- USINA  LE  BLOND -
NOVIDADES  (NÃO TÃO NOVAS)



O FUTURO É PRESENTE: Entrevista com Carlos Lopes - Intempol http://www.intempol.com.br/NewsView.aspx?id=22&


Data 20/8/2003 17:44:52

 Carlos Lopes é uma figura emblemática do underground carioca e brasileiro. Batalhando desde os anos 80 com suas várias bandas de rock - sendo a mais famosa delas a Dorsal Atlântica, que misturava filosofia, misticismo e muito peso -, ele é considerado por seus pares como um guerreiro incansável e inovador, que não tem medo de trilhar novos caminhos. 
Aqui, ele revela seus hábitos literários - que incluem muita História e alguma FC&F - e fala sobre seus novos trabalhos: as bandas Usina leBlond e Mustang. 

Octavio Aragão - Vamos lá... feijão com arroz pra começar: nome, formação e tempo de estrada... Vale um pequeno resumo da carreira. 

Carlos Lopes - Eu? Carlos Lopes da Silva Antonio, neto de portugueses e pernambucanos, carioca apaixonado e idealista inveterado. "Me" formaram em jornalismo (à força), por isso não desejei exercer a profissão, mas o destino é engraçado, e hoje concilio jornalismo de rock com a carreira de músico. Amo rock and roll, literatura (Machado de Assis), cinema (Buñuel, Bergman, Casablanca, Allen, Peckinpah, o Gordo e o Magro, filmes mudos etc), música erudita, ufologia, astrologia, seriados de TV (Xena, Arquivo-X, Babylon-5, Dawsons, Gilmore Girls, Monk, Everwood, Anos Incríveis, The Shield, 24 Horas, Enterprise etc), pizza, açaí, milk-shake de chocolate e meus amigos. 

Quanto à carreira vou resumir mesmo... Eu e meu irmão decidimos tocar desde cedo, mas como nossa mãe achava (e acha até hoje) que música é coisa de maconheiro e desocupado foi difícil conseguir(mos) o(s) primeiro(s) instrumento(s), nacionais, ruins e baratos. Era a segunda metade dos anos 70 e aprendemos sozinhos, eu guitarra e meu irmão baixo. Nosso primeiro show foi bem no começo dos 80, em 81 no próprio colégio, e, desde então, nunca mais parei. Viemos de uma época em que rock era coisa de gente apaixonada e assim me mantenho até hoje. Fundamos a DORSAL ATLÂNTICA, nossa primeira banda, nesse início dos 80, e com ela participamos com muita paixão da fundação do movimento metálico no Brasil (que nem existia). 

Gravamos muitos álbums (ULTIMATUM, ANTES DO FIM, DIVIDIR E CONQUISTAR, SEARCHING FOR THE LIGHT, MUSICAL GUIDE FROM THE STELLIUM, ALEA JACTA EST, STRAIGHT), recebemos muitos prêmios, lançaram tributos, escrevi dois livros, fizeram coletâneas e outtakes, ganhamos muitos amigos e fãs escrevendo uma música criativa, apaixonada, pesada e inovadora. Há três anos decidi encerrar as atividades da DORSAL, por questões musicais e pessoais, e fundei as bandas MUSTANG e USINA LE BLOND, nas quais estou gravando os novos CDs, em agosto de 2003. 

OA - Seu trabalho sempre primou por um cuidado excessivo nas letras (que, muitas vezes, se perdiam por causa da interpretação) e nos temas de suas canções, que na época do Dorsal Atlântica, variaram entre distopias orwellianas (num disco Searching For The Light, que era pura FC com tons bem brasileiros) e sagas sobre o fim do mundo, de acordo com a mitologia hindú (Musical Guide from Stellium). Por que a escolha do gênero fantástico como fonte de inspiração? 

CL - As letras sempre foram, e ainda são, de certa forma, muito importantes para mim. Digo “de certa forma”, porque hoje faço piada comigo mesmo e brinco, o que seria impensável antes. Não escrevo sobre o que não acredito. 

Antes tinha uma mania de tentar iluminar o ouvinte. Hoje sei que a maioria está satisfeita como é... Nesse processo de "evolução lírica descontínua", se a princípio o texto era político, atravessando depois uma fase ficcional e mística, hoje é ferramenta para retratar a realidade com um pouco (ou muito?) de humor - ácido, mas humor -, mesmo que corroa... tanto na USINA, como no MUSTANG, já escrevi sobre UFOS, um dos meus assuntos favoritos. 

OA - Agora, com os grupos Usina LeBlond e Mustang, você está percorrendo um caminho inverso, mergulhando numa certa "urbanidade" contemporânea, além de assumir uma diversidade de ritmos e melodias - como samba e funk - bem distantes do estilo anterior. Considera essa mudança de proposta uma "evolução"? 

CL - Gravamos o terceiro CD da USINA em agosto de 2003, que se chamará A VELOZ IDADE DO TEMPO. Três CDs da USINA em três anos. Estou crescendo muito como músico e compositor. Ao vivo, eu solto a franga mesmo e sei que tocamos um som completamente diferente de tudo o que se faz no Brasil. 
Estou certo de uma coisa, continuo sendo muito radical e o som da USINA é radical. E LINDO! 

Quanto ao MUSTANG, é uma banda que mistura o pré-punk do MC5 e Stooges com rock dos 60, como Stones, Who, Kinks, Hendrix, Beatles, psicodelia e rock brasileiro, como Mutantes e Secos e Molhados. Tem muito a ver com a USINA. Se a USINA é funk psicodélico, o MUSTANG é punk rock and roll psicidélico. 

O MUSTANG tem um home-vídeo ao vivo (VHS), dois clipes nas TVs, um primeiro lançamento chamado ROCK 'N' ROLL JUNKFOOD em CD, picture disc e LP vermelho. O novo CD do MUSTANG se chamará OXYMORO. O nome do CD veio de um termo que o próprio guitarrista do MC5 me disse em uma entrevista que fiz com os músicos da banda.

OA - Sei que você é um cara extremamente culto e informado. O que tem lido? Algum autor de FC se destaca na sua biblioteca? 

CL - Bem, para falar a verdade sou "resenhador" de livros, e assim tenho a oportunidade de ler sobre quase tudo, mas tenho preferência por História, principalmente sobre a Família Real no Brasil. Li os quatro primeiros "Senhor dos Anéis" em uma só tacada; tenho lido a série "DiscWorld", de Terry Pratchett; "Identidades Alienígenas", de Richard L. Thompsin; o novo Erich Von Däniken, "A Chegada Dos Deuses"; "Para Entender Hitler", de Ron Rosenbaum; "Stalingrado", de Antony Beevor; "Dias De Luta", de Ricardo Alexandre; "A Ameaça", de David M. Jacobs; "Eu Não Sou Cachorro Não", de Paulo Cesar de Araújo, mas fiquei especialmente fascinado por dois: "Guerra dos Bálcãs", de John Reed, e "Brasil, Segredo de Estado", de Sergio Corrêa da Costa! Mas estou aqui com o Solaris me esperando... acabou de chegar. 

OA - Você é considerado por muita gente boa - como os irmãos Cavallera, do Sepultura - como uma influência seminal para o rock brasileiro, mas nunca teve um grande destaque nos meios de comunicação. Você se ressente com o descaso da mídia? 

CL - A Dorsal sempre foi uma banda que evoluiu para fora do espectro restritivo do estilo e de 99% das bandas de metal/rock/punk, mantêm/mantiveram e preservam/ram os fundamentos do estilo mais do que tentaram inovar, isso é um fato. Éramos independentes até o talo, e quando a coisa se profissionalizou (banalizou???), no início dos anos 90, estávamos agregados a selos sem estrutura e sem visão. Perdemos muitíssimo com isso. Lógico que não teria assinado com uma multinacional, mas sempre existiram gravadoras underground com excelente estrutura, que trabalhavam melhor do que as próprias multis. O mundo mudou, as coisas mudaram, as decisões empresariais podem alterar um sonho, uma meta a ser alcançada. Talento sozinho não faz o progresso de ninguém. A máquina manda. Isso fez a grande diferença. Agora todos somos história, com acertos e erros. 

Bem, a maioria dos músicos mente praticamente sobre tudo, fantasiando as coisas mínimas para sentir-se em um nível superior aos demais. A tal da mídia gosta de uma mentira, e também vende muita conversa-fiada. Eu nunca gostei disso. Eu não preciso aumentar nada. Sei da importância da banda para o underground brasileiro, em um outro nível para a cena latino-americana, e também mundialmente, visto a influência da Dorsal Atlântica em bandas como o Força Macabra da Finlândia e o próprio Sepultura, no Brasil. A Dorsal fundou um estilo, abriu portas, desafiou, criou, inovou, se superou até extinguir-se na sua própria fome de criação, até tornar-se um ícone e exigir a própria imortalidade. É uma história bela de paixão, atitude e dedicação que daria um ótimo filme. Quem sabe? 

OA - Um filme biográfico? Seria interssante! E o futuro, o que trará? Que novidades vêm por aí? 

CL - Vivo intensamente para e pela criação. Ela me dá forças e me faz viver em paz com minha consciência. Criar é atingir o ápice e o motivo da minha existência, é como ser tomado por um orgasmo interplanetário! Música e arte podem ser compreendidas como questões de maturidade, se assim você o aceitar. O que sobrevive na cena "underground",prioritariamente, é o conservadorismo, são os estereótipos; por isso se diz que o público de metal é o mais fiel. 

Por isso também esa questão de fidelidade é discutível. Melhor seria dizer que todos rezam pela mesma cartilha, apesar das diferenças "estáticas" e estéticas, que são apenas o verniz de algo que não deseja mudar, por motivos, também, claros: a preservação de uma pureza "ariana" que não existe e nunca existiu. 

Meu futuro é meu presente. Quando escrevo uma canção que me enche de alegria, essa explosão de transmigração me faz vivenciar sensações indescritíveis de auto-conhecimento, que gostaria, sinceramente, de dividir com quem estivesse com a "mente esperta e o coração tranqüilo" (...). Sejam criaturas pensantes, e não "burrantes". O mundo já está cheio de mediocridade. 

Se desejarem, entrem em contato comigo através desses endereços: Caixa postal 33132 - Cep 22440-970 - Rio de Janeiro/RJ - Brasil. 
[email protected]
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http://www.usina-le-blond.hpg.ig.com.br , http://www.usinaleblond.hpg.com.br, http://www.mustangband.hpg.ig.com.br/index.htm , http://www.dorsal.hpg.ig.com.br 

Empresariamento a/c Rita Inês: (0XX11) 3673-8059

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Carlos Lopes
Nesta edição levamos um papo exclusivo com Carlos Lopes, um dos pais do Heavy Metal no Brasil. Carlos é o fundador da banda Dorsal Atlântica e atualmente trabalha com as bandas Usina Le Blond e Mustang. Confira o que rolou nesta conversa!

Entrevista a Bruno Duarte
http://www.firemusic.com/


 






FIRE MUSIC > Fala Carlos, tudo bom? 

CARLOS LOPES > Cada dia mais sujo e agressivo (brincadeira).

FM >Carlos, você poderia nos contar um pouco sobre a sua história como músico?

CARLOS > Um pouco? Vou resumir mesmo, mas você sabe que sempre vai ficar incompleta essa história porque o emocional tem tudo a ver com o musical, pelo menos no meu caso...Eu e meu irmão decidimos tocar desde cedo, mas como nossa mãe achava (e acha até hoje) que música é coisa de maconheiro e desocupado foi difícil conseguir(mos) o(s) primeiro(s) instrumento(s), nacionais, ruins e baratos. Era a segunda metade dos anos 70 e aprendemos sozinhos, eu guitarra e meu irmão baixo. Nosso primeiro show foi bem no começo dos 80 no colégio e desde então nunca mais parei. Viemos de uma época em que rock era coisa de gente apaixonada e assim me mantenho até hoje. Fundamos a Dorsal Atlântica nesse início dos 80 e com ela participamos com muita paixão da fundação do movimento metálico no Brasil (que nem existia). Gravamos muitos álbums (ULTIMATUM, ANTES DO FIM, DIVIDIR E CONQUISTAR, SEARCHING FOR THE LIGHT, MUSICAL GUIDE FROM THE STELLIUM, ALEA JACTA EST, STRAIGHT), recebemos muitos prêmios, lançaram tributos, escrevi dois livros, fizeram coletâneas e outtakes, ganhamos muitos amigos e fãs escrevendo uma música criativa, apaixonada, pesada e inovadora. Há 3 anos decidi encerrar as atividades da DORSAL por questões musicais e pessoais, e venho me dedicando ao jornalismo musical e fundei as bandas MUSTANG e USINA LE BLOND, nas quais estou gravando os novos CDs em julho de 2003. 

FM > Como você analisa o underground nacional? 

CARLOS > Essa história de underground em coletividade, eu não acredito mais. O que vejo é uma sede de promoção com o egos das bandas inflados lá nas alturas. Todo mundo "se acha" e eu não tenho saco. Não é que isso não existisse antes mas agora está dose... Eu faço meu som, invisto nele e busco meu espaço. Underground é bom mas não é perfeito, assim como tudo no que a Humanidade se envolve. 

FM > A Dorsal foi uma das pioneiras no heavy metal Brasileiro. Como era a cena metal , por aqui, nos anos 80? 

