verbal; verbos auxiliares: estava e querendo; verbo principal, intransitivo: chover. N.° 18: "O príncipe virou mendigo." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: o príncipe (simples); adj. adn.: o. PREDICADO: virou mendigo (nominal); verbo de ligação: virou; predicativo do sujeito: mendigo. N O 19: "O filho está cercado, em Santarém, do mauro povo cego." (Camões, Lus., 111, 80.) Período simples; oração absoluta. SUJEITO: o filho (simples); adj. adn.: o. PREDICADO: está cercado, em Santarém, do mauro povo cego (verbal); verbo trans. dir. na voz passiva com auxiliar estar: está cercado; agente da passiva: do mauro povo cego; adj. adn. do núcleo povo: o, mauro e cego; adj. adv. de lugar onde: em Santarém. N.O 20: "As estrelas, pupilas cintilantes, pareciam olhar-nos do céu cristalino." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: as estrelas, pupilas cintilantes (simples); adj. adn.: as; aposto comparativo de estrelas: pupilas cintilantes; adj. adn. de pupilas: cintilantes. PREDICADO: pareciam olhar-nos do céu cristalino (verbal); locução verbal: pareciam olhar; verbo auxiliar: pareciam; verbo principal, transitivo direto na voz ativa: olhar; obj. dir.: nos; adj. adv. de lugar donde: do céu cristalino; adj. adn. de céu: o e cristalino. N.O 21: "As estrelas, através da folhagem, pareciam grandes olhos curiosos." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: as estrelas (simples); adj. adn.: as. PREDICADO: através da folhagem pareciam grandes olhos curio sos (nominal); verbo de ligação: pareciam; predicativo do su jeito: grandes olhos curiosos; adj. adn. do núcleo olhos: gran des e curiosos; adj. adv. de lugar por onde: através da folha gem; adj. adn. de folhagem: a; através de é conectivo. N.O 22: "A estas penas nem o esquecimento cura." (Matias Aires.) Período simples; oração absoluta. aloura SUJEITO: nem o esquecimento (simples); adj. adn.: o; palavra negativa de inclusão: nem. PREDICADO: a estas penas cura (verbal); verbo trans. dir. na voz ativa: cura; obj. dir. preposicionado: a estas penas; adj. adn. de penas: estas. 122 MODELOS DE ANALISE SINTÁTICA PERIODO SIMPLES 123 N.° 23: "A mim, abandonaste-me." (Eça de Queirós.) Período simples; oração absoluta. SUJEITO: tu (simples), elíptico. PREDICADO: a mim, abandonaste-me (verbal); verbo trans. dir. na voz ativa: abandonaste; obj. dir.: a mim (preposicionado), me (pleonástico). N-0 24: "Aquela voz ia-lhe direito ao coração." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: aquela voz (simples); adj. adn.: aquela. PREDICADO: ia-lhe direito ao coração (verbal); verbo transitivo adverbial: ia; objeto indireto de referência: lhe; adj. adv. de modo: direito; compl. adv. de lugar aonde: ao coração; adj. adn.: o. N.0 25: "Lembrei-me então daquela noite." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: eu (simples), elíptico. PREDICADO: toda a oração (verbal) ; verbo trans. ind.: lembrei -me (o pron. me integra o verbo); obj. innd.: daquela noite; adj. adn.: aquela. N.° 26: "Lembraram-me então as outras noites." (Eça de Queirós.) Período simples; oração absoluta. SUJEITO: as outras noites (simples); adj. adn.: as e outras. PREDICADO: lembraram-me então (verbal); verbo trans. indir.: lembraram; obj. ind.: me; adj. adv. de tempo: então. N.° 27: "A espaços cantava uma canção vagamente triste." (Eça. ) Período simples; oração absoluta. SUJEITO: ele (simples), elíptico. PREDICADO: toda a oração (verbal); verbo tr. dir. na voz ativa: cantava; obj. dir.: uma çanção vagamente triste; adj. adn. de canção: uma e vagamente triste; adj. adv. de triste: vagamente (de modo); adj. adv. de tempo: a espaços. N ° 28: "Sete anos de pastor Jacó servia / Labão, pai de Raquel, serrana bela." (Camões, Rimas.) Período simples; oração absoluta. SUJEITO: Jacó (simples). PREDICADO: sete anos de pastor servia Labão, pai de Raquel, serrana bela (verbonominal); verbo tr. dir.: servia; obj. dir.: Labão, pai de Raquel, serrana bela; aposto expl. do núcleo Labão: pai de Raquel, serrana bela; compl. nom. de pai: de Raquel, serrana bela; aposto expl. de Raquel: serrana bela; adj. adn. de serrana: bela; predicativo referente ao sujeito Jacó: de pastor; adj. adv. de tempo: sete anos; adj. adn. de anos: sete. N ° 29: "Seu Libório cantador e o cego preto Firmino escutavam atentos." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: seu Libório cantador e o cego preto Firmino (composto); adj. adn. de Libório: seu; aposto de Libório: cantador; adj. adn. de cego: o; aposto de cego: preto Firmino; adj. adn. de Firmino: preto. PREDICADO: escutavam atentos (verbonominal); verbo intr.: escutavam; predicativo do sujeito: atentos. N.O 30: "Ninguém reparou em mim." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: ninguém (simples). PREDICADO: reparou em mim (verbal); verbo tr. ind.: reparou; obj. ind.: em mim. N.O 31: "Irei a São Paulo amanhã, de avião." Período simples; oração absoluta. SUJEITO: eu (simples), elíptico. PREDICADO: toda a oração (verbal) ; v. tr. adverbial: irei; compl. adv. de lugar: a São Paulo; adj. adv. de tempo: amanhã; adj. adv. de meio: de avião. 124 MODELOS DE ANÁLISE SINTÁTICA PERIODO COMPOSTO 125 N.° 32: "Nosso céu tem mais estrelas, / Nossas várzeas têm mais flores, / Nossos bosques têm mais vida, / Nossa vida mais amores." (G. Dias.) Período composto por coordenação; tem 4 orações independentes coordenadas entre si, todas elas assindéticas aditivas. [A análise das orações é extremamente fácil; por isso, fazemos apenas a da 4.a]. Análise da 4.a oração: "Nossa vida mais amores". SUJEITO: nossa vida (simples); adj. adn. de vida: nossa. PREDICADO: (tem) mais amores (verbal - o verbo está elíp tico) ; verbo tr. dir.: tem; obj. dir.: mais amores; adj. adn. de amores: mais. N.° 33: ``Não vê, não ouve, não fala e não conhece ninguém." (Garrett. ) Período composto por coordenação. Classificação das orações: 1.a) "Não vê": or. indep., coord. à 2.a, assindética aditiva. 2.a) "Não ouve": or. indep., coord. à l.a e à 3.a, assind. aditiva. 3.a) "Não fala": or. índep., coord. à 2.a e à 4.a, assind. aditiva. 4.a) "15 não conhece ninguém": or. indep., coord. à 3.a, sindé tica aditiva. [A análise é muito simples; baste advertir que não se classifica como adjunto adverbial de negação.] N.° 34: "Quintas Borba não só estava louco, mas o sabia." Período composto por coordenação. Classificação das orações: 1.a) "Quintas Borba não só estava louco": or. indep., coord. à 2.a, assina. aditiva; 2.a) "Mas o sabia": or. indep., coord. à Análise das orações: Sujeito: Quintas Borba (simples). - Predicado: estava louco (nominal); verbo de ligação: estava; predicativo do suj.: louco. Sujeito: ele (simples), oculto. - Pred.: o sabia (verbal); V. tr. dir.: sabia; obj. dir.: o. (Observe-se que a conjunção - não só mas -como simples conectivo, não se analisa.) N.O 35: "Crê em ti; mas nem sempre duvides dos outros." (M. de Assis.) Período composto por coordenação. Classificação das orações: l.a) "Crê em ti": or. indep., coord. à 2.a, assindética; 2.a) "Mas nem sempre duvides dos outros": or. indep., coord. à l.a, sind. adversativa. ANÁLISE DA l.a: Sujeito: tu (simples), elíptico. - Predicado: crê em ti (verbal); verbo tr. ind.: crê; obj. ind.: em ti. ANÁLISE DA 2.a: Sujeito: tu (simples), elíptico. - Predicado: nem sempre duvides dos outros; v. tr. ind.: duvides; obj. ind.: dos outros; adj. adn. de outros: os; adj. adv. de tempo: sempre; adj. adv. de negação: nem. N ° 36: "A vaidade umas vezes tudo nos apresenta alegre, outras tudo nos oferece triste." Período composto por coordenação. l.a oração: "A vaidade umas vezes tudo nos apresenta alegre": or. indep., coordenada à 2.a, assind. alternativa. [A loc. umas vezes tem aqui valor alternativo.] 2.a oração: "Outras (vezes) tudo nos oferece triste": or. indep., coord. à 1.a, assind. alternativa. [A loc. outras (vezes) funciona com valor alternativo.] ANÁLISE DA l.a: Sujeito: a vaidade (simples) ; adj. adn.: a. - Predicado: umas vezes tudo nos apresenta alegre (verbonominal) ; v. tr. dir. e ind.: apresenta; obj. dir.: tudo; obj. ind.: nos; pred. ref. ao obj. dir.: alegre; adj. adv. de tempo: umas vezes. ANÁLISE DA 2.a: Sujeito: ela (= a vaidade), simples, elíptico. - Predicado: outras (vezes) tudo nos oferece triste (verbonominal); verbo tr. dir. e ind.: oferece; obj. dir.: tudo; obj. ind.: nos; predicativo do obj. dir.: triste; adj. adv. de tempo: outras vezes. N.O 37: "Um dia - que linda manhã fazia! - resolvemos um grande problema." 1.° período: "Um dia resolvemos um grande problema." - Sim ples, or. absoluta. 2.° período: "Que linda manhã fazia!" - Intercalado; simples; or. absoluta. ANÁLISE Do 2.°: Sujeito: não há. - Predicado: que linda manhã fazia (verbal); verbo tr. dir.: fazia; obj. dir.: que linda II - PERÍODO COMPOSTO l.a) 2•a) l.a, sind. aditiva. 126 MODELOS DE ANALISE SINTÁTICA PERIODO COMPOSTO 127 manhã; adj. adn. de manhã: que linda; adj. adv. de intensidade do adjetivo linda: que. N.° 38: "Em verdade, eu tinha fama e era valsista emérito: não admira que ela me preferisse." (M. de Assis.) Período composto por coordenação e subordinação. Orações independentes coordenadas: l.a) "Em verdade, eu tinha fama": assind. aditiva. 2.a) "E era valsista emérito": sino. aditiva. Oração complexa: "Não admira que ela me preferisse"; está coord. à 2.a; assind. conclusiva (está elíptica uma conj. coord. conclusiva). Oração subordinada: "que ela me preferisse"; substantiva subjetiva. ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Sujeito: que ela me preferisse (Ora cional). - Predicado: não admira (verbal); v. intr.: admira. ANÁLISE DA SUBORDINADA: Sujeito: ela (simples). - predicado: me preferisse (verbal); v. tr. dir.: preferisse; obj. dir.: me. N.° 39: "Quem canta seus males espanta." Período composto por subordinação. Oração complexa: "Quem canta seus males espanta." Or. sub.: quem canta (subord. subst. subjetiva). ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Sujeito: quem canta (oracional). - Predicado: seus males espanta (verbal); v. tr. dir.: espanta; obj. dir.: seus males; adj. adnominal: seus. ANÁLISE DA SUBORDINADA: Sujeito: quem (simples). - Pred.: canta (verbal); v. intransitivo: canta. N.° 40: "Só não sente o cheiro da flor de jabuticaba quem não tem olfato e não tem alma." Período composto por subordinação e coordenação. Oração complexa todo o período. Orações subordinadas substantivas subjetivas coordenadas pela conj. e: "só quem não tem olfato" e "(quem) não tem alma". ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Sujeito: só quem não tem olfato e não tem alma (oracional, composto). - predicado: não sente o cheiro da flor de jabuticaba (verbal); v. tr. dir.: sente; obj. dir.: o cheiro da flor de jabuticaba; adj. adn. de cheiro: o e da flor de jabuticaba; adj. adn. de flor: a e de jabuticaba. [Para a análise das sub., V. moo. 39. - Só é palavra de exclusividade.] Nó 41: "As estrelas parecia que sorriam no céu." Período composto por subordinação. É uma oração complexa. Or. sub. subst. subj.: "que as estrelas sorriam no céu". ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Suj.: que as estrelas sorriam no céu (oracional). - Pred.: parecia (verbal); v. intransitivo: pa recia. [Na análise da subordinada não se leva em conta o conectivo que; suj.: as estrelas; pred.: sorriam no céu.] N.O 42: "Quase toda a noite ouviu rodarem os bondes." (A. Caminha.) Período composto por subordinação. É uma oração complexa. Or. sub. subst. obj. direta: "rodarem os bondes" (reduzida de infinitivo). ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Suj.: ele (simples), elíptico. - Pred.: quase toda a noite ouviu rodarem os bondes (verbal); v. tr. dir.: ouviu; obj. dir.: rodarem os bondes (oracional); adj. adv. de tempo: quase toda a noite. ANÁLISE DA SUBORDINADA (substantiva objetiva direta) : Suj.: os bondes (simples); adj. adn.: os. - Pred.: rodarem (verbal); v. intransitivo: rodarem. N.O 43: "Na rua, perguntou-lhes em tom misterioso: Onde poderemos falar à vontade?" (Aluísio Azevedo.) 1.° Período: "Na rua, perguntou-lhes em tom misterioso." - Simples, or. absoluta. 2.° Período: "Onde poderemos falar à vontade?" - Simples, or. absoluta; serve de objeto direto do l.°. ANÁLISE Do 1.°: Suj.: ele (simples), elíptico. - Pred.: toda a oração (verbal); v. tr. dir. e ind.: perguntou; obj. dir.: onde poderemos falar à vontade? (oracional); obj. ind.: lhes; adj. adv. de lugar onde: na rua; adj. adv. de modo: em tom mis terioso. ANÁLISE Do 2.°: Suj.: nós (simples), elíptico. - Pred.: onde poderemos falar à vontade (verbal); loc. verbal: poderemos falar; v. auxiliar: poderemos; v. principal: falar, intr.; adj. adv. de modo: à vontade. N ° 44: "Não sabe como perdeu a sua mosca azul." (M. de Assis.) 128 MODELOS DE ANÁLISE SINTÁTICA Período composto por subordinação. É uma oração complexa. Or. sub. subst. obj. direta: "como perdeu a sua mosca azul." ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Suj.: ele (simples), elíptico. - Pred.: toda a oração (verbal); v. tr. dir. na voz ativa: sabe; obj. dir.: como perdeu a sua mosca azul (oracional); adj. adv. de negação: não. ANÁLISE DA SUBORDINADA: Suj.: ele (simples), elíptico. - Pred.: toda a oração (verbal); v. tr. dir. na voz ativa: perdeu; obj. dir.: a sua mosca azul; adj. adn. de mosca: a, sua e azul; adj. adv. de modo: como. N." 45: "Não nos deixeis cair em tentação." Período composto por subordinação. Oração complexa. Oração sub. subst. objetiva direta: "nos cair em tentação" (reduz. de infin.). ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Suj.: vós (simples), elíptico. - Pred.: toda a oração (verbal); v. tr. dir.: deixeis, na voz ativa; obj. dir.: nos cair em tentação (oracional); adj. adv. de negação: não. ANÁLISE DA SUBORDINADA: Suj.: nos (simples). - Pred.: cair em tentação (verbal); v. intr.: cair; adj. adv. de direção: em tentação. N.° 46: "Lembre-se que a vida é curta." Período composto por subordinação. Oração complexa. Or. sub. subst. obj. indireta: "(de) que a vida é curta" (a prep. de está elíptica). ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Suj.: você (simples), elíptico. - Pred.: toda a oração (verbal) ; v. tr. indireto: lembre-se; obj. ind.: (de) que a vida é curta (oracional). ANÁLISE DA SUBORDINADA: Suj.: a vida (simples); adj. adn.: a - Pred.: é curta (nominal); v. de ligação: é; predicativo do suj.: curta. N." 47: "Fora desrespeitada a recomendação de se preservar a pessoa do réu." Período composto por subordinação. Oração complexa. Or. sub. subst. completiva nominal reduzida de infinitivo: "de se preservar a pessoa do réu". ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Suj.: a recomendação (simples); adj. adn.: a; compl. nominal de recomendação: de se preservar PERfODO COMPOSTO 129 a pessoa do réu (oracional). - Pred.: fora desrespeitada (v• desrespeitar, tr. dir., na voz pass., com o auxiliar ser). ANÁLISE DA SUBORDINADA: SUj.: a pessoa do réu (simples); adj. pessoa: a e do réu. - Pred.: se preservar (v. tr. dir. na adn. voz de pass. com o pron. apassivados se). N O 48: "A esta gente bruta e indomável, cujo Oéesforço c esquadr em das crenç as da outra evida, pelas solidõ es da Arábia ."leir ossarracenos q (Herculano. ) Período composto por subordinação. untam os Or. principal: "A esta gente bruta e indomável se ajuntam esquadrões de cavaleiros sarracenos". Orações subordinadas: "Cujo esforço vem das cren l.a) Or. sub. adjetiva explicativa: ças da outra vida". "que va ueiam pelas solidões da 2,a) Orr sub. adjetiva restritiva: q g Arábia". ANÁLISE DA PRINCIPAL: Suj.: os esquadrões de cavaleiros sar racenos (simples) ; adj. adn. do núcleo esquadrões: os e de cavaleiros sarracenos; adj. adn. de cavaleiros: sarracenos- dir. Pred.: a esta gente bruta e indomável se ajuntam, e ind. eleinldomável t obj.de : se, ' ob' ind.: a gente: esta, bruta esta gente bruta e e indomável. esforço (simples); adj. ANÁLISE DA l.a SUBORDINADA: Suj.: cujo adn.: cujo. - Pred.: vem das crenças da outra ncia ouorigem: adverbial: vem; compl. adv. de proveniência as; rigem: das crenças da outra vida; núcleo: crenças; adj vida") ;adj. adn. nominal: da outra vida (Cp.: de vida: a e outra. que (refere-se ao antece dente DA 2.a SUBORDINADA: Suj.: q elas solidões a Ace dente esquadrões). - Pred.: vagueiam p ar por onde: Ará bia (verbal) ; v. intr.: vagueiam; adj• adv. de lug p pelas solidões da Arábia; adj. adn. de solidões: as e da Arábia; adj. adn. de Arábia: a• „ N.0 49: "Não vemos os defeitos de quem amamos' Período composto por subordinação. Oração complexa. Or. sub. adj. restritiva: "de quem amamos". 130 MODELOS DE ANÃLISE SINTÃTICA PERIODd COMPOSTO 131 ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Suj.: nós (simples), elíptico. - Pred.: toda a oração; v. tr. dir.: vemos; obj. dir.: os defeitos de quem amamos; adj. adn. de defeitos: os e de quem amamos (oracional). ANÁLISE DA SUBORDINADA: Suj.: nós (Simples), elíptico. - Pred.: quem amamos (a prep. de é simples conectivo que introduz o adjunto adnominal oracional); v. tr. dir.: amamos; obj. dir.: quem. N.o 50: "Pareceu ao pobre lenhador sentir, naquele vento, o som de um choro, e uma voz bradando aflita." (Eça, PB, 5 3. ) Período composto por subordinação. Oração complexa. l.a or. subordinada: "sentir, naquele vento, o som de um choro, e uma voz" (subst. subjetiva, reduzida de infinitivo). 2.a or. subordinada: "bradando aflita" (adjetiva restritiva, red. de gerúndio). ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Suj.: a oração subjetiva seguinte. - Pred.: pareceu ao pobre lenhador; v. intr.: pareceu; obj. ind. de referência: ao pobre lenhador; adj. adn.: o e pobre. ANÁL. DA SUB. SUBJETIVA: Suj.: ele (simples), elíptico (refere-se a lenhador). - Pred.: sentir, naquele vento, o som de um choro, e uma voz; v. tr. dir: sentir; obj. dir.: o som de um choro, e uma voz; adn. de som: o e de um choro; adj. adn. de choro: um; adj. adn. de voz: uma e a or. bradando aflita; adj. adv. de lugar onde: naquele vento; adj. adn.: aquele. ANÁL. DA OR. ADJETIVA: Suj.: uma voz. - Pred.: bradando aflita (verbonominal); v. intr.: bradando; predicativo do su jeito: aflita. N.o 51: "Não imaginas os sacrifícios de que se mostrou capaz." Período composto por subordinação. Oração complexa. Or. sub. adj. restritiva: "de que se mostrou capaz". ANÁL. DA OR. COMPLEXA: Suj.: tu (simples), elíptico. - Pred.: não imagina os sacrifícios .... (verbal); v. tr. dir.: imaginas; obj. dir.: os sacrifícios; adj. adn. de sacrifícios: os e de que se mostrou capaz (oracional). ANÁL. DA SUBORDINADA: Suj.: ele (simples), elíptico. - Pred.: de que se mostrou capaz (nominal); verbo de ligação: mos N,° 52: "Não faças a outrem o que não queres que te façam. " Período composto por subordinação. Oração complexa. Classificação das orações subordinadas: l.a: "que não queres" (adj. restritiva; principal em relação à seguinte). 