Estilo Musical
É a maneira pela qual compositores de época e países diferentes
combinam simultaneamente os diversos elementos musicais importantes, que
são chamados de componentes básicos da música.
Apresentação desses elementos básicos :
Melodia: seqüência de notas de diferentes sons, organizadas numa
determinada forma, de modo a fazer “sentido musical” para quem escuta.
Harmonia: ocorre quando duas ou mais notas de diferentes sons são
ouvidas ao mesmo tempo, produzindo um acorde.
Acorde: podem ser consonantes, notas concordam umas com as outras
; podem ser dissonantes, notas dissonam em maior ou menor grau.
Ritmo: diferentes modos de agrupar os sons musicais, do ponto de
vista da duração dos sons e de sua acentuação.
Timbre: qualidade de som de cada instrumento, o que pode ser
chamado de “a cor do som”. A sonoridade característica de um instrumento
é que nos faz reconhecê-lo imediatamente.
Forma: configuração básica de uma obra musical .
Tessitura: aspecto da música. Algumas apresentam uma sonoridade
bem densa, que fluem com facilidade, e outras mostram-se com os sons
mais rarefeitos e esparsos, produzindo um efeito penetrante e agressivo.
| Blues | O termo 'Blues', nos anos 30 e 40 do século 19, significava estar cansado da monotonia. Mais tarde, junto com os escravos negros trazidos do oeste africano para o sul dos Estados Unidos, vieram as raízes do que nós conhecemos hoje como o Blues. Os africanos trouxeram um instrumento chamado banjo. O primeiro era feito de uma espécie de abóbora, um pedaço de madeira e cinco cordas. O banjo, apesar de não ser o instrumento que formou o Blues, contribuiu para o desenvolvimento das técnicas que antecederam ao estilo. O jeito afro-americano de cantar precisava de um instrumento para o seu timbre mais baixo e um rítmo mais lento. Surgiu então, o violão, um instrumento relativamente barato, de fácil transporte e podia ser tocado com vários outros instrumentos. |
| Ragtime | No final da década de 1880, havia bandas negras de metais em praticamente todo o sul dos Estados Unidos, enquanto no norte, a música negra seguia mais as tendências européias. Foi neste período que o ragtime começou a surgir e, embora seja basicamente um estilo para piano, as bandas de metais começaram a tocá-lo. O Ragtime, que mais tarde seria chamado de JAZZ, era o divertimento da classe média, sendo pouco apreciado pelos eruditos. A Era de Ouro do Ragtime se estende de 1898 até 1908 e o maior representante deste estilo foi Scott Joplin (1868-1917). |
| Jazz | Em relação às origens do jazz, sabe-se que ele foi trazido da África pelos escravos, que modificaram sua cultura e criaram uma nova forma de comunicação e de música. A música negra na América manteve muito da origem africana em seus elementos rítmicos característicos e também na tradição de coletividade e improvisação. Esta herança se misturou com a música local, gerando muito mais que um novo estilo, uma nova forma de expressão musical. A mais importante, são as manifestações religiosas, o que hoje é conhecido como música Gospel . Outras formas musicais da época da escravidão, são as músicas de trabalho e músicas infantis. Vale lembrar que a atividade musical era proibida entre os escravos, e com a libertação, a música afro-americana cresceu rapidamente, permitindo o nascimento das raízes básicas do jazz: as bandas de metais, a dança e o blues. JAZZ, que no início se soletrava "jass", nasceu na última década do século XIX, nos bairros de classe média negra nas cidades do sul dos Estados Unidos. Assim como o ragtime, o jazz era uma música feita para dançar. Neste período inicial, a cidade que se tornou sinônimo do jazz foi New Orleans. Porém, não se pode esquecer da participação de outras cidades sulistas como, St Louis, Memphis, Atlanta e Baltimore. Os músicos destas bandas de jazz eram na maioria das vezes