CARLOS > Não existia e nós ajudamos a criá-la. A DORSAL virou uma referência eterna, ainda mais como nossa típica atitude sincera, de fazer e não falar, de enfrentar desafios e ousar sempre e mais. Pena é que a cada ano as cabeças não melhorem de atitude, nada evoluindo além do que plantamos naquela época. Os erros se perpetuam, a cena não vai pra frente, é uma carroça sendo puxada para trás. Se a cena está estagnada a anos é graças a todo mundo, cada um tem a sua parcela de culpa: músicos, produtores e párias em geral. 

FM > A Dorsal Atlântica passou por diversas formações, você poderia nos contar um pouco de cada uma? 

CARLOS > A primeira que gravou O ULTIMATUM em 84 era o ápice da imaturidade e da paixão. Foi avassalador. A segunda formação (86/89) que gravou três discos era no nosso auge de popularidade e me fez progredir muito como músico, letrista e pensador, sempre atuando dentro da cena; a terceira (90/95) foi de um grande avanço literário e musical mas tivemos muitos problemas pessoais como falta de fé e envolvimento com drogas e alcoolismo dos músicos - isso me marcou demais; as duas últimas formações até 2000 foram apenas para dar o fim ao sonho que estava se acabando.

FM > Como foi participar do Monsters of Rock ? 

CARLOS > Foi uma luta muito grande que durou anos. A gravadora não nos ajudou, disse que não daria certo, os empresários do festival não nos recebiam e aí espontâneamente duas revistas (uma delas viva até hoje a METAL HEAD) fizeram um abaixo-assinado angariando 30 mil assinaturas, um número impressionante, ainda mais sem rede globo. Tocamos no festival em 98 e fomos muito be recebidos mas quando subi no palco já estava de saco cheio, achando que era luta demais para manter a banda viva. Depois daquilo decidi encerrar as atividades. 20 anos de luta haviam me cobrado um preço muito alto. 

FM > Você ainda mantém contato com o Alexandre (baixista) e com o Guga (batera) 

CARLOS > Não. 

FM > Como foi idealizar a Varda Records?

CARLOS > Uma necessidade pois melhor sozinho do que trabalhar com músicos e donos de gravadores medíocres. Melhor ser rabo de peixe do que cabeça de tubarão, também é um bom conceito

A seguir > O rock n roll do Mustang e o soul da Usina Le Blond

Carlos Lopes
FM > Você escreveu uma biografia sua com a Dorsal Atlântica, o GUERRILHA ! Como foi a aceitação do público com o livro?

(a esquerda, Carlos Lopes e a Usina Le Blond)

CARLOS >  Recebi cartas de pessoas dizendo que esse foi o primeiro livro que leram na vida. A maioria citou a identificação imediata e a sensação de familiaridade com a história, como se o leitor fosse levado de volta àquela época e vivesse os fatos. O livro seria maior mas optei por descrever fatos que eu pudesse provar. Se conta muita mentira por aí e decidi falar a verdade, não tinha nada a perder.

FM > É fácil viver de música no Brasil? 

CARLOS > Não, mas eu amo o que faço, e mais difícil ainda seria eu mentir para mim mesmo.

FM > Mudando um pouco o assunto, você está agora na Usina Le Blond, uma banda de soul. Como está sendo a aceitação do público em relação a banda?

CARLOS > Só você estando presente para comprovar pois cada show é um show mesmo. Tem momentos que o pessoal vai ao delírio, tem outros que há estupefação geral. Estamos gravando o terceiro CD da USINA agora e julho de 2003. Três CDs em três anos e estou crescendo muito como músico e compositor. Ao vivo eu solto a franga mesmo e sei que fazemos um som completamente diferente de tudo o que se faz no Brasil. Estou certo em uma coisa, continuo sendo muito radical e o som da USINA é radical. E LINDO!

FM >Existe algum certo preconceito pela parte das pessoas que eram fã do Carlos "Vandalo" dos anos 80 e do Carlos Lopes dos anos 90?

CARLOS > Quem me entende sempre vai compreender. Eu sou um artista, vivo com o coração e acredito no amor.

FM >Quais são os planos da Usina Le Blond?

CARLOS > Existir a cada dia.

FM > Como surgiu a idéia do pseudonimo Hekamiah?

CARLOS > Aprendi que cada pessoa encarnada no planeta tem uma espécie de anjo da guarda, de diferentes categorias. Hekamiah é o anjo do meu nascimento e um grande amigo e aconselhador.

FM > Voltando ao assunto Dorsal Atlântica, como foi gravar o album Straight na Inglaterra?

CARLOS > Foi difícil demais porque ninguém acreditava, nem a gravadora nem os músicos. Tive que substituir meu irmão para a viagem e chegando lá convivi com a mediocridade dos músicos, o que tornava o que já era difícil em algo quase intransponível. Eu banquei as despesas sem a mínima condição, foi um verdadeiro milagre conseguir, mas aprendi muito sobre a alma humana. Nào tenho boas lembranças e o melhor foi ter realizado um encontro espiritual que relato no meu novo livro OS ARGONAUTAS.

FM > Um dia conversando com o Angelo Arede (que gravou os baixos de Straight) e logo depois com o Guga (batera), eles me contaram que vocês compravam um sopão para 1 pessoa e comiam os três. Segundo o Angelo, a gravadora pagou limusine e não pagou a comida. Como foi essa história?

CARLOS > Isso correponde em parte sobre a verdade. A gravadora somente ajudou com uma pequena quantia dos custos de gravação bem em cima da hora da viagem, de tanto que eu exigi meus direitos de artista contratado. Durante dois meses no exterior banquei as despesas da banda, por isso a comida era racionada, o dinheiro não dava e as dívidas no Brasil, assim que voltássemos ficariam por minha conta. Antes de embarcar avisei a todos sobre o qe aconteceria e pedi que só fossem se estivessem preparados e eles aceitaram. Lá convivi com o pior deles, imaturidade e incompreensão. Não vou relatar os casos porque me aborrecem até hoje.

FM > Ouvi uns boatos de que você teria brigado com o Rat, dos Varukers. Isso é verdade? Por que da briga?

CARLOS > Nunca teve briga. Ele só pegou a letra que compôs para uma música da Dorsal e resolveu gravá-la com outra melodia.

FM > Você poderia nos contar um pouco do seu outro projeto, o Mustang?

CARLOS > É uma banda que mistura o pré-punk do MC5 e Stooges com rock dos 60 como Stones, Who, Kinks, Hendrix, Beatles, psicodelia e rock brasileiro como Mutantes e Secos e Molhados. Tem muito a ver com a USINA. Se a USINA é funk psicodélico, o MUSTANG é punk rock and roll psicidélico. O MUSTANG tem um home-vídeo ao vivo (VHS) , dois clips nas TVs, um primeiro lançamento em CD, picture disc e LP vermelho. O CD de 2003 se chamará OXYMORO.

FM > Eu estava lendo o Guerrilha ! e fiquei sabendo que tinha um garotinho que foi batizado como Carlos Vandalo, em sua homenagem. Como foi essa história?

CARLOS > São os fãs e amigos me homenageando em vida. Isso é legal. Façam, antes que eu morra. Tem o seu charme... Acabei de receber uma carta de um casal que também pensou em colocar o nome do filho de Carlos Vândalo. Ao mesmo tempo que fico emocionado, também me dá uma certa depressão, mas tá tudo OK.

FM > Você além de músico é jornalista e astrólogo. Como você consegue exercer as três profissões ao mesmo tempo?

CARLOS > Nem eu sei...

FM >  E o futuro do Carlos Lopes, qual é?

CARLOS > Evoluir.

FM >  Em algum dia, existe a possibilidade de uma reunião da Dorsal Atlântica?

CARLOS > Nunca.

FM >  Carlos, estou muito feliz em te entrevistar! Você poderia mandar um recado para os leitores da FIRE MUSIC?

CARLOS > Sejam criaturas pensantes e não "burrantes". O mundo já está cheio de mediocridade. Entrem em contato comigo atravás desses endereços: Caixa postal 33132 - Cep 22440-970 - Rio de Janeiro/RJ - Brasil. [email protected] , [email protected] usina-le-blond.hpg.ig.com.br, usinaleblond.hpg.com.br  , mustangband.hpg.ig.com.br/index.htm
dorsal.hpg.ig.com.br . Empresariamento a/c Rita Inês: (0XX11) 3673-8059

 

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NEWS MAIO/JUNHO 2003:


Voltamos à carga com muitos projetos para esse ano. Estamos ensaiando há meses para gravar os novos CDs do MUSTANG (OXYMORO) e da USINA LE BLOND (ainda sem nome). O repertório dos dois promete, as músicas estão fortes e criativas, e a promessa aqui não é de político, não. Estamos nos esforçando ao máximo para dar aos amigos e fãs o melhor da nossa criação, seja em nível artístico ou musical, tanto faz. O que importa é que estamos muito satisfeitos com o que escrevemos.

1) Dois clipes do MUSTANG ao vivo (Xena & Gabrielle e Arquivo-X) estão na programação da MTV. Liguem, peçam, se descabelem.
2) Um conto de Carlos Lopes foi editado pela revista ZERO número 7 (capa Engenheiros do Havaí)
3) Na ROCK PRESS número 52 há um texto sobre GUERRA e ROCK & ROLL, além de entrevistas exclusivas com os Hellacopters, The (International) Noise Conspiracy e MQN, todas escritas por Carlos Lopes. Aguadem a próxima edição da R.P. com uma entrevista do outro mundo!!!
4) O primeiro clipe da USINA estará em produção no mês de junho
5) O home-vídeo AO VIVO E PERIGOSO (com uma hora) do MUSTANG com o show da banda no Goiânia Noise Festival na íntegra mais ensaio e entrevistas já está disponível.

É pouco?
Continuem checando o site para mais novidades e datas de shows.
Segue a lista definitiva de músicas dos novos CDs:
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USINA LE BLOND 2003
Por Que (Não Está Pronto)?;
Mente Sobre A Matéria;
Clássico no Terreirão;
Botox; Minha Vila;
Condomínio do Mal;
Funk Esse UFO;
Virgínia;
Caridade (Precisa de Publicidade);
Suicídio;
E Se Deus Quiser;
Tudo Bem;
Gado
MUSTANG (OXYMORO)
- em português (todas têm versões em inglês)
Tudo Pelo Dinheiro;
(Quero Enconntrar A) Paz;
Noite do Mijo Guaradado;
Saco Cheio;
Muito Além;
Gilmore Girls;
Fim de Semana;
Rosana Está?;
Sem Mulher,
Sem Dinheiro;
Conntato;
Amor Pansexual;
Eu Te Amo;
Vou Encontrar Alguém.
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Let's Rock!




Entrevista
Carlos "Vândalo" Lopes 

Por Julio Neto 

A banda carioca Dorsal Atlântica dispensa apresentações, tendo sido um dos responsáveis pelo cenário Heavy que temos hoje no Brasil - uma das melhores e mais representativas do período "jurássico" do Heavy metal no Brasil. Batemos um papo com o seu líder e fundador Carlos "Vândalo" Lopes, músico, jornalista, filosofo, numa entrevista esclarecedora onde ele fala de seus trabalhos atuais, planos para o futuro e esclarece alguns ítens polêmicos que rolaram com o fim do Dorsal.

A Dorsal Atlântica foi uma banda seminal dentro do universo da música pesada no Brasil, como você, líder e fundador analisa a carreira da banda e sua importância para o underground nacional?
O que o pai pode falar sobre o filho? Bem, a maioria do músicos mente praticamente sobre tudo, fantasiando as coisas mínimas para sentir-se em um nível superior aos demais. Eu não preciso aumentar nada, sei da importância da banda para o underground brasiliero, em um outro nível para a cena latino-americana e também mundialmente, visto a influência da Dorsal Atlântica em bandas como o Força Macabra da Finlândia e o próprio Sepultura no Brasil. A Dorsal fundou um estilo, abriu portas, desafiou, criou, inovou, se superou até extinguir-se na sua própria fome de criação, até tornar-se um ícone e exigir a própria imortalidade. É uma história bela de paixão, atitude e dedicação que daria um ótimo filme, quem sabe. 

Bandas que vieram depois, como o Sepultura, RDP, Viper, tiveram um reconhecimento maior tanto no Brasil quanto no exterior, com tours grandes enquanto o Dorsal sempre foi considerada uma banda cult. Por que você acha que isto aconteceu?
Eu poderia tecer teses infinitas mas prefiro falar que em parte foi um problema interno: na Dorsal ninguém vestiu a camisa como eu, ninguém queria abrir mão de nada, eram apegados ao mundinho deles e a banda para mim sempre foi mais importante do que tudo. Por fidelidade a eles, não os substituí e errei. Depois vem a questão musical: a Dorsal sempre foi uma banda que evoluiu para fora do espectro restritivo do estilo e apesar de admirar todas as bandas citadas, elas mais mantêm/mantiveram e preservam/ram os fundamentos do estilo do que inovam/ram, isso é um fato. E por último a causa mais aparente foi a nossa falta de estrutura. Éramos independentes até o talo e quando a coisa se profissionalizou (banalizou???) no início dos anos 90, nós estávamos agregados a selos sem estrutura e sem visão. Perdemos muitíssimo com isso. Lógico que não teria assinado com uma multinacional mas sempre existiram gravadoras underground com excelente estrutura que trabalhavam melhor do que as próprias multis. O mundo mudou, as coisas mudaram, as decisões empresariais podem alterar um sonho, uma meta a ser alcançada. Todas as bandas citadas assinaram com gravadoras grandes (dentro do underground mundial) e assim tiveram suporte de verba promocional para divulgação na imprensa e tournês. Talento sozinho não faz a melhoria de ninguém. A máquina manda. Isso fez a grande diferença. Agora todos somos história, com acertos e erros. 

