PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ

CENTRO DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS HUMANAS – CTCH

DUPLA LICENCIATURA EM LETRAS PORTUGUÊS/INGLÊS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O USO DAS VARIANTES “TER & HAVER” NA FORMA EXISTENCIALISTA DENTRO DO ÂMBITO DA MÍDIA ESCRITA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Curitiba/PR

2004

ACADÊMICOS: Leanrdo, Paulo, Vagner e Vandro – Terceiro período

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Artigo realizado para o programa de aprendizagem em Sociolingüística entregue a professora e orientadora Deize Link, relativo à nota parcial do ano de 2004

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Curitiba/PR

2004

 

Considerações preliminares

A presente análise foi desenvolvida utilizando-se preceitos lingüísticos a fim de examinar os signos “Ter e Haver”,no âmbito existencial, e, iremos demonstrar que algumas gramáticas ao firmarem o certo e o errado, fundem em seus leitores uma visão errônia de que “falar bem é falar como se lê na gramática.

O grupo ao idealizar o projeto, supôs que o termo escolhido a ser analisado seriam os verbetes em destaque. Por se tratar de um termo utilizado involuntariamente em diferentes ocasiões de nossa vida, a análise poderia contribuir com outras análises e demonstrar a relativa simultaneidade existente entre nosso objeto de pesquisa e a sociedade que utiliza-se da grafia para expressar-se na mídia escrita.

Ao realizar nossa pesquisa atemo-nos na mídia escrita, para ser mais preciso, nas “Cartas do leitor”, retiradas de vários meios de comunicação que utilizam a palavra grafada como meio de expressão com difusão em massa.

Por se tratar de um termo de uso cotidiano na fala, quando vamos escrever, surge-nos dúvidas e ao procurarmos na gramática achamos a solução, e na fala? Iremos demonstrar o uso de “ter e Haver” atendo-nos a três grandes metrópoles de nosso Brasil.

Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná contribuíram com suas grafias nas cartas do leitor que foram coletadas, examinadas, comparadas, e através do estudo obtemos um percentual de uso dos três estados.

Firmamos o presente, mencionando que as “cartas”, cuja localidade e sexo não tinham foram dispensadas, pois, somente sería possível avaliar a freqüência deste uso em determinada região, se a mesma pudesse ser identificada.

 

Metodologia, corpus e perfil dos informantes.

Restringimos nossas bases de análise no sexo e localização geográfica dos informantes a fim de poder demonstrar com uma amplitude significativa a incidência ocorrida em diferentes situações onde o uso destes verbos pode ser alternados sem que haja alguma dificuldade na comunicação.

As informações necessárias foram coletadas nos jornais (O dia (RJ), Gazeta do Povo (PR), Diário de São Paulo (SP), bem como revistas (Veja (PR, RJ, SP)), Isto É (SP), RJ, PR) além de Cites e Webpages locadas na internet.

Analisando o Jornal (Gazeta do Povo, PR), A equipe analisou 10 cartas depostas no referido jornal no mês de maio, sendo que destas dez cartas oito foram escritas por pessoas do sexo masculino e duas escritas pelo sexo feminino.

Quanto ao jornal (O Dia, RJ), foram examinadas nove cartas, sendo sete delas escritas pelo sexo feminino e duas pelo sexo masculino.

No jornal (Diário de São Paulo, SP), foram coletadas para a análise nove cartas, sendo oito delas escritas pelo sexo masculino e uma pelo sexo feminino.

Nas revistas analisadas, (Veja, SP, RJ, PR), foram coletadas doze cartas, sendo nove delas grafadas por homens e três delas por mulheres. Na revista (Isto É, RJ, PR, SP) foram coletadas treze cartas, sendo onze escritas pelo sexo masculino e duas pelo sexo feminino.

E por fim, foram coletadas vinte seis cartas locadas em diferentes cites da rede Internet, sendo que dezenove delas foram escritas pelo sexo masculino e sete grafadas pelo sexo feminino.

 

Uma visão gramaticista.

 

“Denominam-se auxiliares os verbos que desprovidos total ou parcialmente da acepção própria e se juntam a outro verbo ao qual emprestam matrizes

Ter e haver empregam-se:

a) com o particípio do verbo principal, para formar os tempos compostos da voz ativa, denotadores de um fato acabado:

Tenho escrito a meus pais.

Havíamos comprado um barco.

b) com o infinitivo do verbo principal antecedido da preposição de, para exprimir, respectivamente, a obrigatoriedade ou o firme propósito de realizar o fato:

Tenho de escrever a meus pais.

Havemos de comprar um barco.

Haver, como sinônimo de existir, suceder, fazer é impessoal e, portanto, não tem sujeito. O verbo fica na terceira pessoa do singular: Não há vagas / Havia muitas pessoas / nunca houve tantos acidentes de trânsito.

A regra mantém-se no caso de haver formar uma locução com um verbo auxiliar: Deve haver muitas pessoas ali.

