13:44
Fernanda Wendel 𓋹 𓍑 𓋴
Fiquei feliz em ter ido assistir ao filme do Super-Homem hoje. Havia uma sessão legendada à tarde e fui atrás dela. Confesso que a inserção de Krypto e os primeiros dois minutos do filme me causaram um desconforto. Eu via os antigos desenhos do Super-Boy e o Krypto era parte dele, só que eu era criança, para vocês terem uma ideia do tempo que faz. Em quadrinhos, nunca li nada com o cachorro. Praticamente todos os quadrinhos de Super-Homem que eu li, era coisa da EBAL, Era de Prata, portanto. Sim, já sou velhíssima.
A partir do momento em que a gente entende a função do cachorro, humanizar ainda mais o Super-Homem, talvez passe a gostar de Krypto, que é, no filme, um vira-lata malcomportadíssimo e causa certa de destruição. E Krypto é uma personagem importante na película, não está lá somente para oferecer momentos fofos e de humor. Ele trabalha, por assim dizer. E eu não vi "John Wick", mas acredito que há uma piada referencial ao filme, porque a única vez em que vemos o Super-Homem realmente furioso é quando Lex Luthor sequestra Krypto e diz que não tem nada com isso. Acredito que, ali, naquele momento, ele quase tomou uns tabefes. Não se mexe com o cachorro de uma pessoa, nem com o gato, que fique claro.
Já David Corenswet é um Super-Homem novo, ele é muito mais vulnerável que o de Christopher Reeve. Se eu fosse brincar com horóscopo, acho que o mapa astral dele seria uma mistura de Peixes com Câncer, ou a gente gosta, ou não gosta. Talvez, tenha Leão aí, também, porque há certa vaidade na personagem, que precisa ser repensada, mas que o filme não explora muito. Ela fica evidente na entrevista dada para Lois Lane e só.
E como o Super-Homem apanha nesse filme! E sangra. Lembro que quando o Super-Homem de Christopher Reeve sangra a primeira vez, no segundo filme, ele fica assustadíssimo. No filme de James Gunn, o super-herói não é invulnerável, ele tem limites e acredito que seja importante isso. Personagens invencíveis exigem tramas que precisem se esforçar muito para justificar as suas derrotas, mesmo que temporárias. O novo Super-Homem, poderia ser morto, ele é um ser vivo, ele está longe de ser um deus, ainda que as analogias messiânicas continuem lá.
Falando nisso, não gosto de letreiramentos e eles são despejados para nos situar no que está acontecendo no início do filme. Uma escolha curiosa e a analogia messiânica está lá. Super-Homem viveu trinta anos na Terra, faz três anos que está cumprindo sua missão e foi derrotado pela primeira vez. Precisa, agora, se recuperar e há uma preocupação no filme em mostrar que esse Homem de Aço não é invencível, invulnerável, de novo, ele é um ser vivo e ele se tornou mais humano que os humanos por nos amar demais. E se você não percebeu que o Homem de Aço é uma espécie de Jesus Cristo, recomendo o trabalho do professor Iuri Andreas, ele estudou intensamente esse aspecto da personagem.
Há outros super-heróis no filme, e sua participação grande na película me surpreendeu. Temos o Lanterna Verde com corte de cabelo de tigela (Guy Gardner), o Sr. Incrível e a Mulher Gavião. Eles formam a Gangue da Justiça, ou, pelo menos, esse é o nome que agrada ao Lanterna Verde. E eles aparecem bastante, muito mesmo, especialmente, o Sr. Incrível, que parece aqueles heróis de filmes para o público negro dos anos 1970 (*Blaxploitation é o subgênero*). Gostei deles. E há até um kaiju (*monstrão de séries e filmes japoneses*) e aquela luta com com monstro gigante me lembrou coisa de Espectreman ou Ultraman, sabe? Ridículo, mas o filme não se vende como algo tão sério assim. E é preciso entender isso desde os primeiros minutos.
E mais, enquanto a Gangue da Justiça não se preocupa tanto assim em salvar gente, mas em cumprir a missão, o Super-Homem se preocupa em garantir a vida de todo mundo, desde o esquilinho mais fofo. Ainda assim, temos mortes no filme e sangue, mais do que eu imaginava que tivesse. O Super-Homem novo é fofo, é compassivo, mas não vai deixar de se livrar dos vilões ou de seus minions se necessário for. E foi em alguns momentos.
O