O
último metaleiro assume o funk
Bernardo Araujo
Os mais esnobes podem
até fingir, mas todo o Rio de Janeiro já ouviu falar em Carlos
Vândalo, ou Carlos Punk para os mais chegados. Pouca gente sabe,
no entanto, que o cantor e guitarrista da Dorsal Atlântica - a mais
tradicional e longeva banda de heavy metal carioca - há tempos deixou
o velho apelido e passou a usar o nome de batismo, Carlos Lopes. E agora,
heresia das heresias, ele está estreando em uma nova banda, na qual
predomina o funk.
- É claro
que ainda tem guitarra, dou os meus gritos, mas quem nasceu e cresceu no
Rio não pode ficar indiferente a gêneros como o funk e o samba
- diz Carlos.
Inspirado pela linha
de ônibus 415, Usina-Leblon, ele deu o nome ao quarteto que estréia
na segunda-feira, às 21h, no Ballroom: Usina Le Blond. O cantor
aproveitou as semelhanças e diferenças entre os dois bairros,
que também guiam as novas composições, essencialmente
cariocas.
Carlos - que por
sinal, no novo grupo, assina como Hekamiah - trabalha nas novas composições
há dois anos.
- No verão
de 1998 compus uma canção chamada "Tudo de novo", em que
falava das minhas frustrações - lembra ele. - Resolvi que,
após mais de 15 anos na Dorsal, queria uma vida e uma carreira novas,
sem cobranças.
Mas o que pensará
a comunidade do metal, fiel há tantos anos ao grupo que deu ao mundo
discos como "Antes do fim" e "Dividir e conquistar"?
- A insegurança
bateu, é claro, mas todos os meus amigos deram força, me
mandaram tocar e cantar o que meu coração mandasse, então
fui em frente - diz Carlos.
Acompanhado pelo
guitarrista Xande, pelo baixista Robson Mattos e pelo baterista Alexandre
Costa, Carlos vai cantar as músicas inéditas que compõe
o CD do Usina Le Blond ("Santa Teresa", "Corpo fechado") e mais surpresas
do funk nacional e internacional. Dorsal, parece, nunca mais. |