PREPARANDO UMA BOA PALESTRA
1ª
parte – Como preparar uma boa apresentação
Escolha o assunto:
fale sobre um tema atual; trate de um assunto no qual tenha autoridade; escolha
um assunto de que você goste; coloque uma nova roupagem nos velhos assuntos;
opte por um assunto pertinente à circunstância; opte por um assunto com tempo
para ser pesquisado e apresentado; fale sobre um assunto que o auditório ainda
desconhece.
Determine os objetivos:
informar; persuadir e motivar; entreter; promover-se.
Conheça os ouvintes:
a importância de escutar; dificuldade de concentração (distrações pessoais
e distrações ambientais); audição seletiva; prejulgamento e distorções;
qualidade da mensagem; conclusão (um orador conquistará a atenção de sua
platéia se souber tocar no que lhe interessa); a platéia deseja o bom
desempenho do orador.
Questões que precisam de respostas para
conhecermos melhor o público e darmos a ele informações apropriadas:
o que motivou os ouvintes a comparecerem à apresentação (informação,
aprimoramento, necessidade social, representar/substituir, curiosidade,
acompanhar pessoas, conhecido do orador, entreter); quanto os ouvintes sabem
sobre o assunto; quanto os ouvintes gostariam de saber e quanto desejamos
informar; o que move os ouvintes (verificar pesquisas/dados publicados em
revistas); qual o espírito de participação dos ouvintes (motivado/receptivo,
amistoso, hostil, indiferente, desatento).
Características do público que
influenciam:
sexo; idade (infantil, jovem, adulto); nível sócio-cultural (pessoas
ignorantes ou despreparadas e cultas); raça.
Local e Circunstâncias da Apresentação:
tamanho do auditório; local; recursos disponíveis; apoio na apresentação
(ordem da apresentação: Introdução/Preparação/Assunto Central/Conclusão
– ordem de montagem da apresentação: informações do assunto central e da
preparação/informações da conclusão/ informações da introdução);
ambientes abertos; nomes corretos; se algum fato relevante ocorreu antes da sua
chegada; se algum fato ou informação deve ser evitado; quem falará antes e
depois; quais assuntos outros oradores falarão; se irá falar sentado ou em pé;
se a tribuna é adequada a sua altura.
Faça a pesquisa e a escolha das informações:
Comece a pesquisa e a montagem da apresentação pelo assunto central; não
censure; recorra aos próprios conhecimentos; converse com outros especialistas;
consulte bibliotecas, livrarias e arquivos de jornais; consulte filmes; visite o
local; monte um arquivo (se imaginarmos a possibilidade de sermos convidados a
falar sobre algum tema, podemos ir guardando recortes de jornais sobre o assunto
– não precisa ser em de forma ordenada, pois quando precisarmos dos mesmos,
faremos uma seleção na hora); concentre-se no assunto; separe e relacione as
informações.
2ª
parte – Partes de uma apresentação
Introdução
| Tipos de Introdução | Público | Objetivo |
| Aludir à ocasião | Amistoso ou receptivo | Aludir à presença dos ouvintes no ambiente. |
| Frases ou informação que provoque impacto; Fato bem humorado; história ou narrativa interessante; levantar uma reflexão; apresentar a utilidade, as vantagens e os benefícios do assunto. | Indiferente |
Conquistar o interesse e a atenção. |
| Construir um campo de neutralidade. | Hostil com relação ao tema | Tornar o público dócil e receptivo ao assunto. |
| Demonstração sutil de autoridade. | Hostil com relação ao orador por falta de credibilidade. | Tornar o público dócil e receptivo ao orador por conhecer sua autoridade. |
| Fazer uma citação. |
Hostil
com relação ao orador por causa da sua pouca idade ou inexperiência.
|
Transferir credibilidade do autor para o orador. |
| Aproveitar circunstâncias de pessoa, de tempo e de lugar. | Hostil com relação ao orador por ele ser desconhecido. | Estabelecer identidade com o público. |
|
Elogiar
o auditório |
Hostil com o orador por inveja ou rivalidade. |
Tornar os ouvintes dóceis e benevolentes. |
| Promessa de brevidade. | Hostil com relação ao ambiente. | Afastar a ansiedade do público e torna-lo receptivo ao orador e ao tema. |
| Elogiar o auditório, fazer uso das características positivas do orador, elogiar o concorrente ou adversário. | Hostil, neutro ou amistoso. | Conquistar a benevolência,a simpatia e o envolvimento do público. |
Contar
piadas, fazer perguntas quando não desejar respostas, pedir desculpas ao auditório,
tomar partido sobre assuntos polêmicos ou controvertidos, começar com palavras
inconsistentes (bom, então, etc), usar chavões ou frases feitas, criar
expectativas que não possam ser cumpridas, mencionar fatos que incomodem o público,
sem condições de resolver o problema, mostrar-se muito humilde diante dos
ouvintes importantes, explicar que o tempo é insuficiente para transmitir a
mensagem, ser muito previsível.