A linha que você sempre trabalhou com o Dorsal durante muitos anos foi o metal. Quando decidiu acabar com a banda e se dedicar ao Mustang e ao Usina Le Blond você foi muito criticado. Como reagiu a esta fase difícil?
Música e arte podem ser compreendidas como questões de maturidade, se assim você o aceitar. Um amante do metal ou do punk, por exemplo, não é um artista, na acepção da palavra - termo esse que indica uma evolução progressiva e um desejo de enfrentar desafios - porque nesses grupos, majoritariamente, o mais importante é "cimentar" o próprio estilo e nunca "artísticamente" lutar contra ele. Os exemplos momentâneos de experimentações dentro desses estilos são muitos e inclusive posso citar o caso do funk 'o metal dentro do metal, que na época pode ter tido algum crédito, mas hoje não nem é considerado mais, visto pelos olhos da história. Assim como o som "farofa" que em sua maioria era muito conservador e pop-chulé, apesar da aparência "metaleira-fake", mas era algo bem mais "business" do que "idealístico". Não estou julgando a medida de amor pelo rock de cada indivíduo, uma coisa não tem nada a ver com a outra, estou explicando uma tese, que para mim é fato consumado. O que sobrevive na cena "underground" prioritariamente é o conservadorismo, são os esteriótipos; por isso se diz que o público de metal é o mais fiel, apesar que as pessoas mais velhas tendem a se afastar da cena por motivos óbvios. Por isso também esa questão de fidelidade é discutível. Melhor seria dizer que todos rezam pela mesma cartilha, apesar das diferenças "estáticas" e estéticas, que são apenas o verniz de algo que não deseja mudar, por motivos , também, claros: a preservação de uma pureza "ariana" que não mais existe e nunca existiu. 

Minha mudança da Dorsal para a Usina Le Blond e o Mustang foi uma necessidade espiritual e artistica. Simples assim. Após vinte anos de Dorsal resolvi dar um basta. Estava preso a algo que não mais me representava. O final da banda foi um choque para todo mundo, eu compreendo, mas foi um choque porque as pessoas se tornam acomodadas e conservadoras. Não me sentia bem tocando metal, porque limitava minha expressão artística, apenas isso. A Dorsal sempre primou por evoluir para além do pequeno espectro reacionário da música pesada. Basta checar cada disco em cada época. Nenhuma banda brasileira ousou tanto e isso explica muito da sua segunda pergunta. Antes que alguém pense algo negativo sobre mim, eu continuo amando rock pesado mas somente aquele que me traz boas recordações, principalmente do início da minha adolescência até o começo da fase adulta. O primeiro disco que comprei foi o "Magical Mistery Tour" dos Beatles e a lição que a banda me ensinou foi aprendida desde muito cedo: evoluir, ousar e criar sempre. 

Você não acha que perdeu muitos dos seus antigos fãs principalmente com o lançamento da Usina Le Blond por não entenderem o seu novo trabalho?
Mas acho que isso faz parte do jogo, não é? Na mitologia, a fênix renascia das cinzas. A lenda tem muitas simbologias implícitas que sempre me fascinaram. Essa foi minha proposta: renascer com novo corpo mas com a mesma alma indestrutível. Nunca mudei para agradar ninguém, se o fiz foi por algo que sempre me motivou: meu ideal artístico que é indestrutível. 

A mídia inclusive "caiu em cima" de você por esta decisão, lhe chamando de falso, de traidor. As atitudes parecem ter sido precipitadas, pois nem esperaram direito para conhecer seu novo trabalho...
Usina Le Blond Bem, se você está se referindo à Rock Brigade, realmente foi uma pena o que aconteceu, mas sejamos sinceros: você, por não me conhecer tão bem, também não teria uma reação cega semelhante com o primeiro pensamento que passasse pela sua cabeça? O lado ruim dessa história foi que eles me criticaram sem ouvir o CD, e eu já havia prometido enviá-lo, bastava que pedissem e o que aconteceu é que atiraram pedras antes de perguntar/ouvir, por puro preconceito. 

Pois bem, de qualquer um eu poderia esperar uma crítica insensata (teorizando, ok?) mas deles nunca, ainda mais sabendo que eles me conhecem há 20 anos, têm meu telefone e poderiam ter me ligado antes de me acusar. Fui uma das 30 primeiras pessoas que assinaram a Brigade, quando ainda era feita com xerox. Conheço pessoalmente os fundadores. Eu nunca poderia esperar tanta incompreensão da parte deles. E como foi isso? A revista publicou há dois anos uma nota desabonadora sobre a Usina, me acusando de ter mudado para ganhar dinheiro. Isso era uma grossa calúnia e vinda deles, foi pior. Calúnia é punível pela lei de imprensa, mas não quis nem saber de direito de resposta, isso não é para mim, ficar batendo boca igual moleque. Soube esperar meu momento. Dois anos depois, já em 2002, quando fui divulgar os relançamentos da Dorsal fiz um pedido para que houvesse a entrevista, que a revista pedisse desculpas pela ato da nota, foi um acordo de cavaleiros. O que foi publicado não foi exatamente um pedido de desculpas, mas a solução acabou sendo conciliadora. A Brigade incluiu uma reprodução da nota dentro da minha entrevista, em um contexto diferente e mais esclarecedor. Fiquei satisfeito assim. Há dois anos, me magoaram porque eu esperava bem mais deles como jornalistas e amigos. Agindo como moleques deram um passo atrás, e isso não é digno da história da Rock Brigade. Que todos nós tenhamos aprendido uma boa lição com o que aconteceu. Eles por abusarem do preconceito e eu por confiar demais no discernimento alheio. 

Você tem que concordar que para quem acompanhou de perto a carreira do Dorsal e o tinha como ídolo, é um choque vê-lo em cima de um palco dançando com roupas coloridas...
Usina Le Blond Também foi um choque quando a Dorsal criou uma nova música unindo punk e metal no início dos 80, quando provou que era possível fazê-la, apesar de todas as críticas contrárias. Quando trouxemos um visual inédito para o metal brasileiro com as botas, o couro, os spikes, as correntes, muitos se chocaram. Éramos do contra completamente, nós chamavam de punks-cabeludos. Em São Paulo entre 85 e início de 86 éramos incompreendidos por sermos cariocas, meio-punks, meio-metaleiros e conseguimos superar as críticas com nosso talento. Roupa colorida é mais chocante hoje do que as que usávamos nos 80 e sei do que estou falando. Sei bem o limite entre chocar por chocar e fazê-lo por amor à arte, e essa noção de certo-errado me protege. A Usina Le Blond e o Mustang vão provar que a música fala mais alto do que mil preconceitos. A qualidade, a criatividade e a ousadia são instrumentos a nosso favor. Quem gosta de estabilidade que vá virar burocrata ou funcionário! 

Você sempre se utilizou das mais variadas formas para expressar a sua arte, música, literatura. Qual a sua nova empreitada?
Nesse inicio de ano será lançado o DVD do oitavo Goiânia Noise Festival com duas músicas do Mustang com outras 29 bandas. Uma versão completa desse show será lançada em home-vídeo também com dois clips ao vivo que estarão nas TVs em março; os novos CDs da Usina Le Blond e do Mustang serão gravados nos primeiros seis meses desse ano; em março será lançado meu novo livro chamado Os Argonautas que conta minhas experiências espirituais em forma de romance (o primeiro livro foi o "Guerrilha! - História da Dorsal"). E estou pensando em fazer um curta também. 

Os fãs sempre cobraram o relançamento do Ultimatum, split com a banda Metalmorphose, fato que só aconteceu pela sua própria gravadora, a Varda Records...
O Ultimatum foi relançado com o ao vivo da Dorsal em 98 em um só CD pela Varda Records e o mesmo Ultimatum foi relançado em 2002 pela Dies Irae em CD e LP. Devido ao Ultimatum/ao vivo da Varda ter esgotado rapidamente, autorizei o novo relançamento. 

Suas duas bandas atuais, a Mustang e a Usina tem estilos diferentes entre si, com qual você mais se identifica?
As duas bandas juntas completam minhas necessidades musicais completamente. O Mustang é rock and roll com punk e a Usina Le Blond é funk psicodélico tipo Funkadelic com bandas dos 60 como Hendrix, The Who e os Beatles somado a música brasileira dos anos 60/70. Agora vamos analisar a questão: você já perguntou para um pai qual dos dois filhos ele gosta mais? Responder isso é sacanear com um dos dois, não é? 

Como tem sido a rotina de shows? Deve ser difícil conciliar o trabalho de duas bandas ao mesmo tempo.
Tenho batalhado muito e investido pessoalmente e financeiramente nas bandas com muito amor e afinco. Além de músico, sou produtor e jornalista, então sempre estive acostumado a fazer dez mil coisas ao mesmo tempo. É cansativo mas minha própria alma parece não caber dentro do meu corpo freqüentemente. Eu necessito produzir muito para me sentir bem comigo mesmo. É como um vício produtivo. 

A cena carioca está se mostrando cada vez mais forte, seja com bandas extremas como a Malkuth ou com o heavy metal do Thoten que está arrebentando fora do Brasil. Como você analisa isto?
Não conheço o som dessas bandas citadas, mas o baixista do Thoten é meu conhecido há anos. Não acompanho a cena atual, por divergências musicais e desinteresse, mas eu conheço demais a alma do carioca e a estrutura (ou falta de) que existe nessa cidade. Isso nunca muda, posso te assegurar. O povo daqui vive de fantasias, gosta de se iludir. A cena carioca de metal só foi forte de verdade há vinte anos. Era uma cena em que gente sem dinheiro tinha a vontade e o impulso para fazer uma banda, contra todas as dificuldades sem esperar por gravadoras, aberturas de shows internacionais pagas a preço de dólar, entrevista em revista ou shows no Rock In Rio. Por mais que queiram provar o contrário, hoje o Rio é apenas uma sombra pálida do que foi e as bandas atuais vivem o momento delas, apenas isso, o que para mim não significa nada. 

Faça um comentário sobre o underground brasileiro de hoje.
Cada geração refaz o mesmo trabalho feito pela geração anterior. Não há continuidade e isso faz a cena nunca evoluir, partir sempre do mesmo ponto, mas isso faz parte da mentalidade colonizada do público que sabe quem é o Metallica mas nunca escutou e nem ouviu falar da Dorsal. Um povo que não conhece sua própria história é um povo fadado ao fracasso. Uma pessoa imediatista age como qualquer playboy, é uma constatação clara. 

Para finalizar, um recado para seus fãs.
No ano de 2002 foram lançados muitos CDs/LPs envolvendo a Usina Le Blond, o Mustang e a Dorsal Atlântica. Prometo mais e melhores discos nesse ano e muitas novidades mas se quiserem algum desses trabalhos abaixo escrevam ou nos enviem e-mails para: [email protected] e [email protected]
 

 
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 PoppyCorn :: Pop por quem vive de poppy

    Para ler a entrevista na íntegra: http://www.poppycorn.com.br

       16 de setembro 2002: 
Entrevista com Carlos Lopes - 
            "Hoje eu diria que estamos na fase do "Metal Corporativo". A indústria tomou conta de tudo. Ninguém mais pinta sua própria camisa torta mas feita com amor, metaleiro não faz banda com instrumento barato: só de marca." 
            "O metal perdeu não apenas a sua função mas perdeu o rumo também." 
            "Se a alma é pequena a música também é. Pequeno não serei jamais." 
            "Não vou ficar nessa de "cult" que não dá. Isso é legal pra vender revista e para tentar dar uma explicação ao meu "excesso de idealismo". Aí como não conseguem me explicar, viro "cult"... "
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Olha o que saiu no jornal O Globo de 14 de junho de 2002!
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Como viver de discos independentes e sem dinheiro, por Carlos Lopes
 
Carlos Lopes: entre Dorsal Atlântica, Usina Le Blond e Mustang/ Foto Divulgação
Bernardo Araujo

Carlos Vândalo não quer mais saber da Dorsal Atlântica. Quem? Não quer mais o quê? A esta altura da vida, a maioria dos fãs de rock do Rio — e possivelmente do Brasil — já ouviu falar no trio de heavy metal Dorsal Atlântica, fundado no começo dos anos 80 por Carlos Vândalo, Cláudio Cro-Magnon e Marcos Animal. Ao longo do tempo, Carlos voltou a ser Lopes, como está na carteira de identidade, Cláudio e Marcos foram substituídos e a banda teve uma história de luta, lançando discos, viajando pelo Brasil e pelo exterior e não rendendo dinheiro algum. Há cerca de dois anos, Carlos aposentou a Dorsal e passou a dedicar-se a dois projetos: Mustang e Usina Le Blond. Esses dois chegaram aos poucos, com disquinhos independentes, e estão conseguindo um lugarzinho na... bem, no Rio. 

— Não dá para falar em cena, porque não existe uma cena rock aqui, ? — diz o botafoguense, que em agosto completa 40 anos. — Acho que está começando a acontecer alguma coisa, como estava nos anos 80, com o metal nacional, a gente, o Sepultura, o Viper e outras bandas. 

