Sabedoria das Térmicas : Série
de Artigo
Sabedoria das
Térmicas -
Parte 2
by Dennis Pagen (copyright ©
2002), published in USHGA’s
publication
"Paragliding" December 2002.
All illustrations and figures are from USHGA
Térmicas são crianças do sol. Elas dão
cambalhotas e pulam num dia brilhante como colegiais
sapecas após infindáveis aulas de matemática, latim e
etiqueta. Elas dançam no salão do céu sob o som do vento e
das nuvens. Para entender o seu ritmo
dervish e a natureza áspera de sua dança, nós
precisamos conhecer detalhes de sua criação e outros
assuntos relacionados. Para esclarecer nossa
metáfora , nós precisamos
compreender o sentido e os efeitos do gradiente térmico.
Eu tentei evitar a discussão sobre gradiente térmico o
máximo possível, para que você não tivesse dúvida ao ouvir
a expressão "he who
lapse
last, lapse
best". Mas não podemos nos
esquivar por muito tempo do inevitável: para realmente
conhecermos o coração e a alma das
térmicas, precisamos entender o seu íntimo
envolvimento com o gradiente térmico.
SENTIDO REVELADO
Não é complicado entender o gradiente
térmico se nós simplesmente sacarmos que isto é um gráfico
da temperatura do ar partindo da superfície para o alto.
Nós podemos também chamar este gráfico de perfil da
temperatura do ar.
Um típico gradiente térmico matinal ou
perfil de temperatura . Vamos
observar alguns detalhes para ver o que podemos aprender.
Primeiro, nós notamos que a temperatura do ar no chão é
fria (55o F - 12o C ). A medida
em que vamos subindo, a temperatura atual vai esquentando
até o nível de 1.000’-330m (70o F - 21o C). Então, o ar se
esfria com a altitude até 3.000’-1.000m. Logo após, ele
esfria rapidamente com a altitude até atingir
5.000’-1.670m onde, no momento, ele esquenta com a
altitude novamente. Finalmente, acima de 5.500’-1.840m, o
ar esfria novamente com o aumento da altitude. A alteração
normal da temperatura do ar com o aumento da temperatura,
é o resfriamento. Isto ocorrer porque praticamente
todo o calor no ar vem para a base do aquecimento na
superfície. Mas, umidade, movimentos e sistemas de pressão
servem para alterar este quadro ‘normal’ como devemos ver
no próximo mês (parte III). Por agora, repare que quando o
ar esfria rapidamente com a altura a condição é denominada
instável porque ela provoca a ascensão e continuidade das
térmicas. Em outras palavras, a atmosfera envolve-se a si
mesma com a subida das térmicas e a descida do ar frio. A
condição inversa da atmosfera – quando o ar esquenta com a
altura ou não esfria suficientemente – e denominada
condição estável. Neste caso, as térmicas são suprimidas
mais rápido que a correção de uma injustiça chegue numa
convenção de advogados. Qualquer bombada para cima é
rapidamente destruída e então não temos atividade vertical
(mesmo que tenha um vento soprando). Ele repousa lá imóvel
como uma amante excessivamente embriagada e é igualmente
desapontador para um piloto.
Por quê as térmicas sobem num ambiente instável e caem de
volta à terra quando este é
estável? Para respostas livres de detalhes numéricos (ou
insensível), perceba que a pressão do ar cai com o aumento
da altura porque lá há menos ar acima empurrando para
baixo. Você pode sentir este efeito quando seus ouvidos
estalam quando você sobe com um avião, ou um elevador alto
ou elevador de ski. Uma bolha
de ar subindo (uma térmica, por exemplo) experimenta uma
redução da pressão à medida que sobe e assim se expande.
Sua cabeça supostamente cresce. Com o crescimento ela se
esfria, pois a mesma quantidade de energia de calor é
distribuída por um volume maior de ar.
Mas a razão pela qual ela começa a
subir é porque ela foi aquecida na superfície, expandida e
se tornou menos densa que o ar circundante.
