O LIVRO ESPÍRITA
O Espírito Albino Teixeira, em mensagem ditada ao médium Francisco Cândido Xavier - constante de “Paz e Renovação”, 9ª edição do Ide, Instituto de Difusão Espírita, página 72 -, asseverou, dentre outros conceitos importantes, que o espírita é o companheiro da humanidade que possui tanto anseio de luz que não cessa de estudar, sejam quais forem as circunstâncias. Não foi por outra razão que o Espírito da Verdade preconizou: “Espíritas! Amai-vos; este o primeiro ensinamento; instrui-vos, este o segundo”. É na combinação do amor e do conhecimento que nós avançaremos no rumo certo da evolução. E para que essa mistura encontre a dose certa, o livro espírita é instrumento indispensável.
Ninguém poderá se dizer adepto da Terceira Revelação se não for amigo do
livro espírita! Não bastará ter dotes mediúnicos, ver espíritos , dar
passes e proferir palestras. É preciso, antes de mais nada, conhecer o
Espiritismo. E isso só será possível com a leitura de obras espíritas.
Quando Divaldo Pereira franco, o maior orador espírita da atualidade, começou
o exercício da mediunidade, há mais de cinqüenta anos, os Espíritos
disseram-lhe que ele era médium, mas não era espírita. E Divaldo perguntou
aos Benfeitores como então poderia se tornar espírita, ao que Eles
responderam, conforme “Diálogo com Dirigentes e Trabalhadores Espíritas”,
edição da Use - União das Sociedades Espíritas, 2a edição, página 72:
- “A única forma de ser espírita é começar pelo começo: estudar O
Livro dos Espíritos”.
O exemplo serve-nos de feliz advertência, porque temos uma certa tendência
para falar de assuntos sobre os quais não temos o devido conhecimento. Muitas
vezes falamos e escrevemos coisas em nome do Espiritismo e que, na verdade, não
encontram na Doutrina o menor fundamento. Outras vezes, por desconhecimento do
que se contém nas Obras Básicas da Codificação, semeamos dúvidas sobre
questões que já foram explicadas pelos Benfeitores Celestiais. Por exemplo: já
ouvi de várias pessoas que o Espiritismo proíbe o consumo de alimentos de
origem animal. Aqueles que fazem essa afirmação, desconhecem por completo a
resposta à pergunta 723 de O Livro dos Espíritos, esclarecendo a questão.
Por isso, jamais poderemos nos afastar das obras da Codificação. O médium e
escritor Carlos Baccelli, certamente um dos maiores conhecedores da vida de
Francisco Cândido Xavier, com quem conviveu por muitos anos, conta-nos em “O
Evangelho de Chico Xavier”, Casa Editora Espírita Didier, que, por diversas
vezes, quando visitava o Chico em sua casa, surpreendia-o lendo O Evangelho
Segundo o Espiritismo e o médium se justificava, dizendo que estava estudando
um pouco...
Por isso, a vivência da Doutrina Espírita, ao lado da prática evangélica
requer estudo contínuo. Yvonne Pereira, que tanto amou e tão bem serviu à
Celeste Doutrina, adverte-nos em “A Luz do Consolador”, 1a edição da Feb -
Federação Espírita Brasileira, página 149:
“O estudo fiel e dedicado dos Evangelhos, portanto, e também da Doutrina
dos Espíritos, é indispensável àquele que deseje prestar a sua colaboração.
Não se aprendem tais noções em um ou dois anos, ou apenas por meio de intuições
ou, ainda, por ouvir falar a seu respeito. São aquisições difíceis, que
requerem perseverança e muito amor, humildade e raciocínio isento de
personalismos e conveniências. Há, sim, sutilezas importantes, detalhes
significativos, dos quais somente após algum tempo de dedicação nos poderemos
apossar. Teremos que nos renovar para a Doutrina: aprimorar nossa moral, educar
a mente e o coração, mas jamais deturpá-la com as nossas opiniões pessoais,
sempre prejudicadas”.