A falta de sucesso e dinheiro nunca parou Carlos. Muito pelo contrário, aliás. 

— Dinheiro? O que é isso? — devolve a pergunta, bem-humorado. — Estou fazendo o que gosto, e isso é o principal. Já mandei muito músico embora porque eles reclamavam de não ganhar dinheiro. 

Ele confessa que fica surpreso de pagar as contas. 

— Com os bicos que faço, de jornalismo, produção e outras coisas, eu ganho “X” por mês — conta. — Com os meus projetos, gasto duas ou três vezes esse valor. 

Lançar discos independentes é fácil para Carlos. A vontade de mostrar suas novas bandas e o interesse de produtores do underground geraram um pacote de peso.

— Eu estava trabalhando nos discos do Mustang e da Usina quando dois produtores me procuraram — diz. — Os dois queriam lançar discos de sobras da Dorsal. 

O pacote que saiu nas últimas semanas traz o clássico disco de vinil (em vinil mesmo, prensado na fábrica em Belford Roxo, a última do Brasil) “Ultimatum”, de 1984, que a Dorsal dividiu com o Metalmorfose, o disco ao vivo “Ultimatum outtakes”, com versões inéditas, e “Pelagodiscos atlanticus”, de sobras e raridades, um CD duplo. Segundo o cantor, a tiragem de duas mil cópias já esgotou-se. 

— Vi o disco chegar em uma loja em São Paulo, os metaleiros lá quase choraram — lembra. — Os discos de vinil saíram também na Alemanha, e as duas mil cópias também já foram para o espaço. 

Além da Dorsal, Carlos botou na rua um vinil picture do Mustang, “Rock n’ roll junk food”, sua versão em CD, com faixas-bônus, e mais um do Usina Le Blond. 

— Ainda faltam algumas coisas, mas lançamento independente é complicado, atrasa tudo — diz. — E eles lá em Belford Roxo têm pouca demanda, às vezes a fábrica passa um mês parada. 

A onda de lançamentos fez o telefone de Carlos começar a tocar sem parar. E qual seria o interesse dos contratantes? 

— É claro que a maioria quer que eu reforme a Dorsal, uns 80% dos telefonemas que recebo são para isso — diz. — Estou tentando deixar claro que fico muito feliz, mas essa não é mais a minha onda. 

Segundo ele, as novas bandas são ajustes de contas que faz com seu passado. 

— Como todo mundo no Rio, cresci ouvindo samba e MPB no som dos meus pais — explica. — Em algum momento, isso tinha que voltar. É claro que ainda é pesado, agressivo, não gosto de som muito calmo. Entendo o que fazem Max de Castro e Otto, mas não me peça para ouvir os discos deles, não agüento. 
 


http://oglobo.globo.com/Suplementos/SegundoCaderno/22265715.htm
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Retirado do site  LOOK HERE e o  resenhador é Rubens Herbst: 
"Usina Le Blond" - Usina Le Blond (Varda Records)

Quem conhecia Carlos Lopes da época do ultrapesado Dorsal Atlântica vai estranhar quando colocar o terceiro disco do Usina Le Blond, um dos projetos atuais do vocalista/guitarrista carioca, para rodar. Os sustos começam já na primeira faixa, "Vexame": base suingada, guitarra funk rock, vocal domesticado, cotidiano e relacionamentos nas letras. A surpresa persiste no restante do álbum, que vai na mesma toada, às vezes com maior incidência no lado roqueiro, como em "25 de Agosto", "Tão Natural" e "Cobrador". Mas nada causa maior assombro do que "Liberdade (Vila Vila Kennedy)" e "Resistência Cultural". O ex-Vândalo agora faz MPB, samba? Também. Antes de sair chamando Lopes de "traíra", ou coisa que o valha, é bom saber que o Usina é um veículo a mais para o músico expor suas idéias e influências, que vão muito além do metal e, como visto na estréia de outro projeto seu, o Mustang, abarcam também o punk’n’roll. Não é bom sempre, mas ficar parado é difícil. Contato: [email protected]
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Análises pormenorizadas dos melhores shows e acontecimentos na temporada outubro/novembro de 2002:

Quarta - dia 16 de outubro - O filho da Xena chamado Julius Robert Bay Tappert fez três aninhos (o filho da Renne "Gabrielle" O'Connor, Miles William Muir fez um ano no dia 22 de setembro, um pouquinho antes)

Sábado - dia 19 de outubro -  CD do USINA foi distribuído na "marmita" do programa Musikaos da TV Cultura. Passou na Record as 22hs filme doido do encontro do Elvis com o Nixon. Nome do filme? "Encontro de Elvis com Nixon" produzido em 1997.

Segunda - dia 28 de outubro - Aniversário do bairro do Leblon (no Rio) e de São Judas Tadeu.

Domingo - dia 3 de novembro - Desencarnou nosso mestre Supremo: Jonathan Harris, o eterno Doutor Smith da série Perdidos No Espaço!!!!!! Essa foi ruim! Pior foi encontrar o boneco do Robot que falava e se mexia por mais de 300 merréis na feirinha da Bebedito calkixto em Sào paulo. Pô galera! Abaixa esse negócio, qualé?!?

Segunda - dia 4 de novembro - Começou nova temporada da série Dawsons'Creek e o Dawson finalmente fez o que sempre quis com a Joey, só que ela arrumou uma baita confusão por causa dos moles dele. Putz.. mais um ano...

Sexta - dia 8 de novembro - Começou nova temporada do excelente Third Watch (Parceiros da Vida, extinta da grade do SBT. PÔ, Sílvio?!? Qualé, mané?) 

Sábado - dia 16 de novembro - Show da USINA LE BLOND no festival London Burning na Bunker (Rio).

Foi uma noite muito legal. O equipamento era muito bom e a banda que tocou conosco era o Lasciva Lula com uma musicalidade muito interessante. Antes de tocar fomos tomar uma super bomba 9realemnte uma bomba!) em um bar por perto e assistimos como se portam os novos metaleiros da Zona Sul. Pois é... Tocamos por volta de uma da manhã as seguintes jóias: Vexame, 25 de Agosto, Culpa, Macunaíma, Simancol, Santa Teresa e Alma do Desengano. Primeiro show da Usina com o 
baixista Miguel "Melvin"que já andava ensaiando com o Mustang. O povo reagiu bem e tive o prazer de assistir duas blacks dançando, cheias de suingue, com o groove da última cançào, o que me deixou bastante satisfeito. Os músicos tocaram muito bem, inclusive sabendo se livrar das armadilhas que eu invento com as costumeiras improvisações.

Domingo - dia 17 de novembro - Tocou faixa "25 de Agosto" da USINA LE BLOND no programa A VEZ DO BRASIL na rádio Cidade (RJ) inclusive com elogios do (sempre eterno) amigo Paulinho.

Segunda - dia 25 de novembro - Tocou uma faixa do CD da Usina no programa MPBeleza na rádio carioca Viva Rio.

Terça - dia 26 de novembro - Nasceu Tina Turner

Quarta - dia 27 de novembro - Na terra surgiu o mestre Jimi Hendrix (e o resto é brincadeira)

Novembro - Entrevista na revista Valhalla  e no site miriti.com

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Entrevista dada para o site: MIRITI - Belém do Pará - 29/11/2002
www.miriti.com.br/multimidia/musica/entrevista06.htm

Carlos Vândalo conta tudo e mais um pouco
Sidney Filho

Espiritualizado e crítico mordaz, Carlos Lopes, conhecido como Carlos Vânalo, fala, nesta longa entrevista, sobre as passagens desastrosas por Belém, o fim da Doral Atlântica, a morte do Heavy Metal, as trapaças e recompensas de uma vida artística que vai do inferno ao paraíso, e volta ao inferno e, de novo, vai lá no céu... 

MIRITI: Fale sobre o show que o Dorsal Atlântica fez aqui em Belém do Pará, em 1995, no Parque dos Igarapés? E quais foram as suas impressões?

CARLOS LOPES: Belém foi, durante duas vezes, um local meio cármico para nós. Na primeira vez que tocamos em Belém foi em 17 de junho de 89, com a produção do Fernando Souza Filho (da Rock Brigade). O show atrasou, deu problema no caminhão que transportava o equipamento e só poderíamos tocar por pouco tempo... Descobriram, na hora, que havia um prazo determinado para a entregar o ginásio, o que fez com que as bandas de abertura não se apresentassem. 

Houve diversos problemas de estrutura (não existia bom equipamento disponível em Belém à época), além dos problemas particulares (a corda da guitarra arrebentou três vezes no show) e de produção. Mas o emocionante dessa viagem foi ser recebido no aeroporto por centenas de pessoas munidas com faixas e tudo o mais: uma pequena beatlemania. Anos depois, já no final de 95, voltamos, com a produção da Ná Figueredo, e os problemas começaram a nos rondar mais uma vez. Sacamos que o local do show era distante e que não seria de tão fácil acesso: o Parque dos Iguarapés. O cara que alugou o equipamento de som e palco sacaneou o Ná Figueredo, pois prometeu colocar o melhor som possível e ele acabou fornecendo uma sobra para nós, alugou o melhor para um outro evento, que rolava ao mesmo momento. A produtora teve de arrumar outro equipamento, na hora. Atrasou tudo! 

Se deram mal da primeira vez... e insistiram por quê? 

Havíamos fechado o show porque estaríamos embarcando alguns meses depois para a Inglaterra, para gravar o último (só saberíamos disso anos depois) CD de estúdio da Dorsal, o "Straight", e precisávamos de toda grana possível. Eu estava bancando a viagem e a gravação da banda inteira sozinho (a antiga gravadora só colaborou com alguma coisa em cima da hora). No hotel, a Clóris nos pediu para reduzir o valor do cachê, o que estava completamente fora de cogitação, por causa dos compromissos assumidos por mim em relação à viagem à Inglaterra (repetindo: estava bancando tudo sozinho). 

Houve tantos atrasos, por causa do equipamento de palco que precisou ser substituído. Na hora de nosso embarque para um show em Manaus, no dia seguinte, estava se aproximando e o Stress, que iria abrir o show acabou tocando depois de nossa apresentação, reduzida por falta de tempo. Estava indo tudo relativamente bem ao que se refere ao show, quando houve um tumulto qualquer na frente do palco e eu falei para colocarem algumas pessoas no chiqueirinho, que no Rio é o apelido do local reservado aos fotógrafos em frente ao palco, separado do público por grades ou cordas. Não é que depois todos me disseram que em Belém só se falava que eu havia chamado a cidade de chiqueiro, você acredita? Vou te falar, hein... Quando a coisa não é para dar certo, não dá mesmo. 

Ainda pretende voltar?

É claro. O que mais quero é voltar a Belém e desfazer esses antigos azares, transmutando tudo somente para boas novas. Afinal, estamos no novo milênio, não é? Só para recordar: aprendi a tomar suco de cupuaçu em Belém, é claro, o que faço constantemente aqui no Rio, além de açaí, que adoro de paixão.

É normal um músico quando desmonta ou sai de uma banda, montar um projeto. Mas você desenvolveu dois. Explique como aconteceu esse processo? E como você consegue distinguir quando uma música é para a banda Mustang ou quando é para o Usina Le Blond?

Bem, é uma longa história. Quando voltamos da Inglaterra em 96, me pareceu, pela primeira vez, ser o começo do fim da Dorsal Atlântica. Meu irmão havia saído da banda um pouco antes da viagem e estava difícil continuar sem ele, apesar de que ele atravessava uma fase muito ruim, cheia de problemas, mas ele era o outro fundador da banda e seu afastamento pesou na minha alma, afinal. Os músicos da Dorsal foram tão imaturos durante e depois dessa viagem em 96 (para a gravação do "Straight"), que perdi a vontade de tocar. Larguei a guitarra por seis meses, não queria ver a cara de ninguém. Como a música tem um poder transmutador muito grande, ela foi capaz de me fazer lutar pela minha sanidade, pois a Dorsal era a coisa mais importante da minha vida e eu a estava vendo ser destruída por uma gravadora e por músicos inúteis. Decidi dar um basta. 

De que adiantaria refazer a Dorsal com outros músicos? Para continuar vendo as mesmas coisas acontecendo com outros personagens? Dei um basta. Esse processo de mudança acabou deflagrando a necessidade de expandir minha musicalidade para outros horizontes; não diria apenas ampliar meu espectro, musical mas, sim, desenvolver ao máximo linguagens que me eram e são comuns. Criei então duas bandas, uma para som funk-rock-psicodélico 60/70, chamada Usina Le Blond, e o Mustang, que faz um som que no Brasil ainda não é muito conhecido, mas que alguns chamam de punk 'n' roll: uma mistura dos clichês básicos do rock and roll com o pré-punk, com a sujeira típica do gênero. Era a postura punk com o som rock and roll. Me senti mais completo com duas bandas, para falar a verdade. 

Eu componho muito, escrevo em demasia e somente uma banda nunca daria vazão ao material novo. O Mustang, assim como a Usina, é a possibilidade real de acertar contas com o meu passado, com o que eu escutava na vitrola dos meus pais, tanto a música "deles" como a "minha". Ter a chance de resgatar esse link emocional usando as duas bandas é mais do que ganhar na loteria. 