artesãos que faziam música nos feriados e finais-de-semana para aumentar a renda familiar. Estes músicos, ao contrário do que se pode pensar, possuiam um grande conhecimento de teoria musical e desenvolveram um modo de tocar seus instrumentos totalmente original . Joseph Oliver utilizava vários objetos como copos, baldes e desentupidores para extrair os sons mais variados de sua corneta. Já no início da década de 1910, a formação básica das bandas de jazz era: corneta (ou trumpete), trombone, clarinete, guitarra, baixo e bateria .Os pianos eram raros, dada a dificuldade do transporte. O banjo e a tuba só foram adotados posteriormente, pois as técnicas de gravação não permitiam captar o som da guitarra e do baixo. Os primeiros improvisadores de jazz foram os clarinetistas, dentre eles, Sidney Bechet (1897-1959). Bechet mudou do clarinete para o saxofone soprano, e se tornou um dos jazzmen mais importantes internacionalmente, visitando a Inglaterra e a França, em 1919 e Moscou, em 1927. O primeiro a utilizar o nome "jazz" para a música que fazia foi o trombonista Tom Brown, que liderava uma banda em New Orleans. A origem da palavra é obscura, e seu significado original foi, e é, motivo de muita discussão. A primeira banda de jazz a realizar gravações foi a "Original Dixieland Jass Band", que fez sucesso em New York, entre 1917-1918. Com a Primeira Guerra Mundial, houve um "boom" industrial no norte e muitos músicos, negros e brancos deixaram New Orleans, assim como outras cidades do sul, em direção ao norte dos Estados Unidos. O norte atraiu enormes massas populacionais, incluindo jazzmen que ansiavam por melhores condições de emprego. Nos anos 20, Louis Armstrong fez enorme sucesso e foi quem ditou a linguagem do jazz da década seguinte. Com a Depressão de 1929, o Jazz, assim como todos os setores da vida americana, sofreu com as altas taxas de desemprego e grande quantidade de jazzmen abandonaram as bandas para procurarem outros empregos com mais oportunidades. Mesmo assim, o Jazz sobreviveu e Louis Armstrong teve papel fundamental, relançando sucessos com apelo popular em seu inconfundível estilo jazzístico . Outros, como Fats Waller e Billie Holiday seguiram a mesma linha. |
| Swing | A partir da década de 30, surge um novo tipo de música, mais romantica e mais "quente" para dançar, o swing. No início da Era do Swing, os que se destacaram foram o trumpetista Roy (Little Jazz) Eldridge (1911-1989) e o saxofonista Leon (Chu) Berry. Outro personagem importante foi Chick Webb (1909-1939), um baterista pequeno e corcunda, dotado de grande energia e por muitos considerado o melhor baterista da história do jazz. Sua banda tornou-se muito famosa em 1935. Porém, foi Benny Goodman que se tornou o "bam-bam-bam" do swing. No início, seu projeto não foi muito bem recebido, mas a partir de meados de 1935 sua banda passou a ser aclamada pelo público. Veio a Segunda Guerra Mundial e, com ela, as viagens se tornaram mais difíceis . Muitos músicos de peso das importantes big bands, foram convocados para a Guerra. O mais importante é que o gosto musical do público estava mudando. A platéia parecia estar preferindo baladas românticas ao swing dançante. Simultaneamente à decadência das big bands emergia um novo estilo que mudaria a história do jazz, o Bebop. |