Conseqüentemente, a bolha de ar sobe enquanto ela for
menos densa que o ar circundante, o que, em geral,
significa mais quente. Assim, quando a temperatura do ar
cai bastante com o aumento da altitude, a bolha sempre
permanece mais quente ou menos densa que o ar circundante
e continua a subir, mesmo se esfriando enquanto sobe. A
bolha neste tipo de ambiente é o que nós chamamos de
térmica.
Numa condição oposta – quando o ar
circundante não esfria na taxa que a bolha esta esfriando
com o aumento de altitude – a bolha normalmente encontra
uma mesma temperatura, e assim densidade, no ar
circundante e não mais flutuará. Esta condição é a
condição estável.
Nota 1: Gradiente térmico pode ser
bastante variado, então a condição pode ser qualquer coisa
de extremamente instável, neutra a extremamente estável.
Você pode imaginar as diferentes flutuações ou impulsos
ascendentes nesta variedade de condições do ar. A
quantidade de calor disponível e vento, em combinação com
o gradiente térmico é o que determina a natureza das
térmicas do dia.
Note 2: Para detalhes sobre
temperaturas atuais e alterações das térmicas com a
altura, veja Understandig
the Sky(Entendendo
o Céu). Agora voltemos a nossa
figura. Em vista de nossa discussão anterior, nós vimos
que a camada inferior (500’-170m) é bastante estável
porque se aquece com a altura. Nós chamamos este tipo de
camada de inversão porque a situação é a inversa do normal
resfriamento com a altitude. A inversão que ocorre no solo
é chamada (do que mais?) uma inversão de solo. Um pouco
mais alto na nossa figura, o ar esfria bastante com a
altitude, e é rotulado instável. Quanto mais alto, o
resfriamento é reduzido até o ponto em que o ar fica
estável. Então nós chegamos a
outra camada que esquente com a altitude (até 5.000’ –
1.670m) a qual é outra inversão. Finalmente, acima
dela o ar é instável novamente.
ALTERAÇÕES NO GRADIENTE TÉRMICO
Desde que saibamos que as
possibilidades de térmicas mudam a cada dia, não é preciso
ser um Aristóteles para saber que o gradiente térmico
também se altera. Vamos ver como estas alterações ocorrem
e como afetam as térmicas. A mais óbvia alteração no
gradiente térmico é causada pela grande variação no
aquecimento solar durante as 24h do dia. Durante a noite,
como o calor da terra é irradiado para fora, a ar na
superfície é esfriado e então a inversão de
solo . A densidade desta
inversão depende da extensão do esfriamento (quão nítido o
ar está e se as nuvens bloqueiam ou não o processo de
radiação). Também em áreas de montanhas, ar frio adicional
irá descer as encostas para aumentar o acumulo de ar frio
na superfície. Pela manhã, este ar frio começa a ser
aquecido de baixo para cima. Pequenas parcelas de ar
quente sobem um pouco e se misturam com o ar quente acima.
No nosso exemplo o gradiente térmico
está começando a ser alterado a partir de baixo e aparece
como uma linha tracejada em vários horários da manhã. Às
11:30am, nós vemos que a expansão do ar quente para
cima pela convecção acabou com a inversão de solo. De
fato, ela não mais existe uma vez que a temperatura na
superfície tenha atingido 73o F - 22,8o C. Como a
superfície aquece ainda mais, qualquer bolha de ar quente
subindo da superfície se encontra mais quente que o ar
circundante ao nível de 1.000’-330m e continua subindo.
Quanto mais quente a bolha de ar, mais alto ela vai, como
exibido. Quanto a temperatura atinge 73o F - 22,8o
C, na figura 2, as térmica sobem rapidamente para o
alto. Este número mágico é chamado de temperatura de
disparo. (É claro que a temperatura de dispara varia
diariamente e de lugar para lugar dependendo da densidade
e da temperatura da inversão do solo).