Com a percepção de adulto de hoje (adulto, eu?), a análise fica mais apurada e posso chegar à conclusão de que não é mero saudosismo, mas sim a garantia de que a música que me importa é aquela que me faz feliz, apenas isso. Se essa música, que me inspira, foi produzida há décadas, o que posso fazer? Me obrigar a escutar música "de hoje" que não me agrada? Eu reutilizo essas influências como base para caminhar no presente para o futuro. 

Quando era pequeno, lembro de ter recebido de brinde de um posto de gasolina, um álbum de fotografias do "fenômeno" Secos & Molhados. Fui comprar o LP (meu primeiro LP) e adorei vê-los pela TV no Maracanãzinho. Foi muito forte: a música e a imagem. É tão forte que não me desgrudou até hoje. Como descendente de portugueses, talvez aquele "O Vira" dos Secos & Molhados (quem lembra?) tenha sido uma grande mensagem apocalíptrica-subliminar-profética do que eu seria no futuro. Visões do apocalipse.
 

Uma pergunta inevitável: Como foi a reação dos antigos fãs do Dorsal, quando ouviram as músicas das duas bandas?

No começo, há dois anos, foi barra. Ninguém quis me escutar nem entender meus motivos: muitos atiraram pedras antes para nem perguntar depois! Não ouviram e nem respeitaram a história que ajudei a construir, além, é claro, de uma carreira ilibada. Parece que o fanatismo deixa as pessoas cegas... Depois protestam contra a Igreja e as religiões quando o procedimento é o mesmo: falta de consideração pelo outro e intransigência! 

Pois bem, agora as coisas mudaram bastante. Como agora todos sabem que não era golpe de marketing, nem loucura, que era para valer mesmo, ou apóia ou não, não adianta chorar o leite derramado, a atitude da imprensa e do público mudou. Os shows estão enchendo, o público está aumentando e o apoio da imprensa em relação ao primeiro Mustang, Rock 'n'roll Junkfood (old School... Nice Lessons Records) e ao novo Usina Le Blond tem sido admirável.

Você, além de músico, é jornalista e, sobretudo, uma pessoa muito bem informada. Quais bandas ou artistas paraenses você conhece? Eu conhecia mais da "velha" geração como o Stress e o Jolly Joker. Das mais recentes, eu ouço falar algo sobre algumas, mas como nunca as ouvi prefiro não tecer comentários.

E quais são os próximos passos para as duas bandas? Gravar mais, tocar em todos os lugares possíveis, dar grandes shows, estimular a criatividade do público, encher a mente das pessoas com boas coisas, inspiradas, e pregar o amor pela vida. Já temos umas novas quinze composições prontinhas para cada uma das bandas, coisa de louco. 

Se eu te prometer que os novos CDs serão melhores do que os primeiros você vai confiar em mim ou vai achar que é promessa de político? Mas pára de precipitação: temos muitos shows para fazer em 2003 divulgando o Usina Le Blond e o Rock 'n' Roll Junkfood. Nem começamos a colocar as manguinhas de fora e você já está querendo coroar o sucessor? O Brasil é gigantesco e ainda não fizemos nada.

Você criou uma das mais importantes do metal brasileiro, o Dorsal Atlântica. Como você analisa o Heavy Metal, tanto nacional quanto internacional?

O metal perdeu não apenas a sua função, mas também o rumo também. E de quem é a culpa? Minha não é, porque lutei até o meu limite, mas como esse sentimento alienado e colonizado entrou de vez no metal, não me restou mais nada a fazer a não ser apoiar o seu fim, como um movimento sem função revolucionária. Por isso, esse dito "metal" de hoje deveria se extinguir e nos dar paz. Consumismo não condiz com um causa revolucionária, e metal, para mim, era uma mistura de movimento com sentimentos "religiosos/políticos", no sentido mais libertário da(s) palavra(s). Então, não posso concordar com o que acontece atualmente na cena. Só ouço metal antigo, principalmente do começo dos 80, como The Rods, Raven, Anvil, Acid, Baron Rojo, etc. Conheço muitas bandas novas, mas acho tudo requentado e chato. 

Ainda há um público bem fiel, não é?

Para mim, como estilo, o metal morreu há muitos anos. Se não morreu para o público, tudo bem, mas nessa hora tenho que pensar em mim como artista e devo lidar com códigos que me estimulem. Jamais gostei do rótulo de "metal" para a Dorsal, porque a banda sempre foi maior que um rótulo: tocávamos metal, progressivo, psicodelia, hardcore, hardrock, rock and roll e ninguém pareceu perceber isso! Ninguém parece entender o que acontece com a cena nacional, que é uma cópia capenga do metal decadente que se faz no exterior. Mas quem tem culpa de não saber ou sentir? 

Se o metal continuar óbvio como está, ele será apenas uma bizonha caricatura do que foi, e uma gota dentro do mar de importância que o metal teve há quase duas décadas. Música, para mim, é a representação do interior do compositor que a escreve e a executa. Se a música te leva a lugares inimagináveis, ela é grande como a alma do artista. Se a alma é pequena, a música também é. Música me faz um ser humano melhor, me liberta e me eleva. Pequeno, não serei jamais. Hoje, diria que estamos na fase do "Metal Corporativo". A indústria tomou conta de tudo. 

Ninguém mais pinta sua própria camisa torta mas feita com amor. Metaleiro não faz banda com instrumento barato: só de marca. Metal, que era uma música agressiva, virou embalagem de iogurte. É a indústria do todo-mundo-seguindo-a-mesma-cartilha. Isso é uma vergonha. Uma sucessão de erros e exploração que não é contestada pelas gerações mais recentes e nem pelos que se dizem idealistas. Eu possuía uma idéia pessoal de salvação do mundo através da música. Não haviam parâmetros, lembre-se. Nós éramos os parâmetros. Não é como hoje, onde você encontra TUDO deglutido e separado em pontinhos de estilos e formatos. Por isso, a cena hoje é essa coisa bisonha e sem estilo. 

Hoje, até o cara mais radical é comercial. Não há metal digno de ser levado a sério hoje. Exagero é dizer que metal é música, porque não é! Metal era trilha sonora de um movimento. Sem movimento, não há fundo "musical", então... O metal se tornou inócuo e vazio de alma e princípios. Virou só business. Escova o dente com metal, limpa o rabo com metal... A música que mais amei não pode ser tratada assim. Isso verdadeiramente me enoja.

Por onde andam os outros integrantes do Dorsal Atlântica? 

Eu sempre falo com meu irmão, Cláudio Lopes, ex-baixista da banda que parou de tocar há alguns anos; além disso, ele é pai das minhas duas sobrinhas e o contato acaba sendo constante. Com os outros integrantes não tenho mais contato, por causa de questões pessoais e por todo o mal que fizeram à Dorsal.

Após os lançamentos dos trabalhos, tanto do Mustang quando do Usina Le Blond, você chegou a ter problemas com algumas revistas especializadas em música pesada?

Tive um problema desagradável, sim. Há dois anos, a revista "Rock Brigade" ajudou a entornar o caldo da fofocada e calúnia gratuita ao publicar uma nota injuriosa a respeito da Usina Le Blond e sobre a razão pela qual eu havia mudado; sobre minhas "verdadeiras" pretensões artísticas. A "Brigade" me decepcionou muito quando me acusou de mudar de estilo para ganhar dinheiro. Apenas isso, mas para mim foi muito. Ainda mais vindo de pessoas que me conhecem há 20 anos! 

Por causa dessa nota preconceituosa na revista e da falta de entendimento alheio, ninguém pensou que meus motivos para mudar foram os mais dignos possíveis e fiéis à minha história. Nunca traí minha história pessoal e nunca o farei. É fácil entender minhas razões mas faltou maturidade à maioria. O preconceito falou mais alto. 

Abri mão de grana certa dos cachês da Dorsal e fiquei na pendura legal. Isso é trair? A quem? Quiseram me fazer perder a paz de espírito mas não conseguiram. Ninguém sabe de nada...

Foi muito escroto da parte da revista, ainda mais partindo de pessoas que diziam me conhecer e me entender tanto. Muitos amigos disseram que eu estava louco abandonando o certo (a Dorsal) pelo duvidoso (Usina e Mustang), mas meu coração era a fortaleza que me bastou para suportar esses dois anos no meio de tanta difamação. 

Agora com a poeira baixando, todos podem ver que preconceito e calúnia só trazem a vergonha: todos estão com a cara no chão. Uma vez eu disse em uma entrevista na época do LP "Antes Do Fim", da Dorsal Atlântica , em 86, que "se isso o que sou é ser radical então agradeço por ser assim"... 

Pois bem, mudei em algo? Não sou a mesma pessoa? O radicalismo nas idéias, a convicção e as atitudes renovadoras e contestadoras são idênticas. Sou a mesma pessoa, o tempo não me deixou manso, nem me apagou. Como poderia agir diferente? Deveria ter aliviado ou amansado para agradar a quem?

Dentro da própria banda tive problemas com integrantes mercenários, egoístas e medíocres que morreram de medo do que as pessoas estavam dizendo a respeito da banda e resolveram também me trair, me abandonando às feras. Mas tudo isso serviu para me fortalecer e agora me sinto muito mais cônscio, equilibardo e ciente do que quero.

Além de ser músico, você também é escritor. Esse outro lado artístico já havia sido desperto desde a época do Dorsal?

Sempre gostei muito de ler, desde muito cedo. As letras de música foram meu primeiro contato real com o poder da caneta. Atualmente, minhas críticas são tão incisivas quanto eram antes, mas agora estão prenhes com mais bom humor. Não que isso faltasse antes, mas a perspectiva agora é outra e a forma também, além de uma maior maturidade, o que me propicia maior espaço para novas experiências. 

Passei a colaborar para diversas publicações desde que me formei em jornalismo, sendo que escrevo há anos para a revista "Rock Press", cuja editora lançou meu primeiro livro há três anos, o "Guerrilha!", contando a história do movimento metálico e da própria Dorsal Atlântica, coisa indissociáveis. 

Agora, no início de 2003, me preparo para lançar o novo livro: "Os Argonautas", que conta, em forma de romance, minha trajetória (que pode ser a de qualquer pessoa) sob um ponto de vista espiritual. Conto como a fé e o aprendizado diário podem nos fornecer pistas através das quais podemos optar pelo caminho mais adequado em busca da evolução e compreensão de si mesmo e do mundo. Jung chamava isso de "sincronicidade": as famosas "coincidências" que funcionam como pistas para o esclarecimento de nossas dúvidas. 

Eu convivi com grupos espiritualistas durante dez anos ininterruptamente e essa experiência, junto com o aprendizado das ruas, foi o combustível para o livro.

Quais são os próximos passos, de todos esses projetos?

Seja o que Deus quiser. Minha parte eu faço com amor e muita dedicação. Pelas resenhas da imprensa, estamos indo muito bem. Falta o público nos dar a chance, abrir as mentes, os ouvidos e nos receber de braços abertos, se possível.

Contatos para shows E-mails:[email protected], [email protected]
 

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TRANSCRIÇÕES DE MATÉRIAS E RESENHAS DA USINA LE BLOND:

REVISTA SUCESSO CD – Resenha do primeiro CD USINA 415

Título: GUITARRISTA ABANDONA METAL E FAZ MISTURAS

Hekamiah e Usina Le Blond tem Carlos Lopes como homem de frente. E daí? Bem, pra quem não sabe, ele foi fundador da Dorsal Atlântica, nome de peso do metal nacional. Depois de anos no “barco”, ele resolveu dar uma guinada na carreira e fazer um trabalho bem diferente daquele que o tornou conhecido. USINA 415
É o primeiro disco desta nova fase e, para quem estava acostumado a apreciar seus solos de guitarra, pode levar um enorme susto. No disco, o que se ouve é um pop rock eclético, com pitadas de soul, funk, blues e até algumas refer6encias nordestinas. Refrões grudentos e um naipe de metais ali e acolá aparecem pra espantar os “fantasmas” da antiga banda. “Corpo Fechado”, “São Judas Tadeu” e “Greta Garbo” merecem um destaque especial e mostram que a banda tem uma longa vida pela frente.
 
 

JORNAL DE BAIRROS (TIJUCA) – O GLOBO – Quinta-feira, 6 de setembro de 2001

Título: INSPIRAÇÃO PERTO DE CASA por Eduardo Franklin

  A inspiração para compor músicas nem sempre emana de grandes feitos e heróis. Às vezes, a vizinhança é  a melhor fonte. Luiz Melodia canta em “Estácio, holy Estácio”: “Se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio”, uma homenagem ao bairro onde cresceu. Em seu último disco, Ed Motta intitulou uma faixa “Tijuca em Cinemascope”. Leci Brandão regravou, recentemente, uma música sobre um morador de Vila Isabel.
  Líder da banda de heavy metal Dorsal Atlântica, que mantinha entre seus fãs os músicos do Sepultura, Carlos Lopes, encabeça agora o USINA LE BLOND, uma referência ao ônibus da linha 415 (Usina-Leblon).
 Queria um nome que smbolizasse a cidade e a união das diferenças. Então lembrei que o ônibus que mais peguei na vida foi o Usina-Leblon que ligava os dois extremos da cidade – conta o cantor e guitarrista, cujas novas composições misturam soul, samba, baião, rock e outros ritmos.
 A mudança de estilo não se limitou ao som. Lopes adotou o nome Hekamiah – inspirado num anjo – e trocou as camisas pretas por douradas (adornadas com eventual poá roxo) e os óculos escuros por vermelhos, em forma de coração.
- Eu quis me libertar dessa camisa-de-força que o metal impunha. Hoje eu visto as roupas que os Beatles vestiriam – explica Hekamiah.
No primeiro CD da Usina Le Blond há várias referências à cidade. A música “São Judas Tadeu” se baseia numa declaração do ex-prefeito Luiz Paulo Conde:
- Ele disse que a solução para evitar as enchentes causadas pelas chuvas, que castigavam sobretudo a Praça da Bandeira, era rezar pra São Judas – diz o músico, que ensaia num estúdio na própria praça.
 
