PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ

CENTRO DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS HUMANAS

CURSO DE LETRAS PORTUGUÊS – INGLÊS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PERIODIZAÇÃO DA LITERATURA E DA ARTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CURITIBA

2004

Vandro Elaino Feretti

Acadêmico do Curso de Letras Port/inglês – terceiro período

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PROVA DE LITERATURA; PROFESSORA E ORIENTADORA:

MARLIZE SAPIENSINSK

Trabalho apresentado para o programa de aprendizagem: prática profissional: pesquisa sociolingüística. Orientado pela professora Deizi Cristina Link.

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


CURITIBA

2004

 

Com base na leitura das obras literárias e textos teóricos sugeridos, tendo em vista também as discussões em  sala de aula e as informações eventualmente buscadas em outras fontes de pesquisa, discorra sobre as questões abaixo. Lembre-se que as suas respostas serão avaliadas na perspectiva da SUA compreensão e originalidade e não a partir de "colagem" e cópia do material estudado. Todas as respostas devem incluir exemplos retirados dos textos literários em questão.

 

1. Para Aristóteles, a tragédia é imitação de ações de caráter elevado, ou seja,   ações sérias, praticadas por indivíduos socialmente diferenciados, aristocratas ou fidalgos, que suscitando o terror ou a piedade têm por efeito a purificação (catarse) dos sentimentos.

Com base na leitura de Andgona, de Sófocles, escrita num momento (séc. V. aC.) em que o racionalismo político emerge no mundo grego, opondo-se aos projetos religiosos do governo, sem, contudo, exclui-los totalmente, fale sobre o embate entre direito natural (religioso) e direito de Estado (político) apresentado no texto, bem como sobre as principais características da tragédia grega, situando a peça no contexto em que este gênero surgiu (Grécia Antiga).

R: Em primeiríssimo lugar, a tragédia deve revelar a dignidade da queda. O personagem principal, ou herói é uma figura reconhecida e notável, com características às vezes invejadas; Tem poder e autoridade sobre muitos,  é uma pessoa capaz de manter a integridade moral quando tudo de mau e ruim acontece consigo , notamos esses contrastes na obra Édipo rei, onde o herói, após saber de seu destino, enfrentou-o de uma maneira heróica, cegando-se e punindo-se, fazendo consigo o que outrora havia proferido.

 

No gênero denominado tragédia, é,  necessário que o herói tenha uma posição destacada e notável para que se verifique a altura da queda transmitindo a idéia da caída de um mundo de segurança e felicidade, é fácil notarmos estas características em Édipo, vivia em um palácio, tinha sua vida construída, e como pagamento ao destino, perde tudo.

Na tragédia, o herói deve aceitar sua situação, deve aceitar sua queda e arcar com os prejuízos, não se entende como tragédia o caso da vítima ser alguém sem vontade, conduzido como se fosse um boneco nas mãos dos deuses, a tragédia resulta de uma falta absoluta de solução. Não há outra saída do que aquela determinada pelos acontecimentos que vão surgindo frente ao herói.

Na obra Édipo Rei, o herói, neste caso Édipo procura incansavelmente sanar os anceios de seus súditos e busca de qualquer forma a tranqüilidade de seu povo, na hora insatisfeitos, reclamam por uma solução dos problemas existentes no reino. Édipo buscando uma solução, procura o oráculo, após encontra-lo o mesmo lhe faz uma revelação dizendo, “seu reino somente será um reino tranqüilo e abençoado após o exílio de um homem amaldiçoado, que faz de seu reino uma desgraça”,

Édipo atormentado maldiz e amaldiçoa o referido homem, sem saber que tratava-se de si mesmo, após as revelações feitas pelo oráculo juntamente com as do feiticeiro, o rei foi acometido da verdade, viu-se na obrigação de enfrentar todas as maldições que havia proferido.

Peripécia - Segundo Aristóteles, "Peripécia é aa mutação dos sucessos no contrário". Assim, poderemos considerar um acontecimento imprevisível que altera o normal rumo dos acontecimentos da ação dramática, ao contrário do que a situação até então poderia fazer esperar”.

 

Na obra, notei o fenômeno da peripércia quando o rei Édipo, viu-se do lado inverso o qual anteriormente estava, ou seja, o rei, passou de acusador a acusado, considero o livro uma tragédia dramática, pois porta características como a decadência de um nobre, um mistério a ser desfechado, a peripércia sofrida no herói, uma catástrofe, um desenlaçe trágico, a catarse, que tem a propriedade de utilizar-se do terror, pois, é através do terror e da piedade que é provocado no espectadores uma sensação de alívio, além de purificação das emoções e paixões.

