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COLUNA "PERGUNTE QUE O ANJO RESPONDE" (CONEXÃO DIRETA COM O ALTO)

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Primeira pergunta:  Entrei neste site de bobeira e quero saber qual é?!

Bem, meu nome é Hekamiah, sou meio-gente e meio-anjo;  meio-funkeiro de boa cepa e bom roqueiro;  apreciador de samba das velhas guardas (tenho minha preferência mas me abstenho de voto para evitar quaisquer mal-entendidos) e amantes das sétimas e oitavas artes.  Sou guitarrista e cantante da banda USINA LE BLOND que é o bicho, é tudo, é centauro, é boitatá.

Pergunta 2:  Hekamiah?  Que que é isso?

É o nome de um anjo, terráqueo.  Todos nós, encarnados ou desencarnados, possuímos um protetor, um amigo em nível espiritual.  Escolhi a alcunha de um ser celestial para ter um guarda-costas "à altura" para me dar coragem de entrar com o pé direito na vida.  Um anjo na antiquíssima tradição é um sujeito vestido de asas que fica no teu encalço.  Na verdade, até sua mãe pode ser um anjo, mas o anjo de que estamos falando é provido de características particulares que ligam uma data e um dia a uma determinada característica boa e/ou má de sua personalidade.  Existem dois caminhos possíveis e o anjo é detentor dessas chaves.  O anjo seria um alter-ego, cappice?  Caso você também tenha curiosidade de saber tudo sobre o seu, o grau e escolaridade do seu anjo, escreva uma carta-amiga para quem vos digita este texto para receber sem ônus toda a ficha do antigo DOPS sobre o seu private angel...  Eu recomeínduu.

Pergunta 3:  Como começou esse negócio da banda de boitatá com mistura de anjo com guitarra?  Que doideira é essa?

Durante o verão de 1998 compus música e letra para uma canção chamada "Tudo de Novo", uma lavagem de roupa-íntima sobre minhas frustrações.  Era mais um dos pontos de partida do que seria uma tomada de decisão muito importante para minha vida e carreira.  Estava desejoso de começar uma vida e uma carreira novas, sem cobranças.  Procurava coragem suficiente para dar a cara a tapa e compor sem rótulos, apenas colocar o coração na partitura ou em um pedaço de fita e foi o que passei a fazer desde então. 
   Como entrar em um mercado tão competitivo? - pensei.  O que é música popular ou de elite?  Não sei, não sabia e continuo sem saber, mas na verdade não me interessa muito.  Às vezes, divagações demais fizeram-me perder a lógica de simplesmente tocar um violão, compor melodias que me encantassem e deixar o meu mais íntimo falar francamente:  "Cara, você mudou.  Não tenha vergonha de ser quem você é.  Toque, cante, ame e não se arrependa jamais" - foi o que ouvi.  Munidos de alguns amigos pusemo-nos a trabalhar incansavelmente, todas as semanas, compondo e arranjando canções que pareciam a princípio apenas parte da libertação musical que estava à nossa frente, uma possibilidade sonhada há anos de materializar o sonho mais íntimo de fazer música, simplesmente isso, música sem rótulos, seja o que for isso, nunca música expelida, mas criada com carinho e dedicação imensa.  Catamos velhos LPs e ouvimos muita música, pensamos nos nossos pais, nas manhãs de domingo quando a vitrola tocava o disco do Martinho da Vila na sala e dos Beatles no quarto das crianças.  O que poderia dar isso?  Negar a existência desse pouso de UFO em nossas vidas?  Os anos 70 começaram a parecer tão nítidos e próximos.  Podia ouvir o som monaural da vitrola com os compactos arranhados e cheios de marcas de dedos dos meus amigos negros e de baixa renda que traziam os seus Jackson-5 e Barry White para aplicar o som deles no garoto branco.
   No rádio tocava Gonzaguinha, Raul Seixas (grande mestre), Gary Glitter, Tim Maia.  Nossa, que loucura!  Na época fingi não escutar, mas passadas várias décadas a ficha caiu:  os Novos Baianos passaram a fazer sentido, tudo podia ser rock and roll desde que munido da tal da "atitude" e foi com essa cabeça, disseminando essas coisas na "cuca legal" que entrei em parafuso, pirei musicalmente.  Comecei a correr atrás do meu passado, rever minhas coisinhas e ver o novo com óculos de turista que acabou de chegar, mas cheio de boa vontade para entender a loucura da cultura tropicalista e sacanista, filha de Macunaíma e Tupã de tanguinha e sutiã, gigante em berço esplêndido e anã, de circo, nunca paralítico, sempre empenhada em subir no trapézio e dar o salto mortal. 
   Nosso país é um circo, circunflexo de muitas perguntas e nenhuma resposta.  Peraí, eu tenho a resposta:  resolvi me encontrar, sou brasileiro, sou universal, mas descobri que água de côco é civilização e Coca-Cola só pode matar quem desobedecer a regra:  não se entale para não sufocar.  Somos brasileiros, mandioca e milharal, feijão tropeiro e queijo coalho (cualho?), êta povo arretado!

Pergunta 4:  Tá, tá legal, mas não entendi nada.  USINA LE BLOND é um simbolismo também?

É uma banda que nasceu a partir da necessidade do porta-voz (por ser o vocalista, apenas isso.  Nada nas entrelinhas) da banda, o tal do Hekamiah, ter a base firme para expressar idéias musicais sem repressão, seja de quem for, do mercado, da mídia ou de si mesmo.  A USINA é livre, a USINA não tem rédeas, a USINA é uma máquina sonora de suor, swing, rock e vida.

Pergunta 5:  Como ouvirei esta lenda musical chamada HEKAMIAH E USINA LE BLOND?

No momento em que estou redigindo este texto (agosto de 2000) estamos divulgando a banda, ensaiando, compondo, colocando as coisas nos eixos do destino para que se o mesmo for condolescente conosco, nos conceda o direito de atingirmos o Olimpo (não apenas a casa de shows no Rio) das divindades musicais, munidos de bons sentimentos para produzir música que nos preencha a alma e o espírito, ou tudo junto se for possível.  Shows rolarão e neste momento a banda está inscrita em alguns festivais.  Espero que daqui a um ano, em agosto de 2001, esta profecia seja um fato e todos vocês que estão nos acessando agora, já possam estar com o nosso CD em suas mãos, nossa música em seus corações e esperamos ver vocês em nossos shows, que pretendemos seja um "happening".

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