 

MEGAZINE (O GLOBO) – Terça-feira, 28 de maio de 2002

Título: NÃO É FUNK por Bruno Porto

O “USINA LE BLOND”, banda de Carlos Lopes (ex- Dorsal Atlântica), chega ao seu terceiro e homonimo CD. O funk (de verdade, de bandas como Parliament), norteia o disco, mas é o samba-jazz “Liberdade via Vila Kennedy” a sua melhor música.
 

REVISTA ZERO NÚMERO 2 – JUNHO 2002 – POR LUIZ CESAR PIMENTEL

Carlos Lopes é um dínamo do underground brasileiro. Durante 20 anos capitaneou na raça uma das primeiras bandas de metal do país, o Dorsal Atlântica. De uns tempos pra cá, vinha dividindo o espaço em estúdio com dois outros projetos: O USINA LE BLOND, trio funk/rock, e o MUSTANG, banda três-acordes-garageira. Encerrado o Dorsal, resolveu ao menos dar um enterro decente à banda – acaba de sair, junto de versões em vinil de outros trabalhos dos seus grupos, uma coletânea dupla e um CD de sobras de estúdio e raridades.
 As músicas vão, claro da tosquidão pura dos primeiros ensaios em 82 até apresentações ao vivo e em rádios. Porém, mais que a qualidade sonora, quem acompanhou a trabalho de Lopes, sabe que nesses CDs reside boa parte da biografia do metal brasileiro desde antes que ele começasse a ser reconhecido como música séria.

 O que você acha desses discos da Dorsal?
 Adoro, porque são de verdade: ensaios, shows e outtakes. Eu adoro o MC5 e o The Sweet, tenho uns 15 pirats de cada e nunca me preocupei com a qualidade sonora, porque isso é coisa de quem só gosta de música por um motivo: o estético, e não pela emoção. E a Dorsal foi a primeira banda brasileira que ganhou um tributo em vida, você acredita?

Como foi o final da banda?
Eu a desativei depois de 20 naos por diversos motivos – gravadoras merdas, músicos idiotas, saco cheio – para trabalhar somente com o Mustang e a Usina Le Blond.

O que você acha das bandas que sobreviveram aos anos 80, como o Sepultura?
Não as ouço, pois essas bandas não saíram do lugar. Eu mudei porque me considero um artista e todo artista deve se renovar, criar e enfrentar novos desafios vivo. Ajudei a fundar o metal nesse país, mas não vou morrer sendo ícone de metal nenhum, e nem de p... nenhuma.
 
 

ROCK BRIGADE  192 JULHO – SESSÃO NOVIDADES EM DISCOS

USINA LE BLOND é o nome da banda de funk de Carlos Lopes (ex-Vândalo) que tanta polêmica causou (vide ROCK BRIGADE 189). E o CD auto-intitulado (Varda, nac.) mostra, pelo menos, que o funk que ele faz nada tem a ver com aquela terrível moda que assolou o país há cerca de um ano (e não durou mais que três meses...), já que se situa na linha Funkadelic/Parliament, grupos que popularizaram a versão mais, digamos, pesada do gênero. O resultado até que é legal, principalmente quando a coisa não descamba para o samba ou para a a bossa nova (!). Além disso, um certo exagero no despojamento deixa tudo, às vezes, um pouco tosco demais.
 

Trecho da entrevista feita por Marcos Cardoso e publicada na  revista PLANET METAL
volume 13 em julho de 2002

 Você está envolvido com o lançamento de um outtakes do Ultimatum da Dorsal Atlântica também. Como será esse álbum?

No momento da contratação da Dorsal pela Encore, por uma coincidência dessas do destino, fui procurado pelo empresário Aderson Júnior que me ofereceu também lançar um outro Outtake da Dorsal, sem que uma gravadora soubesse da proposta da outra! Foi muito estranho e  gratificante. Ficou resolvido assim: A Encore lançaria uma coletânea com todas as fases da banda e a Dies Irae do Ader editaria o Ultimatum Outtakes em CD e LP (para exportação), e relançaria o nosso primeiro álbum Ultimatum de 85 em formato vinil e CD com bônus. Junto com tudo isso, Ader Jr ainda contratou minha outra banda chamada Mustang, estilo MC5, Stooges, para inaugurar o selo de garage-rock chamado Old School Nice Lessons. Todos os CDs e LPs, tanto da Dorsal quanto do Mustang já estão disponíveis desde maio de 2002. Fiquei orgulhoso, honrado e estou muito feliz com todos os trabalhos.

Você se considera de alguma forma injustiçado ou incompreendido?

Nem um nem outro. Tenho o que mereço e desse mundo não espero muita coisa. É só ligar a TV para ver em que mundo vivemos. Tenho noção da importância da Dorsal Atlântica para a cena e sei que ela jamais morrerá porque a banda é uma lenda-viva, mas eu não me acomodei com esses improváveis louros de falsa glória e parti para outros projetos que satisfizessem outras carcterísticas da minha personalidade musical e fundei as roqueiras Usina Le Blond e o Mustang. Pedra que rola não cria limo já dizia o Muddy Waters. 
 

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USINA LE BLOND – DIÁRIO DOS MESES DE MAIO A JULHO DE 2002

AGOSTO, RIO, TERRA

Há exatamente três meses João Paulo, o batera que gravou o CD, teve que voltar a trabalhar como roadie do Lulu Santos. Como o nosso J é um sujeito que não dá mole (mas que fica doido comigo no palco! "Artista não tem sexo, baby!") ele disponibilizou um substituto a altura chamado Américo, um super craque na batera. Eles estudam o instrumento juntos. Começamos a ensaiar com a nova formação em maio, tanto a Usina como o Mustang para os diversos shows nos meses de junho e julho. Como é muita, mas muita coisa mesmo para contar e não há paciência que suporte, vamos simplificar esses babados, ok? Primeiro vamos começar comentando sobre um inesquecível show em março desse ano, antes de entrarmos nos meses citados. Então vamos lá.

Quinta, 14/março – Show na boate W em Ipanema no Rio

Ótimo show. Super bem organizado. Bom som. Bastante gente. Boas bandas dos mais diversos estilos. Primeiro evento em que me "liberei", dançando e agitando bastante e também o primeiro que tirou as noites de sono do baterista. O Rock rolou literalmente solto. Gosto de dizer que uso e abuso dos "maneirismos" do estilo. O baterista JP ficou horrorizado, perguntou se era show da Usina ou do Mustang (!?!?!@?). Para bom entendedor meia-palavra basta. A energia elétrica para a W veio de um gerador de dentro de um caminhão parado em frente à casa, vocês acreditam? Usei roupas bem andróginas com lantejoulas, uma coisa meio Mangueira (a escola de samba, não a árvore) por assim dizer, comparação criada pelos músicos da USINA. Pedi palmas para Tim Maia durante o show mas muitos pareciam nem saber quem era o tal sujeito... Pois é... Uma semana depois encontrei casualmente na rua o empresário do Stereo Box, uma das bandas da noite, que me reconheceu dizendo: "Usina Le Blond! O maior show de rock que já vi." Valeu. Obrigado. 

Repertório? Vexame, Simancol, 25 de Agosto, Corpo Fechado, Cobrador, Artista e Caju.

Abril – Entrevista na ROCK BRIGADE 189

Quinta, 2/maio – Show no Casarão do Rock (Rio)
 

Ainda com JP nas baquetas tocamos no Casarão do Rock na Lapa, conduzido pelo casal Jorge e Wilma. O bairro da Lapa, no centro, é o coração da antiga malandragem no Rio. O Casarão na verdade é um sobradão cercado de travestis, jogatina, sinucas e malucada. Quer dizer:... Clássico. Tocamos em 45 minutos: Vexame, 25 de Agosto, Tua Culpa, Macunaíma, Simancol, Palavra Vale, Cobrador, Corpo Fechado e Artista. O palco não tinha retorno (para os não-músicos: são as caixas de som que ficam no chão e que "devolvem" a voz ou algum instrumento para que possamos nos localizar) e como o batera tocou muito alto, só consegui ouvir (mal) minha voz com(o) um eco do P.A. (As caixas de som voltadas para o público). O casarão estava literalmente "hotter than hell" com a guitarra desafinando devido ao calor e eu suando bicas dentro de um casacão (para rimar com casarão... ) de veludo. JP sugeriu colocarmos um orgão Hammond na banda, idéia rejeitada na hora. Ele doido para ver a banda soar certinha e nós, como dizem os gaúchos querendo "soltar a vaca!" O termo é esse mesmo? Quem for do Sul me escreva para corrigir. 

8/maio – Nasceu terceiro filho de Lucy "Xena" Lawless chamado Judah Miro Tapert.

17/maio – Passou "Babylon5: Thirdspace" no SBT na sessão Made For TV.

19/maio – Último episódio do Arquivo-X nos Estados Unidos.

22/maio – Primeiro ensaio com o novo baterista Américo

24/maio – "Tentativa" de ensaio com o baixista Bruno Schubnel (ex-X RATED) para o Mustang mas a gente só conseguiu rir. Foi engraçado. Roquenroulíce dez, tempo livre zero, então não rolou.

28/maio – Resenha do CD da Usina no caderno Megazine no jornal O Globo.

29/maio – Entrevista gravada na rádio 89 FM em São Paulo para o programa NOISE. A entrevista passou "via Embratel" em São Paulo e no Rio conjuntamente algumas semanas depois.
 
 

Sábado, 1/junho – Show acústico na FNAC da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. 

O show foi prestigiado pelos amigos e por desconhecidos que deram o apoio necessário. Violão elétrico e "baixolão" na parada. Gostamos de fazer esse tipo de apresentação por causa da extrema "organicidade" do acústico. Isso sem marketing algum, apenas constatação. O CD ficou `a venda na loja com bons resultados. Tocamos Vexame, 25 de Agosto, Santa Teresa, Tudo De Novo, Resistência Cultural, Artista, Só Se for Agora, Dignidade, Palavra Vale, Macunaíma, Simancol, Corpo Fechado e Música Nova. Último show com JP nessa fase.

Quinta, 6/junho – Bar Thenossauros em SP. 

Bom bar com bom som. Na mesma noite vimos a recém-saída Rock Brigade com resenha do Mustang que levou um ótimo 8,5. Show muito bom. Tinha um carioca que platéia por coincidência que começou a bater papo conosco de sua mesa. Posters dos Beatles nas paredes. Tocamos além das habituais, os "clássicos" My Generation do The Who, Paranoid do Black Sabbath e Black Night do Deep Purple. Chegamos a tocar Xena & Gabrielle, Bloody Barbecue, Disneylândia e Março do Mustang em comemoração à boa resenha. Da Usina rolaram Santa Teresa, Só Se For Agora, Corpo Fechado, Tudo De Novo, Dignidade, Caju, Artista, Greta Garbo, Medo, 25 de Agosto, Alma do Desengano, Palavra Vale, Música Nova, Palavras Sentidas (Inédita! Nunca havíamos tocado essa. Foi um pedido da nossa empresária).

Super-Sexta, 7/junho – Acústico na livraria Berinjela no centro do Rio. 

A Berinjela é um sebo/livraria/loja de CDs, talvez a loja mais hospitaleira de toda a cidade. Os proprietários arrastaram as estantes dos CDs do meio da "sala" para o canto, abrindo um espaço dentro da loja para que ligássemos o nosso mini-P.A. O baterista Américo desenvolveu uma nova técnica com os auspícios do amigo/roadie Wagner "Cobra": usar o case de caixa de bateria como bumbo! Não é que ficou demais? Talvez tenha sido nosso melhor show tal foi a empatia e o alto astral proporcionado pela boa vibração entre os presentes e banda. Américo começou a fazer os backings, sugestão da nossa empresária, o que por sinal foi uma ótima idéia. Repertório: Só Se For Agora, Corpo Fechado, Tudo de Novo, Dignidade, Artista, Greta Garbo (pedido do ex-baixista "quebra-galho" Alexandre Falso), Vexame, 25 De Agosto, Simancol, Palavra Vale, Música Nova e Cobrador. Do Mustang tocamos Xena e Março. Covers sem programação: Whola Lotta Love do Led Zeppelin e My Generation do The Who com solos de batera e baixo. Foi puro rock and roll sem contar a inclusão de piadas e interseções entre as músicas. Com bom efeito humorístico, manteve o astral lá em cima. Obrigado Edu (Fogão apesar dos desmandos), Daniel, Maurício (Novo Baiano), Sílvia (Paciência-Addicted) e Andréa "Scars" (Que não foi, tá?!?).

Sexta, dia 14/junho – Entrevista de Carlos "Hekamiah" Lopes no jornal O Globo,

Revista Zero 2 com mini-entrevista. Resenhas dos CDs da Usina, Mustang e Dorsal.

