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Fernanda Wendel 𓋹 𓍑 𓋴
O operador espanhol Red Eléctrica descreveu o evento como “excepcional e totalmente
extraordinário” e previu a recuperação do fornecimento em horas, embora a normalização completa em Portugal possa demorar até uma semana. Em
resposta, autoridades de ambos os países convocaram reuniões de emergência e orientaram a população a evitar deslocamentos
desnecessários.
As linhas de alta tensão podem sofrer diversos tipos de vibração. Uma delas é a vibração atmosférica induzida. Esse fenômeno gera oscilações
de baixa frequência, entre 0,1 e 10 Hz. Afeta condutores e componentes da rede elétrica.
Diferente da vibração causada pelo vento, a atmosférica tem outra
origem. Surge da interação entre fenômenos elétricos e condições do tempo. O processo começa com uma descarga (não um raio). Ela ocorre em
alta umidade ou em superfícies irregulares dos cabos. A descarga ioniza o ar ao redor das linhas, formando partículas carregadas.
Essas partículas interagem com o campo elétrico dos condutores. Isso
cria forças eletro-hidrodinâmicas periódicas. Essas forças geram ondas de pressão no ar. As ondas causam a vibração dos condutores e de outras
partes do sistema.
A vibração atmosférica induzida é única. Não está ligada diretamente a forças mecânicas, como o vento ou o gelo. Suas consequências variam no
tempo.
A longo prazo, pode causar fadiga nos materiais. Fios, isoladores e suportes ficam mais frágeis. Podem surgir fissuras e afrouxamento de
conexões. O desgaste em pontos de contato também se acelera.
A curto prazo, a vibração pode aumentar o ruído perto das linhas. Em casos raros, pode afetar instrumentos sensíveis. Também pode se somar a
outras vibrações, aumentando os danos.
Mas a hipótese ventilada pelo operador elétrico português de um fenômeno muito raro chamado de “vibração atmosférica induzida” é recebida com
ceticismo por especialistas na península ibérica.
Segundo essa teoria, as oscilações causaram falhas de sincronização entre os sistemas elétricos, observa a REN, resultando em perturbações
sucessivas em toda a rede europeia.
José María Madiedo, astrofísico do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), acredita que uma vibração atmosférica (que pode ser causada
por um raio ou um som alto) parece “muito estranha”.
De fato, o especialista descarta a possibilidade de que tenha sido um fenômeno natural: “A primeira coisa que pensei foi que poderia ser algo
parecido com uma tempestade solar como o evento Carrinton”, explica ele ao jornal ABC, referindo-se à tempestade solar extrema em 1859.
O problema com essa explicação é que se trata de um fenômeno tão
localizado que não se encaixa na hipótese da tempestade solar. “Um evento teria afetado o planeta inteiro, não apenas a Espanha e
Portugal”, ressalta Madiedo.