 

Notei que, as ações sussedem-se em tempos onde a crença era quase que absoluta nos Deuses gregos, para os habitantes o oráculo era uma ferramenta usada pelos deuses para iluminar a vida de seus súditos, tudo que estava pré-destinado a acontecer, aconteceria, por que esta era a vontade dos deuses.

 

2. Na idade Média, ao lado de uma cultura monástica ou médio-latinística (escrita e erudita), expressa por meio de obras religiosas, morais e filosóficas, surge também uma cultura profana, transmitida oralmente, em língua vulgar, que, repetindo a atmosfTa cavaleiresca, aspira a um novo ideal e afirma um conceito de vida já inteiramente alheie aos valores religiosos: e a chamada escola poética provençal. EEssa cultura profana, representada pela poesia trovadoresca, assinala as primeiras manifestações literárias da Penínssula Ibérica, documentando o emprego do galego-português. Essas manifestações englobam composições líricas (cantigas de amor e cantigas de amigo) e composições satíricas (cantigas de escárnio e maldizer). Considerando que a Idade Média é vista por muitos como a época mais importante na formação da civilização européia, fale sobre esse período, bem como sobre as principais características da poesia trovadoresca, situando-a no contexto histórico­social em que se origina,

R:Com o surgimento da a chamada escola poética provençal, inicia-se também outro período da literatura portuguesa, nesta época onde os valores passados pela igreja pairavam nos meios urbanos, uma nova modalidade de escrita nasce, a poesia trovadoresca entra na sociedade escandalizando e revolucionando os costumes/atos das pessoas da época.

A poesia trovadoresca partiu-se em três gêneros, os quais foram chamados (cantigas de escárnio, cantigas de amor e cantigas de amigo).

Nas cantigas de amigo notamos que quem fala é uma mulher, nestas cantigas o “amigo ou amado” é geralmente referido logo no primeiro verso

Chamaram-se cantigas de amor aquelas cujo o poeta dirige seus pensamentos e versos a uma dama, nestas cantigas é muito comum o desejo do poeta pela senhor, ele descreve seus sentimentos por ela. Tais sentimentos são sinceros, porém no poema o poeta é infeliz, porquê, não consegue que sua dama sinta o mesmo por ele.

 

Perante a senhor, o poeta apaixonado humilha-se, suplica de uma maneira como se ela fosse a pessoa mais importante do mundo para ele, porém ela se faz de indiferente ao seu amor.

Estas cantigas eram geralmente escritas por nobres e eram divulgadas de uma forma incomum, os “jograis” eram os responsáveis detransmitir ao povo oquê o poeta escrevia, eles saíam por entre a multidão recitando versos e estrofes de seus patrões, em troca de seus préstimos recebiam agrados financeiros.

As cantigas de escárnio ou de maudizer Em paralelo com o lírico representado pelas cantigas de amigo e de amor, possui uma característica satírica. Nestas cantigas, as de maldizer, o trovador trova utilizando-se de ações e maneiras de outras pessoas, já nas cantigas de escárnio o poeta recorre ao uplo sentido das palavras, criticando e maltratando alguém.

 

3. Durante o Renascimento, os grandes elisabetanos, entre eles Shakespeare, não escreveram, como por exemplo

fizeram os franceses do Neoclassicismo, segundo princípios estéticos determinantes e unificadores, já que suas várias formas dramáticas nasceram com a prática de palco, como resultado de uma considerável variedade de influências. Assim, aquilo que recebeu o nome de tragédia não tinha de atender a nenhuma exigência estética, ao menos a princípio, senão a de conter uma ação que falasse de um protagonista importante que passasse da felicidade à infelicidade e acabasse morrendo. Tendo isso em vista, com base na leitura de Hamlet, fale acerca do drama vivido pelo personagem principal, bem como sobre os aspectos inovadores da tragédia shakespereana, situando a peça no contexto histórico-social-cultural em que foi produzida

R: A corte elisabetana expressa a realidade poética do período, sendo o teatro a principal forma de expressão da época, muito popular e bem sucedido.

 

Devido a uma influência própriada arte elizabetana a  pintura e as artes plásticas em geral não tiveram tanta relevância como na Itália ou França, porém a arte continuou de uma maneira corriqueira, com seus intercâmbios artísticos. A quantidade de peças escritas, marcou este período, e sabe-se que foram escritas por sábios homens com talento, aonde na sua maioria eram pobres, por não conseguirem trabalhar para sobreviver, dedicavam seu tempo à arte.