Domingo, 23/junho – Transmissão da entrevista feita para o programa NOISE da 89 FM (SP) e retransmitido pela Rádio Cidade (Rio).

Quinta, 27/junho – Fest Rock na Sister Moon no Rio
 

Novamente tocamos no Fest Rock só que agora com a Usina (duas semanas antes havia sido com o Mustang). Público maior e melhor mas com os atrasos de sempre ("Vamos esperar um pouco mais para vir mais gente"). O baixista não queria tocar nessa noite porque havia sido convidado meia-hora antes para ganhar uma "merréca" em outro show. Pelo menos ele foi, menos mal... Antes disso "tomou-lhe" uma multa por dirigir conversando no celular (na verdade o policial pediu o que ele tinha na carteira para liberá-lo, exatamente trinta merréis) a caminho do show. 

Não passamos som porque tudo estava incrivelmente atrasado mas não rolou nenhum "istréssis-Fernandinho" por causa disso, porque estamos vivenciados em dificuldades. É apenas mais uma. Tocamos Vexame, Cobrador, 25 de Agosto, Macunaíma, Simancol (improvisada com "Do Leme Ao Pontal" do mestre Tim Maia), Palavra Vale, Corpo Fechado, Artista e Dignidade. Muito calor no recinto e uma maluquinha bêbada parecida com a extinta Mary Mallandro (lembram?) gritando: "Esse cara é show!" Grandes grooves de baixo e batera além de boas improvisações "Hendrixianas". Fiquei suado e feliz.

Sábado, 29/junho – Sessão de fotos da Usina e do Mustang sob o comando do nosso fotógrafo-irmão-quebrador-de-todos-os-galhos Marcelo Pereira.

Julho – Super matéria na Rock Press 45, entrevista (com CD) na Planet Metal número 13 e resenhas de todos os lançamentos na revista da MTV 16.
 
 

Sexta, Sábado, Domingo, 12, 13 e 14 de julho – Centro Cultural São Paulo

Ótimos shows com boas performances e bom som. Já havíamos tocado no Centro Cultural com a primeira formação da banda (durante o lançamento do primeiro CD). O Centro é uma boa casa que nos recebe muito bem. As coisas correram bem nesse final de semana agradável. O primeiro e o segundo dia foram filmados pelo nosso amigo Thor. Esse material "fílmico" não tem "aquelas qualidades" mas fará parte de um home-vídeo "caseiro" e de um provável novo CD ao vivo (o áudio gravado ficou muito bom). Alguns cabeludos (metaleiros?) apareceram e nos (ou)viram com atenção, o que nos agradou muito pois há bastante preconceito por parte daqueles que nos criticam antes de nos ouvir. Bem, esse tipo de atitude (o Medo do novo) sempre antecede a mudança de lado do público. Houve um "ouvinte" que compareceu aos dois primeiros dias (noites) e saiu aplaudindo, além de um outro com cara de Raul Seixas que dançou durante todo o terceiro show. Na madrugada da primeira para o segunda noite ainda fomos fazer um acústico no bar Juke (junk?) Joint que foi muito legal e teve um clima excepcional. Tocamos pela primeira vez a música "Bom Senso" da fase "Racional" do Tim Maia. Além disso rolaram vídeos do The Who, história do Glam-Rock e do T-Rex. Noite memorável. A mulher do nosso baixista ligava para o seu celular (do Rio para SP) reclamando que ele deveria ganhar dinheiro de verdade e com a gente ele nunca iria ver isso. Nem vou entrar em detalhes, porque costumeiramente temos problemas desse tipo... Nada de novo. Tirando esse pormenor "pentelho" tudo correu as mil maravilhas. Mas o baixista acabou não suportando a pressão e saiu/saído uma semana depois. Tomamos essa decisão antes que fosse pior e não sobrasse nada de bom para contar. Quando rolava Música, com M maíusculo, entre nós a química era perfeita e ficava tudo bem, mas quando tocava o telefone do capeta o astral caía. O baterista, astrólogo e provável médium, literalmente, me viu chutando um rato preto no palco durante a apresentação. Só sei que se chutei qualquer rato desses foi no "astral". Por causa disso vamos nomear o provável novo ao vivo da USINA de: CHUTANDO O RATO PRETO AO VIVO!

Repertório básico das três noites: Vexame, 25 de Agosto, Macunaíma, Simancol, Don’t Touch com Jungle Boogie, Cobrador, Música Nova, Alma do Desengano, Palavra Vale, Bom Senso. Homenageamos Claudinho (e Bochecha) que havia morrido em um acidente de carro no mesmo final de semana e John Entwistle do The Who tocando "My Generation".

Sexta, dia 26 de julho – "Acústico" no Espírito das Artes (Rio)

Já sem a presença do baixista antigo, tocamos duas horas ininterruptas de 22:00 as 24:00 (na verdade passamos um pouquinho) apenas com a dupla do barulho (Carlos "Hekamiah" e Américo Mortágua. Usei um equalizador gráfico e um compressor (ambos dos anos 70) no violão elétrico plugado direto na linha (flat: sem equalização direto na mesa para o som) e Américo montou seu clássico set de bumbo-case (ler resenha do show na Berinjela). Recebemos visitas ilustres: um velho amigo do colégio e um casal de um grupo espiritualista que nos assistiu pela primeira vez, e viram in loco as "costumeiras" loucuras no palco do escriba "Hekamiah". Em um telão no fundo do palco foi projetado um filme montado a partir das minhas preferências músico-cinematográficas enquanto suávamos a(s) camisa(s) com repertório dos dois CDs, destacando o samba "Liberdade", o mix de "Macunaíma" com "Palavras Sentidas" e a versão punk de "Rock And Roll" do Led Zeppelin. Cada pagante recebeu o novo CD da Usina de graça. Foi uma grande festa, literalmente. O som estava muito bom e o show foi no nível do excelente show em São Paulo no Juke Joint, citado anteriormente. Grande encerramento de uma fase de alegrias e algumas dificuldades, nunca intransponíveis. Viver é muito bom.

Agosto - Segunda, dia 12 - Resenha da USINA no Folhateen da Folha de São Paulo e matéria "Crise? Que Crise?" na revista Frente
 

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A GRAVAÇÃO DO NOVO CD (JANEIRO DE 2002)

Tem tanta coisa para contar que nem sei por onde começar. Esse é o dilema do autor. Com nova formação na área (João Paulo Ramos na batera e Wlad no baixo) ensaiamos seis meses o repertório antigo e o mais recente, já com o olho nesse tal de disco novo. Conforme nos habituávamos com a sonoridade nova e com os novos temas, os músicos foram contribuindo com arranjos, impregnando as composições com grande personalidade. Gravei uma demo (em cassete) no quarto com uma técnica desenvolvida na dificuldade, que não relato caso o Bill Gates queira furtá-la, e a partir daí começamos os ensaios. Até o último momento tivemos algumas dúvidas que foram sanadas com o "Conselho De Jedi" democrático que se instalou na nossa turma nos últimos anos e, por votação, decidimos sobre os arranjos, os andamentos e o repertório. 

Durante três semanas no estúdio Manhattan (até hoje os proprietários ainda não tiraram o logo das torres gêmeas!!!), com o técnico Moyses Marques, gravamos ao vivo no Pro Tools para repetir a feliz experiência que tivemos com a gravação do Mustang e atingimos um resultado espetacular. A guitarra foi gravada com um simulador JMP1 juntamente com um combo Marshall valvestate. O wah na frente serviu de equalizador, além de um equalizador de verdade como o último pedal, criavam o som que se quisesse. Clash Of Frequencies. Para cada música, uma nova equalização. Não devemos esquecer do valioso compressor da MXR que amo de paixão e que dá a sonoridade especial da guitarra na USINA. Um companheiro inseparável. "Não é brinquedo, não!" O problema é gravamos em um Pro-Tools no PC (!), aí vocês já viram... Era um tal de travar... Sabe como é contar com "the egg in the chicken'ass". Torcíamos para que os arquivos não fossem deletados pela vontade própria da máquina sinistra!

O nosso baterista J.P. tocou uma escola de samba completa na faixa Resistência Cultural, sobre um violão de Samba com pegada de Jimi Hendrix e foi um casamento muito feliz, sem sombra de dúvida. O instrumento dele é uma Gretch super nervosa, muito 70: um colírio para os olhos, os ouvidos e a alma. Além disso o "Jeipí", o baterista fenômeno, adquiriu uma caixa Ludwig responsa que tem um som lindo de viver (como diz a Hebe!). 

Os grooves do baixo de Wlad foram inesquecivelmente bem executados e gravados. Coisa de doido! O trio mandou uma verdadeira brasa mora! Agora querem saber mais sobre os treze (ôpa!) temas? 

LIBERDADE (VIA VILA KENNEDY) - Samba-Bossa ou uma Bossa de Samba? Escrito para alertar a um incauto sobre seu inadequado procedimento, a música atinge o objetivo de encantar em singeleza mas falhou ao não abrir os olhos do tal sujeito. Vão-se os anéis mas ficam as belas melodias.

MACUNAÍMA - Faixa que comenta sobre o nobre ato brasileiro de prometer muito e cumprir pouco. Olha que se espremer o sujeito contra a parede, o cara pode até chorar! Inspirada em fatos reais. Um forte riff suingado abre os trabalhos e prepara o terreno para uma cantarolante melodia. O nosso "herói nacional" continua livre, leve e solto, macunaímamente agindo por aí. Você deve conhecer alguns.

SIMANCOL - Outra crônica. Durante um show ansiosamente esperado, um conhecido (cujo nome manteremos em sigilo) "acordou com uma baita afta e dente inflamado". Sem grana e tempo resolveu levar no bolso um frasco grande, meio pela metade, de um determinado produto bucal para aliviar a pressão. O resto é lenda. "Gargarejou e engoliu?"

COBRADOR - Acho que todo mundo tem um à porta, seja exigindo grana, atitude ou amor. Escolha o seu. Um Heavy/Funk de primeira. Pesadão.

VEXAME - O refrão "emula" o falar e expõe o triste comportamento de uma típica garotinha consumista e imatura. A união do Funk Carioca com o peso das guitarras e a pulsação firme da bateria. Porrada.

ALMA DO DESENGANO - A letra fala sobre uma tragédia na quadra de uma fictícia Escola de samba onde se misturam uma levada "Jorge Benjorgiana" e um corpo caído no chão. O Rock errou, mas o Samba não salvou.

MINHA CULPA?- Briga de casal, aquela ladainha de sempre, cada um sendo "mais compreensivo" com o outro e jogando os erros na cara. Lavação de roupa suja pela metade. O marido tá doido pra ver a mulher admitir mas "tá ruimmm..." Ritmo inspirado na típica soul dos 60, estilo Sam & Dave com algo de John Spencer.

MÚSICA NOVA - De cunho tropicalista - e letra idem - a harmonia cromática desce e sobe em busca de um novo ambiente e clima para a tal "música nova". Haverá chance dentro desse mercado?

TUDO TÃO NATURAL - Outro Heavy/Funk com pau de dar em doido! A letra brinca com as superstições e as simpatias praticadas pelo povo brasileiro. É só procurar em qualquer encruzilhada.

PALAVRA VALE (ME FAÇA ACREDITAR QUE É POSSÍVEL AMAR) - Um solo emotivo abre e fecha uma desavergonha música climática. Na melhor tradição do rock dos anos 70. Será que "palavra vale", mesmo? É uma espécie de continuação filosófica da tese iniciada em "Macunaíma". Estaremos todos fritos? Haverá futuro?

25 DE AGOSTO - Sob uma base tipicamente MOD, a letra fala sobre um encontro de amigos para comemorar um aniversário. Amigos que nunca mais se reuniram a partir desse 25 de Agosto. 

RESISTÊNCIA CULTURAL - Um Samba acelerado com pique de Bossa Nova, brinca com cromatismos como em "Música Nova". A letra é um chamado à resistência contra a tal dominacão estrangeira. Dialogar ainda vá lá mas prevaricar com o "outro" é de bom tom? 
 

PALAVRAS SENTIDAS (Só a sua roupa tem que trocar) - A letra disserta sobre certas idéias pré-concebidas e preconceituosas. Assim como tem piada de português, tem de brasileiro... A letra é um pedido de desculpas por tanta parcialidade. Se queres assinar a petição esteja à vontade.

NOVIDADES EM 2002 

O novo milênio está prenhe de lançamentos. Todos independentes, fora de mão, opinião, ou moda. Os cães ladram e a caravana passa. Seu amigo, correspondente, escritor e artista 24 horas Carlos Lopes extravassa seus Ids em novos delírios musicais com diversos trabalhos lançados por gravadoras diversas e de uma só tacada: São 4 LPs e 7 CDs! Aqui não tem caô. Só tem rock and rô. Hummm... 

Acompanhem a lista e façam suas apostas. Só não vale colocar todas as fichas no azarão - senão a banca quebra! 

USINA LE BLOND - O terceiro e NOVO CD do trio de funk/rock gravado ao vivo (em estúdio) em janeiro desse ano preserva o clima dos shows onde ritmo, groove e licks ferozes convivem em uma galáxia única, a parte de tudo o que se produz musicalmente no Brasil. Com nova formação e novas idéias, o CD vem mais heavy/funk do que nunca. São treze psicodélicas canções com letras que retratam de forma bem humorada, como pequenas crônicas, o-dia-a-dia e os personagens que cruzaram o caminho da banda. Artistas gráficos independentes participaram da produção visual do CD expondo em telas, gravuras e bonecos suas visões das letras da USINA. Heavy, Funk, MOD, Psicodelia, Tropicalismo, Samba, Bossa, o que mais você está esperando para ouvir? 