Quando haver pode ser substituído por ter, a concordância é normal: Ainda não haviam sido feitas as correções / Hão de cumprir o prazo.

Há, havia - Quando o verbo que acompanha estiver no imperfeito ou mais-que-perfeito, deve-se usar havia. Ele estava lá havia (e não há) muito tempo / Ele estivera lá havia (e não há) muito tempo.

Admite-se há com imperfeito ou mais-que-perfeito em dois casos: a) Se o tempo for considerado a partir do momento em que se vive: Tivera uma discussão com ele há 15 dias (o tempo é contado a partir do momento atual); b) se o imperfeito estiver no lugar do perfeito: Há cem anos nascia Vila Lobos (Nasceu há cem anos).”

Celso Ferreira da Cunha

 

 

Análise dos dados

 

O grupo responsável pelas análises achou por bem dividir os termos a serem analisados em duas partes, sendo que na primeira delas iremos examinar a incidência do uso destes verbos nas diferentes localidades, e, na segunda parte iremos analisar essa mesma incidência, só que vista dando nosso parecer somente quanto ao sexo dos editores.

Os dados pertinentes as incidências dos verbetes analizados foram em certos momentos vistos de uma forma globalizada, ou seja, após uma verificação e apresentação das conclusões regionais relativas a freqüência do uso, achamos por bem demonstrar a preferência usual entre um verbete e outro, desta forma iremos analisar a incidência a alternância e também a proporção que esta variação está assumindo no território nacional.

 

 

Tabela 1

 

Meio de comunicação

Quantidade

Estado

Percentual de uso do Ter

Percentual de uso de Haver

Gazeta do Povo

10 cartas

Paraná

06 pessoas

04 pessoas

O Dia

09 cartas

Rio de Janeiro

04 pessoas

05 pessoas

Folha de São Paulo

09 cartas

São Paulo

08 pessoas

01 pessoa

Revista Veja

04 cartas

Paraná

03 pessoas

01 pessoa

Revista Veja

05 cartas

São Paulo

02 pessoas

02 pessoas

Revista Veja

06 cartas

Rio de Janeiro

03 pessoas

03 pessoas

Revista Isto É

03 cartas

Paraná

02 pessoas

01 pessoa

Revista Isto é

03 cartas

Rio de Janeiro

04 pessoas

00 pessoas

Revista Isto É

06 cartas

São Paulo

03 pessoas

03 pessoas

Internet

10 cartas

Paraná

03 pessoas

04 pessoas

Internet

08 cartas

Rio de Janeiro

06 pessoas

03 pessoas

Internet

07 cartas

São Paulo

04 pessoas

03 pessoas

Somatória total

 

80 cartas

PR, RJ, SP

50 pessoas

30 pessoas

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao examinarmos a tabela acima é possível afirmar que o uso de ‘ter’ ocorre com uma freqüência maior nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, que coincidentemente fizeram uso da variante (Ter) dezessete vezes, enquanto no Paraná a freqüência do uso desta variante atingiu o patamar de quatorze pessoas.

Quanto ao verbete haver, notou-se uma ligeira queda no uso da variante ‘Haver’ no estado de São Paulo, sendo que a incidência de ‘Haver’ ocorreu nove vezes, o Paraná, por sua vez alcançou a marca de dez vezes, e, o Rio de Janeiro sobrepôs-se dos demais atingindo a marca de onze vezes no uso desta variante.

Ao transformarmos estes números em percentuais de uso, no Paraná teremos 58 porcento das cartas examinadas utilizando-se da variação “ter”, sendo que no caso do uso do verbete “haver”, este números chegam a 48 porcento das cartas examinadas, já no estado de São Paulo teremos 66 porcento das cartas utilizando-se da variação”ter”, e 34 fazendo uso do verbete “haver, e, quanto ao Rio de Janeiro, 51 porcento das cartas preferem de “ter” e 49 porcento fazem uso de “haver”.

 

Tabela 2

Estado

Quantidade

            Ter

Haver

Paraná

27 cartas

11 mulheres

16 homens

São Paulo

27 cartas

09 mulheres

18 homens

Rio de Janeiro

26 cartas

11 mulheres

15 homens

 

 

 

Considerações finais

 

Conforme o que nos mostra os estudos sobre variação lingüística que apontam o gênero feminino como maior detentora da norma padrão, as mulheres ao desejarem expressar-se na forma escrita, fazem um uso menor do verbete (ter), e os homens pelo contrário usam com uma frequência menor a variante (Haver).

Confrontando estes dados com a frequência de utilização demonstrada nos diferentes estados, fica comprovado que esta inscidência no uso de “Ter”, ocorre com uma freqüência menor no sexo feminino, e, quanto ao uso de “Haver”, é usado com uma freqüência menor pelo sexo masculino.

Traçando uma linha comparativa de forma globalizada podemos notar que dentre as oitenta cartas coletadas, examinadas e comparadas, notamos um uso maior do sexo masculino na utilização da variante “ter chegando ao patamar de 78 porcento das cartas, enquanto as mulheres ao expressarem de forma escrita utilizam-se em grande parte da variante “haver”, atingindo um percentual de 22 porcento no uso grafado destes verbetes.