ALTURA DAS TÉRMICAS
Quão alto as térmicas vão?
No caso 1, elas sobem até que seu
resfriamento resulte numa equalização (aproximada) de
temperatura com o ar circundante. Quanto mais quente a
superfície fica, mais alto elas vão. Você pode ver uma
razão pela qual as térmicas no oeste do EUA são muito mais
altas que as opostas no leste.
No caso 2, a térmica nunca se esfria
até o ponto de equalização com a temperatura do ar
circundante, mas gradualmente é corroída, até não sobrar
nada, enquanto sobe mais alto. O
processo de corrosão ocorrer por causa da mistura
provocada pela fricção nos limites da térmica e
entrada de ar externo dentro dela (mais sobre este
processo no próximo capítulo). A situação neste caso
muitas vezes ocorrer quando há térmicas fracas (aquelas
produzidas abaixo de uma camada de altos cirros, condições
malucas, sobre água ou no inverno).
No caso 3, as térmicas atingem uma
camada de inversão e reduzem a velocidade como se
estivessem tentando atravessar um melaço. Nós também
mostramos uma situação onde a térmica entra numa camada de
inversão, reduz a velocidade, mas vara o topo e então
continua subindo. Neste caso, ela deve continuar subindo
até que seja corrida, encontre outra camada(mais
alta) de inversão ou forme uma nuvem alta. Somente
térmicas fortes irão romper uma densa inversão desta
forma, então as nuvens e térmicas acima da inversão irão
normalmente ser poucas e bem indefinidas.
Finalmente nós temos o caso 4, no qual
a térmica atinge o nível do ponto de orvalho e forma a
nuvem cúmulos. O ponto de orvalho é a temperatura na qual
o vapor de água contido na térmica condensa e se
transforma em gotas de água. As
milhares de gotas de água são visíveis como uma
nuvem. Quando uma nuvem se forma, grandes reservas de
energia de calor são liberadas (esta energia é o calor
latente da vaporização armazenada quando a umidade da
superfície evaporou) então a térmica se torna nervosa e se
mistura rapidamente com o ar circundante. Esta mistura com
ar do ambiente frio significam o fim da sustentação
naquela área em particular a menos que uma fonte contínua
de térmica esteja alimentando a nuvem.O que determina a
altura do ponto de orvalho, e assim da base da nuvem? A
resposta é a umidade do ar e a temperatura atual do ar (ar
quente pode reter mais vapor de água que ar frio). Com
algum talento nós podemos aprender a predizer a altura da
base da nuvem (e se irão ou não se formar nuvens) pegando
o ponto de orvalho da superfície exibido no gráfico
chamado Skew T ou um
Tephigram (Usado pelo serviço
de meteorologia Inglês. Avalia o ar superior e diz a
respeito de instabilidade, ponto de orvalho, densidade das
camadas de nuvens, temperatura de liberação de convecções
e outros dados -
JrCB). Levando o valor da umidade relativa
na superfície até uma linha chamada de linha de energia
constante, nós encontramos o ponto de orvalho na posição
onde ele atravessa o gradiente térmico. Entretanto, esta
técnica está fora do escopo desta série. Nós devemos
notar que os casos 1, 2 e 3 resultam em dias azuis
(nenhuma nuvem cúmulos formando a partir de fontes no
solo). Por sorte, o caso 4 ocorrer vezes o bastante para
nos dar freqüentemente céus marcados com macios e brancos
degraus guiando nosso caminho aéreo. Seguramente os
conceitos acima lhe dão a idéia de que podemos predizer a
altura das térmicas num dia se conhecermos o perfil de
temperatura do ar (atualmente disponível na WEB para a
maioria dos paises), a temperatura máxima prevista para a
superfície, o ponto de orvalho na
superfície e o quanto uma térmica esfria enquanto
sobe. Este último valor é de 5.5o F para 1.000’-330m de
subida.(Você sabia que nós deixaríamos escapar alguns
números eventualmente. Não sabia?). Agora, aqui, alguns
artifícios do processo. Assim como o dia progride, a
superfície da terra tende a secar devido às térmicas
levarem a umidade para cima. Conseqüentemente,
a base das nuvens sobe mais alto
(o ponto de orvalho sobe) a medida em que o vapor de água
contido nas térmicas é menor. Um tipo processo diário é
exibido na figura 4. Nós já vimos que
as térmicas sobem mais alto a medida em que a
temperatura da superfície sobe, então estes efeitos
combinados produzem uma subida mais alta de sustentação
até o pico de 3:00pm. É claro, este ciclo típico pode
variar se existir um retardo no aquecimento ou se excesso
de nuvens reduzirem o aquecimento. No próximo mês, veremos
o efeitos deste tipo de
processo em camadas de inversão.