O livro espírita, é, portanto, um farol a iluminar o nosso caminho. Mas também
é um tesouro de alto valor que não pode ser ocultado das criaturas. Retê-lo,
segundo o Espírito Marcelo Ribeiro, em “Terapêutica de Emergência”, Leal
Editora, página 163, psicografia de Divaldo Pereira Franco, constitui crime de
avareza, considerando-se a fome de luz de que padecem as criaturas. Por isso, a
Casa Espírita deve ter como tarefa primordial a divulgação do livro espírita,
porquanto devemos fazer do Centro Espírita uma verdadeira escola. Não a escola
acadêmica, com notas e faltas, reprovações e diplomas, mas a escola de almas
e de sentimentos, a escola que promove o estudo e o autoconhecimento. Nada no
Centro Espírita pode ser mais importante do que a própria Doutrina. Não
compreendemos, por isso, a existência de bibliotecas e livrarias espíritas
trancadas a cadeado! Não podemos admitir dirigentes que vetam a divulgação do
livro espírita nos trabalhos assistenciais, sob a infeliz e falsa preocupação
de que não deve se praticar o comércio na Casa Espírita. Esses mesmos
dirigentes, porém, promovem - em seguida - bingos, rifas e loterias. Onde a
coerência? Quem, de fato, pratica o comércio? Quando vendemos um livro espírita
estamos distribuindo luz, consolo e esclarecimento. E o que há de tão
pecaminoso em reverter o lucro (pequeno, por sinal), que se tem com a venda do
livro para a manutenção da Casa Espírita? Por acaso o Centro vive só de
vibrações? Por acaso não se pagam impostos? Não se pagam taxas de consumo de
água e luz? E as reformas da casa? A limpeza? Que mal há em custear essas
despesas com a venda de livros espíritas?
Por outro lado, não creio ser verdadeira a justificativa de que o povo não
gosta de ler, por isso não compra livros. Acredito que o problema é de
incentivo à leitura, de falar do livro espírita de forma agradável e
positiva, de abrir as salas do centro para a leitura, de tirar o pó dos livros,
de quebrar os cadeados do tesouro que temos em nossas mãos, de colocar o livro
na rua, nas praças públicas, nos presídios, nos hospitais e nas mãos das
nossas crianças e jovens. Precisamos levar o livro espírita para fora dos
limites do centro espírita. Há pessoas que desenvolvem trabalhos maravilhosos
nesse sentido, como aquele que me contou uma senhora do Rio Grande do Sul, após
uma palestra que proferi naquele estado. Ela narrou-me que resolveu comprar
livros espíritas com a ajuda financeira de amigas e os distribui nas ruas,
hospitais, locais de prostituição, presídios; deixa-os, deliberadamente, em
praças públicas, bancos de ônibus, residências, etc. Ela é uma semeadora de
luz, promovendo o livro espírita.
Nunca esquecer, todavia, que temos um ponto de partida: as Obras Básicas da
Codificação, pois sem elas o Espiritismo não cumpriria com os superiores
objetivos para os quais o Cristo o enviou. Esse marco inicial não pode ser
desprezado por todos aqueles que desejam conhecer o Espiritismo e, muito menos,
por aqueles que desejam divulga-lo. Gosto de um pensamento de Butler, um
escritor inglês do século passado:
“Os livros mais velhos, para quem não os leu, acabam de ser
publicados”.
Há muito por fazer pelo livro espírita. É chegada a hora da tão sonhada
unificação dos espíritas. Por que não começa-la pelo livro espírita? Por
que não desenvolvemos campanhas conjuntas de incentivo à leitura das obras espíritas
básicas? Por que não unir editoras, escritores, divulgadores do livro e
expositores em torno da divulgação do pensamento espírita por intermédio do
livro? O livro espírita poderá ser o nosso elo de união e a mola propulsora
da expansão da Celeste Doutrina. O mundo está faminto de luz, tanto quanto há
milhares de pessoas morrendo de fome. Seremos responsáveis pela inanição
espiritual das criaturas se não soubermos valorizar os livros espíritas. Não
se põe a candeia debaixo da cama, da mesma forma que não se põe o livro,
lamparina de luz, trancado nas prateleiras da nossa indiferença. Somos responsáveis
por isso. A Espiritualidade Superior se desdobra em esforços contínuos para
que a luz do conhecimento e da esperança atinjam o maior número possível de
pessoas. Devemos ser, na qualidade de médiuns, capazes de ampliar esse esforço
celeste de alimentar as criaturas sedentas de iluminação e paz.
Vamos finalizar com uma indagação: O que eu poderia fazer para promover o
livro espírita? Para responder essa questão, lembremo-nos da canção: “quem
sabe faz a hora, não espera acontecer...”.
JOSÉ CARLOS DE LUCCA
é juiz de direito, professor universitário,
orador e escritor espírita, autor dos livros “Sem medo de ser feliz” (mais
de 60 mil exemplares editados), e “Justiça além da vida”. É membro
fundador e representante, em São Paulo, da Abrame - Associação Brasileira dos
Magistrados Espíritas e da Udesp - União dos Delegados Espíritas do Estado de
São Paulo, é colaborador da Casa Transitória Fabiano de Cristo e da Feesp -
Federação Espírita do Estado de São Paulo.