Esta página do site é dedicada ao meu avô materno, Apeles Lemos,esperantista que muito fez pelo Esperanto no Rio Grande do Norte , nos anos 40 e 50 do século passado.(Vanilde).

             O Esperanto é uma língua criada para facilitar a comunicação entre os povos do mundo inteiro. Mais de cem anos de utilização prática fizeram do Esperanto uma língua viva, capaz de exprimir qualquer nuance do pensamento humano.
           Ela é internacional e neutra porque pertence a todos os povos e proporciona a comunicação entre pessoas de todo o mundo, sem qualquer tendência de hegemonia cultural, política, religiosa e econômica.
         Quem aprende o Esperanto tem o privilégio de usufruir de duas cidadanias que se interagem e mutuamente se enriquecem:
         A primeira todos recebem automaticamente quando nascem. É influenciada pelas tradições, costumes e crenças de cada país, ou seja, pela cultura local.
A segunda ganhamos quando, voluntariamente, optamos por ser cidadãos do mundo, através do Esperanto. Mais ampla que a outra, engloba a cultura mundial, em suas mais diversas manifestações.

Os que optam pela "dupla cidadania" através do Esperanto são chamados de esperantistas. São pessoas que não só conhecem a língua mas também a usam para comunicar-se com esperantistas de outros países, para estabelecer contatos com culturas diversas e são ativistas da divulgação e da defesa da idéia da Língua Internacional.

Após o surgimento do Esperanto, pessoas que o aprenderam sentiram necessidade de organizar grupos para a prática, ensino e sua divulgação. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram, alguns ultrapassaram as fronteiras do país de origem, novos surgiram e hoje temos centenas de organizações esperantistas em funcionamento no mundo inteiro.

Juntamente com os esperantistas, esses grupos formam o Mundo do Esperanto, e as ações nele desenvolvidas constituem o que se convencionou chamar de movimento esperantista.
 


LÁZARO LUIZ ZAMENHOF
O iniciador do Esperanto

LÁZARO LUÍZ ZAMENHOF nasceu em 15 de dezembro de 1859 na cidade de Bialystok, na Polônia. A cidade não era grande. Nela viviam pessoas de várias orígens, que falavam línguas diferentes e isso constantemente causava desentendimentos e conflitos sociais. O menino Lázaro nasceu e cresceu nesse ambiente e ainda criança percebeu a necessidade de uma língua comum para o relacionamento entre pessoas de diferentes línguas. Passou a estudar com profundidade o hebraico, o latim e o grego, além de algumas línguas modernas, como o francês e o inglês, constatando mais tarde que nenhuma delas serviria para esse objetivo.

Com a persistência dos gênios que colocam seus ideais acima de tudo, passou a elaborar uma nova língua, tomando como base o latim e utilizando elementos mórficos de maior internacionalidade. Ao terminar o curso ginasial já havia esboçado toda a estrutura da nova língua; interrompeu o projeto ao iniciar seus estudos universitários.

Formando-se em medicina, retomou os trabalhos, dedicando todo o tempo disponível para a elaboração, experimentação e aperfeiçoamento da língua. Aos 28 anos de idade, finalmente, sua obra estava pronta. Mas restava um último detalhe: como publicá-la, sendo sua situação financeira bastante precária? De onde viriam os recursos?

Um auxílio surgiu de onde ele menos esperava. Seu futuro sogro, homem afeto à cultura, financiou totalmente a publicação da obra, que veio a público em 26 de julho de 1887. Era uma obra com as instruções em russo e chamava-se "LINGVO INTERNACIA" (Língua Internacional), de autoria de "DOKTORO ESPERANTO", que na nova língua significa: "DOUTOR QUE TEM ESPERANÇA".

Com o decorrer do tempo, o nome "ESPERANTO" passou a ser usado por seus aprendizes, para denominar a própria língua. Pouco tempo depois eram lançadas as edições em polonês, francês, alemão, etc. Sem deixar a profissão, ZAMENHOF trabalhou ardorosamente na divulgação da Língua Internacional. Tamanha importância deu à propagação de seu ideal que, só depois de concluída e editada sua obra, veio a casar-se com Clara Silbernik, com quem teve 3 filhos.

