VAMPIROS



O seguinte artigo foi extraído do livro "História do Sobrenatual", de Por Karen Farrington (Grã-Bretanha, 1997). Note que aqui é dito que Arnold Paole lutou na Grécia, no século XX, quando as fontes primárias informam que na verdade ele morreu em 1722 e lutou na "Sérvia-Turca" (território europeu sob domínio otomano).-- Shirlei Massapust.



Em 1927, um jovem soldado sérvio, Arnold Paole, regressou a casa depois de uma campanha na Grécia. Vira coisas terríveis durante a guerra, incluindo um vampiro sugador de sangue, um morto vivo que se alimentava do sangue das suas vítimas. Não havia motivos para preocupações, disse, reconfortando a rapariga com quem esperava casar, porque descobrira o túmulo do vampiro e destruíra-o.

Pouco depois de regressar à sua aldeia natal de Meduegna, perto de Belgrado, Arnold morreu de uma queda. No entanto, logo após a sua morte começaram a surgir relatos, demasiado numerosos para serem ignorados, de que voltara a ser visto, e algumas das pessoas que o viram acabaram por morrer pouco depois.




Vlad, o empalador, que serviu de inspiração para o Drácula de Bram Stoker, viveu no Castelo de Bran, na Transilvânia.

UMA ESTACA NO CORAÇÃO

Os preocupados aldeões abriram o tumulo de Arnold, 40 dias depois de ter sido enterrado, para descobrirem o corpo perfeitamente preservado... com sangue fresco coagulado em volta da boca. O observador Joahnnes Flickinger, um médico militar, relatou: “Descobriram que estava completo e intacto, que lhe escorrera sangue fresco dos olhos, nariz, boca e orelhas, que as unhas velhas, das mãos e dos pés, bem como a pele, lhe tinham caído e sido substituído por outras novas. Como viram que era um verdadeiro vampiro, cravaram-lhe uma estaca no coração de acordo com os seus costumes, o que o fez soltar um audível gemido e sangrar copiosamente”.

O corpo foi queimado, bem como os de quatro outras pessoas cujas mortes tinham tido ligações com ele. O vampiro de Meduegna havia sido destruído... ou pelo menos assim o pensaram.

Flickinger e dois outros cirurgiões de Belgrado, Isaac Seidel e Johann Baumgartner, visitaram a aldeia em 1732 para investigarem mais uma vez o cemitério local. Descobriram 15 vampiros, quase todos mulheres, com faces rosadas muitos suspeitas e um aspecto saudável. Paole havia distribuído os seus favores a mais gente do que haviam pensado.

O incidente deu origem a uma vaga de medo dos vampiros que foi ainda mais alimentada em 1730 quando um militar, o Conde de Cadreras, declarou na Universidade de Freiburg que exumara – numa pequena aldeia da fronteira austro-húngara –, o corpo de um agricultor que morrera dez anos antes e que encontrara aparentemente a sangrar.




DRACULA, AJUDADO POR UM DEMÓNIO, VOA POR UMA JANELA ABERTA PARA SE APROVEITAR DE UMA JOVEM ADORMECIDA.

O PÂNICO CHEGA A INGLATERRA

Os boatos espalharam-se até Inglaterra. A história de uma mulher perseguida por um vampiro, em Croglin, Cumberland, tornou-se conhecida de todos. A “coisa” retirara o chumbo que segurava um vidro em forma de diamante para poder chegar à mulher, antes de fugir para o seu caixão, na cripta da igreja. Mais tarde, um dos seus irmãos atingira o vampiro com um tiro numa perna. Na manhã seguinte, quando entraram na cripta da igreja, a família descobriu-o, jazendo no caixão com uma ferida de bala ainda fresca. O vampiro foi queimado e a perseguição terminou.

Isto terá acontecido em 1874, 23 anos antes de surgir o livro Drácula, de Bram Stocker. Contudo, o sobrenatural sugador de sangue já aparecera duas vezes em obras de ficção, no Carmilla, de J. S. LeFanu, e no Varney the Vampire, de T. P. Prest... e esta última começa com um vampiro a retirar o chumbo de um painel de vidro em forma de diamante! É óbvio que os vampiros se tornaram numa espécie de mito!

Os vampiros surgiram em culturas de todo o mundo, desde a antiga China, cerca do ano 600 a.C., aos babilônios, persas, gregos, romanos, índios, polinésios, aztecas e até esquimós.

O medo dos vampiros era enorme. Os suicidas eram considerados como candidatos prováveis e até 1824 eram enterrados em cruzamentos de estradas, com uma estaca cravada no coração, o método clássico para a sua eliminação.


O século XVIII assistiu a um vasto receio dos vampiros.

Por isso mesmo, certos cadáveres eram enterrados

em cruzamentos de estradas com uma estaca

enterrada no coração.


O DRACULA DA FICÇÃO

Hoje, a imagem dos vampiros é em grande parte devida ao trabalho do irlandês Bram Stocker, que criou o Drácula no romance de culto com o mesmo nome. Afirmou que a inspiração lhe surgira graças a uma combinação de Vlad, o Empalador, um sádico governante da Transilvânia do século XV, com um pesadelo que tivera depois de um pesado jantar de caranguejo recheado.

Nos anos sessenta foi vista uma entidade hedionda que percorria o cemitério de Highgate durante a noite, e surgiram vários animais mortos e exangues. Sean Manchester, dirigente da Sociedade de Investigação dos Vampiros, com sede no Reino Unido, investigou e disse tratar-se de mortes paranormais. Em Março de 1970 foi autorizado a executar um ritual numa cripta que continha três caixões vazios. Três anos mais tarde encontrou o que pensou ser o corpo do vampiro de Highgate num caixão por baixo de uma casa arruinada.


Texto extraído de:

FARRINGTON, Karen. História do Sobrenatural. China, Centralivros, 1999, p 86-87.

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