12/11/2004

Milena Murta

 

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MEDICINA PODERÁ TER CALENDÁRIO DESVINCULADO

A pedido dos estudantes, Prograd analisa proposta

Durante muito tempo, os alunos do curso de medicina da Ufes pedem um calendário acadêmico diferente do seguido pelos outros cursos da universidade. O que, na prática, já está acontecendo, graças a última greve dos servidores, que impediu as aulas práticas do curso.

Como os servidores desempenham trabalhos diferentes nos outros centros, não trazendo prejuízo ao ensino das aulas, os professores continuaram ensinando normalmente, enquanto que no CBM (centro biomédico), os alunos também entraram em greve, protestando pela falta de aulas práticas. Resultado: enquanto medicina e odontologia ainda cursam o período 2004/1 até o dia 17 de janeiro de 2005, os demais cursos já o iniciaram desde 13 de outubro deste ano.

"Este episódio foi bom para forçar a desvinculação" disse a estudante do 7º período e diretora do departamento acadêmico, Renata Rodrigues. Segundo ela, é comum a opinião entre os alunos do curso, de que não é possível mais continuar com um calendário único. Posições confirmadas pelos estudantes Bruno Prado do 9º e Carolina Falcocho, do 8º período. "Acho que seria bom desvincular de vez, muitas vezes nós saímos muito prejudicados" afirmou Carolina.

Uma das principais dificuldades enfrentadas por causa da unificação, é a de que para prestarem a prova de residência, os estudantes têm até 31 de janeiro para estarem devidamente formados. "Sempre temos que pedir recursos pois nunca estamos regulares até esta data" completa Renata, lembrando ainda que a prova de residência só acontece anualmente, ou seja, se o último período acaba em fevereiro, por exemplo, o aluno terá que esperar todo o ano até prestar a prova no ano seguinte.

Outro ponto que favoreceria a desvinculação, segundo Renata, é de que na maioria das vezes em que acontece uma greve de professores, os docentes do curso de medicina não aderem, continuando as aulas. Eles terminam o período antes, mas são obrigados a esperar até que os outros cursos o terminem também. "Acabamos nos atrasando desnecessariamente" acrescenta ela.

O médico e coordenador interino do curso, Alcarí Simões, confirma a importância das aulas práticas, os chamados ambulatórios, e a falta de acessibilidade destes, quando há greve dos servidores. "Nos períodos mais avançados a carga horária é quase toda prática". Mas, acredita que o calendário tende a regularizar. "Por enquanto, o calendário está assim por necessidade de equacionar as aulas, que não podem ser deixadas, mas a tendência é que voltemos a obedecer o calendário único da Ufes" afirmou.

O problema principal para a desvinculação, segundo o pró-reitor de graduação, Santinho Ferreira de Souza, é que a Ufes precisaria de um sistema de informação muito bem elaborado além de pessoal para suprir a demanda, o que não acontece atualmente. Ele ainda atenta para a possibilidade do curso de medicina ser exemplo para outros centros, que passariam a querer calendário diferenciado também, e o sistema não suportaria.

De qualquer forma, a proposta que foi encaminhada a Prograd é a de ajuste do calendário para o ano de 2004 e 2005, a qual o pró-reitor acredita já ter uma resposta na próxima semana. Para ele, a proposta de desvinculação completa ainda não está muito clara. Por enquanto o que se tem aprovado é que o segundo período de 2004, para os cursos de medicina e odontologia, começa no dia 17 de janeiro de 2005 e termina dia 27 de maio deste mesmo ano.

 

 
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