Em 1905, aconteceu na França o primeiro Congresso Mundial de Esperanto, onde se reuniram centenas de pessoas de vários países, comunicando-se em uma única língua. Em março de 1917, sempre desejando a Paz, faleceu ZAMENHOF. O seu corpo repousa no cemitério israelita de Varsóvia, juntamente com o de Clara, o amor de toda sua vida e sua incansável colaboradora. Hoje, lá, podemos encontrar flores ofertadas por esperantistas de todo o mundo.

ZAMENHOF foi um homem iluminado, de moral superior, dotado de extraordinária força de vontade na divulgação de seu ideal humanístico. Foi um verdadeiro universalista, pacifista e pensador que lutou contra toda espécie de sectarismo. Em todos os países civilizados há monumentos, ruas, praças e bibliotecas com o seu nome. Todos os anos, no dia 15 de dezembro, realizam-se eventos esperantistas no mundo inteiro, para comemorar o aniversário do iniciador da Língua Esperanto.
 


Apeles Lemos e o Esperanto no Rio Grande do Norte


 

                     A Associação Potiguar de Esperanto - Esperanta Asocio do Rio Grande do Norte- foi reconhecida como de Utilidade Pública pela Lei Estadual nº 159 de 10/10/1949, (vide documento abaixo) não consegui informações sobre a data de sua fundação.
                       Apeles manteve a sede da Associação em sua residência, na Avenida Duque de Caxias 111, na época uma das principais ruas comerciais de Natal. Sua filha mais velha, Terezinha, recorda o grupo inicial era de quinze pessoas, aproximadamente.

                     Severina, esposa de Apeles, participava  com ele das reuniões e de eventos realizados fora de Natal.
                     A Associação mantinha contado com congêneres em outros Estados e até fora do Brasil.  Apeles, na qualidade de presidente da mesma, conseguiu trazer para Natal um esperantista português que estava com dificuldade de encontrar emprego no seu país.
                  A circular, abaixo, datada de 1951 é dirigida à Prefeitura de Caicó/RN, na qual Apeles solicita  ajuda financeira para a realização do XIII Congresso Brasileiro de Esperanto, a realizar-se em Recife/PE. O RN seria um dos organizadores , ele  cita que o Governador do Rio Grande do Norte já tinha aberto um crédito especial  de Cr$3.000,00 (três mil cruzeiros), para ajudar à realização do Congresso.

 


 


 

                Em seu trabalho de divulgação do Esperanto Apeles  fazia palestras  inclusive em escolas. Na foto, acima, datada da década de 50 ele está com um grupo de alunos da Escola Frei Miguelinho, em Natal.
               Esta foto foi encontrada no acervo do antigo Arquivo Histórico da Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande do Norte, por  sua neta Vanilde que lá  trabalhava, e foi doada a ela  pela então diretora do Arquivo.

 


 


A MISSÃO DO ESPERANTO 
Emmanuel

No cômputo das transformações por que passa o mundo, não são poucos os núcleos de organização espiritual que se instalam na Terra com vistas ao porvir da humanidade.

Se por toda parte observamos o esboroamento das obras humanas, a fim de que se renove o caminho da civilização, contemplamos também as atividades do exército de operários das edificações do futuro, como se fossem construtores de um novo mundo, dispersos nas estradas terrestres, procurando ajustar suas diretrizes. 

Sao esses, sim, os artífices do progresso divino. Empunham o alvião formidável da fé, acima de tudo, n'Aquele que é a luz dos nossos destinos. No acervo desse aparelhamento de energias renovadoras, objetivando o vindouro milênio, quero referir-me ao ESPERANTO, abraçando fraternalmente o nosso irmão que se constituiu pregoeiro sincero da sua causa, obedecendo ao determinismo divino das tarefas recebidas nas luzes do plano espiritual. 