O ponto final a entender é que térmicas
são como balões de ar quente, que possuem grande inércia.
Ele demora algum tempo para começar a subida, mas depois
demora a reduzir a velocidade, uma vez que já esteja
flutuando. Como resultado, eles penetram facilmente mais
de 1.000’-330m acima da altura na qual eles não estão mais
quentes que o ar circundante. Elas sempre penetram alguma
distancia dentro das inversões (enquanto normalmente se
tornam partidas) e podem atravessar alguma fraca. De fato,
vários estudos têm mostrado que quando uma térmica atinge
2/3 ou 3/4 de sua subida máxima, ela já não está mais
quente que o ar circundante. Mesmo assim, ela continua
subindo devido a sua inércia e vapor de água contido, o
que a faz menos densa que este mesmo ar circundante. Como
resultado destes fatores, determinar a
altura da sustentação baseado no gráfico do gradiente
térmico irá sempre subestimar o atual nível
experimentado. Isto demanda um analisador experiente para
supor os valores corretos.
O QUE VOCÊ PODE USAR
Pense a respeito de como o gradiente
térmico muda da noite para o dia e entenda que só porque a
noite é clara e fria não significa que o próximo dia será
um ótimo dia para produção de térmicas. O que é importante
é a (in)stabilidade
do ar acima da inversão do solo. Eu recordo um dia durante
o Campeonato da Costa Leste no Vale
Sequachie. Todos pensaram que nós íamos ter um
grande dia, afinal o ar estava claro, veloz e frio. Umas
poucas térmicas anêmicas subiram para fazer cócegas, mas a
massa de ar estava estável e nós andamos de trenó durante
todo o dia. Alguém podia ter escrito uma tese sobre
depressão de grupo naquele dia.
Parte de diversão de voar sem motor é
contar com o que você pode encontrar e fazer o melhor com
isto. Entretanto, se você é um piloto com recursos
limitados (leia obrigações familiares), e você tem que
escolher os seus dias, isto te obriga a aprender a ler os
diagramas de gradiente térmico para prever os dias com
boas condições. Para fazer isto efetivamente, você precisa
entender os princípios.
Outro ponto útil é notar que a natureza
das térmicas do dia é bastante determinada pela natureza
do ar circundante. Então, quanto antes você entender como
as térmicas se parecem (largas, estreitas, curtas, altas,
turbulentas, lisas, inclinadas, rápidas, com vários
centros, esticando a favor do vento, continuas, de vida
curta, batidas, infrequentes,
etc.), melhor você estará apto para explorar seus recursos
de sustentação. O gradiente térmico muda lentamente
durante o progresso do dia, então a
natureza das térmicas também mudam lentamente.
Finalmente, quando você começa seu vôo
é sábio definir o tipo de condição superior que você
encontra. Se você determina que uma inversão está parando
as térmicas, você pode trabalhar duro para vará-la e
possivelmente ganhar centenas ou milhares de pés acima
daqueles teto desafiador. A
técnica para fazer isto será discutida em nosso capítulo
final.
Tradução:
Júnior CB - Brasília/DF |