Chico Xavier
Desde as eras primárias da Civilização, a ideia de um
poder superior, interferindo nas questões mundanas, vem
guiando o homem através dos seus caminhos e a Religião
sempre constituiu o maior fator da moral social, se bem
que apresentasse a divindade à semelhança do homem, em
seus ensinamentos esotéricos.
O Cristianismo, inaugurando um novo ciclo de progresso
espiritual, renovou as concepções de Deus no seio das
ideias religiosas; todavia, após a sua propagação,
várias foram as interpretações das escrituras, dando azo
a que as facções sectaristas tentassem isoladamente ser
as suas únicas representantes; a Igreja Católica e as
numerosas seitas protestantes, nascidas do ambiente por
ela formado, têm levado longe a luta religiosa,
esquecidas de que a Providência Divina é Amor.
Estabeleceram com a sua acanhada hermenêutica os dogmas
de fé, nutrindo-se das fortunas iníquas a que se referem
os Evangelhos, prejudicando os necessitados e os
infelizes.
Mas, como o progresso não conhece obstáculos, os artigos
de fé equivaleram a estagnações isoladas. Se conseguiram
satisfazer à Humanidade em um período mais ou menos
remoto da sua evolução, caducaram desde que o
laboratório obscureceu a sacristia.
A Ciência desvendou o espírito humano as perspectivas
inconcebíveis do Infinito; o telescópio descortinou a
grandeza do Universo e os novos conhecimentos
cosmogônicos demandaram outra concepção do Criador.
Desvendando, paulatinamente, as sublimes grandiosidades
da natureza invisível, a Ciência embriagou-se com a
beleza de tão lindos mistérios e estabeleceu o caminho
positivo para encontrar Deus, como descobrira o mundo
microbiano, ao preço de acuradas perquirições. É que a
Divindade das religiões vigentes era defeituosa e
deformada pelos seus atributos exclusivamente humanos;
as igrejas estavam acorrentadas ao dogmatismo e
escravizadas aos interesses do mundo. A confusão
estabeleceu-se. Foi quando o Espiritismo fez sentir mais
claramente a grandeza do seu ensinamento, dirigindo-se
não só ao coração, mas igualmente ao raciocínio. O céu
descerrou um fragmento do seu mistério e a voz dos
Espaços se fez ouvir.
Foi assim que a religião da verdade surgiu na Terra, no
momento oportuno. As Igrejas estagnadas encontravam-se
no obsoletismo, incapazes de sancionar as ideias novas,
vivendo quase que exclusivamente das suas
características de materialidade e do seu simbolismo,
terminado o tempo de sua necessária influência no mundo.
As conquistas científicas não se coadunavam com o
espírito dogmático, e o Espiritismo, com as suas lições
magníficas, alargou infinitamente a perspectiva da vida
universal. Explicando e provando que a existência não se
observa somente na face da Terra opaca e cheia de dores.
Há céus inumeráveis e inumeráveis mundos onde a vida
palpita numa eterna mocidade; todos eles se encadeiam e
se abraçam dentro do magnetismo universal, vivificados
pela luz, imagem real da alma Divina, presente em toda
parte.
A carne é uma vestimenta temporária, organizada segundo
a vibração espiritual, e essa mesma vibração esclarece
todos os enigmas da matéria.
A Doutrina dos Espíritos, pois, veio desvendar ao homem
o panorama da sua evolução e esclarecê-lo no problema
das suas responsabilidades, porque a vida não é
privilégio da Terra obscura, mas a manifestação do
Criador em todos os recantos do Universo.
Nós viveremos eternamente, através do Infinito e o
conhecimento da imortalidade expõe os nossos deveres de
solidariedade para com todos os seres, em nosso caminho;
por esta razão, a Doutrina Espiritista é uma síntese
gloriosa de fraternidade e de amor. O seu grande objeto
é esclarecer a inteligência humana.
Oxalá possam os homens compreender a excelsitude do
ensinamento dos Espíritos e aproveitar o fruto bendito
das suas experiências; com o entendimento esclarecido,
interpretarão com fidelidade o “Amai-vos uns aos
outros”, em sua profunda significação.
Os instrutores dos planos espirituais, em que nos
achamos, regozijam-se com todos os triunfos da vossa
ciência, porque toda conquista importa em grande e
abençoado esforço e, pelo trabalho perseverante, o homem
conhecerá todas as leis que lhe presidem ao destino.