| Bebop | Nesta mesma época, durante a Segunda Guerra Mundial, nascia um novo estilo diferente dos modelos clássicos de jazz. Caracterizado por sofisticação harmônica e complexidade rítmica, o bebop foi criado e difundido por Charlie Parker (1920-1955), um saxofonista nascido e criado em Kansas City. Parker se estabeleceu em New York e após 1944 começou a atrair a atenção do público para 52nd Street de Manhattan, conhecida como "Swing Street", na qual se concentravam os principais clubes e talentos do jazz. Bird, como Parker era conhecido pelos fans, como um improvisador fantástico, com imaginação e técnica perfeitas. Seu modo de tocar era algo novo no mundo do jazz . A influência que Charlie Parker exerceu nos músicos só se compara aquela exercida por Louis Armstrong. O bebop era uma música feita para ouvir e não para dançar, tocada por um pequeno número de músicos talentosos. Apesar disso, existiam algumas big bands tocando bebop, como a de Dizzy Gillespie e Woody Herman. O surgimento do bebop desperta e reascende o interesse em New Orleans e por outras formas de jazz tradicional, unificando o estilo Jazzístico e seus músicos, permanecendo por muitos anos. |
| Fusion | Herbie Hancok e Chick Corea (1941) exploraram o que se tornaria o estilo fusion, porém nunca abandonaram a tradição do jazz. Este estilo teve importância fundamental, pois atraiu platéias mais jovens que puderam conhecer os grandes músicos do jazz, levando a tecnologia, por meio de samplers e teclados eletrônicos, ao Jazz. Em 1979, de forma um tanto quanto inesperada, mas com simetria histórica perfeita, uma nova onda de jovens jazzistas talentosos emergeu de New Orleans, liderada pelo brilhante trumpetista Wynton Marsalis (1961), que se uniu ao Art Blakey's Jazz Messengers, um baluarte da tradição bebop que rejeitou o fusion e insistiu no jazz tradicional. Vários outros músicos talentosos estão surgindo na última década . Muitos deles firmaram suas raízes no bebop, e outros voltaram ainda atrás, revivendo o swing. Hoje, a liberdade de composição e performance é plenamente executada por vários músicos talentosos de Jazz. O importante é que a grande maioria, mesmo quando tende ao experimental e à inovação, mantém intacta a linguagem do jazz. |
| Rock'n Roll | A estrutura rítmica e melódica do rock'n roll teve origem nos negros, escravos, trazidos da África para as plantações de algodão dos Estados Unidos. No início do século XX, os cantos entoados pelos negros durante o trabalho dariam origem ao Blues, que era basicamente vocal acompanhado por violão. Já nas grandes cidades era tocado o Jazz, por bandas maiores e arranjos mais elaborados, com percussão e instrumentos de sopro. Nas igrejas evangélicas, tocava-se a música gospel negra, caracterizada por um rítmo frenético mas sensual, acompanhada por piano ou órgão. A tensão social e racial da época favoreceu o encontro entre a música negra, o blues, e a música branca, o jazz e o country, surgindo o rhythm and blues. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e com os Estados Unidos em pleno crescimento econômico capitalista o consumo era fator principal para geração de empregos e divisas buscando novos mercados consumidores. Nesta época, os jovens brancos começaram a buscar na música negra, nos guetos, algo diferente. Com o poder aquisitivo mais alto da população das grandes cidades a indústria fonográfica passou a investir neste novo estilo aliando a ele uma imagem que pudesse ser vendida mais facilmente. Lançaram, então, versões de música negra regravadas por artistas brancos e, por pressão do público, as canções de amor deram lugar a letras mais picantes e ousadas em que as vezes era necessário criar versões mais atenuadas de alguns versos mais diretos. O "inventor" do termo rock and roll e grande responsável pela difusão do estilo foi o disk jokey Allan Freed, radialista de programas de "rhythm and blues" de Cleveland, Ohio. Em 1951, começou a promover festas de dança com o mesmo nome, movidas inicialmente a blues e rhythm & blues e mais tarde pelo novo rítmo, o qual ajudou a definir e divulgar. Suas festas, embora com muitos tumultos que lhe custaram dezenas de processos por incitação à violência, eram um grande sucesso. |
