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Universidade cobra taxa para utilização
de seus espaços Muitos são os espaços que a Universidade Federal do Espírito Santo dispõe para a comunidade, seja ela universitária ou não. No entanto, a cobrança de taxas para a utilização desses ambientes gera polêmica no campus, já que a universidade é uma área federal e tem por finalidade prestar serviços à sociedade. Entretanto, os administradores desses espaços são unânimes em suas justificativas para tais cobranças: falta verba. A Reitoria se manifestou por meio do seu assessor de imprensa, Luiz Vital, que ressaltou o fato de o Governo Federal não enviar verbas para a manutenção desses ambientes, fazendo-se necessária, então, a criação de uma taxa para cobrir despesas regulares. Segundo Vital, fica a critério de cada instância administrativa estipular um valor adequado a ser cobrado. Além disso, ele informa que não há um código da universidade regulamentando essa questão, mas não vê problema na cobrança dessa taxa para eventos que dispõem de uma receita, incluindo nessa categoria comissões de formatura: "Os alunos organizam uma festa monumental em que tudo é pago, mas não querem pagar à universidade", questiona. A assistente administrativa da Secretaria de Cultura da Ufes, Léia Pandofi, responsável pela locação do Teatro Universitário, compartilha dessa idéia: "Não temos outra forma de conseguir dinheiro. Se não fosse desse modo não teríamos esse espaço. O governo quer privatizar tudo". Atualmente, os valores de locação do Teatro podem variar entre R$350 e R$1150 por uso diário, dependendo do caráter e da duração do evento, mas Léia prevê para 2005 uma tabela única a ser baseada nas horas de utilização do Teatro. Já a diretora do Centro de Ciências Jurídicas Econômicas (CCJE), Sônia Dalcomuni, explica que essas cobranças partiram de uma orientação do Conselho Universitário. Porém, ela destaca que há preços diferenciados para a comunidade interna, para parcerias e para a comunidade externa. "Eventos comerciais são cobrados, mas praticamente todos eventos do CCJE são realizados de forma gratuita". Sônia garante ainda que os valores dessas taxas são simbólicos, uma vez que estão defasados e seriam insuficientes para repor as condições de uso do espaço pelo qual é responsável, o Auditório Manuel Vereza. O assistente administrativo do local, Archimedes Pereira, revela uma preocupação em estar assegurando à comunidade universitária uma preferência de uso, sobretudo para o público do CCJE: "Antigamente a direção do CCHN (Centro de Ciências Humanas Naturais) alugava seus auditórios e depois os alunos daquele centro vinham pedir para usarem o auditório daqui, sobrecarregando o espaço". Ele também lembra que para se conseguir a isenção da cobrança deve-se provar que o uso é para finalidades acadêmicas e, não, para fins pessoais. Segundo ele esta é uma medida de precaução: "Muitas empresas querem usufruir do auditório", conclui. Para a estudante de Engenharia Elétrica, Thassiana Batista, essa é uma medida compreensível: "Não devem cobrar dos alunos, mas de pessoas de fora da Ufes, sim. Senão vira bagunça, pois vão querer ocupar nossos espaços sendo que há unidades externas para serem utilizadas". A estudante de Letras-Inglês, Sarah Eller, completa o coro estudantil: "Vai contra o fato de ser público. Não é problema dos alunos. Temos direito de utilizar. A falta de verba é um assunto que tem que ser entendido entre a universidade e o governo". E os espaços recreativos? O Centro de Recreação
dos Servidores da Ufes pode ser utilizado pela comunidade interna da
Ufes. No entanto, o secretário do Centro, Jefferson de Oliveira,
informa que uma taxa é cobrada dos alunos para realização
de festas: "Acho justo essa cobrança, por ser uma área
do servidor não era nem para eles
usarem. Os estudantes deveriam ter um espaço próprio".
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