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Problemas com segurança preocupam comunidade universitária Professores e alunos ficam apreensivos ao transitar pelo campus Nos últimos meses, a sensação de insegurança vem aumentando e deixando apreensivos professores, alunos e visitantes do campus de Goiabeiras. Assaltos e furtos tornaram-se comuns na universidade e, aparentemente, muito pouco tem sido feito para diminuir esses problemas. De acordo com o aluno André Silva Pereira, do 8º período de Ciências Econômicas, a desativação das guaritas e a iluminação precária contribuem para piorar a situação. “As câmeras que foram instaladas inibem os assaltos, porém não resolvem o problema. Os furtos de bicicletas se tornaram comuns”. Ele reclama da falta de iluminação próximo à Biblioteca Central, que põe em risco a segurança dos alunos dos cursos noturnos. A estudante Érika dos Santos Paixão, do 1º período de Administração, diz que ainda não foi vítima de nenhuma ação, mas considera a Ufes um alvo fácil. “A segurança é visivelmente deficiente e faltam vigilantes”, afirmou. O aluno Leonardo Vieira Celante, do 4º período de Administração, mostrou-se indignado com a situação que impera no campus. Segundo ele, constantemente é possível ver assaltantes dividindo produto de roubo, usando tóxicos e mexendo com os alunos. “Está perigoso transitar sozinho pelo campus, principalmente mulheres. No horário noturno, o risco de assaltos e até mesmo de estupros é iminente”, alertou. E os problemas não param por aí. Recentemente, houve um assalto no posto de vendas de passes escolares do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Espírito Santo (Setpes), quando cerca de 20 funcionários e alunos ficaram reféns. Segundo a funcionária do Restaurante Universitário Luzia Fernandes, a situação está fora do controle. “Sinceramente, nos últimos meses temos que reconhecer que a segurança piorou bastante. O caso do assalto no posto de vendas de passes escolares, ao lado do restaurante, deixou todos preocupados, inclusive meus familiares.” Outro fato que demonstrou a fragilidade na segurança oferecida pela universidade foi o seqüestro-relâmpago ocorrido nas proximidades do Centro de Línguas. Uma aluna do Centro que chegava para a aula, ao tentar estacionar seu veículo, foi rendida por dois homens armados e saíram do campus de Goiabeiras sem serem importunados pelos vigilantes da universidade. A estudante foi abandonada pelos assaltantes no município de Serra, e o carro foi levado pelos bandidos. O veículo foi encontrado dias depois por policiais da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos da Polícia Civil, mas ninguém foi preso. Também foi registrado o roubo de uma motocicleta nas proximidades da cantina do CCHN, no dia 9 de fevereiro. Um motoboy que passava pelo campus universitário foi rendido por um homem armado, e teve sua motocicleta levada. Várias pessoas que estavam na cantina do CCHN assistiram indignadas à cena. O motoboy tentou manter contato com os vigilantes da guarita de entrada, que mais uma vez não funcionou, e também com a Polícia Militar através do telefone 190, mas não obteve sucesso. Vai-e-vem Outro problema apresentado é o sistema de estacionamento da Ufes, que vem sendo há algum tempo criticado pelo fato de não oferecer segurança para seus usuários. Ao entrar no campus universitário o motorista recebe um cartão de controle de acesso que deverá ser entregue na saída, para comprovar a sua regularidade. O sistema funciona das 6 às 23 horas e a partir daí os cartões são recolhidos pelo vigilante do Portão Central. Mas muitos motoristas contam que o controle é deficiente, pois por diversas vezes deixaram de entregar o devido cartão na portaria, alegando os mais variados motivos, e conseguiram sair da Ufes normalmente. Alguns usuários que costumam sair do campus após as 23 horas dizem possuir vários desses cartões em casa, já que a entrega não foi exigida na saída, e isso pode representar um risco, pois criminosos também podem sair da Ufes com um carro roubado, sem precisar entregar um cartão. Os vigilantes se defendem dizendo que o sistema em si é deficiente, e não permite a eles promoverem uma vigilância mais efetiva. Uma das medidas adotadas quando o motorista alega ter perdido o cartão é providenciar para que o condutor preencha uma ficha com seus dados e os dados do veículo para sair da universidade. Porém alguns motoristas afirmam que não é bem assim que acontece. Alguns dizem que já conseguiram sair apenas