| Country | As canções dos escravos, as canções religiosas do Sul dos Estados Unidos, a dos trabalhadores do campo e as velhas canções inglesas somadas aos instrumentos rústicos como o Banjo, Mandolin, Rabeca, Violão, Washboard ..., deram origem a este gênero musical. As primeiras gravações de música country datam de meados de 1922, quando a gravadora Victor lançou no mercado norte americano o som de Uncle Eck Robertson e Henry Gilliard. O grande nome da música country foi Hank Williams, autor do clássico Jambalaya que é considerado em todos os países do mundo como a música que mais representa esse estilo. Hank Williams morreu ainda jovem, aos 30 anos, e suas músicas até hoje são regravadas e executadas em todo mundo. O country teve o cinema como grande influenciador deste estilo com Roy Rogers, John Wayne e Clint Eastwood. Mais recentemente John Travolta e Mel Gibson. No Brasil, Bob Nelson foi o precursor do estilo country nos anos 60, embora o movimento country no Brasil surgiu no final da década de 70, em casas noturnas, e com bandas como WoodPecker Bros - Irmãos Pica Pau, Banda Colher de Pau, Tiroteio, West Rocky, Cowboy Group Troyano, Big Train Country Music, Banda São Paulo Country. |
| Pagode-Samba |
Pagode significa divertimento, brincadeira, pândeja. No entanto, por trás desta sustentação encontra-se algo mais significativo e profundo. É uma reunião, uma comunhão, uma interação onde todos participam cantando ou dançando, numa descontração alegre e sadia, reverenciando com respeito o samba e procurando apresentar um espetáculo de resistência às investidas de colonização cultural e de culto às nossas raízes africanas e populares. O samba dentro do Pagode, é como um fenômeno de integração social e possui um caráter libertador dentro da arte popular. |
| O Samba - resistência às estratégias e ao processo de folclorização. |
Para explicar esta característica libertadora do samba, é necessário ressaltar a cultura negra africana e a importância da música pois, para o negro africano, a música se faz presente nas mais diversas atividades de sua vida. O procedimento destas culturas escravizadas ao chegarem ao Brasil, pelo processo de opressão que sofreram, liga-se muito diretamente ao caráter guerrilheiro do nosso samba, manifestando claramente uma tradição de resistência às imposições da cultura dominante até os dias de hoje. Os negros escravos praticavam o ritmo do samba classificado como batuque. Por uma série de imposições, através dos tempos, o samba atual é o reflexo da relação vivida entre as elites e as classes dominadas. Em rodas batucadas (ou rodas de samba), observa-se a umbigada, presente na maioria das danças de Angola e do Congo. A umbigada não seria propriamente uma dança completa e sim uma parte de uma das danças do batuque, que na época dos escravos foi duramente reprimida sendo considerada muito erótica. Essa dança se constitui numa roda com uma figura central que vai sendo sempre substituída. Todos dançam com movimentos de corpo, para frente, com a finalidade de encostar o umbigo no umbigo do outro. Muito se questiona a origem da palavra samba. Em um dialeto africano, samba significa umbigo e samba é uma das danças na qual dança-se a umbigada. Neste caso, temos então uma das várias conhecidas versões para a palavra de nossa música e ritmo samba. Na época da escravatura, a cultura africana já era duramente reprimida, por vários fatores, entre eles o religioso e o social. A cultura e a religião africanas entravam muito em conflito com as européias da época, sem falar no fato de que a população negra era majoritária. Assim sendo, proteger a sua cultura significativa dar força e estrutura a tais pessoas. Hoje em dia ela não é perseguida, mas sofre pelo preconceito das pessoas que valorizam muito as culturas estrangeiras. Exemplo disso é a indústria fotográfica e cinematográfica estrangeira (na sua maioria norte americana) que se instalou e permaneceu aqui até hoje. Esta valorização ocorreu durante a segunda grande guerra