2.a: "que te façam" (subst. objetiva direta). ANÁL. DA OR. COMPLEXA: SUj.: tu (simples), elíptico. - Pred.: toda a oração (verbal); v. tr. dir. e ind.: faças; obj. dir.: o [que não queres que te façam]; obj. ind.: a outrem. ANÁL. DA SUB. ADJETIVA: SUJ.: tu (simples), elíptico. - Pred.: que não queres que te façam (verbal); v. tr. dir. na voz ativa: queres; obj. dir.: que te façam (oracional); adj. adv. de ne gação: não. ANÁL. DA SUB. OBJ. DIRETA: Suj.: indeterminado. - Pred.: te façam que (verbal); v. tr. dir. e ind. na. voz ativa: façam; obj. dir.: que (é o pronome relativo que introduz a oração anterior - V. § 116.) ; obj. ind.: te. N.° 53: "Pascal é um dos meus avôs espirituais; e, conquanto a minha filosofia valha mais do que a dele, não posso negar que era um grande homem." (M. de Assis.) Período composto por coordenação e subordinação. Classificação das orações: Orações coordenadas. 1.a: "Pascal é um dos meus avôs espirituais". E independente; assindética aditiva. trou-se; predicativo do sujeito: capaz de que; compl. nominal de capaz: de que. 2.a: `e não posso negar 1que era um grande homem'.'' Está coenada à anterior; é sindética aditiva. E cofip`léxa. Orações subordinadas: 1.a: "conquanto a minha filosofia valha mais" (adverbial con cessiva; é principal da seguinte; é adj. adv. de não posso negar etc.). 2.Q: "do que [vale] a dele" (adverbial comparativa). 3.1: "que era um grande homem" (substantiva objetiva direta; é obj. dir. do v. negar). ANÁLISE DE ALGUNS TERMOS - Da or. indep.: Predicativo do suj.: um dos meus avôs espirituais; núcleo: um; a expressão 132 MODELOS DE ANALISE SINTÁTICA dos meus avôs espirituais é de classificação difícil, e por isso controvertida. Não a classificamos, como complemento nominal porque um não é palavra de valor transitivo; parece-nos, antes, locução adverbial, denotando seleção, escolha, ou mesmo lugar de onde se tira alguma coisa: "um avô tirado ou escolhido de entre os meus avôs" talvez tenha sido a formulação primitiva, que hoje se exprime tão sinteticamente. Classificamo-la, pois, de adjunto adverbial de seleção. Da l.a subordinada: no predicado valha mais, mais é adj. adv. de intensidade. N° 54: "porém como que .,r que o ai tne falecesse, e a mãe contrariasse a projetada formatura ,em razão de ficar muito sozinha no casarão de Caçarelos, como bom filho, renunciou à carreira das letras." (Camilo.) Período composto por subordinação e coordenação. Está coordenado adversativamente ao período anterior. Classificação das orações Or, principal: "Porém, como bom filho, renunciou à carreira das letras". Orações subordinadas:, l.a: "como quer que -o pai lhe falecesse" (adv. causal; está coordenada à seguinte pela conj. coord, aditiva e) ; 2.a: "e a mãe contrariasse a projetada formatura" (adv, causal; coord. à 1.a; é principal em relação à 3.a) ; "em razão de ficar muito sozinha no casarão de Caçarelos" (adv. causal red. de infiro; é adjunto de contrariasse). ANÁL. DA PRINCIPAL: Suj.: ele (simples), elíptico. - Pred.: como bom, filho, renunciou à carreira das letras (verbal); v. tr. ind.: renunciou; obj. ind.: à carreira das letras; núcleo: carreira; adj. adn.: a e das letras; predicativo adv. de causa: como bom filho; adj. adn. de filho: bom. A 1.a e a 2.a subordinadas são adjuntos adverbiais de renunciou. A análise das subordinadas não apresenta qualquer dificuldade; lembremos apenas que os conectivos (como quer que, em razão de) não se analisam. N.° 55: "Mesmo que começasse a ventar, não era razão para que as famílias se recolhessem, insensíveis que eram, de tão habituadas, àquele vento famoso." (Aníbal Machado.) Período composto por subordinação. Classificação das orações: PERIODO COMPOSTO 133 Or. complexa: "Não era razão para que as famílias se recolhes sem." Orações subordinadas: l.a: "Mesmo que começasse a ventar" (adv. concessiva); 2.a: "para que as famílias se recolhessem" (adv. final); 3.a: "insensíveis que eram àquele vento famoso" (adv. causal); 4.a: "de [estarem] tão habituadas" (adv. causal, red. de inf.). ANÁL. DA OR. COMPLEXA: Suj.: isso (simples), elíptico. - Pred.: não era razão (nominal); v. de ligação: era; predicativo do suj.: razão; adj. adv. de fim: para que as famílias se recolhes sem (oracional). ANÁL. DA CONCESSIVA: Suj.: não tem. - Pred.: começasse a ventar (verbal) ; é uma loc. verbal formada do auxiliar começasse e do v. principal ventar, intr. ANÁL. DA 1.a CAUSAL: Suj.: elas (simples), oculto (refere-se a famílias). - Pred.: eram insensíveis àquele vento famoso (nominal); v. de lig.: eram; predicativo do suj.: insensíveis àquele vento famoso; compl. nom. de insensíveis: àquele vento famoso; adj. adn.: aquele e famoso; adj. adv. de intens.: tão. (O que é simples conectivo.) N.O 56: "Posto não fosse feio nem repugnante, era certo que não se lhe viam os olhos nem os ouvidos, de tão encobertos pela grenha devota e suja, despenhada pelos ombros abaixo." (João Ribeiro.) Período composto por subordinação e coordenação. Or. complexa: "Era certo que não se lhe viam os olhos nem os ouvidos." Orações subordinadas: I.a: "Posto não fosse feio" (adv. concessiva; coordenada à se guinte, assino. aditiva); 2.a: "nem [fosse] repugnante" (adv. concessiva; coord. à ante rior, sindét. aditiva) ; "que não se lhe viam os olhos nem os ouvidos" (subst. subjetiva; é suj. de era certo). 3.a: 3.a 4.a: "de [estarem] tão encobertos pela grenha devota e suja, despenhada pelos ombros abaixo" (adv. causal reduz. de infin.). ANÁL. DA SUB. SUBJETIVA: Suj.: os olhos nem os ouvidos (composto; os núcleos olhos e ouvidos estão coord. pela conj. nem). - Pred.: não se lhe viam (verbal) ; v. tr. dir. na voz passiva com o pron. apassivados se: viam; obj. ind. de referência: lhe. 134 MODELOS DE ANALISE SINTÁTICA N.° 57: "Nem vos tome nunca a tentação de largardes as vossas tarefas úteis com dizer que os frutos do vosso esforço e trabalho outros os hão de colher e não vós." (Latino Coelho.) Período composto por subordinação; está coordenado ao anterior. Classificação das orações: Or. complexa: "Nem vos tome nunca a tentação de largardes ...." Orações subordinadas: I.a: ANÁL. DA ADV. CAUSAL: Suj.: eles (simples), oculto. - Pred.: estarem tão encobertos pela grenha etc. (verbal); v. tr. dir. na voz pass. com aux. estar, elíptico: encobrir; agente da passiva: pela grenha devota e suja, despenhada pelos ombros abaixo; núcleo: grenha; adj. adn.: a, devota, suja, despenhada; adj. adv. de lugar por onde: pelos ombros; adj. adv. de direção: abaixo. "de largardes as vossas tarefas úteis" (completiva nominal do subst. tentação); 2.a: "com dizer [que os frutos ....]" (é complexa) (adv. modal reduz. de infin.). Análise: Suj.: vós, elíptico; pred.: dizer (verbal), v. tr. dir.; obj. dir.: que os frutos .... ; "que os frutos do vosso esforço e trabalho outros os hão de colher" (subst. objetiva direta; está coordenada à seguinte pela conj. e). Análise: Suj.: outros (simples). - Pred.: os frutos do vosso esforço e trabalho os hão de colher (verbal); loc. verbal: hão de colher, formada do aux. hão e do v. principal transir. dir. colher; obj. dir.: os frutos do vosso esforço e trabalho e os (pleonástico); adj. adn. de frutos: os e do vosso esforço e trabalho; 4.a: "e não vós [haveis de os colher]" (subst. obj. direta, coord. à anterior). N." 58: "Quanto mais se agitava, mais preso na rede ficava." (M. Lobato.) Período composto por subordinação. Classificação das orações: Or. principal: "Mais preso na rede ficava"; Or. sub. adv. proporcional: "quanto mais se agitava". mais preso ANÁLISE DA PRINCIPAL: SUi.: ele, deelíptgicaç o: ficava; predicativo na rede ficava (nominal); do suj.: mais preso; adj. adv. de intens.: mais; adj. adv. de lugar onde: na rede. _ ANÁLISE DA SUB. PROPORCIONAL: Suj.: relee, elípticvoz o. reflPragl quanto mais se agitava (verbal); tava;.obj; dir. refl.: se; adj. adv. de intens.: quanto mais. N .P 59: "Assim que os personagens dos romances começam a ganhar a estima ou aversão de quem lê, vem logo a leitor a vontade de compor a fisionomia do personagem plastica mente." (Camilo.) Período composto por subordinação com duas orações complexas. l.a or. complexa: "Vem logo ao leitor a vontade de compor a fisionomia do personagem plasticamente". 2.a or. complexa: "Assim que os personagens do lm romances co meçam a ganhar a estima ou aversão de q Orações subordinadas: personagem plasticamente" l,a: (su compor letivasnomnal, reduz. de inf ; é compl. nominal (subst. comp de vontade). dos roman ces a oração complexa "assim que os personagens uem lê]" ces começam a ganhar a estima ou aversão [de q (adv. temporal; é adj. adverbial da 1.a or. complexa e por sua vez contém a oração subord. de quem lê). 3.a: "de quem lê" (adjetiva restritiva; é adjunto adnominal de estima e aversão). compor a ANÁLISE DA 1.a OR. COMPLFxA: Suj.: a vontade e complexo; fisionomia do personagem plasticamente; simples, núcleo: vontade; compl. nominal de vontade: de compor a fisionomia do personagem plasticamente (oracional). - vem logo ao leitor; adj. adv. de tempo: logo. ANÁLISE DA 2.a OR.. COMPLEXA: Suj.: Os personagens dos rOImIan ces (simples); núcleo: personagens; adj. adn.: os; compl. n dos romances (Cp.: personificar ou protagonizar os romances.). Pred.: começam a ganhar a estima ou aversão d q lê(verbal) ; loc. verbal: começam a ganhar; v. principal: ganhar, tr. dir.; v. aux.: começam a; obj. dir.: a estima ou aversão de quem lê (composto); núcleos: estima e aversão, coordenados mediante a conj. alternativa ou; adj. adnominal de es tima e aversão: de quem lê (oracional); assim que, locução 3.a: 136 MODELOS DE ANALISE SINTÁTICA PERÍODO COMPOSTO 137 conjuntiva temporal, é o conectivo que empresta o caráter de adverbial temporal à oração complexa. ANÁLISE DA OR. SUB. ADJ. RESTRITIVA de quem lê: Suj.: quem (simples). Pred.: lê. (A preposição de é mero conectivo que introduz a oração restritiva.) NP 60: "Diz-se que ele era um dos doze que foram a Inglaterra pelejar em desagravo das damas inglesas, fato assaz duvidoso." (Herculano. ) Período composto por subordinação. É uma oração complexa. ANÁLISE DA ORAÇÃO COMPLEXA: Suj.: a or. subjetiva que ele era um dos doze [ .... ] - Pred.: diz-se (verbal) ; v. tr. dir. na voz pass. com pron. apassivados: diz-se. Orações subordinadas: 1.a: "que ele era um dos doze [que foram ....]" (subst. subjetiva; é principal da seguinte). - Análise: Suj.: ele. - Pred.: era um dos doze (nominal); v, de ligação: era; predicai. do suj.: um dos doze; núcleo: um; adj. adv. de seleção: dos doze (V. modelo 53.). 2.1: "que foram a Inglaterra" (adjetiva restritiva; é principal da seguinte; e adj. adn, de doze). "pelejar em desagravo das damas inglesas" (adv. final reduz. de inf.; é adj, adv, da anterior). - Análise: Suj.: eles, elíptico. - Pred.: toda a oração; é verbal; v. intr.: pelejar; adj. adv, de fim: em desagravo das damas inglesas; compl. nom. de desagravo: das damas inglesas; adj. adn. de damas: as e inglesas. Aposto oracional referente a todo o enunciado anterior do período: fato assaz duvidoso; adj, adr.. de fato: assaz duvidoso; adj, adv. de intens. de duvidoso: assaz. N.° 61: "E quando o vento acalma, é para saltar ao poente ou ao sul." (Herculano, LN, 11, 102.) Período composto por subordinação, coordenado pela conj. e ao anterior. Classificação das orações: Oração principal: "É" (o verbo ser, aqui, é "vicário", isto é, substituto, e, evitando repetição, equivale a "[o vento] acal ma", forma que se devé levar em conta para a análise; cf. § 161). Or. sub. adv. temporal: "quando o vento acalma". Or. sub. adv. final reduz. de inf.: "para saltar ao poente ou ao sul". N.O 62: "Um dia, depois de me confessar que tinha momentos de remorsos, como eu lhe dissesse que, se tinha remorsos, é porque me não tinha amor, Virgília cingiu-me com os seus magníficos braços, murmurando: Amo-te, é a vontade do céu." (Machado de Assis.) 1.° período, composto por subordinação: do início até murmu rando; 2.° período, composto por subordinação: "Amo-te, é a vontade do céu". (Serve de objeto direto de murmurando.) Classificação das orações do 1.° período: Principal: "Um dia, Virgília cingiu-me com os seus magníficos braços." Subordinadas 1.a: (complexa) : "depois de me confessar [que tinha momentos de remorsos]" (adv. temporal reduz. de inf.; é adj. adv. da or. principal) ; 2.a: "que tinha momentos de remorsos" (subst. objetiva dir.; e obj. dir. de confessar); (complexa) : "como eu lhe dissesse [que .... me não tinha amor]" (adv. causal; é adj., adv. da principal; é principal da seguinte); 4.a: "que é" (= que tinha remorsos, V. mod. 61) (subst. obj. dir.; é objet. dir. de dissesse; é principal das duas seguintes); "se tinha remorsos" (adv. condicional; é adj. adv. da anterior) ; 6.a: "porque me não tinha amor" (adv, causal; é adj. adv. da 4.a) ; 7.a: "murmurando" (adv. temporal ou modal 'reduzida de gerúndio; é adj. adv. da principal). Classificação das orações do 2.° período Or. principal: Amo-te. Or. sub. adv. causal: é a vontade do céu. (Está elíptica uma conjunção como pois, porque; também elíptico o sujeito: essa.) N.O 63: "Era o caso que nos tempos do Mestre de Avis estava na corte um Mastim Anes de Barbuda." (Camilo, QA, 809.) 3.a: 3.a: 5.a: 138 MODELOS DE ANALISE SINTÁTICA Período composto por subordinação. É uma oração complexa. ANÁLISE DA OR. COMPLEXA: Suj.: que nos tempos do Mestre de Avis estava na corte um Martim Anes de Barbuda (oracional). - Pred.: era o caso (nominal). ANÁLISE DA OR. SUB. SUBST. SUBJETIVA: Suj.: um Martim Anes de Barbuda (simples). - Pred.: nos tempos do Mestre de Avis estava na corte (verbal); v. trans. adverbial: estava; compl. adv. de lugar: na corte; adjunto adv. de tempo: nos tempos do Mestre de Avis. PERIODO COMPOSTO 139 lidade de um advérbio modificar pronome substantivo, veja-se o que diz José Rebouças Macambira na sua A Estrutura Morfossintática do Português, Fortaleza, UFC, 1970, pág. 44.). - Pred.: está perdido (nominal) ; v. de lligação: está; predicativo do suj.: perdido. ANÁLISE DA OR. SUBORDINADA: Suj.: a esperança. - Pred.: per manece acesa (nominal); v. de ligação: permanece; predicativo do sujeito : acesa. N.° 64: "O que perde a honra, não lhe serve de alívio a vida que conserva." (Matias Aires.) Período composto por subordinação. Classificação das orações: Or. principal: "Não lhe serve de alívio a vida". Or. sub. adj. restr.: "que conserva" (é adj. adn. de vida). O que perde a honra é anacoluto (§ 158). O pron. o, sem função sintática no período, tem como adj. adn. a oração sub. adj. restr. "que perde a honra". N.' 65: "Custa-[me] crer nisto." Período composto por subordinação. É uma oração complexa. Predicado: "Custa-[me]"; seu sujeito é a oração seguinte; me será objeto indireto. Oração subordinada substantiva subjetiva: "crer nisto". N.° 66: "Custa-me a crer nisto." Tal como o anterior; a oração "crer nisto", embora introduzida por preposição, deve classificar-se como subjetiva. N.' 67: "Nem tudo está perdido, quando permanece acesa a esperança." Período composto por subordinação. Oração principal: "Nem tudo está perdido". Or. sub. adv. temporal: "quando permanece acesa a esperança". ANÁLISE DA OR. PRINCIPAL: Suj.: nem tudo (simples); núcleo: tudo; adj. adv. de negação: nem (= não). (Entenda-se: al guma coisa está perdida, mas não tudo.) (Quanto à possibi N.° 1 - TERMOS DA ORAÇÃO 141 Quadros sinópticos Com predicativo anexo ao sujeito: "O Sol SURGIU radiante." Com predicativo anexo ao objeto: "O Sol TORNA clara a Terra." Sujeito SIMPLES (um só núcleo) : "O Sol é um astro." COMPOSTO (mais de um núcleo) : "A Terra e Vênus são planetas." INDETERMINADO Com o verbo na 3.a p. do plural: "Comentam muito as façanhas dos astronautas." Com o pronome se: "Pensa-se na conquista do espaço." ORAÇÃO SEM SUJEITO: "Haverá seres vivos noutros planetas?"; "Em janeiro choveu muito." 2. INTEGRANTES (- complementos) 1. ESSENCIAIS Predicado (característica: verbo ou locução verbal) NOMINAL (tem como núcleo um nome predicativo ligado ao sujeito por verbo de ligação) : "O Sol é BRILHANTE." VERBAL (tem como núcleo um verbo): Intransitivo: "O Sol BRILHA." Transitivo direto : "O Sol ILUMINA a Terra."; indireto: "A Terra PERTENCE ao Sistema Solar."; direto e indireto: "O Sol DÁ vida à Terra."; adverbial: "MORO no Rio de Janeiro." VERBONOMINAL (tem dois núcleos, um verbo e um nome predicativo): Do nome COMPLEMENTO NOMINAL: "A Terra vive na dependência Do SOL."; "Adiei minha ida À EUROPA." Do verbo OBJETOS direto: "Deus criou o MUNDO." indireto: `A Terra deve sua vida AO SOL." COMPLEMENTO ADVERBIAL: "Irei À EUROPA." AGENTE DA PASSIVA: "A Terra é iluminada PELO SOL." 3. ACESSóRIOS Adjunto adnominal (do substantivo): "Adoro MEU LINDO filho QUERIDO." Aposto: "Os egípcios adoravam o Sol, FONTE DE LUZ E VIDA." N.O 2 - TIPOS DE ORAÇõES 143 142 QUADROS SIN6PTICOS W 2 - TIPOS DE ORAÇÕES Adjunto adverbial (principalmente do verbo): "POR MO TIVO IMPERIOSO, viajei ONTEM DE AVIÃO, INESPERA DAMENTE, para São Paulo, PELA VASP." 4. VOCATIVO "Senhor, tende piedade de nós!" Absoluta (NÃO SE COORDENA A OUTRA; É A ÚNICA DO PE RíODO SIMPLES) : "A lua banha a solitária estrada. .. " (R. Correia, PC, 128.) Coordenadas A OUTRA INDEPENDENTE: "Dentro do biombo tossi ram; curou-se a tosse; prossegui." (R. Pompéia, Aten., 91.) A UMA PRINCIPAL: "Não entendi o sussurro lastimoso, mas adivinhei que ia surgir transformação." (Gr. Ramos, Inf., 29.) 2. PRINCIPAIS: têm outra(s) dependente(s) dela(s) Absolutas (NÃO SE COORDENAM A OUTRA) : "Sairemos, se não chover." - "Eu era ainda muito novo para com preender que a fazenda lhe pertencia." (Gr. Ramos, Inf., 28.) Coordenadas A OUTRA PRINCIPAL: "Corri à praia para meter-me às vagas; mas, penetrando na água, recuei horrorizada." (Herc., MC, 182.) A UMA INDEPENDENTE: "Era cedo demais, para que eu pudesse pesar filosoficamente a revelação; encontrei, todavia, embaraço invencível no ritual das cerimônias." (R. Pompéia, Aten., 98) 3. SUBORDINADAS (exercem função noutra ou num vocativo) Absolutas (NÃO SE COORDENAM A OUTRA)'. "A medida que se desenrolava a gazetilha, as ânsias iam sere nando." (R. Pompéia, Aten., 72.) Coordenadas (A OUTRA SUBORDINADA DO MESMO VALOR) "Venho das terras que teus irmãos já possuíram, e hoje têm os meus." (J. Alencar, Ir., 35.) - "Quan do cresci e tentei agradá-la, recebeu-me suspeitosa e hostil." (Gr. Ramos, Inf., 37.) - "Não me ocorria que ela se restabelecesse, voltasse comigo à casa triste, me fustigasse e puxasse as orelhas." (Id., ibid., 40.) - "Ó nuvens prodigiosas, criaturas efêmeras que estais tão alto e não pretendeis nada!" (C. Mei reles, Q, 149.) 4. COMPLEXAS (Conjuntos em que pelo menos um dos termos essenciais ou integrantes - sujeito, predicativo, objetos, complemento nominal, complemento adverbial, adjunto adnominal de valor restritivo, agente da passiva - tem a for ma de oração subordinada, e por isso o sentido fica trun uem desdenha quer comprar.", cado sem esse termo): Q « ps ue "Quem menos tem razão é quem mais reclama."; q são puros têm a consciência tranqüila."; "Devolva o livro v a quem for seu dono."; "0 prêmio foi ganho por quem não o merecia."; "Pergunte-lhe se já recebeu os livros de que precisava."; "Tinha a esperança de se realizarem os desejos dos que rogavam a Deus que os ajudasse."; "Sua demora onde pernoitou impediu que chegasse a tempo de assistir à abertura do festival." 