Nesta época os artistas, nas estalagens, erguiam seus palcos no pátio, coletavam dinheiro em suas apresentações e decidiam dar espetáculos diariamente no mesmo lugar, fazendo com que novas platéias viessem até eles, apresentando as peças desenvolvidas na época. Shakespeare toma de forma mais simples e flexível esta rica linguagem poética, repleta de imagens e metáforas transformando uma crônica inglesa na primeira tragédia histórica elisabetana (Eduardo II).

Shakspeare revoluciona e apresenta Otelo com um fim terrível e a característica fulminante de Iago, uma pessoa invejosa e sagaz, capaz de manipular o herói, leva Otelo e sua amada para morte.

Nenhuma pessoa que já teve a honra de ver ou ler uma obra sgecsperiana jamais poderá dizer, que não se surpreendeu com a força de suas palavras, com seus temas trágicos, com as dimensões dos fatos e emoções contidas em suas obras.

Na obra Otelo, a imperfeição do amor do general Otelo por desdêmora é um amor de um mouro por uma branca, responsável por desencadear em Iago as mais graves atitudes de inveja, no desenrolar da história, Iago vai tecendo a teia que acabará por envolver o mouro e destruir seu império de felicidade.

Otelo, aparece como a mais simples das tragédias shekspirianas, direta, unilateral, e ao mesmo tempo menos complexa, porém não devemos nos enganar, pois os acontecimentos desencadeiam-se no inconsciente do herói. Em Otelo vemos uma contaminação metafísica, criada,  arquitetada por um personagem sem escrúpulos, com um caráter deprimente e irreflexível.

Analisando especificamente o problema do amor, vemos que a tragédia se estrutura sobre dois aspectos, a civilização e o barbarismo.

A civilização, rica, refinada, representada em Desdêmora, figura adolescente, porém mulher. Desdêmora passava sua vida tranqüila,pura e perfeita, até que conhece Otelo e se entrega. intensamente, sem limites, de tal forma que até mesmo em sua morte é capaz de perdoar o ato de seu amado.

Notei também a oposição existente entre Otelo e Desdêmora, Desdêmora, rica, nobre, apaixonada, branca, e ausente de dúvidas a respeito do amor de Otelo, ao contrário, Otelo, se encarna o primitivo, o violento, sanguinário e irreflexível, erguendo-se contra si mesmo.

Em Desdêmora pelo contrário, se revela a pureza, a devoção, o amor puro e sincero , a castidade, , a fidelidade, está apaixonada e não ergue dúvidas referente a Otelo,

Se confrontarmos Otelo com Romeu e Julieta, veremos que não existe aquele amor mágico, heróico sim um amor unilateral, que embriaga Desdêmora deixando-a cada vez mais enamorada fechando seus olhos, cegando-a, e fazendo ver em Otelo somente virtudes.

O amor de Desdêmora por Otelo é sua biografia, é o único acontecimento importante de seus quatorze anos, porque até este momento, não  havia vivido nenhum amor.

Foi-me possível notar que a verdadeira tragédia de Otelo não é a suposta infidelidade de Desdêmora, e sim o ideal que havia traçado, porque ela é absolutamente inocente, pois as artimanhas traçadas por Iago são o quê envenenam Otelo contra si mesmo e sua amada acabando por culminar na sua própria morte.

Iago é um personagem sombrio, pensa que todos os homens são vios e todas as mulheres desonestas,  com essas idéias vive, e por ser infeliz não suporta ver a felicidade do outro.

Depois de enlaçado, Otelo age de uma forma irreflexível e, apartir deste momento acaba se precipitando para a caída inevitável levando-o a tomar atitudes impensadas e que acabaram por levar-lhe a vida e consigo sua amada. Por fin, Otelo decide concluir con a situação. Quando descobre finalmente a verdade, ja é tarde, acabara de matar sua amada.

Arrependido, recobrando a consiência, pensando no que acaba de fazer, não encontra outra solução e mata-se, fugindo da vida e de todos...

 

4. O elemento cristão da Idade Média e o nacionalista do Renascimento geraram o dualismo barroco, característico de um período em que o homem busca a conciliação do espiritualismo medieval com o humanismo posto em voga pelos renascentistas. A tentativa de conciliar essas tendências provocou a tensão, tão peculiar ao estilo, e as contradições próprias a uma tendência que ora festeja a razão, ora a fé; ora o sensorial, ora o espiritual. A atração por pólos opostos constitui o dualismo de uma época que encontra expressão na irregularidade e na intranqüilidade do estilo barroco, onde convivem intensamente o ascetismo (pureza) e o erotismo,, a religiosidade e a mundaneidade.