Preparação:
parte do discurso no qual nos dedicamos às informações que expliquem a razão
ou a natureza da mensagem para facilitar o entendimento. Divide-se em:
Proposição: Elemento
da preparação em que informamos aos ouvintes qual é o assunto e aonde
pretendemos chegar com ele. Tem uma ou duas frases e não deve ser feita quando
o assunto contrariar o interesse do público; quando os ouvintes já souberem
qual é o assunto e o seu objetivo e quando o assunto for controvertido.
Narração:
Expõe os motivos e os fatos que sustentam o desenvolvimento do assunto central.
Os principais tipos de narração são: retrospectos/históricos; levantamentos
filosóficos; estudos de qualquer natureza; pesquisas; descobertas científicas;
exposição de problemas ou questões que se relacionem com a matéria a ser
desenvolvida. A melhor forma de narração é aquela que atenda as exigências
do público.
Divisão:
Informa quais segmentos do assunto serão desenvolvidos. Permite ao orador
concatenar melhor o seu raciocínio e facilita o entendimento do ouvinte. A
divisão deve ser breve e não pode passar de 4 partes.
Assunto
Central:
Inclui todos os dados que norteiam a linha de argumentos da nossa mensagem,
estabelecendo a base de defesa das idéias conta as possíveis objeções dos
ouvintes. Divide-se em confirmação e refutação.
Confirmação:
orientam a exposição ordenada da mensagem. Pode ser: ordenação no tempo, no
espaço, de natureza intrínseca (destrinchando várias partes ou subdivisões
de temas), de causa e efeito, prós e contras, pela experiência, solução de
problemas e ordenação crescente (básica à mais complicada).
Para
facilitar a compreensão da imagem recomenda-se: visualização de medidas (ao
invés de dizer x Kg de asfalto, dizer que dá para asfaltar todas as ruas da
Vila Maria), imagem extensiva (Ex.: nesse momento em que o barco da economia do
nosso país atravessa as águas mais revoltas ... precisamos segurar o leme..),
elementos de transição (palavras ou frases que ligam suavemente as idéias –
enquanto isso, desta forma, conforme já tivemos oportunidade de, chegou o
momento de revelarmos a causa do problema - , mudar de lugar, usar transparências
com imagens) e uso de ilustrações (fábulas, narrações históricas,ou parábolas).
Argumentos
para apoiar exposição: exemplos, testemunhos, estatística, definição. A
ordem dos argumentos deve ser: começar por um bom argumento, depois passar para
os mais fracos e ir subindo, finalizando com aquele que considerar irrefutável.
Refutação:
Após a exposição devemos nos defender de possíveis ataques, de preferência
reforçando a linha de argumentos, levando em conta o momento de refutar, a
forma de refutar e a qualidade dos argumentos.
Conclusão:
Encerramento do discurso deve considerar: recapitulação e epílogo, levando um
tempo bem curto para efetuá-la. Recomenda-se contar aos ouvintes que iremos
encerrar, pois isso aumenta a concentração, atrai o público e os grandes
oradores agem assim. Ex.: “para concluir ...”; “para encerrar ...”, etc.
Recapitulação:
Em uma única frase ou duas, contamos para os ouvintes o que já falamos (resumo
com argumentos mais importantes).
Epílogo:
Último momento do orador diante do auditório e o mais rico em emoção.
Podemos concluir a apresentação de duas maneiras: aumentando a velocidade e a
intensidade da fala ou diminuindo-as. O “obrigado” no final é, quase
sempre, uma forma de o orador dizer que terminou de falar.
As
formas de concluir
Levantar
uma reflexão; usar uma citação ou frase poética; pedir ação; elogiar o
auditório; aproveitar um fato bem humorado; provocar arrebatamento; aludir à
ocasião; narrar um fato histórico; utilizar uma circunstância de tempo, lugar
ou de pessoa.
Cuidados
com a conclusão
Evite
um dos erros mais graves: “Era isso o que eu tinha para dizer”; não fique
parado na frente do público esperando que os aplausos parem; ao sair da tribuna
mantenha a postura e fisionomia de quem fez uma grande apresentação, antes da
apresentação defina se irá sentar à mesa, em algum lugar na platéia ou qual
a atitude mais acertada para a ocasião. Em último caso, dirija-se ao responsável
pelo evento e aperte-lhe a mão.
Dica
final: Se ao chegar ao final, sentir que o encerramento foi fraco e sem
vibração que desejava, use expressões como “assim sendo”, “desta
forma”, “portanto”, “espero que”. Você ficará surpreso com o
excelente resultado desse recurso, que automaticamente o levará a uma nova
conclusão mais expressiva e eficaz.
Fonte de Pesquisa: livros de oratória de Reinaldo Polito