1. INDEPENDENTES (não exercem função noutra) 144 QUADROS SINÓPTICOS N.° 4 - CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES SUBORDINADAS 145 W 3 - CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES INDEPENDENTES COORDENADAS Assindéticas (= justapostas, isto é, sem conjunção) "Vim, vi, venci." Sindéticas (= ligadas por uma conjunção ou locução coordenativa) : "Eu trabalho e ele estuda." 2. QUANTO AO VALOR Aditivas: "É de manhãzinha cedo, o sol se estende como um lençol, dois segundos só, depois se retira." (C. Meireles, Q, 138.) - "Dois dias depois o caso vi rava anedota e já se riam com ele." (Id., ibid., 174.) - "Não respondeu nem me olhou." Adversativas: "Tentei convencê-lo, não o consegui." - "Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz." (Id., ibid., 14.) Alternativas: "Ou tu me decifras, ou eu te devoro." Conclusivas: "Estive adoentado, por isso não viajei." - "A desintegração do núcleo libera calor, logo for nece trabalho." Explicativas: "Deus nos proteja, pois nossa miséria é grande." - "Qualquer que seja a tua infância, conquista-a, que eu te abençôo." (F. Sabino, Q, 156.) N° 4 -- CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES SUBORDINADAS 1. SUBSTANTIVAS Subjetivas: "É lamentável que não se consiga livro tão útil." - "Quem espera alcança." - "É preciso seres paciente." - "É fraqueza desistir-se da cousa começada." (Camões, Lus., I, 40.) - "Discutiu-se muito se era lícito esse procedimento." Objetivas diretas: "Verifique se esse rapaz é de fora." - "Descobri que ele é do Acre." - "Simulava prestar atenção." - "Investigue quem ele é." Objetivas indiretas: "Convença-se de que não se aprende sem esforço." - "Queixa-se com razão de seres negligente." - "Perdoai a quem se arrepende." Predicativas: "A verdade é que uma parte da sua vida estava nos livros." - "Minha grande vitória foi conquistar-te." - "Quem mais reclama é quem menos sabe." Completivas nominais: "Aguilhoava-me o pressentimento de que ele não resistiria." - "Tive a impressão de estar cometendo uma indelicadeza." - "Sentia a imperiosa necessidade de quem o amasse." Apositivas: "Só alimento um desejo: que voltes logo." - "O senhor vem lembrar-me uma coisa: eu quase nunca penso no milagre." - "A morte de meu pai revelou-nos uma verdade insuspeitada: quanto éramos pobres." Agente da passiva: "Problema fascinante e controverso defrontado amiúde por quem prepara uma biografia é o do papel da personalidade na História." (Otávio Targüínio de Sousa, IHFIB, 3. ) 2. ADJETIVAS Restritivas (indispensáveis ao sentido geral; ligadas ao antecedente sem pausa) : "Somos feitos da mesma matéria de que se fazem os sonhos." - "Houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida." (R. Braga, Q, 228.) r 1. QUANTO AO CONECTIVO 146 QUADROS SINÕPTICOS N.° 4 - CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES SUBORDINADAS 147 - "Ouvi claramente o ruído de uma chave aabrindo a porta." Explicativas (dispensáveis; isolam-se do antecedente por uma pausa) : "Eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente, [que sentiam frio na alma quan do a tarde estava fria]." - "A pedra que é dura, sofre a ação da água, que é mole." - "Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá.'} 3. ADVERBIAIS Causais: "Pude adormecer sorrindo, [porque meu coração era puro] como o de um menino." (R. Braga, Q, 29.) - "Imprime a tudo que tocares a alegria que me deste [por nasceres]." (F. Sabino, Q, 155.) - —I omo soubeste] dizer seu nome, Aldebarã é tua amiga." (R. Braga, Q, 28.) Comparativas: "Exercitou-se, e aprendeu a subir pelo cabo, [como um tarzã pelos cipós]." (D. S. de Queirós, Q, 84.) - "Ele sobe ... [que nem macaco] !" (Id., ibid., 85.) - "João Batista colhia as flores, [tal um conquistador]." (Id., ibid., 86.) Concessivas: "Sentiu sede, [embora não sofresse memória das outras províncias do seu corpo]." (P. M. Campos, Q, 26.) - "Promete que nunca darás esse nome, nunca, a nenhuma filha dos homens, [por mais ansioso te faça a sua beleza peregrina]." (R. Braga, Q, 29.) - "[Mesmo que a ouvisse], não a entenderia, porque isso foi longe, num idioma difícil." (C. Meireles, Q, 14.) Condicionais: "[Se soubessem que ele voltaria], estariam contentes." (J. L. do Rego, Us., 229.) "[Sucedendo vir à nossa casa a tia Julinda], .... eu me desinteressava da conversa à porta da Loja." (C. dos Anjos, ET, 7.) Conformativas: "Doutor, trago-lhe o doente, [conforme combinamos]." Consecutivas: "Teve pena, tanta pena [que pensou] em ficar." (J. L. do Rego, Us., 216.) - "Nunca Jesuíno entrara em casa [que a encontrasse enfurecida com a sorte]." (Id., ibid., 219.) - "Chorava [de fazer pena]." Finais: "Passou esta preocupação [para que lhe viessem outras]." (Id., MR, 51.) - "Cada ovo era enrolado em sua palha de milho com todo carinho [para não se quebrar na viagem]." (R. Braga, Q, 119.) Proporcionais: "[À medida que se desenrolava a gazetilha], as ânsias iam serenando." (R. Pompéia, Aten., 72.) - "Parecia até que, [à proporção que abria o coração para este], mais o fechava para os estranhos." (A. Azevedo.) Temporais: "[Quando seus olhos se abriram], muitas horas deviam ter passado." (P. M. Campos, Q, 26.) - "[Há pouco tempo], encontrei numa festa vários manequins." (C. Meireles, Q, 126.) Locativas: "Fique [onde está]." Modais: "Sentiu vontade de passar os dias longe da vida, [lendo], [sem pensar mais nada]." (R. Braga, Q, 75.) A - TERMOS DA ORAÇÃO 149 3 Exercícios de verificação 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. "Nunca me Chove no meu coração. Terrível palavra é um não. Foram construídos belos edifícios em Brasília. Construíram-se muitos edifícios em Brasília. Construiu-se muito em Brasília. Admira-se a Bernardas. Só comigo acontecem dessas coisas. esqueceu esse fenômeno." (M. de Assis, BC, 39.) A -- TERMOS DA ORAÇÃO I - Separe sujeito e predicado destas orações, indicando se o sujeito é simples ou çomposto (com os respectivos núcleos), elíptico, indeterminado ou inexistente: 1. Era ao anoitecer. 2. Não me deixes. 3. Notou-se a presença de gente estranha. 4. "Tu e os outros velhacos da tua laia lhe estorroaram na cara lixo e terra." (Herculano. ) 5. Era uma vez um rei e seu filho. 6. Quebraram as vidraças. 7. Quebrou-se a vidraça. 8. Quebraram-se as vidraças. 9. "Há uma gota dê sangue em cada poema." (Mário de An drade.) 10. Devagar se vai ao longe. 11. Está fazendo um calor insuportável. 12. Cai chuva do céu cinzento. II - Indique se o predicado destas orações é nominal, verbal, ou verbonominal, salientando o seu núcleo ou núcleos e a predicação dos verbos: 1. O professor sou eu. 2. Eu sou o professor. 3. "A lua ia grande e bela." (Eça.) 4. "Nossa vida tornou-se impossível." (M. de Assis.) 5. "Um fraco rei faz fraca a forte gente." (Camões, Lus.) 6. Acusaram de injusto o diretor. 7. Saiu da luta engrandecido. 8. Nesse andar, acabarás mendigo. 9. "Pegou de uma faca, 1 e entrou a bater com ela devaga rinho." (M. de Assis, HSD, 74.) 10. "Uma das três janelas vivia sempre meia aberta." (Id., ibid., 72.) 11. "A pobre dama sentiu-se humilhada." (Id., ibid., 74.) 12. "O cônego Brito acabava de sair eleito deputado." (Id., ibid., 29.) 13. A canoa virou. 14. O vento virou a canoa. 15. O tronco, à força de fogo, virou canoa. 16. Está querendo formar-se médico. 17. Durante o carnaval, fica agitadíssimo. 18. Durante o carnaval, fico em casa. 19. Durante o carnaval, fico vendo o movimento das ruas. 150 EXERCICIOS DE VERIFICAÇÃO A - TERMOS DA ORAÇÃO 151 20. Onde estavas? - Estava em casa. - Estás - Não, estou inocente. 21. Olhou confrangido. 22. Chamavam-lhe carinhosamente "Tetéia". 23. Chamaram logo o médico. 24. O telefone chamava insistentemente. 25. Você já foi à Bahia? 26. Obedeça às ordens. 27. Você gosta de Brahms? 28. Deu tudo aos pobres. 29. Ficam revogadas as disposições em contrário. 30. Estudo com um colega. 31. Conto com você. 32. Acenou-me com um lenço. 33. Eles iam embarcar para São Paulo. 34. Amemos aos nossos semelhantes. 35. Chorei lágrimas de alegria. 36. Assististe ao concerto da Sinfônica? 37. O médico assistia o doente. 38. O médico assistia ao doente. 39. "Suporta-se com paciência a cólica do próximo." Assis.) 8. Louvemos a Deus ( ). 9. Os romanos adoravam a Júpiter 10. Muito admiramos a V. S.a ( ). 11. Agrada-te ( ) este quadro? 12. Ousas desobedecer-me ( )? 13. Nada nos ( ) acontecerá. 14. Estes livros pertencem-nos 15. Apareceram-nos ( ) visões extraordinárias. 16. Pouca coisa te ( ) aproveitará. 17. Não vos ( ) convém a proposta? 18. Por que me ( ) enganaste? 19. Tudo isso me ( ) repugna. 20. Não te ( ) perdoarei. 21. Quando me ( ) tornarás a escrever? 22. Imploravam-te ( ) perdão. 23. A esperança animava-nos ( ). 24. O vendedor queria enganar-te 25. O sofrimento transfigurou-vos 26. Sempre te ( ) cabe a parte do leão. 27. Maus amigos sempre nos ( ) desencaminham. 28. Não me ( ) aborreças. 29. Não te ( ) reterei aqui. 30. Basta-nos ( ) a sua palavra. 31. Falta-te ( ) autoridade para falar. 32. Vão contratar-te ( )? 33. Resta-nos ( ) o arrependimento. 34. Que te ( ) amedronta? 35. Ocorreu-me ( ) uma grande idéia. 36. Pertencem-te ( ) estes livros? 37. Só hoje você me ( ) aparece! 38. A campanha empolgou-nos 39. Alguém te ( ) desacatou? 40. Tanta meiguice me ( ) conquistou. mentindo! (M. de )• III - Distinguir o objeto direto (1) do objeto indireto (2). Se se tratar de objeto direto preposicionado use (3): 1. Aguardavam-me ( ) desde cedo. 2. Caracteriza-te ( ) a lealdade. 3. Deus nos ( ) livre de todo o mal. 4. Tuas referências me ( ) desvanecem. 5. Defendemo-nos ( ) com coragem. 6. Há muito não te via ( ). 7. Estimo-te ( ) como a um irmão. 152 EXERCICIOS DE VERIFICAÇÃO A - TERMOS DA ORAÇÃO 153 41. Hospedar-te-ei ( ) em nossa casa. 42. Quem te ( ) enfeitiçou? 43. Cansou-vos ( ) o discurso? 44. Não nos ( ) faltes à verdade. 45. Tanta demora exaspera-me ( ). 46. Sua candura nos ( ) enterneceu. 47. Não dês atenção a eles ( ). 48. Nem eles me ( ) entendiam, nem eu a eles 49. A mim ( ) sei que ele estima. 50. A mim ( ) não agradam tais leituras. IV - Distinga o adjunto adnominal (1), o complemento nominal (2) e o complemento adverbial (3) : . 1. Tinha sede de justiça ( ). 2. Veio procurá-lo um oficial de justiça 3. Maria Clara tem grande desembaraço de expressão 4. Foi demorado o desembaraço de minha bagagem 5. Gorou minha viagem à Bahia ( ). 6. Somente para o ano irei à Bahia ( ). 7. Tinha a volúpia da mentira ( ) . 8. Era o rei da mentira ( ). (Cp.: "Comandava tira.") 9. Perdeu-o a ambição de dinheiro ( ) . 10. Encontraram vários pacotes de dinheiro 11. A defesa do réu ( ) foi trabalhosíssima gados. 12. A mulher do réu ( ) chorava convulsivamente. 13. À noite, é deslumbrante a visão da cidade ( ). 14. Os habitantes da cidade ( ) são taciturnos. 15. O aparecimento de fantasmas ( ) sobressaltou os habitantes do castelo. 16. Está desmoralizada a crença em fantasmas ( ). 17. A esperança de perdão ( ) transfigurava-o. 18. A hora de perdão ( ) não chegara ainda. 19. A falta às aulas ( ) prejudica-o. 20. Amanhã faltarei às aulas ( ). V - Dê a função sintática dos termos destacados: 1. "Brasil, ao te deixar entre a alvadia / Crepuscular espuma, eu não sabia / Dizer se ia contente ou descontente." (Manuel Bandeira, ET, "Mal sem mudança".) 2. "Tornava o filho pródigo à paterna / Casa, nada a antiga e terna / Jubilação da instante cotovia." (Id., ibid., "A Ninfa".) 3. "Furtou-lhe um beijo aos lábios / de morango." (Ricardo Gonçalves, "A Cisma do Caboclo".) 4. O interrogado fez aqui uma pausa. 5. Cansado, adormeceu. 6. Amanhã é feriado nacional. 7. O doutor ouvia-me imóvel. 8. "A moça do café também virou 211.) 9. "Ao caboclo, toca-se. Toca-se importuno." (M. Lobato.) 10. "Fazia rir aos companheiros." (A. 11. Não a quis como esposa. 12. Bom músico, especializa-se no canto. 13. "A espada coroou-se em rainha e soberana." (Rui, "O Dever do Advogado", 7.) 14. "Ânimo, Brás Cubas, não me sejas palerma." (M. de Assis, BC, 336.) 15. "As companhias da ralé desprezou-as." (Camilo, AP.) 16. "Não me toque no José!" (J. L. do Rego, MVA, 243.) 17. "A virtude não a queremos de graça; ao vício estimamos." (Matias Aires, RVH, 243.) 18. "Os montes verdes se perdiam azuis no fundo harmônico do horizonte." (M. Rebelo, SAP, 117.) 19. "Fiapos de algodão fingiam neve." (Id., ibid., 169.) 20. "A cidade acordou estupefata." (M. de Assis, HSD, 215.) ( )• i e não via em a men caricatura." (Corção, LÁ, ( como se toca um cachorro Caminha, B-Cr, 16.) para seus advo 154 EXERCíCIOS DE VERIFICAÇÃO B - PERIODO COMPOSTO 155 21. "Acaba-se um vestido, pega-se logo noutro." (M. Rebelo, VII - Classifique as orações destes períodos: SAP. ) 22. "Só a moça, com o seu fino instinto de mulher, lhe com preendia as mágoas do coração." (M. Lobato, "O Jardineiro Timóteo"-.') 23. "O poeta ia bêbedo no bonde." (C. Drummond, Faz., 83.) 24. "Mas as coisas findas, / Muito mais que lindas, / essas fica rão." (Id., ibid., 421.) 25. "O pajem que comigo trouxera, mandei-o voltar para o meu castelo." (Herc., MC, 35.) 26. Nem tudo está perdido. 1. "Subi então, e achareis desimpedido o caminho." (Herculano, LN. ) 2. "Depressa, que o amor não pode esperar!" (C. Drummond, Faz., 64.) 3. "Nem se descortinavam por aqueles cabeços e vales vestígios alguns de cultura, nem alvejava um único edifício no meio das colinas." (Herc.) 4. "Ora é um sorriso que nos leva para o céu, ora é um baixar Rebelo, SAP, 86.) de olhos que nos traz o céu." (Marques 5. "Trabalha-se demais, não há folga." (Id., ibid., 11.) VI - a) Classifique as orações independentes dos dois tercetos; b) classifique as orações subordinadas dos dois quartetos; c) indique a função sintática dos termos destacados: "Era uma fada tão suave e pura Que ao vê-Ia o coração me estremecia; E minh'alma exalar-se parecia Em arroubos de meiguice e de ternura. Era um tipo de etérea formosura, Que as imagens do céu reproduzia; Era um anjo no exílio que dormia Insensível a tanta desventura. Cego de amor contei-lhe as minhas dores, Dediquei-lhe minh'alma estremecida, E sagrei-lhe meus únicos amores. Ouviu-me a história - não ficou sentida; Viu-me em torturas - não mudou de cores; Era uma estátua estúpida e sem vida!" (Francisco Otaviano, in revista Kósmos, n.° 5. maio de 1904.) 6. "O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abraão." (M. de Assis, HSD, 1.) 7. "Não sei se estou sofrendo / ou se é alguém que se diverte / / .... na noite escassa / com um insolúvel flautim." (C. Drummond, Faz., 87.) 8. "Dorme bem de manso, / senão eu te pego, / te dou um abraço / e te espinho toda." (Id., ibid., 113.) VIII - Classifique as orações assinaladas; analise os termos grifados: 1. "É impossível [não sintas] que a rosa / desfolhada a teus pés, ainda [há um minuto], / foi jogada por mim, com a mão do vento." (Cassiano Ricardo, PC, 250.) 2. "Resignado, papai viu [morrer Fernando]." (M. TC, 133.) 3. "À hora do café matinal, a Moça entrou, [vindo do jardim], [fingindo uma indignação] que não era lá muito sincera, e acusou, em tom de promotor público: - Os seus passarinhos! ... Fiquei logo sabendo [que alguma coisa estava torta] e perguntei, [como se impunha] : - [Que fizeram os passarinhos?]" (Vivaldo Coaraci, CV, 40.) 4. "Timóteo era feliz. Raras criaturas realizam na vida mais formoso delírio de poeta. Sem família, criara uma família de flores; pobre, vivia ao pé de um tesouro." (M. Lobato, "O Jardineiro Timóteo".) 5. "O estranho sorriso que se percebia na sua boca era sinal [de que ele ainda não se corrigiria daquela vez]." (Viriato Correia.) Rebelo, 156 EXERCICIOS DE VERIFICAÇÃO 6. "As chuvas de inverno, / [Caindo dos montes], / Engfossam as fontes / Que aos rios vão dar." (Pe. Antônio Tomás.) 7. "[Enquanto vogas assim à discrição do vento, airoso barco], volva às brancas areias a saudade [que te acompanha], [mas não se parte da terra] [onde revoa]." (Alencar, Iracema, cap. L ) 8. "A cavalaria árabe, [enristando as lanças], arremessou-se pela planície." (Herculano, Eur., cap. L) 9. "Há vinte anos [que ouvi dum coevo do fato a história do assassínio]." (Camilo, AP, 8.) 10. "Não há ainda um ano [que me fizeram três buracos na cabeça]." (Id., ibid., 91) 11. "Eles me contavam. estas histórias [dando detalhe por detalhe], [que ninguém podia suspeitar de mentira]." (J. Lins do Rego, ME, 84.) 12. "Convidou os três [a sentarem-se nas três únicas cadeiras devolutas]." (M. de Assis, HSD, 19.) 13. Obrigou-os [a sentarem-se]. 14. "Um desses amigos, quando eu voltei graduado, deu-me os parabéns, [acentuando a sua convicção com esta frase definitiva]: - [O teu casamento é um dogma]." (M. de Assis, ibid., 30.) 15. "Peguei da imagem, que enchia a minha alma, e enchi com ela a vida, [onde outrora ocupara tão pouco espaço e por tão pouco tempo]." (Id., ibid., 36.) 16. "[Posto lhe faltasse observação], [para avaliar a verdade do escrito], achou [que em muitas partes, ao menos, o retrato era semelhante]." (Id., ibid., 65.) 17. "Nunca encontro esta senhora [que não me lembre a profecia de uma lagartixa ao poeta Heine]." (Id., ibid., 119.) 18. "Pode ser [que me engane]; mas estou [que o espetáculo da justiça foi o] que animou o meu amigo [a dispersar-se]." (Id., ibid., 146.) 19. "[Enquanto esperava o auxílio policial], monsenhor Caldas desfazia-se em sorrisos e assentimentos de cabeça, espantava-se com ele, alegrava-se com ele, política útil com os loucos, as mulheres e os potentados." (Id., ibid., 158.) 20. "Vossemecê fica cego: [lê] [que é um desespero]." (Id., ibid., 189.) 21. "Vendo-lhe, ao contrário, um sorriso, achou [que era o da inocência], e falou de outra cousa." (Id., ibid., 210.) 22. "Teve duas fases a nossa paixão, ou ligação, ou qualquer outro nome, [que eu de nomes não curo]." (Id., BC, 52.) 23. "O romance tem de firmar sua duração em alguma espécie de utilidade, tal como o estudo da alma, ou a pureza do dizer. E dou mais pelo segundo merecimento; [que a alma está sobejamente estudada e desvelada nas literaturas clássicas]." (Camilo, AP, LXIX.) 24. "Fazia horas [que procuravam uma sombra]." (Gr. Ramos, VS, 7.) 25. "Meu coração é um pórtico partido / [Dando excessivamente sobre o mar]." (Fernando Pessoa, OP, 54.;) 26. "Minha alma é um arco [tendo ao fundo o m;ar]." (Id., ibid., 55.) 27. "Ó tocadora de harpa, se eu beijasse / Teu gesto, [sem beijar as tuas mãos!], / E, [beijando-o], [descesse pelos desvãos / Do sonho] até que enfim eu o encontrasse / Tornado Puro Gesto. .. " (Id., ibid., 52.) 28. "Embora resistisse à exposição da sua estreada musa não se conteve [que, (despedindo-se de cada unia das senhoras da casa), não dissesse, à puridade, a D. Adelaide]: V. Ex.a verá as trovas [que só Deus viu], [e ninguém mais verá no mundo]." (Camilo, QA, 850.) 