Miau, miau! Tchau, tchau!
Gatos que habitavam o campus somem sem deixar pegadas
Quem transita regularmente pelo Campus de Goiabeiras
da Ufes estava acostumado a conviver com uma população
um tanto quanto diferente para os espaços de uma universidade:
os gatos. No entanto, muitos estudantes deram falta da cotidiana presença
felina, ao retornarem do período de férias.
A existência de gatos na Ufes é uma questão antiga
que causa polêmica entre a comunidade acadêmica. As opiniões
se dividem entre os amantes dos bichanos e os que os rejeitam.
Atualmente, com o desaparecimento de uma grande quantidade de gatos
do campus, voltou-se a essa discussão. Burburinhos e especulações
a respeito do destino dos felinos podem ser ouvidos pelas dependências
da Ufes. A hipótese mais aceita para o caso entre os alunos é
a de que os gatos tenham sido envenenados por funcionários.
A técnica administrativa do Centro Tecnológico, Simone
Cardoso, diz que acompanha o caso há algum tempo e que não
é a primeira vez que o sumiço dos gatos acontece. Ela
é uma das que acredita que os animais tenham sido exterminados.
"Liguei para vários órgãos da Ufes, mas ninguém
nunca soube me informar a respeito do extermínio, por isso resolvi
fazer uma denúncia por escrito à Reitoria. Não
dá para mais de 20 gatos terem migrado da noite para o dia",
indigna-se.
Essa denúncia foi redirecionada à Prefeitura Universitária,
chegando ao conhecimento do Prefeito Carlos Alberto Simões. Entretanto,
ele nega que qualquer atitude desse tipo tenha sido tomada. "Este
sempre foi um problema sério para nós porque todos acham
que nós matamos os animais, o que não é verdade.
Procuramos fazer tudo de acordo com a orientação do Ibama
e do Centro de Zoonoses, mesmo porque aqui não tem ninguém
especializado para isso. Nossas ações são embasadas
para contestar qualquer questionamento", afirma.
Segundo a Vice-diretora do Centro de Ciências Humanas Naturais
(CCHN) e professora do Departamento de Ciências Sociais, Marta
Zorzal, a circulação dos gatos pela Ufes representa um
risco à saúde de seus freqüentadores. Como não
há ninguém destinado ao tratamento desses animais (vacinação
e alimentação) os gatos podem causar doenças aos
homens. "Em reunião departamental já foi pronunciado
o caso de um professor que teve toxoplasmose", acrescenta Marta,
referindo-se a uma doença comum transmitida ao homem através
de animais, sobretudo os gatos. Além disso, ela ainda levanta
a questão do incômodo causado por animais que invadem as
salas de aula, sendo este o motivo da maioria das reclamações.
"Eu mesma já fui importunada com dejetos de gato em cima
da minha mesa de sala de aula", completa.
Por isso a direção do CCHN fez um pedido ao Centro de
Zoonoses para que recolhessem os animais. "É uma questão
de higiene, não temos condições de mantê-los.
Este órgão deve ter aproveitado o recesso para fazer a
retirada", explica Marta.
O médico veterinário responsável pelo Centro de
Zoonoses da Prefeitura de Vitória, Hiran Furtado, confirma ter
recebido um pedido, por telefone, para a retirada dos gatos do espaço
universitário e esclarece que não poderiam atuar de outra
maneira no interior do campus, já que a Ufes é um órgão
independente. "Só podemos atuar em vias públicas",
acrescenta Furtado.
Ele recomenda que os gatos sejam retirados porque são fontes
de infecção, podendo transmitir mais de 30 doenças,
entre elas a já citada toxoplasmose. "Certa vez pegamos
gatos próximo à Escola da Ufes. Há tanques de areia
para as crianças brincarem e eles poderiam ser contaminados com
fezes e urina desses animais", explica.
Há pouco mais de um mês, atendendo ao pedido recebido,
Hiran diz ter recolhido cerca de 12 gatos na Ufes. Foram recolhidos
apenas os animais mais mansos e alguns filhotes. Desses, alguns foram
encaminhados à adoção e outros foram eutanasiados.
A técnica administrativa, Simone Cardoso, no entanto, frisa que
isto é um desrespeito com os gatos. Ela se revolta com o descaso
que os órgãos da Ufes têm com os animais e encabeça
uma campanha de conscientização. A Prefeitura Universitária,
por sua vez, está construindo uma jaula que comporta 3 gatos
por no máximo 48 horas para que os animais capturados possam
ser entregues ao Centro de Zoonoses, segundo as recomendações
dessa entidade.