Com base na leitura das Cartas Portuguesas, de Mariana Alcoforado, aponte, a partir de exemplos, algumas das principais características do estilo barroco, situando o texto no momento histórico-social em que surgiu.

R: as cartas portuguesas escritas pela freira Mariana Alcoforado foram denominadas de as mais ardentes cartas de amor da literatura internacional, foram escritas no século XVII e acabaram por tornar-se uma representação de um amor de uma freira por um oficial em serviço.

Essas cartas acabaram por adquirir uma importância relevante para a caracterização da literatura neste período, sendo o amor de Mariana a característica que molda sua obra lhe dando um ar de pureza e contradição.

Mariana, uma freira, vivia em tempos onde a castidade e a pureza, juntamente com a inocência eram características primordiais, usadas para julgar uma mulher, se nota apaixonada, presa e envolta por um amor que a maltrata, fazendo-a sofrer e se alegrar ao mesmo tempo, feliz, por descobrir o amor, triste por nãotê-lo.

O oficial francês, prestava serviços em Portugal, o senhor cavaleiro de Chamille, despertara na freira a apaixonante arte do amar, mesmo desconfiando que seu amor talvês não fosse durar, resolveu arriscar e amar, Mariana amava e vivia essa paixão acima de qualquer prova, as cartas expressavam em seu conteúdo um amor confuso, cego e ao mesmo tempo hébrio, que pareciam enlouquecer a freira, de esperanças e saudades, buscando nas palavras maneiras de expressar se amor ao oficial, para que talvês ele percebesse o tanto que era amado.

As cartas portuguesas consistem em cinco curtas de amor, publicadas em Francês no ano de 1669, e, são supostamente as cartas de amor de uma freira portuguesa a um oficial Francês, nelas transparece o amor incondicional e exacerbado da jovem Mariana que sofre horrores devido à distância do amado

Com o passar do tempo estas cartas vão se tornando apelos e pedidos por respostas, relatando um amor esperançoso e imortal, por mais que esse amor não fosse tão próximo, as esperanças de Mariana depostas nas cartas, infrutivelmente, continuavam suas súplicas ao oficial Francês, mas seus pedidos pareciam não serem ouvidos, Mariana estava só, apenas com suas frustrações, suas desilusões e seus desejos não correspondidos, que teimavam a mostrar à freira que seus anceios cada vez mais a torturavam,  em contra posição o oficial continuava inerte,  alheio de súas súplicas, era como uma rocha parada em meio envolta a um mar lindo e maravilhoso, tendo o sol por céu e a maravilha da natureza envolta, continua parada, inerte, absolta do que a rodeia, assim era o oficial, distante,  e irrelevante aos pedidos de  Mariana.

As cartas de Mariana Alcoforado são impregnadas de todos os sentimentos que poderíamos classifica-las como românticas, mas, devido ao contexto histórico que foram escritas, ficaram no acervo das obras barrocas, meramente por este ser o estilo vigente da época.

 O contexto filosófico social evidenciado nessa obra nos remete ao século dezessete onde predominava o movimento literário denominado barroco,que se desenvolveu na Espanha originado na Itália e difundido pela Europa Central, abrangendo Portugal durante todo o século dezessete.

Esse estilo literário é marcado pelo conflito existente entre fé e razão onde o gozo é evidenciado na dor só se acredita naquilo que se pode ver e é preciso apreciar por meio do sentido.

... gosto mais no estado deplorável que me encontro entretanto do fundo do coração te agradeço o desespero que me causas e detesto a tranqüilidade que me encontrava antes de te conhecer

Nesta afirmação percebemos o pessimismo de Mariana perante a solidão que permeava seu estado de espírito.

O pessimismo e a solidão são características visíveis  no estilo barroco, facilmente notadas no trecho mencionado acima. Podemos também afirmar que a freira vivia uma feliz solidão, ou seja, apesar de se sentir feliz anteriormente, agora que descobrira qual era a sensação de amar, agora que conhecera a felicidade  notara que outrora era tão somente alegre, e, não verdadeiramente feliz.

Encerro, falando da relação existente entre a solidão e o amor, Mariana, sentia-se como uma fruta que cai de uma árvore, tendo seus pedaços lançados ao mundo, sentia na alma a frustração de amar e não ter o amado, sentia o contraste entre a razão e a emoção, sentia que perdera, e, agora jaz suas esperanças por alcançar aquele amor que fizera destas cartas um verdadeiro marco na história da literatura portuguesa...

 

 

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