29. "A saudade crescia [consoante a ausência e desprezo do marido aumentava]." (Id., ibid., 894.) 30. "A concisão e rapidez das perguntas enleavam-no [a ponto de o engasgarem nas respostas]." (Id., ibid., 851.) 31. "Foi bom [que tu as visses] [para que saibas] -[que o homem (que chora por ti) bem mais merecia] [que o outro] [que te despreza]. .. " (Id., ibid., 885.) 32. "[Se alguma vez aceitei as tuas fraquezas], [foi] [porque tu ignoravas] [quanto eu te amava], [e eras minha próxima parenta]." (Id., ibid., 886.) 33. "Então não quero que vás - [acudiu ela] - [que tu não podes ir à tua custa]..." (Id., ibid., 886.) 34. "Corta essas barbas; por alma de tua mãe, corta-me essas barbas, [que pareces o diabo], [Deus me perdoe]!. (Id., ibid., 888.) B - PERIODO COMPOSTO 157 158 EXERCICIOS DE VERIFICAÇÃO B - PERÍODO COMPOSTO 159 35. "E o caso é [que pareces mais novo]." (Id., ibid., 888.) 36. "Não posso demorar-me, [que já aí está a liteira], [e a jornada de hoje é muito grande]." (Id., ibid., 890.) 37. As melhores cousas, muito pensadas antes de possuídas, desmerecem quando se possuem." (Id., ibid., 896.) 38. "A minha opinião é [que V. Ex.a se deixe (estar em sua casa)] e espere [a ver] [para onde correm os ventos]." (Id., ibid., 878.) 39. "[Como isso era difícil], já nos dávamos por felizes [se Deus nos concedia] [que o suplício fosse breve]." (Ciro dos Anjos, ET, 4.) 40. "Ao anoitecer, [acabado o brinquedo] [ou volvida a família da Chácara], uma alternativa se me oferecia: [intrometer-me no jogo de prendas da sala de visitas], .... [ou ficar a ouvir a conversa da gente grande]." (Id., ibid.) 41. "Os principais interlocutores se defrontavam, consoante preceituava a hierarquia [e convinha à conversação]." (Id., ibid.) 42. "O arco se dilatava [a ponto de comprometer localmente o trânsito]." (Id., ibid.) 43. "Sussurrava-se [que as preciosas obras (ao saírem das estantes de Cantídio) não circulavam muito]." (Id., ibid., 6.) 44. "Esclareça-se .... [que .... o benefício se fazia geral]." (Id., ibid., 7.) 45. "Na verdade, ninguém poderia queixar-se [de que fora dado] [provar o licor anatolino]." (Id., ibid.) 46. "Sumiam [por serem bichos de concha]." (Id., ibid.) 47. "[Sermos privados] [de ouvir algo], que [por impróprio] se tornava mais apetecido, não nos aborrecia tanto [quanto esse antipático processo] [de nos expelir da roda]." (Id., ibid.) 48. "Em vão tentavam fazer-[nos retroceder]." (Id., ibid., 8.) 49. "E tanto mais me enfunava eu, [quanto maior era o número de curiosos] [que se comprimiam do lado de fora], [para apreciar o improvisado concerto]." (Id., ibid., 9.) 50. "[Onde me parecera] [existir uma sociedade resignada], .... aflorava um afeto de raízes profundas." (Id., ibid., 33). 51. "Não sei por quê - [ainda hoje me lembro] - eu não acompanhava Barnabé." (O. Lessa, EL, 81.) Solução dos exercícios I - 1. Sujeito inexistente (oração sem sujeito). 2. Sujeito: tu, simples, elíptico. 3. Sujeito: a presença de gente estranha, simples; núcleo: presença. 4. Sujeito: tu e os outros velhacos da tua laia, composto; núcleos: tu e velhacos 5. Sujeito: um rei e seu filho, composto; núcleos: rei e filho. 6. Sujeito indeterminado. 7. Sujeito: a vidraça, simples. 8. Sujeito: as vidraças, simples. 9. Sujeito inexistente. 10. Sujeito indeterminado. 11. Sujeito inexistente. 12. Sujeito: chuva, simples. 13. Sujeito inexistente. 14. Sujeito: uni não, simples; núcleo: não. 15. Sujeito: belos edifícios, simples; núcleo: edifícios. 16. Sujeito: muitos edifícios, simples; núcleo: edifícios. 17. Sujeito indeterminado. 18. Sujeito indeterminado. 19. Sujeito: dessas coisas, simples; núcleo: coisas. 20. Sujeito: esse fenômeno, simples; núcleo: fenômeno. II - 1. Predicado nominal: sou eu; núcleo: eu (predicativo); verbo de ligação: sou. 2. Predicado nominal: sou o professor; núcleo: professor (predicativo); v. de ligação: sou. 3. Predicado verbonominal: ia grande e bela; núcleos: ia, v. intr., grande e bela, predicativos. 4. Pred. nominal: tornou-se impossível; núcleo: impossível (predicativo); v. de ligação: tornou-se. 5. Pred. verbonominal: faz fraca a forte gente: núcleos: faz, v. tr. dir., e fraca, predicativo do obj. dir. a forte geme. 6. Pred. verbonom.: acusaram de injusto o diretor; núcleos: acusaram, v. tr. dir., e injusto, predicativo do obj. dir. o diretor. 7. Pred. verbonom.: saiu da luta engrandecido; núcleos: saiu, v. intr., e engran decido, predicativo referente ao sujeito elíptico ele. 8. Pred. verbonom.: acabarás mendigo; núcleos: acabaras, v. intr., e mendigo. predicativo ref. ao sujeito elíptico tu. 9. a) Pred. verbal: pegou de tinia faca; pegar, v. tr. dir.; b) Pred. verbal: entrou a bater com ela devagarinho; núcleo: bater, v. principal intransitivo, em locução com o auxiliar entrou a. 10. Pred. nom.: vivia sempre meia aberta; núcleo: aberta, predicativo do suj.; v. de lig.: vivia. não lhe 160 EXERCICIOS DE VERIFICAÇÃO B - PERIODO COMPOSTO 161 11. Pred. verbonom.: sentiu-se humilhada; núcleos: sentiu-se, v. tr. dir. na voz reflexiva; humilhada, predicativo ref. ao suj. 12. Pred. verbonom.: acabava de sair eleito deputado; núcleos: eleito, v. eleger, tr. dir., na voz pass. com o aux. sair, formando locução com o aux. acabar; deputado, predicativo ref. ao suj. 13. Pred. verbal: virou, v. intr. 14. Pred. verbal: virou a canoa; núcl.: virou, v. tr. dir. 15. Pred. tom.: virou canoa; núcl.: canoa, predicativo do suj.; v. de ligação: virou. 16. Pred. verbonom.: está querendo formar-se médico; núcleos: formar-se, v. tr. d. na voz reflexiva, formando locução com os auxiliares está e querendo; médico, predicativo referente ao sujeito. 17. Predicado nominal: fica agitadíssimo; núcl.: sujeito; v. de lig.: fica. 18. Predicado verbal: fico em casa; núcl.: fico, v. tr. adverbial. 19. Predicado verbal: fico vendo o movimento das ruas; núcl.: dir., em locução com o auxiliar fico. 20. a) Pred. verbal Onde estavas?; núcl.: estavas, v. tr. adv.; b) Pred. verbal: Ewai o m casa; núcl_: estava, v. tr. adv.; c) Pred. verbal: Estás mentindo; n~:.' rindo, v. intr. em loc. com o aux. estás.; d)Pred. nominal: estou úcl.: inocente, predicativo do sujeito; v. de lig.: estou. 21 )nom.: olhou confrangido; núcleos: olhou, v. intr., e confran ~ativo ref. ao suj. 22. 1'1 c,1 ~, crbonom.: chamavam-lhe carinhosamente "Tetéia"; núcl_: chamavam, v. trt dir.; Tetéia, predicativo ref. ao obj. dir. lhe. 23. Pred. verbal: chamaram logo o médico; núcl.: chamaram, v. tr. dir. 24. Pred. verbal: chamava insistentemente; núcl.: chamava, v. intr. 25. Pred. verbal: já foi à Bahia? núcl.: foi, v. tr. adv. 26. Pred. verbal: Obedeça às ordens; núcl.: obedeça, v. tr. ind. 27. Pred. verbal: gosta de Brahms?; núcl.: gosta, v. tr. ind. 28. Pred. verbal: deu tudo aos pobres; núcl.: deu, v. tr. dir. e ind. 29. Pred. verbal: ficam revogadas; núcl.: revogadas, v. tr. dir. na v. pass. com o aux. ficam. 30. Pred. verbal: estudo com una colega; núcl.: estudo, v. companhia: com um colega. 31. Pred. verbal: conto com você; núcl.: conto, v. 32. Pred. verbal: acenou-me com um lenço; núcl.: acenou, v. tr. ind.; obj. ind.: me; adj. adv. de instr.: com um lenço. 33. Pred. verbal: iam embarcar para São Paulo; núcl.: embarcar, v. intr., for mando loc. com o aux. iam; adj. adv. de lugar: para São Paulo. 34. Pred. verbal: amemos aos nossos semelhantes; núcl.: amemos, v. tr. dir.; obj. dir. (preposicionado): aos nossos semelhantes. 35. Pred. verbal: chorei lágrimas de alegria; núcl.: chorei, v. tr. dir. 36. Pred. verbal: assististe ao concerto da Sinfônica?; núcl.: assististe, v. tr. ind. 37. Pred. verbal: assistia o doente; núcl.: assistia, v. tr. dir. 38. Pred. verbal: assistia ao doente; núcl.: assistia, v. tr. ind. 39. Pred. verbal: suporta-se com paciência; núcleo: suporta-se, v. tr. dir. na voz passiva pronominal. III - Objetos diretos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 18, 23, 24, 25, 27, 28, 29, 32, 34, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 45, 46, 48a. Objetos indiretos: 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 19, 20, 21, 22, 26, 30, 31, 33, 35, 36, 37, 44, 47, 50. Objetos diretos preposicionados: 8, 9, 10, 48b, 49. IV - 18. Adjuntos adnominais: 2, 3, 10, 12, 15, Complementos nominais: 1, 4, 5, 7, 8, 9, 11, 13, 14, 16, 17, 19. Complementos adverbiais: 6, 20. V - 1. Brasil: vocativo; te: obi. dir.; alvadia: adi. adn. de espuma; espuma: núcl. do adj. adv. de lugar; contente: predicativo do suj. eu. 2. Filho: núcl. do suj.; casa: núcl. do complemento adv. de lugar; em nada: adj. adv. de lugar; terna: adj. adn. de jubilação; da instante cotovia: idem. 3. Lhe: obj. ind. de ref.; aos lábios: adj. adv. de lugar donde; de morango: adj. adn. 4. Aqui: adj. adv. de tempo. 5. Cansado: adj. adv. de causa, predicativo do suj. oculto ele. 6. Amanhã: suj.; feriado: núcl. do predicativo do suj. 7. Me: obj. dir.; imóvel: predicativo do suj. 8. Do café: adj. adn.; caricatura: predicativo 9. Caboclo: núcl. do obj. dir. prep.; cachorro: se toca. 10. Aos companheiros: suj. do inf. rir. 15. Companhias: núcl. do obj. dir.; ralé: núcl. do adj. adn.; as: obj. dir. pleo nástico. 16. Me: obj. ind. de interesse; no José: obj. ind. 17. A virtude: obj. dir.; a: obj. dir. pleon.; de graça: adj. adv. de modo; ao vício: obj. dir. preposicionado. 18. Verdes: adj. adn.; azuis: predicativo do suj. 19. De algodão: adj. adn.; neve: predicativo do suj. 20. Estupefata: predicativo do suj. 21. Um vestido: suj.; noutro: obj. ind. 22. Só: adjunto adv. de exclusividade; de nntlher: adj. adn.; 2 . Bêbedo: predicativo re ao suj. . agitadíssimo, predicativo do vendo, v. tr. do suj. moça. núcl. do suj. do v. na voz pass. intr.; adj. adv. de 11. A: obj. dir.; esposa: predicativo ref. ao obj. dir. a. 12. Músico: núcl. do adj. adv. de causa, predicativo do suj. canto: adj. adv. de assunto. 13. Em rainha: predicativo do suj. (e do obj. dir. refl. se). 1 . Brás Cubas: vocativo; me: obj. ind. de interesse. ele, oculto; no tr. ind. lhe: obj. ind. 24. As coisas findas: suj.; lindas: predicativo do suj. coisas; essas: suj. pleo nástico. 25. O pajens: suj. do inf. voltar; o; suj. pleonástico. 26. Nem: adj. adv. de negação. 162 EXERCICIOS DE VERIFICAÇÃO VI - a) 1.° período: 1.a oração: "Cego de amor contei-lhe as minhas dores": assind. adit., coord. à 2.a; 2.a or.: "dediquei-lhe minh'alma estremecida": assind. adit., coord. à La e à 3.a; 3.a or.: "e sagrei-lhe meus únicos amores": sindét. adit., coord. à 2.a. 2.° período: 1.a oração: "Ouviu-me a história": assind., coord. à 2.a; 2.a or.: "não ficou sentida": assind. adversativa, coord. à 1.a; 3.a or.: "viu-me em torturas": assind., coord. à 4.a; 4.a or.: "não mudou de cores": assind. adversativa, coord. à 3.a; 5.a: "era uma estátua estúpida e sem vida": assind. explicativa coord. ao grupo formado pela 3.a e 4.a; este grupo, por sua vez, se coordena ao formado pela 1.a e 2.a orações. b) No 1.° período: "que o coração me estremecia": sub. adv. consecutiva: "ao vê-Ia": sub. adv. temporal reduz. de inf. No 2.° período: "que as imagens do céu reproduzia": adjetiva explicativa; "que dormia insensível a tanta desventura": adjetiva restritiva. c) fada: predicativo do suj. elíptico ela; pura: adj. adn.; me: obj. ind. de ref.; arroubos: núcl. do adj. adv. de modo; de ternura: compl. nom. de arroubos; insensível: predicativo do suj.; desventura: núcl. do compl. nom.; cego: predicativo do suj. ea; amor: núcl. do adj. adv. de causa; me: obj. ind. de ref.; sem vida: adj. adn. VII - 1. "Subi então": or, indep. assind., coord. à seguinte; "e achareis desimpedido o caminho": or. indep. sindét., coord. à 1.a, com valor consecutivo. 2. A interjeição depressa, vocábulo-frase, equivale a uma oração independente ("Vem depressa", por exemplo), coordenada à seguinte; "que o amor não pode esperar!": or. indep. sindét. explicativa, coord. à anterior. 3. As duas orações são indep. sindét. aditivas negativas. 4. "Ora é um sorriso etc.": or. principal em relação à seguinte, sindét. alternativa, coordenada à outra principal; "que nos leva para o céu": sub. adj. restrit.; "ora é um baixar de olhos": or. principal da seguinte, sindét. altern., está coordenada à 1.a principal. - Os dois conjuntos iniciados por ora são orações complexas coordenadas entre si. 5. "Trabalha-se demais" e "não há folga" são duas or. indep. assind. aditivas coordenadas entre si. 6. São duas orações indep. assindét. aditivas coord. entre si. O verbo da 2.a está elíptico (será). 7. "Não sei se estou sofrendo": or. complexa; "se estou sofrendo": or. sub. subst. obj. dir.; "ou [não sei] se é alguém que se diverte na noite escassa .... : oração complexa coord. à or. complexa anterior pela conjunção alternativa ou; "se é alguém que se diverte .... ': or. sub. subst. obj. dir., or. compl.; é principal da seguinte; "que se diverte na noite escassa com um insolúvel flautim": or. subord. adj. restritiva. 8. "Dorme bem de manso": or. indep. assind., coord. à seg.; "senão eu te pego": or. indep. assind., coord. à 1.a, com valor alternativo; "te dou um abraço": or. indep. assind. aditiva, coord. à seg.; "e te espinho toda": or. indep. sindét. aditiva, coord. à anterior. VIII 1. Não sintas (- que não sintas): sub. subst. subj.; desfolhada: adj. adn. de rosa; por mim: agente da passiva; mão: núcl. do adj. adv. de instrumento; há um minuto: or. sub. adv. de tempo. 2. Resignado: predicativo do suj. papai; Fernando: suj. do inf. morrer; a oração é objetiva direta. 3. Vindo do jardim: or. sub. adj. expl. reduz. de gen; fingindo uma indignação: or. sub. adv. de modo red. de ger.; tom: núcl. do adj. adv. de modo; que alguma coisa estava torta: or. sub. subst. obj. dir.; torta: predicativo do suj.; como se impunha: or. sub. adv. conformativa; Que fizeram os passarinhos?: período que serve de obj. dir. ao anterior. 4. Feliz: predicativo do suj.; mais: adj. adv. de intens.; de poeta: adj. adn.; sem família: adj. adv. de concessão, predicativo; pobre: idem; tesouro: núcl. do adj. adv. de lugar. 5. Or. sub. subst. complet. nominal. 6. De inverno: adj. adn.; caindo dos montes: dos montes: compl. adv. de lugar donde. 7. Enquanto vogas etc.: or. sub. adv. temporal; airoso barco: vocativo; que te acompanha: or. adj. restr., está coordenada à seguinte; mas (que) não se parte da terra: or. sub. adj. restr., está coordenada adversativamente à anterior; se, pronome de realce, não tem função sintática: é inseparável do verbo; onde revoa: or. sub. adj. restr.; onde: adj. adv. de lugar. 8. Or. sub. adv. de modo, reduz. de gerúndio; se: ob. dir, reflexivo. 9. Considerando-se o que expletivo, a oração será principal, e Há vinte anos, or. sub. adv. de tempo; dum coevo: adj. adv. de proveniência; do fato: compl, nominal de coevo; do assassínio: compl. nom. de história. 10. Ano: obj. dir.; que me fizeram etc.: or. princ. (o que será expletivo); ou or. sub. adv. de tempo (que = desde que); ou or. subst. subjetiva. 11. Dando detalhe por detalhe: or. sub. adv. de modo, red. de ger.; que ninguém etc.: or. sub. adv. consecutiva; de mentira: ob. ind. 12. e 13. Or. sub. adv. de fim. 14. Desses amigos: adj. adv. de seleção; graduado: predicativo ref- ao suj.; me: obj. ind.; acentuando etc.: or. sub. adv. de tempo (ao mesmo tempo que acentuava); O teu casamento é um dogma: or. sub. subst. apositiva. 15. Da imagem: obj. dir.; onde outrora etc.: or. sub. adj. expl. 16. Posto lhe faltasse observação: or. sub. adv. concessiva; para avaliar etc.: or. sub. adv. final red. de inf.; que em muitas partes etc.: or. sub. subst. obj. dir.; em muitas partes: adj. adv. de referência. 17. Or. sub. adv. consecutiva; a profecia: sujeito; cio poeta Heine: compl. no minal. 18. Que me engane: or. sub. subst. subj.; que o espetáculo etc.: or. sub. subst. completiva nominal de um adjetivo elíptico (convencido, p. ex.); da justiça: compl. nom. de espetáculo; a dispersar-se: or. sub. final, red. de inf. 19. Enquanto etc.: or. sub. adv. de tempo; em sorrisos: adj. adv, de modo: com ele: adj. adv. de causa; política: núcl. do aposto oracional; com os loucos: compl. nom. de útil. 20. Lê: or. sub. adv. de causa (está elíptica a conjunção); que é um desespero: or. sub. adv. consecutiva. 21. Lhe: obj. ind.; ao contrário: adj. adv. de modo; que era o da inocência: or. sub. subst. obj. dir.; de outra cousa: adj. adv. de assunto. B - PERIODO COMPOSTO 163 or. sub. adj. expl. red, de gen; 164 EXERCíCIOS DE VERIFICAÇÃO 22. Or. sul. adv. de causa; de nomes: obj. ind. 23. Espécie: núcl. do adj. adv. de instr.; estudo: núcl. do adj. adv. de comparação; alma: núcl. do compl. nom.; do dizer: adj. adi.; pelo segundo merecimento: adj. adv. de favor; que a alma etc.: or. indep. sindét. expl., éoord. à anterior. 24. Or. sub. adv. de tempo; ou subst. subi. 25. e 26. Or. sub. adj. restr. red. de ger. 27. Tocadora: vocativo; harpa: compl. nem.; sem beijar etc.: or. sub. adv. de modo (ou concessão); beijando-o: or. sub. adv. modal red. de ger.; e descesse etc.: or. sub. adv. condicional, coordenada à do verbo beijasse; Gesto: predicativo ref. ao obj. dir. o. 28. À exposição: obj. ind.; musa: núcl. do compl. nom.; que não dissesse etc.: or. sub. adv. consecutiva; despedindo-se etc.: or. sub. adv. temporal, red. de ger.; que só Deus viu: or. sub. adj. restr., coord. à seg.; e (que) ninguém riais verá tio mundo: or. sub. adj. restr., coord. à anterior (coordenação sindética aditiva). 29. Do marido: adj. adi.; consoante etc.: or. sub. adv. conformativa ou proporcional. 30. Or. sub. adv. consecutiva red. de inf.; nas respostas: adjunto adv. de referência. 31. Que tu as visses: or. sub, subst. subi.; para que saibas: or. sub. adv. final; que o howcm bem irais merecia: or. sub. subst. obj. dir.; que chora por ti: or. sub. adj. reste-.: que (iu°rcce) o outro: or. sub. adv. comparativa; que te despre..a: or. sub. adj. restritiva. 32. Se alguma se:- etc.: or. sub. adv. condicional; foi (- aceitei-as): or. principal: foi é verbo vicáriu; porque uru ignoravas: or. sub. adv. causal coordenada à do verbo eras; quanto eri te amava: or. sub. subst. obj. dir.; e (porque) eras minha pa enta: or. sub. adv. causal coordenada à do verbo ignoravas (coordenação sindética aditiva). 33. Acudia ela: período intercalado, or. absoluta (ou or. principal, considerando-se o outro período seu obj. direto); que tu não podes ir ã tua custa: or. sub. adv. causal. 34. Por alma de tua mãe: adj. adv. de causa; me: obj. ind. de interesse; que pareces o diabo: or. indep. sindét. explic., coord. à do verbo corta; Deus me perdoe! ...: período intercalado, simples, oração absoluta. 35. Que pareces mais novo: or. sub. subst. predicativa. 36. Me: pron. de espontaneidade, sem função sintática; que já aí está a liteira: or. sub. adv. causal, coord. à seguinte; e (que) a jornada de hoje é muito grande: or. sub. adv. causai, coord. à anterior (coordenação sindética aditiva). 