Buda não foi apenas uma figura histórica que viveu há 2.500anos, mas uma criatura extraordinária que, a partir das própriasexperiências, encontrou a iluminação e o despertar dos potenciaisinternos. Ele criou uma forma de pensar que oferece respostaspráticas para as diversas situações vivenciais e, ao mesmo tempo,uma maneira de transcendê-las.Buda foi um psicológo nato, um instrutor singular para as soluçõesdos problemas humanos, tanto pessoais como coletivos. Ele seconsiderava um curador de almas, cujo remédio era a clareza súbitana mente para avaliar ou solucionar com objetividade certos fatosou acontecimentos existenciais - o insight, na linguagem atual.Sidarta Gautama ensinava: "De que servem cabelo e mantoimpecáveis, ó tolo! Tudo dentro de ti esta confuso e, no entanto,você penteia a superfície!"Na época de Jesus Cristo, os fariseus - a elite religiosa judaica, quevivia na estrita observância das escrituras mosaicas e da tradiçãooral - e, da mesma forma, no tempo de Buda, os brâmanes - ossacerdotes, que consolidaram sua hegemonia social juntamentecom o sistema de castas -, tanto uns como outros foram acusadosde formalidades e hipócritas. Eram reconhecidos por suas ricas epomposas vestimentais e por não viverem de acordo com o quepregavam.Todas as almas veneráveis da humanidade possuiam plenaconsciência de que falar de humildade não torna ninguém humilde.Reamente, elas compreendiam que a humildade nada tem a vercom a presença ou ausência de bens materiais, mas com a formade comportamento íntimo.Na atualidade, ainda se associa humildade com inferioridade,submissão e pobreza; no entanto, ela está relacionada comdistinção, gentileza, lucidez, graciosidade e simplicidade. Entretodas as virtudes, somente a humildade não realça a sim mesmo,porque o verdadeiro humilde não acredita que o seja.No texto citado acima, Buda se referia aos que se consideravammelhores, mais bonitos e superiores aos outros, advertindo-os desua presunção e censurando-os pela fascinação da postura elegante,quando deveriam estar mais atentos a seu desenvolvimento ecrescimento espiritual.O humilde examina e pondera o orgulhoso porque um dia tambémo foi; o arrogante, porém, como ainda não conquistou a humildade,não sabe apreciar e valorizar a simplicidade. Aliás, só quem templena consciência do seu valor pessoal é que não precisa se exaltar;quem não o tem exibe, de maneira ousada e insolente, suacapacidade, poder, prestígio ou cultura.Os indivíduos humildes realçam a simplicidade das coisas, dada afacilidade supreendente de aprender e organizar os dados de umasituação. Eles penetram na essência das coisas, pois desenvolverama habilidade de "fazer a mente silenciar". É no "silêncio mental"que os ciclos habituais ou condicionados das regras e normaspreconceituosas cessam, que os padrões de pensamentosinadequados são interrompidos, para que haja a internalização dainteligência universal em nós.Em algumas correntes do budismo, há uma equivocadainterpretação do nirvana. Elas tomam como verdade a crença deque a meta espiritual do homem é alcançar um estado de completaquietude, que o levará à supressão do desejo e da consciênciaindividual. Na realidade, o termo nirvana, quando entendido em suasignificação mais profunda, deve ser traduzido como "a uniãodefinitiva da criatura com o Criador", nunca como sinônimo deestático silêncio interior, onde impera o "não-ser".Os humildes aprenderam, com a introspecção, a fazer de si mesmosum "canal ou espaço transcendente", por onde flui silenciosamentea inteligência universal.Quando o eminente educador Hippolyte Léon Denizard Rivailquestiona os Espíritos Superiores: "Qual é a fonte da inteligência?",eles responderam: "Já o dissemos: a inteligência universal"(1)A inteligência universal é o instrumento por meio do qual retomamosa conexão com a Causa Primeira. Ela não está confinada a nenhumareligião; ao contrário, é acessível a todos os seres, contudo só sedeixa penetrar por aqueles que têm "simplicidade de coração ehumildade de espírito"(2). Por meio de seus recursos infinitos,recebemos as mais sublimes contribuições - psicológicas, filosóficas,artísticas, científicas, religiosas -, alargando a compreensão davida dentro e fora de nós mesmos.
(1) Questão 72Qual é a fonte da inteligência?"Já o dissemos: a inteligência universal".Pode-se-ia dizer que cada ser toma uma porção de inteligência da fonte universal e aassimila, como toma e assimila o princípio da vida material?"Isto não é mais que uma comparação e que não é exata, porque a inteligência é umafaculdade própria de cada ser, e constitui sua individualidade moral. De resto, comosabeis, há coisas que não é dado ao homem penetrar e esta é desse número, nomomento."(2) "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo VII, item 2.
Do Livro: Os Prazeres da Alma - uma reflexão sobre os potenciais humanosPelo Espírito: HammedPsicografia: Francisco do Espírito Santo Neto.