Rápido
para cima
Jay Rebbeck
explica como pegar as melhores ascendentes do dia a fim de voar
maiores distâncias ou chegar
no gol mais rápido.
Cross
Country Magazine.
13-Mar-02.
Traduçao
Mauro Chies - CVVVL
Pilotos
de corrida adoram voar rápido. Quando você esta competindo não há nada
melhor do que ultrapassar um outro competidor como se ele estivesse parado
no ar. Infelizmente o segredo para bater este glider é raramente
simplesmente voar mais rápido. Existe certa ciência escondida nos princípios
de “speed to fly”.
Imagine
este cenário: Você acaba de pegar uma termal de 3 m/s
e vai parar na base, a 2000 m, e começa pensar na tirada. A que
velocidade você deve partir? 20 km/h?
40 km/h? A resposta não tem absolutamente nada a ver com a termal que você
acabou de deixar e absolutamente tudo a ver com potencia da próxima.
MacCready
Tornou Tudo Mais Simples
Baseando-se
neste principio básico – de que o aproveitamento da próxima termal vai
depender da sua velocidade de cruzeiro – Paul MacCready desenvolveu um
modelo matemático que diz a você qual a velocidade ideal de vôo em
determinado momento. O modelo leva em consideração três princípios básicos:
1.
A velocidade hipotética da sua próxima termal.
Se o seu glider está subindo como um foguete, então você deve chegar na
próxima termal o mais rápido possível, mesmo que para isso tenha que
perder alguns metros. Por outro lado, se é final de tarde e você esta
lutando para manter-se na última termal do dia você deve voar
suavemente, maximizando o aproveitamento de sua altitude, e que sabe
enroscando em alguma outra termal fraca.
2.
A performance do glider que você está voando.
Em geral, quanto melhor a performance do glider, maior será sua
velocidade ideal.
3.
O tamanho das áreas de ascendentes
e descendentes onde você está voando. A
teoria do vôo do golfinho diz que quanto maior a velocidade da
descendente que você tem que atravessar, maior deve ser sua velocidade
linear enquanto estiver nela. Por outro lado, descendentes fracas não
requerem velocidades aceleradas para atravessá-las.
Está
bem, todos sabem da importância destes princípios. Como MacCready lidou
com eles? A beleza desta teoria é a simpliciade de sua aplicação.
Apenas
decole com a equação de MacCready em seu vário em direção a termal de
velocidade média que você deseja alcançar (ou digite n o seu computador
de vôo) e você estará no caminho. O que MacCready fez foi apenas
determinar qual a velocidade ideal de vôo do seu glider para uma
determinada condição, ou seja, a velocidade ideal de vôo do seu glider
para as termais daquele dia. Esta seria velocidade ótima, mais eficiente,
levando em conta o equilíbrio entre chegar lá rápido a fim de
aproveitar a sua altitude sem desperdiçar a termal atual. Alem disso ele
calculou como esta velocidade deve ser variada para compensar as
descendentes e ascendentes na rota planejada.
Por
exemplo: Assuma que é um bom dia para o cross, com teto de 2500 m e
termais de 2 m/s em média. Então você entra com este dado no seu vário
(2 m/s) utilizando o recurso de MacCready e simplesmente segue as instruções
de velocidade que ele lhe dá, levando em conta quanto você sobe e desce
nas correntes, parando e aproveitando as termais de 2 m/s ou mais. Será tão
simples assim?
Aquela
sensação de estar descendo...
Até
aí você estava indo bem! Com MacCready ajustado para 2m/s, a recomendação
do vario é de voar regularmente entre 25 e 30 Km/h nas descendentes, mas
você está assustadoramente voando para baixo numa velocidade
surpreendente. Se você for sortudo o suficiente para encontrar outra
termal de 2m/s talvez complete o percurso com toda aquela adrenalina no
seu sangue. “Mas esse MacCready disse que funcionava” você pensa
enquanto se ajeita no banco do carro.
Bem,
onde está o furo? Muito simples, MacCready não leva em conta que você
dificilmente sabe qual a força da próxima termal. A fim de obter a
melhor velocidade de vôo em cross, o truque é enroscar nas termais que são
mais fortes e evitar as que são mais fracas. Justamente aí a teoria de
MacCready nos leva a dois outros problemas.
Primeiro,
o que acontece se você é obrigado por determinadas circunstâncias a
pegar uma termal mais fraca do que a indicada por MacCready?
Bem, sua velocidade média cai. O que não lhe disseram é que sua
velocidade média cairá muito pouco se você voar alguns poucos Km abaixo
do indicado pelo gráfico mas a sua termal for forte, ao passo que se você
voar um pouco acima da velocidade recomendada mas sua termal for fraca,
sua velocidade média cairá muito. Segundo, mesmo que você esteja muito
satisfeito por ter voado uma termal de 2m/s com um ajuste de MacCready de
exatos 2m/s, o que fazer se a próxima termal é uma descendente de 4m/s?
Infelizmente você será forçado a subir a uma taxa de 2m/s na termal
mais fraca, ganhar tudo o que perdeu e ainda procurar por outra verdadeira
termal de 4m/s a frente.
Se
você voar com ajustes mais modestos para o gráfico de MacCready, você
poderá experimentar mais termais acima da média antes de abandonar
alguma, dessa forma suas chances de obter boas acedentes é maior.
Quão rápido devo voar?
Onde
essa questão nos levaria? Apesar da teoria de MacCready não ser
perfeita, ela é perfeitamente adaptável a fim de criar uma velocidade
recomendada ótima para se voar. Uma boa regra básica que eu utilizo
sempre é a seguinte: Eu olho para o céu a minha frente e imagino que
intensidade mínima de termal eu estaria disposto a parar para aproveitar.
Este é meu ajuste para MacCready. Simples. Eu ajusto meu vôo para um
valor baixo, assim tenho tempo de voar mais lentamente e procurar por
termais mais fortes. Assim quase sempre posso adicionar gasolina nas
minhas termais.
Esta
é a teoria, mas como eu coloco isso em prática? Enquanto ganho altura
com uma termal eu tenho em mente a velocidade ideal de vôo na hora de
partir dela. Depois de acelerar até a velocidade recomendada eu vario
muito pouco para cima ou para baixo a mesma. Somente se pegar uma boa
termal eu paro e aproveito para encher o tanque. Parar a todo o momento
para tentar enroscar em pequenas termais é perda de distância voada.
Mitos do Speed-to-fly
Voar
na velocidade recomendada é muito bom, mas vamos colocar as coisas
em ordem. A fim de conseguir uma boa velocidade média, é muito
mais importante ganhar com termais fortes do que ficar voado
exatamente na velocidade recomendada. Se você avista uma possível
boa fonte termal a sua frente, não tenha medo de sair da sua termal
de exatos 2m/s, talvez a próxima seja uma de 5m/s, chegue lá rápido.