37. Adjunto adverbial de condição, predicativo do suj. causas. 38. Que V. Ex.a etc.: or. sub. subst. predicativa; se: suj. do inf. estar; se estar em sua casa: or. sub. subst. obj. direta; a ver: or. sub. adv. final red. de inf.; para onde correm os ventos: or. sub. subst. obj. direta. 39. Como isso era difícil: or. sub. adv. causal; felizes: predicativo do suj.; se Deus nos concedia: or. sub. adv. condicional; nos: obj. ind.; que o suplício fosse breve: or. sub. subst. obj. direta. 40. Acabado o brinquedo: or. sub. adv. teme. red. de pari., coord. à seg., assind. alternativa; ou volvida a família etc.: or. sub. adv. teme. red. de pari., coord. à anterior, sindét. alternativa; .se: obj. dir. refl.; ire: obj. ind.; intrometeram, etc.: or. sub. subst. apositiva red. de inf., coord. à seg., assind. alternativa; ou ficar a ouvir etc.: idem, idem, coord. à anu., sind. ali.; da gente grande: adj. adi. de conversa. 41. Se: obj. dir. refl.; hierarquia: suj.; e convinha ã conversação: or. sub. adv. conformativa, coord. à ant., sind. aditiva; à conversação: obj. indireto. 42. A ponto de comprometer etc.: or. sub. adv. consecutiva red. de infinitivo. 43. Se: pron. apassivados; que as preciosas obras não circulavam insiro: or. sub. subst. subi.; ao saírem etc.: or. sub. adv. teme. red. de infinitivo. 44. Que o benefício se fazia geral: or. sub. subst. subi.; geral: predicativo do sujeito. Se fazia equivale,a um verbo de ligação (- se tornava). 45. De que não lhe fora dado: or. sub. subst. obj. ind.; provar o licor anatoliano: or. sub. subst. subi. red. de infinitivo. 46. Por serem bichos de concha: or. sub. adv. causal red. de infinitivo. 47. Sermos privados: or. sub. subst. subi. red. de inf.; de ouvir algo: or. sub. subst. obj. ind. red. de inf.; por (.ser) impróprio: or. sub. adv. causal red. de inf.; quanto (nos aborrecia) esse processo: or. sub. adv. comparativa; de nos expelir da roda: or. sub. subst. compl. nom. red. de inf.; nos: obj. dir.; da roda: compl. adv. de lugar. 48. Tentavam: v. auxiliar (forma locução com fazer); nos retroceder: or. sub. subst. obj. dir. red. de inf.; nos: suj. do inf. retroceder. 49. Quanto maior era etc.: or. sub. adv. proporcional; maior: predicativo do suj.; que se comprimiam etc.: or. sub. adj. restritiva; se: obj. dir. refl.; para apreciar etc.: or. sub. adv. final red. de infin. 50. Onde me parecera: or. sub. adv. de lugar; onde: adj. adv. de lugar; existir urna sociedade resignada: or. sub. subst. subi.; sociedade: suj.; de raízes profundas: adj. adi. de afeto. 51. Período intercalado, or. absoluta. B - PERIODO COMPOSTO 165 4 Textos para exercícios de revisão O Professor poderá aproveitar os textos para exercícios de recapitulação (termos da oração e classificação de orações) : 1. "Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor." (C. Meireles, Q, 14.) 2. "À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o sentada uma mulher, cercada de crianças." (Id., ibid.) 3. "Eu me sinto completamente feliz." (Id., ibid., 15.) 4. "Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal." (F. Sabino, Q, 19.) 5. "Estou numa esquina de Copacabana, são duas horas da madrugada." (Id., ibid., 41.) 6. "O céu estava azul, a paisagem estendia-se imensa e tranqüila." (C. Meireles, Q, 58.) 7. "Ó nuvens prodigiosas, criaturas efêmeras que estais tão alto e não pretendeis nada, e sois capazes de escurecer o sol e de fazer frutificar a terra, e não tendes vaidade nenhuma nem apego a esses acasos!" (Id., ibid., 149) [Cf. § 88, obs. 2.] 8. "Conta o jornal que Nicole Renaud, pequena de três anos, foi carregada por um urso, quando, brincando no jardim da casa TEXTOS PARA EXERCíCIOS DE REVISÃO 167 de veraneio de seus pais, fugiu para passear no bosque próximo." (D. S. de Queirós, Q, 151.) 9. "Então o urso avançou para Nicole, e a carregou, como queria a menina." (Id., ibid., 153.) 10. "Escrever à noite se fez suplício para mim, desde que deixei a casa de mamãe. A permanente suspeita de estar molestando o vizinho perturba meus dedos, minhas palavras, minhas vírgulas." (P. M. Campos, Q, 160.) 11. "Ora, uma noite, correu a notícia de que o bazar se incendiara." (C. Meireles, Q, 170.) 12. "Quem escapa a um perigo ama a vida com outra intensidade." (M. de Assis, BC, 230.) 13. "Não vá sem eu lhe ensinar a minha filosofia da miséria." (Id., ibid., 168.) 14. "A liberdade embriaga como o vinho." (Maricá, Máx., 140. ) 15. "Ignorância e preguiça a ninguém enriquecem." (Id., ibid., 156.) 16. "É duvidoso se sofremos mais pela própria ignorância ou pela dos outros homens." (Id., ibid., 1027.) 17. "E concluiu que era tudo a expressão daquele sentimento delicado e nobre - prova cabal de que muitas vezes o homem, ainda a engraxar botas, é sublime." (M. de Assis, BC, 373.) 18. "De uma das extremidades, quem não tivesse extraordinária vista custaria a reconhecer outra pessoa na extremidade oposta." (R. Pompéia, Aten., 76.) 19. "Ora, Irmão Tomás, então sois tão crédulo a ponto de acreditar que um boi pudesse voar?" (Humberto de Campos.) 20. "Fazia um mês que chegara ao colégio." (J. L. do Rego, Doid., 104.) 21. "Adormeceu pela segunda vez, para despertar com a chuva aquietada, a luz da manhã tentando abrir caminho no céu denso." (P. M. Campos, Q, 26.) 22. "Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda." (C. Meireles, Q, 14.) 23. "Semeais opressão, sereis oprimidos." (Rui Barbosa.) 24. "Queria sair: foi esbarrar numa parede." (Herc., MC, 163.) 25. "Uma cousa notável foi que Fr. Lourenço não tornou a rir em dias de sua vida." (Id., ibid., 440.) 26. "Dir-se-ia que Fernando Afonso lobrigara o truão e que dili genciava alcançá-lo." (Id., ibid., 300.) dia 168 TEXTOS PARA EXERCíCIOS DE REVISÃO TEXTOS PARA EXERCICIOS DE REVISÃO 169 27. "Meu pai prendia-me solidamente o pulso, que me não extraviasse." (R. Pompéia, Aten., 14.) 28. "Pessoas que adoro mostram-me outros rostos que eu desejaria que nunca tivessem (C. Meireles, AP, 204.) 29. "A casa velha virara mal-assombrada, e as negras falavam de aparições." (J. L. do Rego, MVA, 23.) 30. "Eu devia estar triste quando vi as meninas; mas deixei um pouco a minha tristeza para mirar com um sorriso a sua graça e a sua felicidade." (R. Braga, Q, 206.) 31. "Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito." (Id., ibid., 228.) 32. "Que importa que uma estrela já esteja morta, se ela brilha no fundo de nossa noite?" (Id., ibid.) 33. "Ela começava a ter o aspecto de quem perde." (P. M. Campos, Q, 226.) 34. "Ainda não se habituou à residência, mas começou logo a trabalhar com um ruído triste de máquina." (Id., ibid.) 35. "Nem sequer pudemos transmitir a nossa certeza de que ela vencera o namorado." (D. S. de Queirós, Q, 130.) 36. "O coronel, que então já morava na cidade, tinha um com padre sitiante que ele estimava muito." (R. Braga, Q, 84.) 37. "Dera com um cabo de aço suspenso à Pedra da Gávea, pendurado de uma altura vertiginosa, de fazer tremer as pernas." (D. S. de Queirós, Q, 84.) 38. "João Batista colhia contente as flores, tal um conquistador." (Id., ibid., 86.) 39. "Rodrigues Alves e o Prefeito Passos remodelaram a cidade: abriu-se a Av. Rio Branco, alargaram-se muitas ruas centrais, construiu-se o Teatro Municipal." (M. Bandeira, Q, 69.) 40. "Lembrou-se que antigamente freqüentava livrarias." (R. Braga, Q, 74.) 41. "Tenho pena de tudo isso: mas a pena vai ficando também menor, à medida que avançais para longe: o sofrimento acompanha seu dono." (C. Meireles, Q, 35.) 42. "Para Ricardo aquela rua era diferente daquela onde nascera e se criara." (J. L. do Rego, MR, 11.) 43. "E apitava de longe um trem, de muito longe, que o apito che gava a ele como um toque de flauta, de tão saudoso, de tão triste." (Id., ibid., 11.) 44. "Este quintal faz uma semana que não se limpa." (Id., ibid., 13.) 45. "A vida para ele tinha sido um inferno, que seu Alexandre lhe fora um achado de primeira." (Id., ibid., 62.) 46. "Foi se pegando, se grudando a ela, que quando abriu os olhos, não podia mais." (Id., ibid., 64.) 47. "O senhor deve dar razão a quem tem." (Id., FM, 255.) 48. "Agora mesmo me passou por aqui um carreiro do Coronel José Paulino." (Id., ibid.) 49. "Sou eleitor, dou o meu voto a quem quero." (Id., ibid., 256.) 50. "Não me ocorria que o poder estivesse fora dele, de repente o abandonasse." (Gr. Ramos, Inf., 28.) 51. "Não queria convencer-me de que ouvia nomes tão feios." (Id., ibid., 41.) 52. "Não me parecia que o purgatório fosse indispensável." (Id., ibid., 90.) 53. "À proporção que o rezar do velho se afervorava, as mãos con frangidas de Fr. Vasco lhe iam descendo da fronte." (Herc., MC, 39.) 54. "Fomos descendo devagar por entre a turba, ora colando-nos às paredes, ora desviando-nos para o meio da rua, para dar lugar ao feminino." (C. Neto, CF, 75.) 55. "Pode-se distinguir as raças pelo cheiro." (Id., ibid., 106-7.) 56. "Se a água murmura e se as folhas sussurram, bem se pode dizer que são vozes do sonho das coisas." (Id., ibid., 18.) 57. "Era assim que eu esperava vê-Ia, de sorte que tive uma pe quena desilusão quando ela assomou à porta." (Id., ibid., 237.) 58. "Vou comover as rochas, / com lavá-las de lágrimas." (C. D. de Andrade.) 59. "Nossos mortos estão sepultados em nós, que em vão os pro curamos no cemitério." (Id.) 60. "O rosto nos dissimula ou nos trai conforme o capricho da natureza." (Id.) 61. "Não julguemos, porque não venhamos a ser julgados." DCA, 44.) 62. "De nada aproveitam as leis, bem se sabe, não existindo quem as ampare contra os abusos." (Id., OM, 80.) 63. "A minha renúncia perante ela importaria na confissão .... de que eu não confiava na opinião pública." (Id., Às Classes Con servadoras.) ainda (Rui, 170 TEXTOS PARA EXERCíCIOS DE REVISÃO TEXTOS PARA EXERCICIOS DE REVISÃO 171 se apaixonam os homens; e ninguém as viu discutir pelo extinto 94. chefe literário." (Id., ibid., 84.) 77. "Ai de mim! não o poderia fazer, quando o quisesse, átomo que sou deste grande sistema de opinião, de cuja translação parti 95. 64. "Sinhá Inácia que lhe diga se não chorei muito..." (M. de Assis, "Noite de Almirante".) 65. "Se embarcou, foi porque ela lhe jurou isso." (Id., ibid.) 66. "Não obstante, não me deu resposta à segunda carta." (Id., RCV, 44.) 67. "Também se adormece a fome, como às crianças, cantando." (Id., ibid., 19.) 68. "Quem escolhe os meus amigos sou eu." (Id., ibid., 112.) 69. "Se ele deixou tudo a você, é que o achou melhor que eles." (Id., ibid.) 70. "Era indispensável que nos persuadíssemos de que os princípios são tudo e os homens nada." (Id., ibid., 104.) 71. "Disse-lhe onde estava. Quis ver quem era." (Id., MA, 6.) 72. "Os mortos ficam bem onde caem." (Id., ibid., 10.) 73. "Acontece, porém, que, encetado um trabalho, cria-lhe a gente amor, e só com pena o deixa." (C. de Laet, Pol., 195.) 74. "Lamartine, com ser grande poeta, não abdicou os seus direitos de crítico." (Id., ibid., 303.) 75. "Mas essa mãe ele não a compreendia grande e majestosa; ele a queria de minúsculo porte." (Id., Crôn., 119.) 76. "A religião e a política - eis as duas cousas por que mais cipo. .. " (Id., ibid., 41) 78. "Fez mal; que erva ruim tem assombrosa vitalidade." (Id., "Microcosmo", O País, 26-2-911) 79. "A imprensa arroga-se direitos que a lei discretamente recusa a qualquer cidadão." (Id., "A Imprensa", Ms.) 80. "Eu também quero ser um dos reis da opinião, desde que para essa realeza não se exigem preparatórios." (Id., "Microcosmo", 0 País, 13-10-915.) 81. "E ele, cujas idéias liberais pareciam dever proporcionar-lhe os aplausos da turba, sempre os desdenhou, desde que lhes tivesse de sacrificar a idéia ou o sentimento íntimo." (Id., "O Morto e a Bandeira", Jornal do Brasil, 25-2-912.) 82. "A verdade sei que a pintam nua, saindo de um poço." (Id., "Em Defesa", Jornal do Brasil, 15-11-911.) 83. "O ridículo, quando não mata, cura." (J. A. de Almeida, Bag., 134.) 84. "Dá-me apoio e eu te darei as minhas graças; dá-me seiva e eu te retribuirei com a alegria do coração." (Id., ibid., 65.) 85. "De uma hora para outra, se está no oco do mundo." (Id., ibid., 79.) 86. "Posto que as janelas tivessem ficado completamente abertas, o Marcondes continuava a dormir." (P. Mallet, H, 55.) 87. "O emprego público fora para ele a única franquia que se lhe oferecera a mitigar as vicissitudes da sorte." (Id., ibid., 48.) 88. "E quando acordava, custava em desvanecer-se daqueles so nhos." (Id., ibid., 96.) 89. "Procura-se saber se tudo aquilo melhorou." (Euclides, MH, 20.) 90. "O Coração batia-lhe com força. A boca sabia-lhe a sangue. Zumbiam-lhe os ouvidos." (Júlio Dantas, "As Mãos". In MCP. ) 91. "Aquela mina de ouro, ela não ia deixar que outras espertas botassem as mãos." (J. L. do Rego, Us., 79.) 92. "Ricardo fugiu. Era assim como se comentava a saída dele para outras terras." (Id., MR, 3.) 93. "Fitavam o azul do céu a perguntar de onde vinha aquela noite adiantada no tempo." (J. Amado, MM, 13.) "A moça sente envolver-se numa nuvem de melancolia." (An. Machado, HR, 134.) "A pobrezinha mal podia atravessar a rua, sentia-se perseguida pelos homens." (Id., ibid., 229.) 96. "O Lula fechou a porta, fez sinal que esperássemos." (J. G. Vieira, LM, 28.) 97. "Irrompia de dentro de estabelecimentos de modas, fazia sinal que não demorava, reentrava. .. " (Id., ibid., 115.) 98. "Ao chegar ao apartamento, retirei a pesada mala do guarda-roupa, girei a chave e destravei os fechos." (M. Rey, AM, 19.) 99. "Vanda cantava no banheiro enquanto se enxugava: era para embalar." (Id., OS, 51.) 100. "NãO quis contar vantagem, com receio de que Américo não tivesse a força que dizia ter na emissora." (Id., CC, 294.) 101. "Havia anos a amargura enchia os seus nervos." (O. Lessa, FS, 61.) 102. "Embora soubesse estar ganhando fama de louco, o poeta gostava de sair sozinho pelo campo, ao cair da tarde." (Id., ibid., 59.) i SOLUÇÃO DOS EXERCíCIOS DE REVISÃO 173 172 TEXTOS PARA EXERCICIOS DE REVISÃO 103. "Sempre que saía do quarto das filhas ou das criadas, corria ao lavatório para lavar o rosto e as mãos, a ver se assim evitava levar consigo os micróbios que poriam em risco a vida do menino." (J. Montello, DP.) 104. " É preciso que os jogadores .... se deixem manejar por quem sabe." (E. Coutinho, MA, 28.) 105. "M. A. Barroso custou a encontrar o seu caminho." (Wilson Martins, "Os Ciclos Romanescos", Jornal do Brasil, caderno B, 16-1-82, p. 11.) 106. "Não se é feliz em parte alguma." (M. Barreto, Fatos, 42.) 107. "O poder autoritário é um veneno que cega e corrompe os que o detêm." (Fernando Pedreira, "Conversa (inventada) de Ma rechal", Jornal do Brasil, Cad. Especial, 15-4-84, p. 3.) ABREVIATURAS USADAS 2. Per. simples, or. absoluta. - Suj. uma mulher, simples. - Pred.: todo • resto; é verbonominal e tem como núcleos o verbo transitivo direto passava e os adjetivos verbais sentada e cercada; objeto direto de passava: quase todo o dia; núcleo: dia; adjuntos adnominais: o e todo (modificado pelo adjunto adverbial quase, de limitação). - À sombra da árvore é adjunto adverbial de lugar onde; a e da árvore são adjuntos adnominais do núcleo sombra; a' preposição a, em crase com o artigo a, é conectivo, • exprime lugar onde; numa esteira também é adjunto adverbial de lugar onde; unta é adjunto adnominal do núcleo esteira; a prep. em (reduzida a n na contração numa) é conectivo, e exprima lugar onde; sentada e cercada de crianças são predicativos referentes ao núcleo do sujeito mulher; • 2.° tem como núcleo o adjetivo verbal (particípio) cercada; de crianças tem a função de agente da passiva do particípio cercada. 3. Per. simples, or. absoluta. - Suj.: eu, simples. - Pred. (verbonominal): me sinto completamente feliz; núcleos: sinto, v. tr. dir. na voz reflexiva, • feliz, predicativo do sujeito eu; me é objeto direto reflexivo. 4. Per. come. por sub. - Oração principal: o menino começou a empurrar tinta cadeira pela sala; orações sub. adv. de tempo: mal colocou o papel na máquina e fazendo um barulho infernal (reduzida de gerúndio = enquanto fazia .... ). - O predicado da oração principal tem como núcleo • verbo empurrar, determinado pelo auxiliar começou a. 0 sujeito da primeira oração subordinada é ele, elíptico; também na segunda oração subordinada se subentende o sujeito ele, referente a menino. - A análise • classificação dos demais termos não oferece qualquer dificuldade. 5. Per. come. por coord. Ambas as orações são independentes, assindéticas aditivas. - O sujeito da primeira, elíptico, implícito na desinência verbal de estou, é o pronome eu; a segunda oração não tem sujeito (= sujeito zero); ditas horas da madrugada é predicativo. - O verbo estar é transitivo adverbial, e tem como complemento adverbial de lugar numa esquina de Copacabana; de Copacabana, e da madrugada são adjuntos adnominais. - (Nas orações impessoais pode haver um predicativo sem referência a um sujeito.) 6. Per. come. por coord., com duas orações independentes coordenadas entre si, assindéticas aditivas. - A l.a tem predicado nominal (núcleo: azul, predicativo do sujeito o céu); rã 2.a, o predicado é verbonominal (núcleos: estendia, v. tr. dir. na voz reflexiva; intensa e tranqüila são predicativos referentes ao sujeito a paisagens; se é objeto direto reflexivo. 7. Per. come. por sub. e coord., contém orações complexas. - 0 vocativo ó nuvens prodigiosas tem como aposto criaturas efêmeras, a que estão subordinadas quatro orações adjet as: que estais tão alto, e [que] não pretendeis nada, e [que] sois capazes .... e [que] não tendes vaidade nenhuma nem apego a esses acasos, coordenadas entre si, numa coordenação aditiva (conjunções e e nem). A oração subordinada adjetiva e [que] sois capazes de escurecer o sol e de fazer frutificar a terra é complexa, porquanto vários dos seus termos integrantes são por sua vez orações subordinadas: 1) de escurecer o sol, e 2) e de fazer frutificar a terra são completivas nominais de capazes e estão coordenadas entre si por meio da conjunção aditiva e; a 2.a, de fazer frutificar a terra é também complexa, já que o objeto direto de fazer é uma oração subordinada (frutificar a terra ) . Esquematicamente: adi. - adjetiva(s), adjetivo, adjunto(s) adn. - adnominal, adnominais adv. = adverbial, adverbiais assind. = assindética aux. = auxiliar(es) come. = composto compl. = complemento conta. = conectivo coni. = conjunção coord. - coordenação, coordenada(s) dir. = direta, direto ind. = indireta, indireto indef. = indefinido indep. = independente(s) infin. = infinitivo intr. intransitivo lig. ligação loc. - locução nom. - nominal obi. - objetiva, objeto(s) or. - oração, orações per. - período pess. = pessoal pred. = predicado princ. - principal pron. - pronome red., reduz. = reduzida(s) reflex. = reflexiva, reflexivo restr. restritiva sub. - subordinação, subordinada(s), subordinativo subst. - substantiva(s) sui. = sujeito tr., trans. = transitivo v. = verbo Solução dos exercícios de revisão 1. Período composto por coordenação; são duas orações independentes coordenadas entre si, a primeira assindética, a segunda sindética (está introduzida pela conjunção e), ambas aditivas. - O sujeito das duas orações, elíptico, é o pronome eu, facilmente reconhecível pelas formas verbais de primeira pessoa, abro e encontro. Ambos os verbos são transitivos diretos; o objeto direto do primeiro é a janela, e do segundo o jasmineiro em flor; às vezes é adjunto adverbial de tempo; em flor é adjunto adnominal do núcleo jasmineiro. 