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VAMPIRISMO – Forma de diabolismo por
vezes alucinante, cujo objetivo consiste em roubar
o sangue humano, quer por dentadas, quer por osmose. No segundo caso,
a “transfusão” opera-se em plano sutil: o sangue liqüefeito até a
quintessência é absorvido pelo vampiro como um gás ou um perfume.
O vampirismo pode ser exercido ou por vivos ou por “mortos vivos”
= falsos mortos (em estado cataléptico) ou mortos anormais, marout
(s). Em certos países derivou em folclore: Balcãs, Romênia, Hungria.
Sob estas formas sutis e elegantes (roubo por osmose), o vampirismo
é discreto, mais universal e inegavelmente mais verídico. No mito grego, as hárpias eram mortas perversas, agressivas, que saíam de seus túmulos
na fase de lua negra e capturavam um vivo, encontrado depois exangue
ou nunca mais encontrado! Na Grécia moderna, os vampiros chamam-se
broncolaques. A sombria tradição de vampirismo
liga-se às antigas etnias, hoje minoritárias, de origem turanianas (Ásia Central). Mayrink observa
que certas famílias da nobreza checa tinham o dom do vampirismo sutil, sobretudo as mulheres
que continuavam belas por muito tempo e nunca aparentavam a idade
que tinham; o vampirismo por osmose exercia-se, sem desgaste, nos
criados camponeses. Na Romênia, o vampiro de cemitério chama-se nosferat.
Mas é na Hungria que os boatos se avolumam, a ponto dos russos após
a guerra de 1939, fazerem uma enquete a este respeito. No fim da Idade
Média, o famoso Drácula praticou aí muitos atos de crueldade. O cinema popularizou a forma literal do vampirismo: o morto que sai corporalmente do túmulo, depois
de haver soerguido a laje... Ele morderá sua vitima no pescoço, sugará
seu sangue, depois retornará ao túmulo. Neste caso, seria necessário
que o processo da morte fosse interrompido por um duplo
de uma natureza excepcional que sustentasse o corpo como acorda sustenta
o arco esticado, ou por um demônio! Mas a sobrevivência do duplo está condicionada à sobrevivência do corpo, o que abre um círculo
vicioso... A magia admite o vampirismo de cemitério, mas supõe
uma morte falsa, com catalepsia profunda, comparável à dos faquires
que se deixam enterrar vivos, sem
ar, durante um curto tempo. Nesse caso, o duplo,
irá se materializar a distância, mais ou menos como um gás que se
torna líquido, depois sólido, e tiraria sua substância vital dos organismos
vivos. O duplo pode encorporar formas diversas -
o que se diz na Romênia, em relação aos vampiros: eles se transformam
em animais, mas nunca em morcego! Foi o cinema que explorou este paralelismo
com os vampiros (morcegos hematófagos) da América do Sul! A explicação
pelo duplo esclarece as ramificações da lenda:
o vampiro desdobrado não projeta atrás de si nenhuma sombra; sua imagem
não é refletida no espelho; ele assombra preferivelmente, seus parentes;
ele domina os animais. O remédio: destruir o duplo
“desvitalizando” o cadáver, seu suporte. É necessário achar o túmulo,
abri-lo, enterrar uma estaca no coração do monstro ou cortar-lhe a
cabeça. O corpo entrará logo em decomposição...
Eles retêm, no transcorrer do ato, o esperma e o orgasmo,
prolongando sua tensão muito além do normal – o que enfraquece sua
parceira que tem um ou vários orgasmos. Este desempenho (aparente)
exige um capital de vitalidade que estes pseudotântricos não possuem
– pois são, freqüentemente, corrompidos psiquicamente, até degenerados!
– e que tiram da mulher, roubando-lhe pouco a pouco, sua juventude
e, com bastante freqüência, seu dinheiro: uma forma sutil de vampirismo
vem sempre acompanhada de uma forma ofensiva. As vítimas são reconhecidas
pela palidez do “Drácula”, pelos traços cansados e pelo crescente
nervosismo. |
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Extraído de: DICIONÁRIO DO FANTÁSTICO. Edição especial de PLANETA, n.º 33. São Paulo, abril 1975. Editora Três. |