pela política de Boa Vizinhança adotada pelos EUA em relação aos países da América Latina, que acarretou no intercâmbio entre as culturas brasileira e norte americana. Um exemplo deste pseudo intercâmbio é a relação entre Carmem Miranda e Zé Carioca de Walt Disney. É importante notar que a pequena notável e o Bando da Lua cantavam em inglês em um arremedo da música centro americana, uma rumba chamada South American Way. Entretanto, o Zé Carioca continuou falando inglês, se, obviamente, assimilar a nossa cultura. Ao longo dos tempos, os meios de comunicação desempenharam um papel importante na implantação definitiva dessa indústria cultural estrangeira e, nos dias de hoje, o melhor exemplo são as rádios FM. As rádios FM sempre procuram destacar a música estrangeira com a programação baseada num esquema padrão, visando a massificação desses produtos importados, com o objetivo de atingir o público jovem. No entanto, o preconceito com a cultura negra não é devido apenas à supervalorização de outras culturas. Existe mais um fator estimulador: o processo de folclorização. Esse fator atua provocando a marginalização, desvalorizando as músicas caracteristicamente nacionais, colocando-as em guetos, designando-as como folclóricas e exóticas ou como gêneros musicais ultrapassados, fora de moda. Por outro lado, esta marginalização pode atuar na apropriação e na aculturação, diluindo uma forma musical de seu conteúdo cultural, para que esta nova forma torne-se objeto folclórico exótico. Então, a nova forma - produto da diluição - é transformada em moda, pronta para ser consumida, acelerando a sua massificação. Acontece, então, um rápido processo de debilitação de uma cultura nacional. Um bom exemplo dessa diluição é a Bossa Nova, que é produto da mistura feita entre o samba e o jazz. Entretanto, apesar da diluição ter ocorrido neste novo estilo e da Bossa Nova ter sido muito divulgada, não conseguiram folclorizar o samba, pois é uma manifestação agressiva, pelo seu caráter de resistência e de luta contra o colonizador. "Meu samba não é um modismo que vem e vai, meu samba enfrenta a fúria dos vendavais, meu samba é uma tinta que mancha e nunca sai, Quem samba não esquece mais." Arlindo Cruz e Almir Guineto. |
| O Pagode: Histórico, característica e a trajetória do samba |
Devemos entender o pagode como um movimento que surgiu com o objetivo de atingir camadas populares de forma a envolvê-las numa forte manifestação de caráter popular. O pagode aconteceu de maneira espontânea, defendendo o samba na medida em que as próprias escolas de samba cederam a interesses alheios à comunidade e ao sambista, deixando de ser um caráter popular e de ser o ponto máximo da expressão da cultura negra, especialmente no Rio de Janeiro. O pagode não é um novimento recente; pelo contrário. Enquanto nas salas de visitas ouviam polcas, mazuscas, valsas, xotes e grupos de choro, nos quintais, nas salas de fundo, nos terreiros, eram cantados grandes pagodes em meio ao samba raiado e a batucada, como nas festas da Casa da Tia Ciata pelos idos de 1910. Na casa da Tia Ciata, em 1917, foi composta a primeira composição com o nome de samba: "Pelo Telefone", de Donga. Nos anos 10 e 20, a casa da Tia Ciata já era um núcleo de resistência do samba e, como descreveu Lima Barreto: "Minha mãe fazia festa para reunir meus colegas e amigos de origem. As festas duravam às vezes dias e dias. Tinha comes e bebes e não faltava o baile na sala de visitas. O samba raiado na sala dos fundos e batucada no terreiro. Para fazer a festa, minha mãe ia buscar o alvará na polícia." Logo em seguida, nos anos 20 e 30, no Estácio de Ismael e dos outros sambistas, foi fundado o Rancho Deixa Falar, onde o samba era a principal preocupação. No final dos anos 40, o centro era no Império Serrano e nos anos 50 no forró do Salgueiro. Logo após, as