174 1 EXTOS PARA EXERCICIOS DE REVISÃO SOLUÇÃO DOS EXERCíCIOS DE REVISÃO 175 ó O 0 C. ô U 0 8. Per. come. por sub. A oração principal forma com a sua subordinada objetiva direta uma oração complexa: Conta o jornal [que Nicole Renaud, pequena de três anos, foi carregada por um roso], cujo sujeito é o jornal: o verbo conta é transitivo direto e seu objeto direto é a oração subordinada que N.R., pequena de três anos, foi carregada por um urso; pequena de três anos é aposto de Nicole Renaud; de três anos é adjunto adnominal de pequena; por um urso é agente da passiva de foi carregada. - Outras orações subordinadas: 1) quando fugiu, adverbial temporal (subordinada à oração complexa); 2) brincando no jardim da casa de veraneio de seus pais, adjetiva reduzida de gerúndio, referente ao sujeito oculto C ela, da oração quando fugiu; 3) para passear no bosque próximo, adverbial final. • E 9. Per. come. por coord. e sub. Oração independente: Então o urso avançou F para Nicole, está coordenada à seguinte; oração principal coordenada à v o primeira: e a carregou; oração subordinada à 2.a, conformativa: como queria a menina. ,ç _J 10. São dois períodos. - L°: Per. come. por sub. Escrever à noite (or. • o subord. subjetiva), juntamente com se fez suplício para mim (principal), a Q formam uma oração complexa. A I.a tem o sujeito oculto (eu) do infin. ° pessoal escrever; a 2.a tem como sujeito a or. sub. subjetiva; seu predicado -o (se fez suplício para mim) é nominal; se fez exerce a função de verbo m' de ligação (= se tornou); suplício é predicativo do sujeito oracional es crever ã noite; para mim é obj. indireto; desde que deixei a casa de nta mãe é or. sub. adverbial de tempo. - 2.°: Per. come. por sub., é uma ° oração complexa, pois o complemento nominal de suspeita (de estar ntoles ó ce latido o vizinho), da or. principal, é uma or. subordinada. Sujeito da or. c complexa: A permanente suspeita de estar molestando o vizinho (simples; • a núcleo: .suspeita; adjuntos adnominais: a e permanente); o compl. nominal • E oracional é de estar molestando o vizinho (sujeito elíptico: eu; o núcleo E U do predicado verbal é molestando, v. tr. dir. que forma locução com o $ auxiliar estar; obj. dir.: o vizinho). - Predicado verbal: perturba meus rn dedos, minhas palavras, aninhas vírgulas; o v. tr. dir. perturba tem como E obj. dir. composto a seqüência coordenada meus dedos, minhas palavras, • minhas vírgulas. QZ 11. Per. come. por sub., é uma oração complexa. - Suj.: a notícia de que • e o bazar se incendiara; simples; núcleo: notícia; compl. nominal: de que • o o bazar se incendiara (é uma or. subordinada substantiva completiva no -°o w minai; de é o conectivo que introduuz o compl. nominal; que é o conectivo • y que introduz a or. sub.; suj.: o bazar; pred. verbal: se incendiara, v. tr. 0.• 0) dir. na voz passiva pronominal, exprime mudança de estado [= ficara incendiado]). - Pred. (verbal): uma noite correu (v. intransitivo); unia ó noite é adjunto adv. de tempo. - A partícula ora, que inicia o período, E apenas estabelece conexão com um período anterior. 12. Per. come. por sub. É uma or. complexa, cujo sujeito (quem escapa a U y • o C0 unt perigo) é uma oração subord.; o predicado é verbal ama a vida com outra intensidade; cana é v. tr. dir.; obj. dir.: a vida; adj. adv. de modo: com outra imensidade; coai é o conectivo que introduz o adjunto. A or. sub. tem como suj. o proa. indef. quem; o pred. é verbal; escapa é v, tr, ind.; a uni perigo é obj. indireto. 13. Per. come. por sub. - Or. princ.: Não vá (suj. elíptico: você; pred. verbal: Pião roí; o v. é aqui intransitivo; adj. adv. de negação: não); or. sub.: sem eu lhe ensinar a minha filosofia da miséria; é reduz. de infin. e sua melhor classificação me parece ser temporal (= atues que eu lhe ensine .... ); seva é conectivo subordinativo; suj.: eu; pred. verbal: lhe ensinar a minha filosofia da miséria; ensinar é v. tr. dir. e ind.; obj. ind.: lhe; obj. dir.: a minha filosofia da miséria (núcleo: filosofia); adj. adnominais: a, minha; 176 rEXTOS PARA EXERCíCIOS DE REVISnO SOLUÇnO DOS EXERCICIOS DF REVISFaO 177 drt miséria parece antes ser compl. nominal adverbial (correspondente à estrutura verbal Piloso¡ar [acerca] da miséria). 14. Per. come. por sub. - Or. princ.: A liberdade embriaga; or. sub. adv. comparativa: como n ninho (está subentendido o mesmo verbo da princ., embriaga); couro é conectivo subordinativo. 15. Per. simples, or. absoluta. - Suj.: ignorãncia e preguiça (composto). - Pred. (verbal): a ninguém enriquecem (v. tr. dir.; obj. dir. preposicionado: a nir:guém). 16. Per. comp. por sub.; é uma or. complexa. - Suj.: se sofremos arais pelo própria ignorância orr pela dos outros homens (se é conectivo subordinativo; o suj. é nós, elíptico; o predicado é verbal; sofremos é v. intr.; mais é adj. adv. de intensidade; pela própria ignorância e ou pela_[ignorâncin] dos outros homens são adj. adv. de causa, coordenados por meio da conjunção alternativa ou; pela contém o conectivo por e o adj. adn. a; própria e dos outros homens são adjuntos adnominais; dos contém o conectivo sub. de e o adj. adn. os; outros também é adj. adn. do núcleo homens. - Pred. (nominal): é duvidoso (predicativo do sujeito oracional). 17. Per. comp. por ~ W c á ° ~ >~ a O h ~ ~ ~ O N r ~ ~ ~ W N d w b 0 d fn b ~ç O ~`$~~ W ° o ~~ ~~ ~ ti y C O O '~ çá ~ ~`c°> b CY ~ y 04 d a 0 O ~ O r O ~~~„ 0 o ~ á• c a ~ a .5 ~ o ~ ~~,.~ W ~ ~ U a ~ 0•- â W 32. Per. come. por sub. A or. princ. (do verbo importa, intransitivo) tem como suj. a or. sub. seguinte (do v. esteja, subjetiva) e formam ambas, portanto, uma or. complexa. A or. do v. brilha é sub. adv. causal (e não condicional), porquanto~o se equivale a uma vez que, visto que, etc. (A morte da estrela não importa, porque ela ainda brilha. ) 33. Per. comp. por sub. )~, uma or. complexa, porque o compl. nominal de aspecto é uma or. sub. subst. (de quem perde). - Começava a ter é loc. verbal (v. princ.: ter; v, aux.: começava a); quem, pron. indefinido, é o suj. da or. sub.; perde . é v. intransitivo neste contexto. .34. Per. comp. por coord. A l.a or. é assindética; a 2.a é sindética adversativa. - Na l.a or., o suj. está elíptico: ela; se é obj. dir. reflexivo; à residência é obj. ind. - Na 2.a, com um ruído triste de máquina é adj. adv. de modo; seu núcleo é ruído; um, triste e de máquina são adjuntos adnominais. 35. Per. comp. por sub. É uma or. complexa, porque o compl. nom. de certeza é uma or. sub. subst. completiva nominal (de que ela vencera o namorado). - Nem é adj. adv. de negação reforçado pela palavra intensiva sequer. 36. Per. comp. por sub. - A or. princ. tem duas subordinadas adjetivas: a l.a, explicativa (que então já morava rra cidade) do núcleo do sujeito (corgnel); a 2.a, restritiva (que ele estilrrava muito) do núcleo do obj. dir. (compadre). A principal e a restritiva formam uma or. complexa. - O v. morava é trans, adv.; na cidade: é seu compl. adv. 37. Per. comp. por sub. - A or. princ. tem o suj. elíptico (ele); o v. dera é trans. ind. (obj. ind.: com um cabo de aço suspenso ã Pedra da Gávea, pendurado de uma altura vertiginosa); o núcleo cabo tem como adjuntos adnominais: um, de aço, suspenso ã Pedra da Cávea (ã Pedra da "Gáven é adj. adv. de lugar de suspenso), pendurado de uma altura vertigfno.ca (de uma altura vertiginosa é adj. adv. de lugar de pendurado). A or. sub. de fazer [tremer as pernas] é adv. consecutiva reduzida de infinitivo e complexa, pois o obj. dir. do v. tr. dir. fazer é por sua vez uma or. sub. (objetiva direta reduz. de inf.); o suj. de fazer está elíptico (ela, referente a altura); o suj. de tremer é as pernas. 38. Per. simples, or. absoluta. O pred. é verbonominal; colhia é v. tr. dir.; obj. dir.: as flores; contente é predicativo referente ao suj. João Batista; tal trm conquistador é adj. adv. de comparação. 39. Per. comp. por coord., com quatro or. indep. coord. entre si; a l.a tem suj. composto: R. A. e o Pref. Passos; o pred. é verbal (v, remodelaram, tr. dir. na voz ativa; obj. dir.: u cidade); as demais or. têm os seus verbos na voz passiva pronominal; o suj. da 2.a é a Av. Rio Branco; o da 3.a. muitas ruas centrais; o da 4.a, o Teatro Municipal. 40. Per. comp. por sub., forma uma or. complexa, pois o obj. ind. de lembrou-se é uma or. sub. subst. objetiva ind. (a prep. de está elíptica). 41. Per. comp. por coord. e sub. - A l.a or., independente assindética, tenho pena de tudo isso, está coord. à 2.a, sindética adversativa, mas o pena vai ficando também menor, que é principal, porque tem como adjunto adv. a 3.a or., sub. adv. proporcional, ã medida que urunçais para longe; a 4.a, indep. coord. assindética, está coord. ao conjunto formado pela 2.a, principal, e pela 3.a, sua subordinada. - De ardo isso é compl. nom. de pena; vai ficando é loc. verbal cujo v. principal, ficando, é de ligação; menor é o núcleo do predicativo do suj. u perra; também é adj. adv. de menor e exprime similitude. SOLUÇwO DOS EXERCICIOS DE REVISAO 181 (xz TEaIOS PARA EXERCíCIOS DE REVISnO SOLUÇwO DOS EXERCfCIOS DE REVISãO 183 42. Per. comp. por sub. e coord., forma uma or. complexa, já que contém duas or. sub. adj. restritivas coordenadas entre si (onde nascera e [onde] se criara). Para Ricardo é obj. ind. de referência; daquela é compl. nom. de diferente, núcleo do predicativo do sujeito. Nas duas or. adj., onde é compl. adv. respectivamente dos verbos nascera e se criara, aqui transitivos adverbiais. 43. Per. comp. por sub. - Or. princ.: E apitava de longe um trem, de muito longe; apitava, núcleo do pred. verbal, é v. intr.; rrm trem é sujeito; de longe e de muito longe são adj. adv. de lugar. - A or. seguinte é sub. adv. consecutiva; suj.: o apito; o pred. é verbal: chegava é v. trans. adverbial; a ele é compl. adv. de lugar; como um toque de flauta é adj. adv. de comparação; de tão saudoso e de tão triste são adjuntos adv. de causa. 44. Per. comp. por sub. - Há mais de uma possibilidade de análise. l.a) Considerando-se o que expletivo, a or. principal será Este quintal não se limpa, e a or. sub. faz uma semana se classificará como adv. temporal. 2.a) A oração principal será faz uma semana (sem sujeito); que este quintal não se limpa será or. sub. adv. temporal (que equivalerá a desde que). 3.a) O período forma uma or. complexa que tem como sujeito a or. sub. que este quintal não se limpa (- a não-limpeza deste quintal), e o pred., faz uma semana; faz, v. tr. dir.; obj. dir.: uma semana. 45. Per. comp. por sub. - A or. sub. (que seu Alexandre lhe fora um achudo de primeira) é adv. consecutiva (que - de modo que). - Na or. princ., para ele é obj. ind. de referência; o pred. é nominal (tinha sido é v. de lig.; um inferno é predicativo do suj. a vida). - A or. sub. também é de pred. nom. (v. de lig.: fora; predicativo do suj. seu Alexandre: unt achado de primeira; adj. adn. de achada: um e de primeira; lhe é obj. ind. de referência). 46. Per. comp. por coord. e sub. - A l.a or., indep. coord. assind., é [Ele] foi se pegando [a ela] e está coordenada à seguinte, [ele foi] se grudando a ela, principal da 3.a, que é sub. adv. consecutiva (que [ele] não podia roais) e é, por sua vez, princ. de 2.° grau, pois contém uma or. sub. adv. temporal (quando [ele] abriu os olhos). Em todas as orações o suj. está elíptico (ele); na l.a, o obj. ind. a ela está igualmente elíptico, tal como o auxiliar foi na 2.a; o pron. se, nestas orações, é obj. dir. reflexivo; podia, na 3.a or., é v. tr. dir.; o pron. indef. mais funciona como obj. dir. [Compare-se com uma construção como "Deus pode tudo." e com este passo de Camões (Lr+s., III, 45): "Aos infiéis, Senhor, aos infiéis,/E não a mi, que creio o que podeis."]. 47. Per. comp. por sub. É uma or. complexa: o obj. ind. de dar é uma or. sub. subst. obj. ind. sem conectivo: a quem [a] tem; quem, pron. indef., exerce nessa oração a função de sujeito; o obj. dir. de tem está elíptico (a, pron. pess. referente a razão). 48. Per. simples, or. absoluta. Suj.: r+m carreiro do Coronel J. P. (núcleo: carreiro; adj. adn.: um e do Cel. 1. P.); pred.: agora mesmo me passou por aqui, verbal; o núcleo é passou, v. trans. adv.; por aqui é compl. aw. de lugar; agora é adj. adv. de tempo, reforçado pela palavra intensiva mesmo; me é obj. ind. de interesse. 49. Per. comp. por coord. e sub. - A l.a or. (Sou eleitor) é indep. coord. assind. à 2.a, complexa, uma vez que o obj. ind. de dou é uma or. sub. subst. obj. ind (a quem [eu o] quero [dar]: estão elípticos o v. principal dar, o seu suj. eu e o seu obj. dir. o; quero é v. aux. 50. Per. comp. por sub. e coord. É uma or. complexa, porquanto o suj. de ocorria, composto, é formado de' duas or. sub. subst. subjetivas: que a poder estivesse fora dele e [que o poder] de repente o abandonasse; esti vesse é aqui v. trans. adv. e fora dele é compl. adv. de lugar; de repente é adj. adv. de modo. 51. Per. comp. por sub., é uma or. complexa (o obj, ind. de convencer é uma or. sub. subst. obj. indireta: de que [eu] ouvia nomes tão feios); queria é v. aux.; o suj. de ambas as or. está elíptico (eu); me é obj. dir. de convencer. 52. Per. comp. por sub., é uma or. complexa: o suj. de parecia, aqui v. trans. ind., é uma or. sub. subst. subjetiva (que o purgatório fosse indispensável); me é obj. ind. 53. Per. comp. por sub. - Or. princ.: as mãos de Fr. Vasco lhe iam descendo da fronte (lhe é obj. ind. do v. trans. adv. descendo, que forma loc. verbal com o aux. iam; da fronte é compl. adv. de lugar. A or. sub. é adv. proporcional. 54. Per. comp. por sub. - Or. princ.: Fomos descendo devagar por entre a turba. - Or. sub. adv. modais red. de gerúndio coordenadas entre si (coordenação sindética alternativa): ore colando-nos às paredes e ara desviando-nos para o meio da rua; or. sub. adv. final: para dar lugar ae feminino. - Na or. princ., fomos descendo é loc. verbal; devagar é adj. adv. de modo; por entre a turba é adj. adv. de lugar. - Na l.a or. sub. modal, nos é obj. dir. reflexivo e às paredes, compl. adv. de lugar de colando, v. tr. dir. e tr. adv.; na 2.a, nos é também obj. dir. reflexivo, e para o meio da rua é compl. adv. de lugar, já que o v. desviando é ao mesmo tempo trans. dir. e adv.; na or. final, lugar é obj. dir. e ao feminino, obj. ind. de dar. Em todas as orações o suj. nós está elíptico. 55. Per. simples, or. absoluta. O suj. é indeterminado como o indica o pron. se; pode, v. aux., forma loc. verbal com o v. princ. distinguir, tr. dir. na voz ativa; obj. dir.: as raças; adj. adv. de meio: pelo cheiro. [Se o v. poder estivesse no plural, podem-se, a análise seria outra: teríamos um período simples, com o suj. as raças e o pred. podem-se distinguir péla cheiro, com o v. tr. dir. distinguir na voz passiva pronominal, formando locução com podem-se (= podem ser distinguidas).] 56. Per. comp. por sub. e coord., forma uma or. complexa, já que o obj. dir. de dizer, da or. princ. truncada, é uma or. sub. subst. obj. direta: yr+e são nozes do son)to das coisas. O suj. de dizer é indeterminado, indeterminação mostrada pelo pron. se; dizer, v. tr. dir., é o principal da loc. verbal com o aux. pode. - O suj. da or. sub. obj. dir., elíptico, é elas; o pred. é nominal; são é v,, de lig.; o predicativo do suj. é vozes do sonho das coisas; núcleo: vozes; do sonho é ad¡. adn. de vozes, e das coisas, adj. adn. de sonho. Há duas or. sub. adv. condicionais coordenadas entre si, numa coordenação aditiva (conectivo e) : 1) Se a água murmura; 2) e se as folhas sussurram. 57. Per. comp. por sub. Era .... que é uma expressão de realce e não exerce função sintática. A or. princ. (do v. esperava), truncada, forma uma or. complexa com a do v. ver, porque o obj. dir. de esperava é uma or. sub. subst. obj. direta: vd-la. A essa or. complexa está subordinada a or. adv. consecutiva de sa~te que tine rena pequena desilusão, que por seu turno é principal de 2.° grau da seguinte, quando ela assomou à porta, adv. temporal. - Assim é adj. adv. de modo; la é obj. dir. de rer; de sorte que é conect. de valor consecutivo; quando é conect. temporal; assomou é v. trans. adv., que tem como compl. adv. à porta. [Observe-se que a or. complexa poderia ser enunciada desta forma: "Eu esperava vê-la assim", sem prejuízo da sintaxe, mas com prejuízo estilístico.] 58. Per. comp. por sub. - Or. princ.: Vou comover as rochas; or. sub. adv. modal reduz. de inf.: coro Jacá-las de lágrimas. - A loc. verbal vou :aa TEXTOS PARA EXERCíCIOS DE REVIS~.O SOLUÇwO DOS EXERCICIOS DE REVISAO 185 comover (aux.: vou) tem o suj. elíptico (eu); comover é o v. princ„ tr. dir. (obj. dir.: as rochas). - Na or. sub., com é conect.; lavar é v. tr. dir. (suj.: eu elíptico; obj. dir.: tas); de lágrimas é adj. adv. de instru-. mento. 59. Per. comp. por coord. - Or. indep. coord. assindética: Nossos mortos estão sepultados em nós; or. indep. coord. sind. explicativa: que em vão os procuramos no cemitério. - Em nós é adj. adv. de lugar de estão sepultados, voz passiva de estado do v. sepultar; em vão é adj. adv. de modo; os é obj. dir. de procuramos (suj. elíptico: nós), v. tr. dir.; no cemitério é adj. adv. de lugar. 60. Per. comp. por coord. - Orações indep. coord. alternativas: 1) O rosto nos dissimula (assind.); 2) ou nos trai (sindét.); adj. adv. de conformidade: conforme o capricho da natureza. 61. Per. comp. por sub. - Or. princ.: Não julguemos; or. sub. adv. final: porque não venhamos a ser julgados. - O v. da or. principal, julguemos, tr. dir., está usado sem objeto direto. Na or. sub., o v. julgar, como trans. dir., forma uma loc. verbal na voz passiva (venhamos a ser julgados), com os v. auxiliares ser, próprio da passiva de ação, e venhamos a. Não se declara o agente; porque é conect. sub. final (verbo no subjuntivo). 62. Há dois períodos: um dele~ é uma oração intercalada (bem se sabe); o restante é um ne•~ cc~mp. por sub. Or. princ.: De nada aproveitam as leis; or. sub. adi cundiric~n:~l reduz. de gerúndio, complexa porque seu suj. é uma or. ~ui~. tiuh,t. whjeti~a: n~ro existindo [quem as ampare contra os anosos]. - -análise dai princ.: suj.: «s leis; pred. (verbal): de nada aproveitam; aproveitam é v. tr. dir.; obj. dir.: (de) nada. - Análise da sub. complexa: suj.: quem us ampare contra os abusos; pred.: não existindo (verbal, v. intr.). - Análise da sub. subjet;va: suj.: quem; pred.: as ampare contra o destino; ampare é v. tr. dir. e ind.; obj. dir.: as; obj. ind.: contra o destino. 