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O texto a seguir é um extrato do livro católico "A Umbanda no Brasil", escrito por Boaventura Kloppenburg. Apesar de conter idéias preconceituosas sobre a religião afro-brasileira, em muitas partes o livro apresenta pesquisas que demonstram um conhecimento brilhante do autor sobre o tema (apesar de infelizmente muito mal utilizado). -- Shirlei Massapust. |
O adivinho, ou o feiticeiro para o bem, intercede junto dos fetiches para beneficiar a sociedade. Sua função é combater e sanar as maldades feitas pelos feiticeiros maus (os “comedores de almas”). [...] O “comedor das almas”, ou feiticeiro para o mal, é o terror dos africanos. Não conhece leis, nada o impede de cometer os maiores crimes, recorre a todas as artimanhas. Manobra os espíritos a seu talante, em meio a cerimônias terríficas. Já não há súplica reverente aos fetiches, mas pura e simples imposição e exigências, extorquidas de qualquer modo. Ele é também antropófago, mas de modo especial: De noite, quando dorme, sua alma separa-se do corpo, vai à procura da alma que quer comer, toma-a, voa com ela para a floresta e lá se reúne com outros seus colegas para o grande banquete. Os “comedores de almas”, que formam entre si terríveis sociedades secretas, têm muita clientela: os que, cheios de ódio e vingança, querem desfazer-se de seus inimigos, ou pelo menos tornar-lhes a vida mais dura e amarga. Não se fará de rogado. Mediante um bom pagamento tudo fará para prejudicar. Ele é o autor de toda a miséria moral e corporal que aflige os africanos, senhor da vida e da morte, verdadeiro déspota das consciências. Até muitos catequistas católicos continuam a crer nos terríveis poderes destes homens tenebrosos. São os senhores da África. Tão fortes que até os fetiches se curvam reverentes às suas mínimas vontades. Seu modo de vida extravagante mais atemoriza os africanos: sempre solitário, solilóquio contínuo simulando conversa com os espíritos, dançarino nas campas dos mortos, tosca e ridiculamente vestido, parece um espectro vivo, o terror dos vivos e dos mortos. — E é aí que entra outra vez em função o adivinho, que procurará consultar os fetiches e saber o que foi feito pelo “comedor das almas”; e o que o adivinho disser e preceituar, será executado cegamente. |
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Texto extraído de: KLOPPENBURG, Dr. Boaventura. A Umbanda no Brasil. Petrópolis, Vozes, 1961, p 21-22. |
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O Comedor
das Almas
A REALIDADE
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Este outro artigo da AFP não faz parte do livro de Boaventura Kloppenburg, mas quando o encontrei percebi que este era o lugar ceto para divulgar tal coisa. Veja como algumas pessoas levam os mitos ao extremo (e como ainda existem caça-vampiros) -- Shirlei Massapust. |
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Pessoas acusadas de "devorar
almas" são espancadas até a morte em Guiné Bissau |