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O seguinte texto foi extraído
do livro "As Escravas do Diabo" de Georges J. Demaix. Contém
um relato muito interessante de projeção astral associada
ao vampirismo. - Shirlei Massapust.
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Existe pois no Universo visível ou invisível um encadeamento entre cada coisa, e o homem mesmo, que pertence a um todo, sofre, atômica e celularmente, as forças que o rodeiam. “No conjunto das forças que nos rodeiam, existem
algumas absolutamente inferiores, brutais, definidas ou num estado
livre, umas ávidas de adaptação, outras mais ou menos adaptadas, isto
é, mais ou menos inteligentes, até as inteligências superiores que
constituem seres realmente à parte”.[1] As Inteligências Superiores são os elementares dos quais acabo de falar, e é preciso, a seu respeito, lembrar-se do trecho de um dos cânones do Concílio de Latrão: “Os anjos são inteligências não totalmente desprovidas de corpo e não insensíveis. São um corpo sutil da natureza do ar e do fogo. As forças inferiores e baixas são as “larvas”. Falta-lhes um corpo e uma forma, mas elas estão vivas em todo lugar e à procura de seu alimento, que é geralmente o sangue”. O vampirismo não se limita às manifestações lendárias da Europa Central, aos banhos de sangue da condessa Bathory e aos contos fantásticos de fatos considerados autênticos. No século passado, um pastor da Boêmia que morrera durante a semana, reapareceu para alguns habitantes de sua aldeia. Todos os camponeses de Blow, convencidos de que era um malefício, decidiram desenterrar seu corpo e varar-lhe o coração com um espeto de pau. Na noite seguinte, ele o quebrou e semeou novamente o pânico entre a população que, para se proteger, pediu ao carrasco que queimasse seu cadáver e lhe varasse novamente o coração antes de acender a fogueira... Um sangue rubro borbotou de seu coração.[2] O vampirismo existe, mas devemos deixar para os contos populares as manifestações extravagantes. Sua forma mais corrente é a que chamamos de “Mau olhado”. Segundo Ernest Bosc, “pode-se premunir contra os vampiros fechando as mãos, os polegares para dentro, esforçando-se, pela força de vontade, em preservar sua aura”. Na Itália, aponta-se para frente o auricular e o indicador, o anular e o médio permanecendo em contato com o polegar virados para a palma da mão e, para Pierre d’ Aban, o simples contato com o sistema fluídico geral da terra é suficiente para se proteger, esse contato com o fluido terrestre se estabelece pelo fogo que comunica ele mesmo com a terra. Será
preciso relacionar as propriedades desse “pára-raios” aos fenômenos
atribuídos aos elementares quando o Astral de um feiticeiro procura
prejudicar um inimigo? Que os céticos não vão mais longe. Seu cão Sokal, por costume, quis acompanhá-lo até o primeiro andar, mas de Rochas após tê-lo afagado deixou-o no jardim. Em seu quarto, ele livrou-se de sua mala e de seu sabre, e então trocou de roupa. Lavou-se um pouco e, desistindo de ler, apagou a vela. Assim que o quarto mergulhou na escuridão, ele ouviu a porta ser arranhada. Pensando que Sokal havia entrado na casa, mandou que se calasse mas ficou surpreso quando o ouviu latir no jardim. O ruído aumentou, ele acendeu a vela. O ruído cessou bruscamente. Intrigado, ele se levantou e dirigiu-se para a porta e abriu-a... Não havia nem cão nem ninguém. Atravessou o corredor, inspecionou todos os andares e o térreo. Não encontrou nada de anormal. Irritado, acabou deitando-se de novo e apenas as luzes se apagaram, o barulho recomeçou. Sem perder tempo em acender a vela, ele pulou da cama, desembainhou seu sabre que deixara encostado à mesa de cabeceira e precipitou-se para o corredor. No instante em que ele chegou à porta, sentiu uma resistência, e julgou discernir diante dele uma forma luminosa. Sem pensar, fez voltejar sua arma dando um forte golpe diante dele. Faíscas explodiram como se ele houvera encontrado uma massa de ferro! Ele voltou para perto da cama, pegou a vela que acendeu e voltou à porta. Ele tinha rachado a porta de cima em baixo! Examinou seu sabre, mas o fio não denotava ter entrado em contato com nenhum prego. Mais intrigado que preocupado, vasculhou mais uma vez a casa, sem resultado, e então se deitou e adormeceu. Tudo voltara a ficar calmo. No dia seguinte, contou sua aventura noturna a seus pais quando a empregada veio avisá-los de que uma vizinha, Sra. B... havia sido encontrada em sua casa, o rosto em sangue. Eles se dirigiram às pressas para sua casa e viram-na, deitada na cama, os olhos cerrados. Uma ferida profunda que começava no topo do crânio e se prolongava até o início do nariz, deixando aparecer o osso da fronte literalmente aberto!... Ninguém tinha idéia do que teria acontecido, ninguém exceto a proprietária do albergue que, vendo a Sra. B... quase morta, disse em voz alta: —
Enfim ela teve o que merecia! |
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Texto
extraído de: DEMAIX, Georges J. As Escravas do Diabo. São Paulo. Hemus, pp 88-91. |