63. Per. comp. por sub., constitui uma or. complexa, porquanto há um compl. nominal sob a forma de or. subordinada (de que eu não confiava na opinião pública). - Anál. da or. complexa: suj.: a min/fa renúncia perante ela (núcleo: renúncia; adjuntos adnominais: a, minha; compl. nom.: perante ela); pred. (verbal): importm•ia na confissão de que ... pública; importar é v. tr. ind.; obj. ind.: rra confissão de .. pública; núcleo: confissão; adj. adn.: a; compl. nom.: a oração seguinte. Anál. da sub. completiva nom.: de é conect. do compl, nom.; que é conect. da or. subst; suj.: eu; pred. (verbal): não conjinva na opinião pública; confiar é v. tr. ind.; obj. ind.: na opinião pública. 64. Per. comp. por sub., é uma or. complexa, pois o obj. dir. de diga é uma or. sub. subst. obj. direta. Anál. da or. complexa: suj.: Sinhcí Inácia; pred. (verbal): llre diga [se não chorei nurito] (o qne é expletivo, não exerce função sintática); diga é v. tr. dir. e ind.; obj. dir.: a or. seguinte; obj. ind.: lhe. - Anál. da or. subjetiva: o se é conect; suj. (elíptico): eu; pred.: não chorei muito; chorar é v. ìntr.; não é adj. adv. de negação e muito, de intensidade. 65. Per. comp. por sub. Ha duas or, sub.: 1) Se embarcou, adv. condicional; 2) porque ela lhe jurou isso, adv. causal. Foi é um verbo vicário, que vale por ernharcou, or. principal. O suj. da condicional e da principal está elíptico: ele; o v. embarcar é intransitivo. - Na or. causal, o v. jurou é tr. dir. e ind.; obj. dir.: isso; obj. ind.: lhe. 66. Per. simples, or. absoluta. - Suj.: ele (elíptico); pred. (verbal): não me deu resposta d segunda carta; dar é v. tr. dir. e ind.; obj. dir.: resposta à segunda carta; obj. ind.: me; compl. nom. de resposta: à segunda carta; não obstante é adj. adv. de concessão. 67. Per. comp. por sub. Or. princ.: Também se adormece a fome; or. sttb. adv. comparativa: como (se adormece) às crianças; or. sub. adv. modal reduz. de gerúndio: cantando. - A existência de preposição em às crianças indica claramente que se trata de obj. dir. preposicionado, e não de suj. passivo, e coerentemente se deve estender a mesma interpretação à or. principal; a fome será obj. dir. de adormece, cujo suj. é indeterminado (o pron. se indica essa indeterminação). Também é adj. adv. de inclusão. 68. Per. comp. por sub., é uma or. complexa. Suj. (oracional): Quem escolhe os meus amigos; pred.: sou eu (nominal); sou é v. de lig.; eu é pred. do suj. oracional. - Anál. da or. sub. subst. subjetiva: suj.: quem; pred.: escolhe os meus amigos (verbal); o v. escolher é tr. dir.; ob. dir.: os meus amigos. 69. Per. comp. por sub. Novamente estamos diante de um verbo vicário (é), que, na análise, deve ser substituído por deixou, a que equivale, e que sintaticamente é a or. principal: "Se ele deixou tudo a você, deixou(-o) (por)que o achou melhor que eles." - A oração iniciada pela conj. se é sub. adv. condicional; a introduzida pela conj. que (- porque) é causal. Que eles é adj. adv. de comparação. 70. Per. comp. por sub. É uma or. complexa, com termo essencial em forma de oração subordinada, o suj.: que nos persuadíssemos [de que os princípios são tudo] [e (de que) os homens (são) nada]; pred. (nominal): era indispensável. A oração sub. subjetiva é também complexa, com termos integrantes em forma de or. sub., os dois objetos indiretos de persuadíssemos: 1) de que os princípios são tudo, e 2) e (de que) os homens (são) nada. Estas duas or. objetivas indiretas estão coordenadas entre si mediante a conj. e; na 2.a estão elípticos os conectivos subordinativos de e que e o verbo de ligação (são). 71. São dois períodos. 1.°) Disse-lhe onde estava: per. comp. por sub. é uma or. complexa (o obj. dir. de disse é uma or. sub.: onde estava). 2.°) Quis roer quem era: per. comp. por sub., é também uma or. complexa, com o obj. dir. de ver sob a forma de or. subordinada (quem era). - No L° per., disse é v. tr. dir. e ind. (obj. ind.: lhe), com o suj. elíptico (ele); a or. objetiva direta onde estava também tem o suj. elíptico ele; o pred. é verbal; estava é v. trans. adv.; compl. adv. de lugar: onde. - No 2.° per., o suj. ele está elíptico; o pred. da or. complexa é formado do a,u x. quis e do v. principal ver, tr. dir.; a or. objetiva dir. também tem elíptico o suj. ele; o pred. é nominal; era é v. de lig.; quem é predicativo do sujeito. 72. Per. comp. por sub., or. complexa. Suj.: os mortos; pred. (verbal): ficam bem [onde caem]; f ficam é v. trans. adv. e seu compl. adv. é a oração locativa onde caem (suj. elíptico: eles; pred.: onde caem, verbal; cair é v. intr.; onde é adj. adv. de lugar). 73. Per. comp. por subord. e coord. É uma or. complexa, cujo predicado é Acontece (v. intrans.). O suj. é composto de duas or. sub. coordenadas entre si: 1) que, [encetado um trabalho], cria-lhe a gente amor; 2) e (guel só com pena (a gente) o deixa. Encetado um trabalho é or. sub. adv. temporal reduz. de particípio (suj.: um trabalho; pred.: encetado). Análise da l.a or. sub. subst. subjetiva: suj.: a gente; pred. (verbal): cria-lhe amor; cria é v, tr. dir. e ind.; obj. dir.: amor; obj. ind.: lhe. - Anál. da 2.a subjetiva: suj.: a gente (elíptico); pred. (verbal): só com pena o deixa; SOWÇnO DOS EXERCfCIOS DE REVISnO 187 80. deixa é v. tr. dir.; obj. dir.: o; com pena é adj. adv. de modo; só é adj. adv. de exclusão. 74. Per. comp. por sub. - Or. princ.: Lamartine não abdicou os seus direitos de crítico. Or. sub. adv. de concessão reduz. de infin.: com ser grande poeta. - Na or. princ., observe-se a predicação de abdicou, aqui trans. direto; de crítico é adj. adn. de direitos, núcleo do obj. direto. 75. Per. comp. por coord. - A conj. mas, no início do período, está coordeando-o adversativamente a um período anterior. - As duas or. são indep., coord. assindéticas aditivas. Análise da l.a: suj.: ele; pred. (verbonominal): essa mãe não a compreendia grande e majestosa; núcleo verbal: compreendia, v. tr. dir.; obj. dir.: essa mãe, antecipado, e, pleonástico, a; núcleos nominais: grande e majestosa, predicativos do obj. dir. - Anál. da 2.a: suj.: ele; pred. (verbonominal): a queria de minúsculo porte; núcleo verbal: queria, v. tr. dir.; obj. dir.: a; núcleo nominal: de minúsculo porte, predicativo do obj. direto. 76. Per. comp. por coord. e sub. - Há duas or. complexas coordenadas aditivamente, a l.a assindética, a 2.a sindética (conjunção e). - Análise da l.a: não tem sujeito; a palavra eis, de valor transitivo direto, equipara-se a um verbo, e tem como obj. dir. as duas cousas [por que mais se apaixonam os homens], ao qual servem de aposto a religião e a política; o núcleo do obj., corrsns, tem os adj. adnominais as, duas e a or. sub. adj. restritiva por qae mais se apaixonam os homens (suj.: os homens; pred. verbal: por qae mais se apuixorram; v. pronominal tr. ind.: se apaixoruun; o pron. se não se separa do verbo; obj. ind.: por que). 77. Per. comp. por sub. - Ai de ruim!, interjeição, como expressão emotiva não se presta a análise. Or. princ.: não o poderia fazer; suj. elíptico: eu; pred.: não o poderio fazer, verbal; v. principal: fazer, tr. dir. (obj. dir.: ~), que forma locução com o aux. poderio. Orações subordinadas: 1) Adv. concessiva: quando (- ainda que) o quisesse (fazer); suj.: eu (elíptico); pred. verbal: o qr+isesse (fazer) (o v. principal, tr., dir., está elíptico); obj. dir.: o. 2) Adv. causal (desfeita a inversão): que sou átomo deste grande sistema de opinião; que (- porque) é conectivo subordinativo; o suj. eu, elíptico, está implícito na forma verbal sou; o pred. é nominal; núcleo: átomo; sou é v. de lig.; deste grande sistema de opinião é compl. nominal de átomo (Cf. a estrutura verbal participo deste sistema.); adjuntos adnominais de sistema: este, grmrde e de opinião. 3) Adj. restritiva: de cuja translação participo. Suj.: eu, elíptico; o pred. é verbal; participar é v. tr. ind.; obj, ind.: de cuja translaçãc; cuja é adj. adn. de translação. 78. Per. comp. por coord. - A l.a or., Fez mul, é indep. assindética, coord. à 2.a (suj.: ele, elíptico; pred.: fez mal, verbal; fez é v. tr. dir.; obj. dir.: mal); a 2.a, que erva ruim tem assombrosa vitalidade, é indep. coord. sindét. explicativa (suj.: erra ruim; pred.: tem assombrosa vitalidade, verbal; tem é v. tr. dir.; obj. dir.: assombrosa vitalidade; qr+e é conect. coordenativo). 79. Per. comp. por sub., forma uma or. complexa porque um termo integrante da or. princ. truncada é uma or. sub. adj. restritiva (que u lei .... recusa a qualquer cidadão). - O v. da or. complexa, arrogo, é tr, dir. e ind.; se é obj. ind.; direitos [que a lei .... cidadão] é obj. dir. - O v. da or. sub., recusa, é tr. ind.; obj. ind.: u qr+algrrer cidadão; discretamente é adj. adv. de modo. Per. comp. por sub. - Or. princ.: Eu também quero ser um dos reis da opinião; suj.: eu; pred. nominal: quero ser ... , opinião; o v. quero, aux., forma loc. verbal com o v. ser, de ligação; predicativo do suj.: um dos reis da opinião; da opinião é compl. nom. do núcleo reis. - Or. sub. adv. causal: desde que para essa realeza não se exigem preparatórios; suj.: preparatórios; pred.: para essa realeza não se exigem, verbal; o v. exigir está na voz pass. pronominal; para essa realeza é adj. adv. de fim; desde que é conect. sub. causal (verbo no indicativo). ' 81. Per, comp. por sub. - Or. princ.: E ele sempre os desdenhou (suj.: ele; pred. verbal: sempre os desdenhou; desdenhar é v. tr. dir.; obj. dir.: os; adj. adv. de freqüência: sempre). A conj. aditiva inicial liga o período a um anterior. - Or. sub. adj. restritiva: cujas .idéias liberais pareciam dever proporcionar-lhe os aplausos da turba (suj.: cujas idéias liberais; cujas e liberais são adj. adn. do núcleo idéias; o pred. é verbal, e seu núcleo, o v. tr. dir. e ind. proporcionar, forma loc. verbal com os aux. pareciam e dever; obj. ind.: Ilre; obj. dir.: os aplausos da turba; os e da turba são adj. adn. de aplausos. - Or. sub. adv. condicional: desde que lhes tivesse de sacrificar a idéia o+r o sentimento íntimo; suj.: ele, elíptico; o pred. é verbal, e o seu núcleo, o v. sacrificar, tr. dir. e ind., forma loc. verbal com o aux. tivesse de; obj. ind.: lhes; obj. dir. composto: a idéia ore o sentimento íntimo; desde que é conect. sub. condicional (verbo no sub juntivo). 82. Per. comp. por sub.; é uma or. complexa, já que o obj. dir. de sei, da or. princ. truncada, é uma or. sub. subst. obj. direta; há outra or. sub. (saindo de um poço) adj. restritiva. - O suj. da or. complexa é eu, elíptico; o pred. é verbal: [a verdade] sei (que a pintam nua]; a or. sub. obj. direta (que a verdade a pintam nua) tem o suj. indeterminado (verbo na 3.a pessoa do plural); o pred. é verbonominal; núcleo verbal: pintam, v. tr. dir. (obj. dir.: a verdade, antecipado, e a, pleonástico); núcleo nominal: nua, predicativo do obj. dir. O suj: da or. adj. restritiva é ela, elíptico; saindo, v. trans. adv., tem como compl. adv. de lugar de um poça. 83. Per. comp. por sub. - Or. princ.: O ridículo cura (suj. o ridícula; pred.: atra, verbal, v, intr.). Or. sub. adv. condicional: quando (ele) não mato: o pred. é verbal; mata, é v. intr.; quando é conect. sub. de valor condicional, e não temporal. 84. Per. comp. por coord. - Há dois conjuntos de orações coordenados assindeticamente, cada um deles formado de duas or. indep. coordenadas; a l.a de cada conjunto é assindética (Dá-rne apoio e dá-me seiva); a 2.a, sindética aditiva. Cumpre observar que as duas or. sindét. introduzidas pela conj. aditiva e têm valor conclusivo-consecutivo. 85. Per. simples, or. absoluta. - O suj. é indeterminado, como o indica o pron. se referido ao v. está, aqui tráns. adv., que tem como compl. adv. de lugar no oco do mwrdo; de uma hora para outra é adj. adv. de tempo. 86. Per. comp. por sub. - Or. princ.: O Marcondes continuava a dormir. O pred. é verbal, formado por uma loc. verbal (v. princ.: dormir; v. aux.: continuava a). Or. sub. adv. concessiva: posto que as janelas tivessem ficado abertas; posto que é conect. sub. concessivo; o pred. é verbal (v. de lig.: ficar; predicativo do suj. as janelas: abertas). 87. Per. comp. por sub.; é uma or. complexa, pois contém uma or. sub. adj. restritiva (que se lhe oferecera), sem a qual a or. princ. fica truncada. Há também uma or. sub. final reduz. de infin.: a mitigar as vicissitudes da sorte. - O pred. da or. complexa é nominal (v. de lig.: fora; predicativo do suj. o emprego público: a única franquia [que se lhe oferecera]: para ele é obj. ind. de referência). Suj. da or. adj.: que; o pred. é verbal; oferecer é v. fr. dir. e ind.; obj. dir. reflex.: se; obj. ind.: lhe. O suj. da SOLUÇwO DOS EXERCICIOS DE REVISdO 189 or. adv. é ele, elíptico; o pred. é verbal: v. mitigar, tr. dir.; obj. dir.: a.r vicissitudes da sorte; da sorte é adj. adn.; a é coneet. subordinativo. 88. Per. comp. por sub. - Or. princ.: cKStava em desvanecer-se daqueles 'sonhos (suj.: ele, elíptico; o pred. é verbal, formado do v. princ. desvanecer, tr. dir. e ind., e do aux. custava em; obj. dir. refl.: se; obj. ind.: daqueles sonhos). Or. sub. adv. temporal: quando acbrdrva; a conj. e que introduz o período coordena-o ao anterior. 89. Per. comp. por sub. É uma or. complexa. Suj.: saber [se tudo aquilo melhorou], or. sub. subst. subjetiva, também complexa, visto que o obj. dir. de saber é uma or. sub. subst. obj. direta. O pred. é verbal: procura-se, v. tr. dir. na voz pass. pron. (se é pron. apassivador). - Suj. da or. sub. subst. subjetiva: tudo aquilo; pred. (verbal) melhorou, v. intr.; se é coneet. subordinativo. 90. Há três per. simples, três or. absolutas. Em todas o lhe é obj. ind. de referência. Na l.a, com força é adj. adv. de modo; na 2.a, a sangue é também adj. adv. de comparação (- como sangue). 91. Aquela mina de ouro, com que se inicia o período, não tem continuidade sintática na or. complexa que se segue: é um anacoluto. O suj. da or. complexa é ela, e o pred. (verbal), não ia deixar [que outras espertas (lhe) botassem as mãos], estando subentendido 0 obj. ind. lhe; deixar é ~. rr dir. e forma loc. verbal com o aux. ia; seu obj. dir. é a or. sub. subst. c;ue tem como suj. outras espertas; o pred. (verbal) é (lhe) hunrr é v. tr. dir. e ind.; obj. dir.: as mãos; obj. ind.: ~nacoluto, que não tem característica formal de obj, ind., ;ndispensável preposição. 92. H~í dois periodus. O 1.°, Ricardo fugiu, é simples (or. absoluta). O 2.° é composto, e constitui uma or, complexa, cujo suj. é uma or. sub. subst. subjetiva (como se comentava a saída dele para outras terras). O pred. é verbal: era assim; era está em função vicária (- comentava-se assim), como v. tr. na voz pass. pronominal; assim é adj. adv. de modo. (Entenda-se: "Como se comentava a saída dele para outras terras? Comentava-se assim: Ricardo fugiu.") - A or. sub. tem como suj. a saída dele para outras terras (a e dele são adj. adn.; para outras terras é compl. nom. de saída. O pred. é verbal; o v, comentar, tr. dir., está na voz pass. pron.; se é pron. apassivador; como é adj. adv. de modo. 93. Per. comp. por sub. - Or. princ.: Fitavam o azul do céu; suj.: eles, elíptico; o pred. é verbal; f fitar é v. tr. dir.; obj. dir.: o azul do céu; o e do céu são adj. adn. do núcleo azul. - Orações subordinadas: 1) a perguntar [de onde vinha .... tempo], adv. modal e reduz. de infin., complexa (suj.: eles, elíptico; pred. verbal: a perguntar tempo; perguntar é v. tr. dir.; obj. dir.: a or. seguinte; 2) de onde vinha tempo, subst. obj. direta (suj.: aquela noite adiantada no tempo; núcleo: noite; adj. adn.: uquela e adiantada no tempo; no tempo é adj. adv. de referência; pred. verbal: de onde vinha; vir é v. trans. adv.; de onde é compl. adv. de lugar. 94. Per. comp. por sub., é uma or. complexa. Suj.: a moça; pred.: sente [envolver-se nrnna nuvem de melancolia] (verbal); sentir é v. tr. dir.; obj. dir.: a or. sub. subst. entre colchetes, que tem o suj. elíptico (ela); o pred. é verbal; envolver é v. tr. dir.; obj. dir. refl.: se; numa nuvem de melancolia é adj. adv. de lugar, umu e de melancolia são adj. adn. do núcleo nuvem. (Compare-se: "A moça sente que se envolve numa nuvem ....".) 95. Per. comp. por coord. - l.a or.: A pobreünhu mal podia atravessar a rua, indep. coord. assind.; o pred. é verbal: atravessar é v. tr. dir. em locução com o aux. podia; obj. dir.: u rua; mal (- com esforço) é adj. adv. dé modo. - 2.a or.: (ela) sentia-se perseguida pelos homens, indep. coord. assind.; o pred. é verbonominal: núcleo verbal: sentia, v. tr. dir.; obj. dir. reflex.: se; núcleo nominal: perseguida; adjetivo verbal, predicativo do suj.; pelos homens: agente da passiva. 96. Per. comp. por coord. e sub. - l.a or.: O Lula fechou a porta, indep. coord. assind. 2.a or.: (ele) fez sinal [que esperássemos], complexa, coord. à l.a, assind.; que esperássemos é or. sub. adv. final (observe-se o v. no subjuntivo; que = para que). 97. Per. comp. por coord: e sub. Há três or. coord. entre si: l.a) (Ela) irrompia de dentro de estabelecimentos de modas (indep.); 2.a) (ela) fazia sinal [(de) que não demorava] (complexa); 3.a) (ela) reentrava. (indep.). Em todas as or. o suj. (ela) está elíptico. O pred. da l.a é verbal: irromper é tr. adv.; compl. adv. de lugar donde: de dentro de estabelecimentos de modas. O da 2.a também é verbal: fazer é v. tr, dir.; obj. dir.: sinal [(de) que (ela) não demorava]; (de) que (ela) não demorava é or. sub. subst. completiva nominal (observe-se o v. no indicativo); está elíptica a prep. de introdutora do compl. nominal; que é conectivo subordinativo integrante. 98. Per. comp. por coord. e sub. - Há três or. coord. entre si: l.a (Eu) retirei a pesada mala do guarda-roupa, principal, assindética, a que está subordinada a or. adv. temporal ao chegar (eu) ao apartamento, reduz. de infin.; 2.a) (eu) girei a chave, indep. assind.; 3.a) e (eu) destravei os f echos, indep. sindét. aditiva. 99. Per. comp. por coord. e sub. - O 1.° conjunto, formado de or. princ. mais or. sub. adv. temporal (Vanda cantava no banheiro enquanto se en xugava), está coordenado ao 2.°, formado de or. princ. mais or. sub. adv. final (era para embalar). - Era é verbo vicário, e na análise deve levar-se em conta o que ele substitui: cantava, intransitivo. 100. Per. comp. por sub., é uma or. complexa cujo v. princ., contar, tr. dir., forma loc. com o aux. quis. O adj. adv. de causa (com receio emis sora) contém uma or. sub. subst. cpmpletiva nom. (de que Américo não tivesse a força .. emissora), por sua vez complexa, já que o adj. adn. de força (que dizia [ter na emissora]) é também uma or. suba adj. restr. complexa, pois o obj. dir. de dizia é igualmente or. sub.: ter (que) na emissora. O pron. rel. yrte, introdutor da or. adjetiva, vem a ser obj. dir. de ter, na or. subst. obj. direta. Observe-se o entrelaçamento sintático no. esquema: ORAÇÃO COMPLEXA (Ela) não quis contar vantagem, com de que Américo não tivesse a força [que] (ele) dizia 1 (ele) ter (q u e) na emissora. OR. SUB. SUBST: OBJ. r)IR. OR. SUB. ADJ. RESTRITIVA ORAÇÃO SUB. SUBSTANTIVA COMPL$TIVA NOMINAL l9 cX I OS PARA EXERCíCIOS DE REVISãO i 01. Per. comp. por sub. - Or. princ.: A amargura enchia os seus nervos. - Or. sub. adv. temporal: havia unos (havia é verbo impessoal, sem sujeito, tr. dir.; obj. dir.: anos). 