Jesus afirmava não ter vindo ao planeta para destruir a Lei, como o Espiritismo na sua feição de Consolador, não surgiu para eliminar religiões existentes. O Mestre vinha cumprir os princípios da lei, como a doutrina consoladora vem para a restauração da Verdade, reconduzindo a esperança aos corações, nesta hora torva do mundo, em que todos os valores morais do orbe periclitam nos seus fundamentos, assaltados pelas doutrinas da violência, que embriagam o cérebro da civilização atual, qual veneno amargo a destruir as energias de um corpo envelhecido.

Também o ESPERANTO, amigos, não vem destruir as línguas utilizadas no mundo, para o intercâmbio dos pensamentos. A sua missão é superior, é da união e da fraternidade rumo a unidade universalista. Seus princípios são os de concórdia e seus apostolos são igualmente companheiros de quantos se sacrificam pelo ideal divido da solidariedade humana, nessas ou naquelas circunstâncias.

A língua auxiliar é um dos mais fortes brados pela fraternidade, que ainda se ouve nesse planeta empobrecido de valores espirituais, neste instante de isolacionismo, de autarquia, de egoísmo e de nacionalismo adulterado. 

O exemplo da Europa moderna nos faculta uma idéia dessa penosa situação. Todos os povos tem seus advogados entusiastas que com orações ardorosas, justificam esta ou aquela medida de seus governos. As nações são grandes tribunas onde cada um fala de si mesmo, humilhando ou conquistando o que é seu irmão. Cada um aplaude o crime político, desde que seja praticado dentro de suas fronteiras. Entretanto, a grande Europa, essa entidade maternal e sublime, que cooperou para o aperfeiçoamento da humanidade, que instruiu e educou, elevando o espírito do mundo, essa não tem advogados, não dispõe de uma voz que externe os gemidos de seu coração dilacerado, porque as fronteiras lhe dividiram todos os seus filhos, estabelecendo separações de areia e aço, transformando-a num deserto triste de corações, onde não existe a fonte de amor, para reconfortar as almas. 

Sim, nesta hora o ESPERANTO é uma força que atua para a união e a harmonia, com o facilitar que se estabeleca a permuta dos valores universais do pensamento, em forma universalista. Sonho? Propaganda só de palavras? Novo movimento para criar um interesse econômico? Todas essas suposições poderão ser formuladas pelos espíritos desprevenidos; mas, somente pelos desprevenidos que aguardam a adesão geral, para comodamente expressarem suas preferências. Os que, porém, buscam a luz da sinceridade para o exame de todos os assuntos, saberão encontrar, no movimento esperantista, essa claridade reveladora que, em realizações sagradas, desde agora esclarecerá, mais tarde, as idéias do mundo, fazendo ressaltar a nobreza dos seus princípios, orientados por aquela fraternidade que nasce do pensamento divino de Jesus, para todas as obras da evolução humana. 

Sim, o ESPERANTO é lição de fraternidade. Aprendamo-la, para sondar, na Terra, o pensamento daqueles que sofrem e trabalham noutros campos. Com muita propriedade digo: "aprendamo-la", porque somos também companheiros vossos que, havendo conquistado a expressão universal do pensamento, vos desejamos o mesmo bem espiritual, de modo a organizarmos na Terra, os melhores movimentos de unificação.

Deus é venerado pelos homens através de numerosas línguas, de que se servem as seitas e as religiões, todas tendendo para o maravilhoso plano da unidade essencial. Copiemos esse esforco sábio da natureza divina e marchemos para a síntese da expressão, malgrado a diversidade dos processos com que exprimem os pensamentos. 

Todo esse esforço é de fraternidade legítima e, rogando a Jesus que abençõe os trabalhos e as esperanças de nosso irmão presente, que lhe santifique os esforços e os de seus companheiros nas tarefas que lhes foi deferida pelas forças espirituais, deixo-vos a todos vós os meus votos de paz, aguardando para todos nós, discípulos humildes do Cristo, a bênção reconfortante do seu amor.
* Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier em 19-01-1940, estando presente à sessão Ismael Gomes Braga, um dos maiores esperantistas brasileiros de todos os tempos.

 


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