MEDICINA PODERÁ TER CALENDÁRIO DESVINCULADO
A pedido dos estudantes, Prograd analisa proposta
Durante muito tempo, os alunos do curso de medicina da
Ufes pedem um calendário acadêmico diferente do seguido
pelos outros cursos da universidade. O que, na prática, já
está acontecendo, graças a última greve dos servidores,
que impediu as aulas práticas do curso.
Como os servidores desempenham trabalhos diferentes nos outros centros,
não trazendo prejuízo ao ensino das aulas, os professores
continuaram ensinando normalmente, enquanto que no CBM (centro biomédico),
os alunos também entraram em greve, protestando pela falta de
aulas práticas. Resultado: enquanto medicina e odontologia ainda
cursam o período 2004/1 até o dia 17 de janeiro de 2005,
os demais cursos já o iniciaram desde 13 de outubro deste ano.
"Este episódio foi bom para forçar a desvinculação"
disse a estudante do 7º período e diretora do departamento
acadêmico, Renata Rodrigues. Segundo ela, é comum a opinião
entre os alunos do curso, de que não é possível
mais continuar com um calendário único. Posições
confirmadas pelos estudantes Bruno Prado do 9º e Carolina Falcocho,
do 8º período. "Acho que seria bom desvincular de vez,
muitas vezes nós saímos muito prejudicados" afirmou
Carolina.
Uma das principais dificuldades enfrentadas por causa da unificação,
é a de que para prestarem a prova de residência, os estudantes
têm até 31 de janeiro para estarem devidamente formados.
"Sempre temos que pedir recursos pois nunca estamos regulares até
esta data" completa Renata, lembrando ainda que a prova de residência
só acontece anualmente, ou seja, se o último período
acaba em fevereiro, por exemplo, o aluno terá que esperar todo
o ano até prestar a prova no ano seguinte.
Outro ponto que favoreceria a desvinculação, segundo Renata,
é de que na maioria das vezes em que acontece uma greve de professores,
os docentes do curso de medicina não aderem, continuando as aulas.
Eles terminam o período antes, mas são obrigados a esperar
até que os outros cursos o terminem também. "Acabamos
nos atrasando desnecessariamente" acrescenta ela.
O médico e coordenador interino do curso, Alcarí Simões,
confirma a importância das aulas práticas, os chamados
ambulatórios, e a falta de acessibilidade destes, quando há
greve dos servidores. "Nos períodos mais avançados
a carga horária é quase toda prática". Mas,
acredita que o calendário tende a regularizar. "Por enquanto,
o calendário está assim por necessidade de equacionar
as aulas, que não podem ser deixadas, mas a tendência é
que voltemos a obedecer o calendário único da Ufes"
afirmou.
O problema principal para a desvinculação, segundo o pró-reitor
de graduação, Santinho Ferreira de Souza, é que
a Ufes precisaria de um sistema de informação muito bem
elaborado além de pessoal para suprir a demanda, o que não
acontece atualmente. Ele ainda atenta para a possibilidade do curso
de medicina ser exemplo para outros centros, que passariam a querer
calendário diferenciado também, e o sistema não
suportaria.
De qualquer forma, a proposta que foi encaminhada a Prograd é
a de ajuste do calendário para o ano de 2004 e 2005, a qual o
pró-reitor acredita já ter uma resposta na próxima
semana. Para ele, a proposta de desvinculação completa
ainda não está muito clara. Por enquanto o que se tem
aprovado é que o segundo período de 2004, para os cursos
de medicina e odontologia, começa no dia 17 de janeiro de 2005
e termina dia 27 de maio deste mesmo ano.