VARDA RECORDS - número de código: VARDA 1965 

USINA LE BLOND - AO VIVO - Antecipando o lançamento do novo CD em estúdio a USINA editou um poderoso ao vivo gravado em São Paulo. Registrado na novíssima tecnologia estéreofônica, o áudio foi revisto e remasterizado em ambiente hi-fi de luxe. A gravação em technicolor de primeira e o estado de espírito, também, colaboraram para uma poderosa reinterpretação dos temas do primeiro CD da banda chamado USINA 415. Inclui dois covers (Tim Maia e Secos & Molhados), apresentações em TV e uma canção acústica e inédita. Para quem ama o Tropicalismo, Hendrix, Cartola, Grand Funk Railroad e Funkadelic. 

Não tem erro. 50 incansáveis minutos de som. 

VARDA RECORDS - número de código: VARDA 1964 

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Musikaos - Usina Le Blond


 










Veja aqui como foi:

Primeira
Segunda
       Terça, dia 13 de março, fomos à São Paulo gravar, ao vivo, o programa Musikaos da TV Cultura com apresentação de Gastão Moreira.  O dia (ou noite) em si já era preciosidade:  Berimbrau representando BH;  Sandra de Sá, a nossa madrinha carioca do funk; Usina Le-Blond;  e Funk Como Le Gusta pelo escrete paulistano.  Uma noite funk para todos os gostos, com todas as nuances que o som suingado pode ter.  O tratamento foi nota dez e o público, mesmo sem conhecer nossa proposta nos recebeu muito bem.  Como de praxe, em televisão o tempo é curto e só pudemos tocar três canções do CD (em ordem):  “Santa Teresa” (o wah-wah comeu solto), “Dignidade” (até o Jorge Mautner dançou!) e “Só Se For Agora”, quando o espírito de Tim Maia baixou no Hekamiah.  Como temos combinado entre nós, as versões foram levemente diferentes do CD, porque deixamos (e achamos fundamental) nossos espíritos ascenderem aos céus da improvisação.  É um caos combinado, poderíamos dizer.  A distorção comeu, o wah comeu, a improvisação rolou e o rock comeu solto.
Estamos acertados?  Mandem seus e-mails e cartas.  Todos são bem-vindos, keep it up.

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Show acústico no Rio de Janeiro


ROTEIRO DA VIDA NA ESTRADA:


 










   Há alguns meses, temos feito alguns shows de “aquecimento” para desabrochar no ano 2001, novo milênio, com vida nova e maior esperança em uma música farta de luz e sem barreiras.  Tem sido difícil, ninguém ousou falar que seria fácil, mas assim é que é bom:  batalhar pelo que se gosta com prazer - e muito.
   Relatar em detalhes todos os shows seria um pouco chato, mas vamos nos ater ao que de mais legal pintou até janeiro deste ano.
   No Rio, os eventos mais legais foram o lançamento oficial do escritório/loja de design chamada Orbital no qual fizemos um set acústico (menos o baixo elétrico, apesar de que os violões eram também, mas não espalha...) com todo o nosso repertório, que no ensaio tem duas horas, mas esticamos o mesmo à exaustão, talvez chegando a três ou quatro horas, com apenas um pequeno intervalo.  Cansou?  Não!  Foi demais e nos concientizou que podemos, tranqüilamente, fazer mais shows acústicos.  Ainda considero este um show memorável:  tocar “acústico” dá um tesão diferente.  Além do mais, tocamos até o último “cliente” e até a chuva nos despachar para casa.  O melhor:  improvisamos e deu para cantar o nosso samba e os da Portela.
   Na noite - melhor dizendo, na madrugada - da quarta, dia 22 de novembro, apresentei, in loco, e em primeira audição, o CD da USINA no agora extinto programa radiofônico EP VANGUARDA.  Além do CD, rolou Toni Tornado, O’Jays e Curtis Mayfield, só para citar alguns.  Foi classe A.  O eterno roadie Leandro Rocha gargalhou à pampa e ajudou muito no estúdio com o telefone.
   No Ballroom, no dia Hendrix (27 de novembro) e no dia Xena (após um hiato considerável, na mesma data começou a ser exibido no Brasil o quinto ano de uma de minhas séries favoritas) fizemos nossa estréia em palcos cariocas com o suporte dos amigos, cuja presença não temos como agradecer.  Vocês foram demais!  A banda vai suar a camisa por pessoas como vocês, eu prometo.  No final deu para levar o set de sambas, mas somente com o acompanhamento de Xande pois eu já estava com o saco cheio de tanto tocar e preferi cantar, e o fiz com o coração, sendo elogiado, até mesmo pela nossa empresária (se ela falou que estava bom, podem ter certeza de que estava!).
   Sexta, 12 de janeiro de 2001, o site Usina Do Som antecipou o que estava rolando com a matéria “Os Verdadeiros Demônios Do Heavy Metal”, de Ricardo Pleralini e Luciano Marsiglia, em que expôs os meus pontos de vista.  Trechos?  “A insatisfação de Carlos começou com um desentendimento interno.  ‘Queria mostrar coisas novas a cada disco.  Mas o público começou a não entender.  E depois meus companheiros de banda também criaram problemas”, relembra. Esse foi apenas o estopim."
 

Show de estréia no Ballroom no Rio de Janeiro. Ninguém sabia, mas era o dia do nascimento do Jimi Hendrix. Vai ver que por isso o show ficou tão pesado.


   No dia seguinte, enquanto o Rio curtia o SEU final de semana rock and roll com Foo Fighters, REM, Oasis e Guns, nós estávamos em Saint Paul para fazer o NOSSO.  Desembarcamos sem saber o que esperar e tivemos a maior das surpresas.  Apesar da correria e de certas precariedades, como não termos tido tempo para treinar os roadies locais (mas valeu a ajuda, Xaim), o pessoal da equipe técnica local, inclusive produção e P.A. foi educado e atencioso.  As bandas paulistanas que estavam conosco na empreitada se chamavam Sudaca e Sinhô Preto Velho, e o que vimos?  Duas grandes bandas, que todos deveriam conhecer.  A primeira tem uma metaleira (um quarteto dançante) de responsa, jovens músicos com muito potencial e um sonzão calcado no melhor da black music com vocais rapeados e o auxílio luxuoso de Lísius (é assim que escreve?) na pick-up.  O “Sinhô” é um tremenda mistura alucinante de pontos de umbanda e camdomblé com um baixo distorcido como único instrumento de cordas e quatro percussionistas totalmente inseridos no contexto e mais dois vocalistas.  E como eles mesmos falam, a banda não tem roadies, mas “cambonos”!
   Quanto ao Usina foi nossa estréia em terras paulistanas, não sem algum nervosismo por parte dos músicos, ao enfrentarem os tais problemas técnicos, mas o “seu” Hekamiah deu o showzinho particular, cheio de referências que uniram James Brown e glitter rock.  O show foi curto (quarenta minutos) e mandamos apenas os hits mais dançantes - não deu para rolar um sambinha, de light.  Fica para a próxima.  Os aplausos do público paulistano foram sinceros, pois assim senti a vibração, e como artista não vive sem público, mesmo os que estranharam, contribuíram com a energia positiva em silêncio.  A banda Usina Le Blond agradece.  Além de tanta coisa legal, contamos com o suporte de Samuel “Thor”, que gravou a gig em vídeo para um futuro clip promocional, apenas para produtores, nada ainda relativo às televisões.  Ainda temos muito chão para galgar e muitas metas a alcançar.  Um pouco de espera, e trabalho, não fazem mal a ninguém.  Ah...  o pessoal em São Paulo pronuncia Hekamiah de mais um jeito curioso:  Recamáia, além dos já conhecidos Recamiá, Ercamía (realmente o pior de todos.  Nossa senhora!  Graças ao nosso querido baixista Robson) e Êcamiá.  Isso só para vocês terem uma idéia!
 
 



DIREITO DE RESPOSTA  (JANEIRO DE 2001)


 










   A nota desagradável diz respeito à revista de que tanto gostava e que me desgostou profundamente.  A RB se referiu ao nosso trabalho e a mim, pessoalmente, de forma deselegante como se eu fosse um mercenário e estivesse envolvido em música apenas para ganhar dinheiro.  Esqueceram o meu histórico e me trataram como se minha cabeça tivesse entrado em pane.  Jovens, sou a mesma pessoa, com os mesmos princípios.  O problema é que um estilo que se pressupõe combativo ao sistema não pode ser considerado via de mão única.  Outros estilos podem fazer a “revolução”, mas para isso vocês têm que limpar suas cabeças cheias de preconceitos.  A música de HEKAMIAH E USINA LE BLOND é muito mais rica e profunda do que vocês fizeram supor ao público, que espero (queira Deus) não seja tão preconceituoso, daquele que atira primeiro e pergunta depois.  Se for assim, só corrobora o óbvio:  de que roqueiro não pensa e precisa ser preconceituoso para ser roqueiro.  Quando Hendrix fundou o Band Of Gypsys ele deixou de ser rock?  Não tem o pessoal da música eletrônica?  Pois é...  Eu não gosto, mas eles não me incomodam, porque eu não perco tempo com o que não me diz nada, é simples, é educado.
    Vocês já viram Woodstock, o filme?  Acho que não, ou esqueceram a lição, porque no mesmo palco estavam negros e brancos, Sly, Hendrix, The Who, C.S.N.Y., Sha Na Na, Santana etc.  Cada um com uma proposta e vocês esquecem que rock “era” um estilo que aceitava todas as diferenças estilísticas, desde que tivessem a tal da “atitude-rock” e senhores, esta atitude não morre em minha alma, porque minha história mostra isso.  É necessário inovar, criar, ousar e o estilo conhecido como rock pesado, hardcore ou outros, que ajudei a plantar no país, queiram ou não, no momento, não é o meu veículo de mudanças ideal.  Está estagnado e lutei para que ele mudasse para melhor, mas agora deixo com que as novas bandas esqueçam o racismo, o preconceito e a ofensa gratuita.  Se isso não for possível, que me esqueçam porque eu estou fora desse mundinho escuro.  Lavo as minhas mãos.  Leiam as minhas letras e reflitam.  O Carlos Vândalo, o Carlos Lopes ou o Hekamiah são manifestações da mesma pessoa, são extensões da mesma origem.  O metaleiro, o pensador e o anjo são a mesma pessoa.  É fácil entender, sem demagogia ou sentimentalismo.  Não preciso provar nada a ninguém.
    Aquilo em que acredito - que o metal morreu - é meu direito, ainda mais porque suei a camisa por vinte longos anos dentro desta cena, e não assisti, infelizmente, o progresso que vinte anos deveriam ter.  Vi, sim, minha banda lutar sozinha porque continuam adorando os mesmos bezerros de ouro, acham que o “mal” é resposta a algo.  É meu direito e meu dever pensar, mas eu assino o que escrevo.  Diferente da nota sem autor na revista.  Nesse caso, todos são responsáveis, além dos editores que não tiveram a elegância de checar as fontes.  Imprensa marrom?  Creio que sim.  Que pena...  Minha consciência está limpa.  Meu trabalho é limpo.  Vocês optaram pelo deboche, meus parabéns pela “atitude”.
    Meus caros amigos:  minha mudança veio do espírito, em primeiro lugar, e a música LIVRE E SEM RÓTULOS é o suficiente para libertar a minha alma, mas não a de vocês, que adoram ser aprisionados por rótulos.  Sempre os tratei com respeito e apesar de nos conhecermos há, pelo menos, quinze anos, vocês não tiveram a dignidade de me ligar antes e checar a informação.  Lantejoulas podem ser mais agressivas do que uma camiseta preta?  Descobri que sim.  Eu conheço minha sexualidade.  Vocês conhecem a sua?  Psicólogo explica.
    Por que a Fernanda Abreu é chamada de funk e não é tão respeitada quanto o Red Hot, que também é funk?  Por que o que vem de fora é melhor?  Por que o Brasil continua a ser latrina dos países do primeiro mundo?  Vocês colaboram para isso.  Três minutos por um mundo melhor e uma nota pelo preconceito maior.  Qual dos dois é mais culpado?

Carlos Lopes

TOP TEN ATUAL (JANEIRO 2001) - RETRATO DE UMA ÉPOCA

1- Mick Ronson - Slaughter On 10th Avenue
2- The Makers - Rock Star God
3 - Big Star - Os dois primeiros álbuns
4 - The Jam - The Collection
5 - Elvis - A caixa
6 - John Lennon e Plastic Ono Band
7 - Guns & Roses (vídeo) no Rock In Rio
8 - Fernanda Abreu (vídeo) no Rock In Rio
9 - Beatles - 1
10 - Baranga

Escrevam (Caixa Postal 33132, CEP 22440-970, Rio de Janeiro, RJ);  mandem e-mails ([email protected]);  adquiram o CD conosco;  compareçam aos shows, transformando-os em mini-eventos;  apoiem o nosso novo momento musical.
 
 



Para você que leu tudo aqui está um Milhão!!!!!!!!


 






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