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Menina levada.

                                 Segunda pela madrugada por volta das 6:00 h, parti de Rainha do Mar (onde as, mas línguas dizem que tenho uma casa alugada) rumo a Carlos Barbosa. Esperava fazer uma viagem normal, mas, felizmente fui surpreendido. Uma recompensa pela noite mal dormida, pois o calor era insuportável.

                                                                 PARTE I  

                                              

                                Antes de parar para abastecer, logo no primeiro posto da Estrada do Mar, um imprevisto aconteceu: uma menina que viajava no banco de traz de um carro, jogou uma casca de banana no meu pára-brisa.

                                 Esbravejei em pensamento: "Olha  só que filha da puta!". 

                                Parando no tal posto, surge o carro em que viajava a menina e encosta do meu lado. Seu pai pega-a e a traz ao meu encontro dizendo:

            - “Pede desculpas pro moço, pede ou eu vou...".

 - “Tá bom, tá bom, desculpa”.Disse ela, com os olhos vermelhos.

                                Confortando-os, falei que não havia problema.

                                O pai interrompeu e retrucou o meu comentário.

 - “Não diga isso, essa guria tem que leva laço pra aprender, a poucos quilômetros ela jogou uma maçã inteira pela janela, ainda vai causar um acidente, peste de uma peste...   E limpa logo esse nariz imundo, sua porca... E tu mulher, não diz nada?... Eu devia faze tu limpa com a língua pra aprender".

                                Querendo por um fim nesta história, pois já havia acumulado gente, passei a mão na cabeça da menina e disse:

- "Olha! Escuta bem o teu pai, ai ele não fica chateado contigo...".

- "Eu nem me importo" falava ela sacudindo os ombros e com os olhos cheios de lágrimas.

- "Tu vai acabar viajando no porta-malas" brinquei eu. 

                                 A menina olhou pra mim e entrou em num choro compulsivo, levou dois tapas do pai e entrou no carro. Seu pai desculpou-se e disse:  

- "Na próxima ela vai pro porta-mala, pra deixa de se bicho burro”  .

                                 E foram-se pela estrada, com a menina no banco de traz acenando com uma das mãos, e é claro, mostrando a língua.

  

                                 PARTE  II

                                 

                                 No meio da Free-Way os primeiros raios de sol batiam na traseira do carro. Escutava pelo rádio que na zona sul de Poa iniciava uma chuva forte com trovoadas, confirmei olhando o horizonte: uma massa fria vinha da Argentina derrubando a temperatura, o sol iluminava aquelas grandes nuvens de quilômetros de altura e os raios caiam sobre a capital. No sentido contrário da estrada, carros vinham com faróis acesos: o que a princípio parecia exagero.

                                   Ao entrar sob as nuvens, ventos de 40 a 60 Km/h (segundo o jornal) sacudiam o carro e uma pancada de chuva fazia alguns carros pararem por falta de visibilidade ou por cagaço. Aí notei o porque das luzes. Havia virado noite e a sensação térmica mudado complemente.

                                   Chegando ao pedágio de Gravataí, vejo uma confusão na fila ao lado, não dava para ver o que acontecia. Ao aproximar-me vi que não era nada de mais, ou melhor, nada que eu não conhecesse. Lá estava, um homem enchendo de tapas sua filhinha. Adivinhem que era? É acertaram. Uma linda cena de baixo da chuva.

                                    Quando o pai dela olhou pra mim e reconheceu-me gritou:

-         "A desgraçada jogou as moedas pela janela, e agora vai cata uma por uma”.

                                    Fui embora pensando: "Ainda bem que estou longe disso”.

 

Fábio Luís Accorsi.

 
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