escolas de samba incorporaram elementos alheios à sua cultura para obterem aceitação mais ampla de seu espetáculo. Com os anos 60, na Rua da Carioca, surgiu o Zi Cartola. Neste local, mais do que a música ao vivo, a importância ficava por conta do encontro de grandes sambistas como Cartola, Nelson do Cavaquinho, Paulinho da Viola, Zé Ketti e Elton Medeiros. Seguindo sua trajetória e lutando por sobreviver, o samba mudou de estilo, passando a receber a denominação de partido alto, com o III Festival da MPB da TV Record, em São Paulo. Competindo com Beatles, a Tropicália, a Jovem Guarda, o sambista popular Martinho da Vila penetrou neste círculo fechado e colocou o samba em ascensão até o final dos anos 60. Foi nesta época que o pagode surgiu na sua forma atual, divulgada e em moda. Na casa do sue Alcides, em Botafogo, em torno de uma grande mesa, reuniam-se cantores e compositores, em grande formalidade, comendo e bebendo. Nesta década de 70, fundou-se o G.R.ªN. - Escola de Samba Quilombo, iniciada pelo saudoso Candeia, com amigos portelenses como André Motta Lima, Cláudio Pinheiro e Paulinho da Viola, entre outros, buscando a valorização das culturas negras e da manifestação de arte popular banida do seio das Escolas de Samba. Porém foi no Cacique de Ramos que o pagode tornou-se popular, a partir de 1977. Fundado há 25 anos atrás, na comunidade de Ramos, este bloco tem hoje sua sede na Rua Uranos, no Rio de Janeiro. E foi lá, no Terreiro do Cacique que, o pagode tornou-se conhecido através de compositores e dirigentes que há muito se reuniam nas festas de Walter do Alomar, Bira, Chiquita e Elza Soares, primeira madrinha do Cacique de Ramos. Toda quarta-feira, estes compositores e muitos sambistas reuniam-se no Cacique de Ramos, com a finalidade de jogar futebol. No entanto, alguns compositores como Jorge Aragão, Dida, Neoci, Sereno e Chiquita não jogavam e ficavam cantando e batucando samba ao lado da quadra de futebol. Aos poucos fora reunindo mais adeptos, e até hoje há um pagode às quartas-feiras com presença de sambistas famosos, como a cantora Beth Carvalho, que despontou e foi descoberta neste clube. O pagode de fundo de quintal, quanto aos temas, à dinâmica rítmica do samba e à concepção melódica, é mais livre, não tendo o compromisso com o samba tradicional, não deixando, no entando, de haver uma preocupação dos compositores em busca da qualidade. A linguagem utilizada na composição do samba de pagode é corriqueira e popular, e a inspiração acontece no cotidiano do povo carioca. É uma composição alegre e simples. Os pagodeiros dizem: "Vamos contar um boi com abóbora". É o caso do pagode de "Feirinha da Pavuna" cantado por Jovelina Pérola Negra: "Na feirinha da Pavuna, Houve uma grande confusão, A dona cebola que estava invocada , Ela deu uma tapa no seu pimentão, Seu tomate cheio de vergonha , Ficou todinho vermelho e falou assim: - eu também faço parte do tempero, seu pepino que estava no canto , deu uma pernada na dona melancia , Dona Abóbora muito gorda, nem do canto ela saia , Vou chamar seu delegado, que é o seu jiló, De amargar. E falou pra todo mundo , Acho bom isso acabar, acho bom isso acabar." Na dinâmica rítmica foi introduzido um modo todo especial de tocar. Há uma associação de instrumentos bem diferentes que, teoricamente, não poderiam ser tocados ao mesmo tempo. Porém, com a prática e habilidade produzem um ritmo diferente e numa perfeita harmonia. A introdução do banjo no lugar do tradicional cavaquinho foi feita por Almir Guineto, tocado anteriormente nos bailes do Salgueiro por seu pai. O banjo e o cavaquinho são os únicos instrumentos de corda num pagode, cercados pelos instrumentos de percussão: repique de mão, tan- tan, tocados com as mãos, sem baquetas, o que torna o toque muito sensível, assim como o pandeiro. Em relação à instrumentação utilizada