Através da análise notamos uma simultaniedade existente no uso destas variantes entre os estados examinados. Notamos também que a freqüência no uso da variante “ter”, ocorre com uma freqüência maior no sexo masculino, sendo que no sexo feminino, o uso da variante “haver” faz-se um uso mais acentuado, confirmando dados lingüísticos que comprova que as mulheres na comunicação formal escrita tendem a utilizar-se cada vez menos das variantes não formais.

Ao examinarmos uma frase coletada, e confrontar com uma de outra localidade notamos que não existe dificuldade no entendimento usando as duas expressões em um mesmo contexto, a)Não têm nada no armário(BR), b)Não há nada pra comer)PR), referem-se a uma mesma idéia de “ter” no sentido de existir, ou seja, ter possui um sentido material, e existir um existencial, embora sejam adversos, em certas circunstâncias adquirem um mesmo significado sendo usado para se fazer referência material ou existencial.

O grupo notou também que apesar do uso indiscriminado destas variantes, afirmações gramaticistas como, (certo ou errado), não podem serem levadas em consideração, porque mesmo utilizando-se de uma variante ou outra para narrar algum fato, o entendimento mutuo foi alcançado, derrubando por terra preceitos gramáticos que ao invés de esplicarem quando o uso é restritamente irregular, apenas taxam o certo e o errado, não levando em consideração a possível alternância admitida dos verbetes em questão.

Podemos afirmar que devido a uma interação estabelecida entre os escritores destas cartas e o público leitor, a variação ocorrida entre as variantes não acarreta impecílios na compreenção dos períodos e orações, nos direcionando a uma idéia de que quando um falante consegue expressar de forma clara seus desejos, dúvidas, anseios e emoções, a comunicação houve, e então podemos concluir que, visões gramaticistas não são suficientemente plausíveis para postularmos uma regra gramatical, mesmo que específicas para o contexto analisado. Dessa forma, é possível afirmar que a inclusão de narrativas livres e informais talvez pudesse ser revista e reanalisada em função de que em determinados casos a alternância pode ocorrer, sem que isto venha a impossibilitar a inter-relação da palavra com o meio.

Isto significa que, presentemente, existem restrições específicas para a realização da forma (Haver), com valor de adjetivo, ligada ao complemento de ter, ou seja, é necessário que este verbo expresse posse para que possa se realizar na sua forma variante.

Com relação aos fatores externos à língua que devido a um tempo restrito para a análise acabaram por ser descartados, não levamos em consideração dados como o perfil sócio-econômico, cultural, idade, credo e etnias dos informantes. No entanto, não podemos descartar que o fenômeno variacionista aqui analisado é resultado de um conjunto de influências internas e externas que acabam refletindo diretamente na fala e na escrita dos falantes.

A dificuldade encontrada pelo grupo na análise de um único fenômeno lingüístico é uma pequena amostra do quanto um estudo aprofundado demanda em termos de recursos humanos e materiais adequados, pesquisa e senso crítico. Representa também um desafio para aqueles que encaram a língua como um organismo vivo, que a cada vez que se apresenta sofre contínuas mudanças, pois não há regras prescritivas ou normativas que consigam reduzi-la a um único padrão de uso.

Enfim, através das análises foi-nos possível notar mais muma vez que a palavra é uma unidade lingüística básica, facilmente reconhecida por falantes em sua língua nativa, isto é, falamos com espontaneidade e fluentemente, sendo assim, não fazemos pausas sistemáticas, e se ao nos comunicarmos conseguimos estabelecer uma interação, mesmo que se não usamos de uma linguagem formal, estamos estabelecendo interação, isto significa que a fala varia ao mesmo tempo que se faz necessária sua adequação, através do meio, influências, sexo, etc.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bibliografia

Gramática da língua Portuguesa, Rocha Lima, 1982

Jornal Gazeta do Povo,PR, 1/06/2004

Jornal O Estado de São Paulo, SP, 03/06/2004

Jornal O Globo, RJ, 03/06/2002

Revista Veja, 06/2004

Revista Isto É, 06/2004

 

Webiografia

www.antares.com.br/~cbpds/jornal-cartas.htm

-www3.pr.gov.br/portals/ portal/revistasonline/matematica.php

tudoparana.globo.com/clubedoassinante/manual_2.htm

www.uepg.br/rj/a1v1cart.htm

www.jornalolhonu.com/jornais/olhonu_n_044/edit.html

tudoparana.globo.com/gazetadopovo/email/interna.html 19 jun. 2004 –

www.netrodas.com.br/cartas.asp 19 jun. 2004 –

www.dnoticias.pt/motor/default. asp?seccao_id=05&dtt=220504

jbonline.terra.com.br/jb/papel/ cadernos/barra/2004/06/19/jorbar20040619015.html 19 jun. 2004 -

 

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