102. Per. comp. por sub. - Or. princ.: O poeta gostava de sair sozinho pelo campo. O v. princ. sair. forma loc. verbal com o aux. gostava de. O predicado é verbonominal, pois além do núcleo verbal, sair, tem o núcleo nominal, sozinho, predicativo do suj. o poeta. - Orações subordinadas: 1) Embora soubesse [estar ganhando fama de louco], adv. concessiva, complexa porque o obj. dir. de soubesse é oracional; 2) estar ganhando fama de louco, subst. obj. direta. - Ao cair da tarde, que poderia classificar-se como or. sub. adv. temporal, mais simplesmente se classifica como adj. adv. de tempo, uma vez que o verbo está substantivado pelo artigo o (da tarde é adj. adn. da forma nominal cair). 103. Per. comp. por sub. - Or. princ.: (Ela) corria ao lavatório (correr é v. tr. adv. e ao lavatório, compl. adv. de lugar. - Orações subordinadas: 1) sempre que (ela) saía do quarto das filhas ou das criadas, adv. temporal (sair é v. tr, adv. e do quarto .... compl. adv. de lugar donde); 2) para (ela) lavar v rosto e as mãos, adv. final reduz. de infin.; 3) a (eln) ver [se assim (ela) evitava /(ela) levar consigo os micróbios/ /que poriam em risco a vida do menino/], adverbial final, complexa, porquanto 0 obj. dir. de ver é oracional; 4) se assim (ela) evitava menino, subst. obj. dir., complexa: o obj. dir. de evitava é oracional; 5) (ela) levar consigo os micróbios .... do menino, subst. obj. direta, também complexa, pois o adj. adn. de micróbios é oracìonal; 6) que poriam em risco a vida do menino, adj. restritiva (o pron. rel. que é suj.); poriam em risco pode considerar-se um conglomerado verbal transitivo direto (obj. dir.: a vida do menino). 104. Per. comp. por sub., é uma or. complexa. - Suj.: que os jogadores se deixem manejar por quem sabe, or. sub. subst. subjetiva, complexa, cujo verbo, deixem, tr. dir., tem como obj. dir. a or. sub. subst. objetiva direta se manejar por quem sabe, também complexa, uma vez que contém a or. sub. subs:. agénte da passiva por quem sabe. Observe-se que o v. manejar, embora na forma da voz ativa, tem valor passivo, tanto que possui agente da passiva (oracional). - Pred.: é preciso, nominal; v. de lig.: é; predicativo do suj. oracional: preciso. 105. Per, simples, or. absoluta. - O v. custar pode ser considerado auxiliar, formando, pois, loc. verbal com o principal encontrar. 106. Per. simples, or, absoluta. - O suj. é indeterminado (pron. se) O pred. é nominal; v: de lig.: é; predicativo do suj.: feliz; adj. adv. de lugar onde: em parte alguma. 107. Per. comp. por sub., forma uma or. complexa. - Suj.: o poder autoritário. Pred.: é um veneno [que cega] e [(que) corrompe os /que o detêm/]. As or. sub. adj. restritivas dos verbos cega e corrompe estão coordenadas entre si, numa coordenação sindética aditiva; os [que o detêm] é obj. dir. de cega e corrompe simultaneamente; que o detêm, or. sub. adj. restr., é adj. adn. do núcleo os, pron. demonstrativo. ABREU, Casimiro de. Obras, 2.a ed., por Sousa da Silveira. Rio de Ja neiro, Casa de Rui Barbosa, 1955. AIRES, Matias. Reflexões sobre a Vaidade dos Homens. Rio de Janeiro, J. Leite Ribeiro, s.d. Fac-símile da l.a edição. Lisboa, 1752. RVH. ALMEIDA, José Américo de. A Bagaceira, 13.a ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1974. Bag. ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um Sargento de Milícias. Rio de Janeiro, INL, 1944. MSM. AMADO, Jorge. Mar Morto, 49.a ed. Rio de Janeiro, Record, 1979. MM. ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos de Aprendiz. Rio de Janeiro, José Olympio, 1951. - .Fazendeiro do Ar e Poesia até Agora, 22.a ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1957. Faz. ANJOS, Cyro dos. Explorações no Tempo. 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Indice analítico (Os números remetem aos parágrafos) Rio Adjetivas, orações, 109-116; classificação, 110; formas de expressão, 111-113; circunstanciais, 114; desenvolvidas, 112; explicativas, 110 (2); justapostas, 112, 2.°; reduzidas, 113; de gerúndio, 113; 2.°; de infinitivo, 113, L°; relativas, 112, 1 °; restritivas, 110 (1) ; valor, 109. Adjunto adnominal, 74-76; conceito, 75; formas de expressão, 76. Adjunto adverbial, 77-78; classificação, 78. conceito, 77; Adverbiados, verbos, 45. Adverbiais, orações, 117-155; classificação, 121-155; formas de apresentação, 117-120; - desenvolvidas conexas, 118; - desenvolvidas sem conjunção, 119; - reduzidas, 120; sua classificação variável, 155. Adversativas, orações, 97 (2). Agente, 40, 6; 42. Agente da passiva, 70-71; orações com a função de -, 108 (7); regido pelo preposição de: mod. 10; mod. 19. Alternativas, orações, 97 ( 3 ) . Anacoluto, 158. Análise sintática: definição, 8-9; finalidade, 10. Apositivas, orações, 108 (6). Aposto, 79-82; aparente, 83-87; predicativo atributivo, 83; predicativo circunstancial, 84; comparativo, 79, d; de especificação, 81-82; de oração, 80; enumerativo, 79, b; explicativo, 79, a; resumidor, 79, c. Aspecto verbal: expresso por verbos de ligação: aparente, 56 (5); -~ durativo, 56 (4); 198 fNDICE ANALfTICO permanente, 56 (1) ; permansivo, 56 ( 3 ) ; transitório, 56 (2); expresso por verbos auxiliares: aparência, 59 ( 3 ) , f ; consecução, 59 (3), e; duração, continuação, progres são, 59 (2), c; futuro próximo, 59 ( 2 ) , e; intenção, 59 (3), d; momento final, 59 (2), d; momento inicial, 59 ( 2 ) , a; necessidade, 59 (3), c; possibilidade, capacidade, 59 (3), b; repetição, hábito, 59 ( 2 ) , b; volição, 59 ( 3 ) , a. Auxiliares, verbos, 57-60; - aaurativos ou determinativos, 59 (2); - causativos e sensitivos, 59, in fine; 1108 (2), c; - modais, 59 ( 3 ) ; - temporais, 59 (1) . Bitransitivo, verbo, 42, obs. 1. Causais, orações, 122-125; - conexas, 122; - reduzidas, 124; - sem conectivo, 123; diferença entre causais e explicativas, 125. Causativos, auxiliares, 59; 108 (2), c, obs. chamar ( regência) , 36, obs.; com predicativo do objeto, mod. 9. como ( advérbio interrogativo ) introduzindo oração substantiva, mod. 44. Comparativas, orações: conceito, 126; tipos: assimilativas, 127, 1.°; quantitativas, 127, 2 °; elipse. do verbo nas -, 127, obs. Complemento adverbial, 69; 144. Complemento nominal, 72-74; mod. 1; complemento nominal e adjunto adnominal, 74; conceito, 72; relação formal e relação semân tica, 73; Complementos verbais, 61-71. Completivas nominais, orações, 108 (4). Concessivas, orações, 128-131; classificação: desenvolvidas, 129-130; - simples, 129; - intensivas, 130; reduzidas, 131. conceito, 1-28; Conclusivas, orações, 97 (4). Condicionais, orações, 132-135; classificação: desenvolvidas, 133-134; - conexas, 133; - sem conectivo, 134; reduzidas, 135. conceito, 132; Conformativas, orações, 136. Consecutivas, orações, 137-140; classificação: desenvolvidas, 138; correlatas, 139; reduzidas, 140. conceito, 137; de regendo o agente da passiva: mod. 10; mod. 19. Desenvolvida, oração, 94. e com valores não-aditivos, 98. eis que... (sua análise), 164. Elipse, 22. entretanto com valor adverbial, 97 (2), obs. "Era uma vez um rei" (sua aná lise), 160. Explicativas, orações, 97 (5); diferença entre explicativas e cau sais, 125. Finais, orações, 141-143; classificação: desenvolvidas, 142; reduzidas, 143. conceito, 141; Frase, 11; 13-14. Gerúndio: em oração adjetiva, mod. 50; orações reduzidas de -, 97 (1), e; 113, 2.°; 124, 2.°; 131, 2 °; 135, 2.°; 147; 153, 2.°; 155. Há muito tempo (que)... (sua análise), 152. Haplologia sintática, 156. Infinitivo dependente de verbos cau sativos e sensitivos, mod. 42; mod. 45. informar (regência), mod. 16. Interferentes, períodos, 99; mod. 37. Intransitivo, verbo, 41; 42, obs. lembrar (regência), mod. 25; mod. 26. lhe como obj. ind. de referência, mod. 24. Ligação, verbo de, 55-56. Locativas, orações, 144. Locução verbal, 57-58; mod. 17. Modais, orações, 145-147. Núcleo, 21; - do sujeito, 25. Objetivas diretas, orações, 108 (2). Objetivas indiretas, orações, 108 (3). Objeto direto, 61-65; conceito, 61-62; formas de expressão, 63; - interno ou intrínseco, mod. 27; - pleonnástico, 65; mod. 23; - preposicionado, 64; mod. 22; - recíproco, mod. il; - reflexivo, mod. 12. Objeto indireto, 66-68a; conceito, 66; formas de expressão, 67; - de interesse, 66, g; - de referência, 66, e; mod. 24; - duplo,, 68; - pleonástico, 68a. Oração, 1; 13; absoluta, 16; bimembre, 23; complexa, 20; 93; 95 ( 3 ) ; l 16; coordenada, 95; desenvolvida, 94; - independente, 16; 18; 95 (1) ; - intercalada, 15; 93; 95 ( 3 ) ; - principal, 19; 20; - reduzida, 94; 23; 29; 30; mods. - sem sujeito, 2 e 17; subordinada, 19; unimembre, 23. Orações independentes coordenadas: - assindéticas, 96 (1) ; mod. 32; mod. 36; - sindéticas, 96 (2); mods. 33, 34 e 35; classificação, 97. Orações intercaladas, 99. Orações interferentes, 99. Orações subordinadas, 100-155; classificação, 102-155; conceito, 100; coordenadas, 95 (2); valor, 101; - adjetivas, 109-116; - circunstanciais, 114; - adverbiais, 1177-1.55; - substantivas, 102-108; reconhecimento, 108 (7), obs. 2. Paciente, 42 (2). parecer (regência), 108 (1 ), obs.; como auxiliar, mod. 20; como v. de ligação, mod. 21; como v. intransitivo, mod. 41. Passiva (V. Voz passiva). Passiva impessoal, 51, obs. Período, 15; - composto, 17; 89-92; fNDICE ANALfTICO 199 200 fNDICE ANALfTICO INDICE ANALtTICO 201 misto, 92; Pronominal, do Seqüência, 4-5. desenvolvidas conexas, 150; por coordenação, 90; conjugação: ser (predicação): desenvolvidas sem conectivo, por subordinação, 91; v. de ligação, 55; 151; para indicar indeterminação sujeito, 29 (2). - simples, 16. que para indicar passiva, 50; v. intransitivo, 160; reduzidas, 153; como objeto do anterior, 105. que vicário, 161. conceito, 149. Silepse, 159. tomara que... (sua análise), 164. Sintagma, 1-4; 6-7; 13. Transitividade, 42, obs. 1 e 3. - e seqüência, 4; Transitivos, verbos, 41; 42, obs; - oracional, 1; - bitransitivos, 54; - suboracional, 2; - circunstanciais, 42, obs. 2; - superoracional, 3; - diretos, 42-52; depreensão dos sintagmas, 7. - indiretos, 53. Subjetivas, orações, 108 (1) . Verbos de ligação, 55-56. Substantivas, orações: Vicário, 161. classificação, 108; virar (v. de ligação), mod. 18. formas de apresentação, 102-107; Vocativo, 88. - conexas, 103; - reduzidas, 107; Proporcionais, orações, 148; correlatas, 148 (2); simples, 148 (1) . (conjunção): causal, 122, obs.; comparativa, 127, 2.°; Pleonasmo, 157. Predicação verbal, 38-60; classificação, 39; definição,- 38; variação, 60; verbos auxiliares, 57-59; verbos de ligação, 55-56; verbos intransitivos, 40; verbos transitivos, 41; adverbiais, 45; bitransitivos, 44; diretos, 42; voz, 46-50; concessiva, 130, obs. 1; consecutiva, 138; 139; explicativa, 97 (5), b; final, 142; integrante, 103; 108; temporal, 152, 2.°. (pronome relativo): indiretos, 43-44. quem - sem conectivo, 104-106. Voz ativa, 45. Predicado, 24; 31; funções sintáticas, 115. Sujeito: Vozes verbais, 46-54. - nominal, 32 (1) ; (pron. indefinido) definição, 24; Voz medial, 51. - verbal, 32 (2); introduzindo orações substantivas, - composto, 27; -Voz passiva, 46-48; 104; 108 (1) , b; - verbonominal, 32 ( 3 ) . 5 ) . Reduziddas, - elíptico, 28; - analítica, 48-49; Predicativas, orações, 108 ( idem orações adjetivas, mod. 49. - indeterminado, 29; 51-52; - com auxiliar, 48-49; Predicativo: orações, 94; mod. 5; - impessoal, 51, obs.; aditivas, 97 (1), e e f; - inexistente, 30; - pronominal, 50; adjetivas, 113:, - simples, 26; - sintética, 50. adverbiais: núcleo, 25. Voz reflexiva, 53. causais, 124; Temporais, orações, 149-153; Zeugma, 22, in fine. concessivas, 131; classificação: condicionais, 135; consecutivas, 140; finais, 143; locativas, 144; modais, 147; temporais, 153; definição, 33; - atributivo, 83; 86; - circunstancial, 84-87; 154; - com o v. chamar, 36, obs.; - do objeto, 34; 36; mods. 8 e 9; - do sujeito, 34; 35; mods. 4 e 29; - preposicionado, 37. Principais, verbos, 38-56. Principal, oração, 19, 93. Pronome átono sujeito de infinitivo, verbo, mod. 13. ( 5 ) sintá função nas orações adjetivas, 115; Pronomes relativos (função função numa oração substantiva, tica) ; adjunto adnominal, 115 1 16. adjunto adverbial, 115 (7); (6 ) ; se (em orações de sujeito indeter agente da passiva, 115 (8); complemento nominal, 115 se minado), 52. (3), b. (palavra de realce), 54 objeto direto, 115 (2); se (pronome apassivador), 50. - objeto indireto, 115 (3); 116. se (pronnome pessoal): predicativo, 115 (4); objeto direto, 53; 54; objeto indireto, 54, obs. 3; sujeito de infinitivo, 108 (2), obs. sujeito, 115 (1) ; com função noutra oração, 108 ( 2 ) , obs. mod. 45. Pronome pessoal integrando 0 - substantivas, 108. Relativos, pronomes:: 202 fNDICE GERAL 203 Verbos transitivos indiretos 30 31 32 i Indice geral Verbos transitivos diretos e indiretos simultaneamente Verbos transitivos adverbiais Sumário 3 Construções especiais dos verbos transitivos diretos - as vozes verbais 33 Adverténcia 5 Voz ativa e voz passiva 33 1. Noções básicas preliminares 9 Voz ativa 34 Voz com auxiliar (analítica) 34 passiva O sintagma 9 Voz passiva pronominal (ou sintética) 35 Sintagma e seqüência 10 Sintagma e análisé sintática 12 Extensão do emprego da conjugação pronominal: oração de sujeito indeterminado 36 Que é análise sintática 12 Finalidade da análise sintática 13 Conjugação pronominal de sujeito indeterminado com verbos transitivos diretos 37 Frase, oração, 13 período Voz reflexiva ou medial 38 Período simples e período composto 16 Orações independentes e subordinadas 16 3 ) VERBOS DE LIGAÇÃO 40 A oração complexa 17 Núcleo 18 B - Verbos auxiliares 41 Elipse 18 Locução verbal; verbos auxiliares 41 Classificação dos verbos auxiliares 41 2. O período simples. Predicação variável 43 A oração independente absoluta 20 Termos integrantes da oração. aa 20 44 Termos essenciais: sujeito e predicado 1. OS•COMPLEMENTOS VERBAIS Orações de:.=~tm e dois termós 20 1 ) O OBJETO DIRETO 44 Predicado e sujeito 20 Objeto direto preposicionado 45 1. O SUJEITO 21 Objeto direto 46 pleonástico Núcleo do sujeito 21 2) O OBJETO INDIRETO 4i Sujeito simples e composto 22 Duplo objeto indireto 49 Sujeito oculto (elíptico) 22 Objeto indireto 49 pleonástico Sujeito indeterminado 22 3) O COMPLEMENTO ADVERBIAL 50 Oração sem sujeito 24 4) O AGENTE DA PASSIVA 50 2. O PREDICADO 26 2. O COMPLEMENTO NOMINAL 51 Predicado nominal, verbal e verbonominal 26 O predicativo 27 Conceito 51 Relação formal e relação semântica 52 Predicação verbal 28 Complemento nominal e adjunto adnominal 53 A - Verbos principais 28 1 ) VERBOS INTRANSITIVOS 28 Termos acessórios da oração ,5a 2) VERBOS TRANSITIVOS 29 1. O ADJUNTO ADNOMINAL 54 Verbos transitivos diretos 30 O de valor adjetivo 54 adjunto 204 íNDICE GERAL 2. O ADJUNTO ADVERBIAL 55 O adjunto de valor adverbial 55 Classificação dos adjuntos (e complementos) adverbiais 56 3. O APOSTO 57 1) APOSTO EXPLICATIVO E ENUMERATIVO 57 2) APOSTO DE ORAÇÃO 58 3) APOSTO DE ESPECIFICAÇÃO 58 4) APOSTO APARENTE 59 O predicativo atributivo 59 O predicativo circunstancial 60 O vocativo 61 3. O período composto 62 Composição do período 62 Período composto por coordenação 62. Período composto por subordinação 63 Período misto 63 Tipos de oração 63 Orações principais de vários graus 63 Orações desenvolvidas e reduzidas 64 Coordenação de orações 64 Formas de apresentação 71 Orações substantivas desenvolvidas conexas 72 Orações substantivas desenvolvidas sem conectivo 72 Orações substantivas reduzidas 74 Classificação das orações substantivas 74 1) SUBJETIVAS 74 2) OBJETIVAS DIRETAS 75 3) OBJETIVAS INDIRETAS 76 4) COMPLETIVAS NOMINAIS 76 S) PREDICATIVAS 76 f)) APOSITIVAS 77 7) COM FUNÇÃO DE AGENTE DA PASSIVA 77 ~s B - Adjetivas Valor das orações adjetivas 78 Classificação das orações adjetivas 78 ~s 1) RESTRITIVAS 2) EXPLICATIVAS 79 Formas de expressão das orações adjetivas 79 Orações adjetivas desenvolvidas 79 Orações adjetivas reduzidas 81 Orações adjetivas circunstanciais 82 Função sintática dos relativos 83 Relativo com função noutra oração 85 C - Adverbiais 85 Formas de das orações adverbiais 85 apresentação Classificação das orações adverbiais 87 1) ORAÇÕES CAUSAIS 87 Orações causais desenvolvidas 87 Orações causais sem conectivo 88 Orações causais reduzidas 88 Distinção entre orações causais e explicativas 89 2) ORAÇÕES COMPARATIVAS 91 3) ORAÇÕES CONCESSIVAS 92 Orações concessivas desenvolvidas simples 92 Orações concessivas intensivas 93 Orações concessivas reduzidas 94 4) ORAÇÕES CONDICIONAIS 95 Orações condicionais desenvolvidas 95 Orações condicionais reduzidas 95 96. $) ORAÇÕES• CONFORMATIVAS 1. ORAÇÕES INDEPENDENTES COORDENADAS ENTRE SI Classificação das orações independentes coordenadas 1) ADITIVAS 2) ADVERSATIVAS 3) ALTERNATIVAS 4) CONCLUSIVAS S) EXPLICATIVAS Valores não-aditivos assumidos pela conjunção "e" 2. ORAÇÕES OU PERÍODOS INTERFERENTES 3. ORAÇÕES SUBORDINADAS Valores funcionais da oração subordinada Classificação das orações subordinadas A - Substantivas 65 206 íNDICE GERAL iNDICE GERAL 207 Orações consecutivas desenvolvidas 97 3. ACESSÕRIOS 141 Orações consecutivas correlatas 98 4. VOCATIVO 142 Orações consecutivas reduzidas 98 ~ ) ORAÇÕES FINAIS 98 N.° 2 - Tipos de orações 142 Orações finais desenvolvidas 99 1. INDEPENDENTES 142 Orações finais reduzidas 99 2. PRINCIPAIS 142 S) ORAÇÕES LOCATIVAS 100 3. SUBORDINADAS 143 9) ORAÇÕES MODAIS. 100 4. COMPLEXAS 143 Orações modais reduzidas de gerúndio 102 N.° 3 - Classificação das orações IO) ORAÇÕES PROPORCIONAIS 103 independentes coordenadas 144 1 1 ) ORAÇÕES TEMPORAIS 1a4 1. QUANTO AO CONECTIVO 144 Orações temporais desenvolvidas conexas t04 144 Orações temporais sem conectivo 105 2. QUANTO AO VALOR A construção "Há muito tempo (que) .... " 105 N.° 4 - Classificação das orações Orações temporais reduzidas 107 144 Observações finais sobre as orações subordinadas +, subordinadas adverbiais 108 1. SUBSTANTIVAS 144 Classificação múltipla de orações de gerúndio 109 2. ADJETIVAS 145 3. ADVERBIAIS 146 4. Problemas e fatos sintáticos de interesse para 110 3. Exercícios de verificação 148 a análise Haplologia 110 A - Termos da oração 148 Pleonasmo e anacoluto 111 B - Período composto 154 Silepse 112 159 "Era uma vez um rei" 113 Solução dos exercícios Termos substitutivos ou vicários 114 Textos exercícios de revisão 166 115 172 "Eis que" e "Tomara que" 4. para Solução dos exercícios de revìsão Apéndices ~~~ Livros utilizados (e respectivas siglas) 191 1. Modelos de análise sintática 11~ 1. Para textos 191 os 194 I. Período simples 11~ 2. Para a doutrina 197 II. Período composto 124 índice analítico 2. Quadros sinópticos 1ao N.° 1 - Termos da oração 140 1. ESSENCIAIS 140 2. INTEGRANTES 141