nos pagodes, comparada ao samba tradicional, é diferente, pois o tan- tan faz a marcação substituindo o surdo, que foi tirado dos juntos de rumbeiros e era conhecido por tambora. O repique é um tambor bem menor, cuja batida foi criada pelo saudoso percussionista Doutor, que batia, às vezes, até com os anéis. Nos pagodes há um espaço para um samba novo, seja do tipo partido alto, que é um samba versado e muitas vezes de improviso, seja do tipo samba dolente, romântico ou até o caxambu, que é um samba de roda da Bahia adaptado por músicos cariocas. "A arte é livre e aberta , A imagem do seu criador , Samba é a verdade do povo , Ninguém vai deturpar seu valor , Canto de novo , Canto com os pés no chão , Com o coração canta meu povo". (Candeia) |
| Hip-Hop e Raps | Por volta de 1968, o negro Afrika Banbaataa estabeleceu e difundiu este estilo, inspirado na cultura dos guettos norte-americanos e na forma de dançar mais popular da época , na qual deu origem ao nome Hip-Hop, HIP-movimentar os quadris e HOP-saltar. Na década de 60, surgiram grandes líderes negros como, Martin Luther King e Malcon X, que lutavam pelos direitos humanos . Este movimento influenciou, em muito, os primeiros praticantes do Hip-Hop que dançavam músicas que eles intitulavam de "RAPS", base musical dançante acompanhado de rimas faladas que davam o rítmo, sendo as mensagens das letras de alto teor político-social. |
| Bossa Nova |
Movimento musical que teve início nos anos 60, sendo que a melodia, a forma rítmica e harmônica já existiam no Rio de Janeiro desde a década de 50. Alguns compositores e músicos, cansados da forma tradicional do samba, começaram dar uma concepção mais moderna às composições, chamando esta nova concepção de samba sessions. Grande parte dos músicos que participaram deste movimento eram apreciadores do Jazz e por esta razão, a improvisação, que é uma característica básica do Jazz, foi introduzida na então Bossa Nova. A música aos poucos foi mudando sua forma harmônica e novas composições foram surgindo baseadas na improvisação do samba. Bossa Nova significava dizer "qualquer coisa nova e diferente". José Alfredo da Silva, conhecido como Johnny Alf, pianista, cantor e compositor, tocava um estilo de samba completamente diferente dos demais. Sua harmonia e maneira de distribuir os acordes eram extremamente modernas. Em 1951, Johnny Alf compôs "Rapaz de Bem", primeira composição de Bossa Nova a ser gravada em 1955. Conheça alguns dos músicos mais importantes deste movimento - Compositores: Adylson Godoy, Antonio Carlos Jobin, Baden Powel, Carlos Lyra, Chico Buarque de Holanda, Dolores Duran, Francis Hime, João Donato, João Gilberto, Johnny Alf, Luís Bonfá, Luiz Eça, Marcos Valle, Nelson Motta, Roberto Menescal, Vinicius de Moraes, Zé Ketti... Cantores: Claudete Soares, Dick Farney, Dolores Duran, Dóris Monteiro, Elis Regina, Leny Andrade, Nara Leão, Sylvinha Telles, Wilson Simonal ... Músicos: Amilton Godoy (pianista), César Camargo Mariano (pianista, arranjador), Luiz Carlos Vinhas (pianista), Milton Banana (baterista), Oscar Castro Neves (pianista), Paulinho Nogueria (violonista), Walter Santos (violonista) ... |
| Reggae | Reggae é uma forma musical que apareceu primeiramente no começo da década de 60, na Jamaica. Esse país foi povoado por europeus e escravos africanos. Essa miscigenação gerou músicas quentes e de ritmos fortes. No final dos anos 60, o Movimento Rastafari, com seus cânticos de repetição rítmica e tom de protesto, gerou o movimento musical reggae, que passou a usar o Baixo e a Bateria em primeiro plano. O reggae era na época considerado por muitos coisa de rua, sem importância, até que o genial Bob Marley deslanchou seu talento e juntamente com Jimmy Cliff e muitos outros músicos jamaicanos transformou o reggae no grande e inovador estilo musical da cultura jamaicana. |