28/01/2005

Fernanda Coutinho

 

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Alagados no campus

Chuvas intensas e alagamentos: transtornos para os universitários


Nos períodos em que as chuvas se intensificam, são comuns os alagamentos no campus de Goiabeiras. Isso acontece em parte porque universidade foi construída próxima ao canal da passagem em uma área de aterro de manguezais e em parte pelo sistema de drenagem não suportar o grande volume d' água nos dias em que as chuvas são mais fortes.

A aluna Sara Nigri, do 6º período do curso de História, disse que já encontrou dificuldades para chegar à Biblioteca por causa dos alagamentos. Ela destaca também que a proliferação dos mosquitos é mais um transtorno que os alunos enfrentam. "A água empoçada durante muitos dias provoca mau cheiro", afirma Verônica Antônia Freitas, estudante do 4º período de Publicidade.

A maior parte das águas pluviais é drenada para o canal da passagem; parte é direcionada para o sistema de captação da Av. Fernando Ferrari e o restante, referente à área em torno da Biblioteca Central e do Restaurante Universitário (R.U.), é direcionado para a lagoa próxima ao Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), a qual tem ligação com o mar. "A manutenção nas calhas e nos bueiros é feita semestralmente ou como medida corretiva (após alagamentos, por exemplo) quando há solicitação de algum Departamento", informou José Henrique Diniz, Coordenador de Manutenção da Ufes.

" O lençol freático está a 1m de profundidade. A rede de drenagem da Universidade está limitada ao nível mínimo do espelho d' água da lagoa ou da maré para que a água das chuvas escoe. Quando a maré está cheia e as chuvas são muito intensas, ocorrem os alagamentos, pois a maré cheia dificulta a drenagem da água", afirma Ângelo Pagani, engenheiro civil da Ufes.

Segundo a engenheira civil e funcionária da Ufes, Maria de Fátima Frechiani Gonçalves, "a água acumulada no campus é exclusivamente de origem pluvial". Isso porque todo o esgoto da Universidade é tratado de acordo com o sistema de fossa e filtro, norma brasileira 7229 para regiões não servidas por rede de esgoto, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), complementada pela norma NBR 13969. Ou seja: o esgoto é tratado, enviado para um poço de bombeamento e lançado ao mar.

Uma possível solução apontada por Maria de Fátima, para a região da Biblioteca e do R.U., seria baixar o nível do espelho d' água da lagoa. Assim, a água das chuvas poderia ser melhor drenada, mas se a maré estiver cheia, do mesmo modo poderá haver alagamentos devido à ligação da lagoa com o mar. Segundo ela, deveria ser feito um estudo sobre os possíveis impactos, por exemplo, a salinização. Outra medida seria criar um poço para onde seria levada a água das chuvas. Porém, essa construção demandaria muitos recursos (inclusive para a manutenção da bomba) dos quais a Universidade não dispõe atualmente.

Para o chefe do Departamento de Engenharia Ambiental, professor Daniel Rigo, é preciso fazer um estudo sobre os pontos de alagamentos e sobre a topografia local. Ele sugere que em áreas baixas o sistema de drenagem seja feito por meio de calhas superficiais e não por tubulações enterradas. "È preciso fazer uma análise sobre o atual sistema de drenagem, pois se a água permanece por muitos dias nos pontos de alagamento, é possível que não se tenha previsto uma drenagem adequada para o terreno do campus".

 
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