| Voto, fábrica da mendicância (eleições
2004). Por Vanderli Medeiros Lutamos
muitos para termos direito ao voto e assim poder escolher quem vai
administrar os nossos impostos de forma a nos beneficiar com uma boa
administração e, nos tornarmos cidadãos participantes e atuantes na
administração do nosso patrimônio público. Se
antes o voto era um direito apenas dos grandes latifundiários, hoje ele
é um direito de toda população, inclusive dos analfabetos. Contudo,
essa conquista ainda não está condizente com o que deveria ser esse
direito conquistado. Não nos utilizamos dessa conquista com segurança e
maturidade. Questiono-me:
Se fossemos um povo realmente consciente de nossos direitos e deveres o
voto precisava ser obrigatório? Por que somos obrigados a fazer aquilo
que é de direito nosso e que foi motivo de muitas lutas e reivindicações
por anos a fio? Há
países em que o voto é opcional e nem por isso os cidadãos desses
paises deixam de ir as urnas escolher seu próximo governante. O
que os motiva a sair de casa e comparecerem as urnas de livre e espontânea
vontade que não motiva o povo brasileiro? Claro
está, que somos obrigados a votar porque não temos consciência da
importância de nosso voto, se tivéssemos, também iríamos as urnas sem
precisar que nos obrigassem. Somos, pela lei, obrigados a exercer nossa
cidadania porque se assim não fosse abdicaríamos dela e, quando menos
percebêssemos estaríamos vivendo novamente no sistema colonial. E é por
desconhecermos o valor dessa conquista que hoje vemos o voto virar
mercadoria barata, sendo o responsável pelo surgimento da ‘fábrica da
mendicância’. No
dia-a-dia da política o que presenciamos é a corrida pela venda e compra
do voto! Algo que entristece a qualquer um que tem consciência do poder e
da importância do voto consciente. Dói-nos a alma ver que essa
importante conquista - que demorou em conseguirmos ter direito a ela - ser
jogada na lata de lixo do descaso e da imoralidade social. VOTAR
é exercer a nossa cidadania plena, é ser cidadão atuante e
participativo na sociedade a qual estamos inseridos. E termos o direito de
escolher quem vai cuidar de nosso patrimônio. Se,
não colocaríamos nossa casa, nosso carro, nossa família, etc. nas mãos
de qualquer um porque são bens que consideramos preciosos por demais e,
que por isso mesmo só deixamos alguém de nossa plena confiança cuidar
desses bens. Então porque o descaso ao escolhermos o administrador de
nosso patrimônio público? Porque não utilizamos os mesmos critérios
para fazer a seleção? Isto
se dá porque o povo ainda não tem consciência do que seja o voto e,
passou a dar a ele um valor tão inferior e ínfimo a ponto de vendê-lo
por um par de botinas ou uma sexta básica. Enfim, é pensar apenas no
hoje e esquecermos do amanhã. É resolver, com a venda do voto, a
necessidade do hoje sem se importar com o que acontecerá nos quatro anos
seguintes. No
dia-a-dia do labor político, nos deparamos com esses pedintes, a tentar
vender o seu voto por ninharia. Contudo, a culpa não é do povo que vende
seu voto, isto é apenas uma conseqüência da nossa herança política de
anos a fio. O povo cansado de ser enganado e ludibriado com a politicagem
exercida pelos politiqueiros transvertidos de políticos, passou a
procurar uma melhor forma de tirar proveito nesse momento em que o voto é
tão disputado pelos candidatos. Se,
‘cada povo tem o governo que merece’, os políticos também têm o
eleitor que merece, e por isso terão que aprender a se reeducarem e
reeducar o povo. Terão de ensiná-los a votar pelo sentido real do voto. Esse
é o desafio para os políticos realmente comprometidos com uma política
séria e compromissados, voltada para o bem social da comunidade a qual se
propõem a governar. Enquanto isso, estarão colhendo o que os
politiqueiros plantaram, uma fila de pedintes à sua porta, a espera do
melhor lance por seu voto.
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