conversando com os seguranças, sem preencher ficha alguma. Um vigilante, que não será identificado para evitar represálias, diz que, se conhecer a pessoa, porque ela passa na guarita com freqüência, ele deixa sair mesmo sem o cartão. "Pessoas desconhecidas são obrigadas a preencher a ficha", resumiu. O vigilante Gustavo Alexandre Rodrigues dos Santos reitera que o sistema não é seguro, e admite a possibilidade de carros serem furtados e roubados com cartões perdidos por outras pessoas ou com cartões que são levados depois do horário de funcionamento das guaritas. "Temos conhecimento de casos de furtos e roubos de veículos na universidade, e sabemos da fragilidade da segurança." Prefeitura Universitária admite tomar providências O prefeito universitário, professor Carlos Alberto Rui Simões, reconhece as deficiências no sistema de segurança do campus universitário, mas ressalta que muitas medidas estão sendo adotadas para otimizar os serviços. "Somos responsáveis exclusivamente pela segurança patrimonial da Ufes, não podemos exercer a segurança pessoal de motoristas e pedestres, uma vez que não temos poder de polícia", explicou. Segundo o prefeito a segurança pessoal deveria ser realizada pela Polícia Federal, mas não é bem assim que as coisas funcionam. "Em casos extremos nossos vigilantes confeccionam um Boletim de Ocorrência Interna, que posteriormente é encaminhado à Polícia Federal, mesmo porque existem ordens superiores para evitarmos acionar a PF", confidenciou. Questionado quanto à origem e aos motivos de se evitar uma maior integração com a Polícia Federal, ou mesmo com a Polícia Militar, no intuito de aumentar a sensação de segurança no campus, o prefeito enfatizou: "As orientações para evitarmos uma maior aproximação com a Polícia Federal prende-se ao fato da carência de recursos humanos e materiais da PF para nos auxiliar, e em se tratando de uma parceria com a Polícia Militar, caberia uma ação da Reitoria, o que acredito seria inviável, pois a comunidade acadêmica ainda ressente-se das aberrações ocorridas no período militar". O prefeito Carlos Simões informou que estão sendo feitas algumas modificações para melhorar o sistema vai-e-vem que se encontra em funcionamento desde maio de 1996. "Estamos providenciando a instalação de mais oito câmeras para acompanhar o acesso e a saída de veículos do campus, o que certamente vai diminuir os problemas que vêm ocorrendo", explicou. Segundo o diretor de Serviços Gerais da Prefeitura, Anival Luiz dos Santos, apesar das críticas ao sistema vai-e-vem, antes de sua implantação eram registrados cerca de 13 veículos por mês, furtados ou roubados, e com a sua implantação os números foram reduzidos a zero nos anos de 1996, 1997 e 1998. Nos anos de 1999 a 2003, segundo Anival dos Santos, os registros oscilam entre 3 e 4 casos por ano. "O sistema é deficiente, precisa e vai ser melhorado, mas representou um avanço", defendeu. Anival dos Santos informou que atualmente existem 35 câmeras em funcionamento ao longo do campus universitário, que são monitoradas 24 horas através de oito monitores. "As câmeras diminuíram os custos com a vigilância terceirizada e ainda melhoraram a segurança de um modo geral, o problema está na dificuldade de efetuarmos a manutenção dessas máquinas, pois hoje cerca de nove câmeras estão danificadas e necessitando de reparos, e como a universidade ainda não tem um contrato de manutenção com nenhuma empresa, esse tipo de problema às vezes se estende por dias." O prefeito observou as melhorias promovidas na segurança patrimonial: "Atualmente temos 46 prédios com alarmes, 4 postos com vigilantes armados (terceirizados) e ainda os vigilantes efetivos da própria Ufes, que trabalham em sistema de rodízio, fazendo rondas no campus de Goiabeiras e no CBM em Maruípe", alertou. E continuou: "Essas medidas minimizaram os problemas de arrombamento, furtos, roubos, uso de tóxicos e outros crimes que antes eram freqüentes." No entanto, é bem comum encontrar pessoas usando drogas em diversos pontos do campus, mesmo naqueles que servem de passagem, salas de professores são arrombadas freqüentemente, bicicletas são roubadas semanalmente, e o clima de insegurança é grande na comunidade universitária. E quando há casos de roubo, as vítimas não têm acesso às imagens das câmeras para participar da investigação. Até hoje, não houve divulgação de que qualquer produto tenha sido recuperado, mesmo aqueles que são patrimônio da Ufes. Segundo o prefeito Carlos Simões, o campus enfrenta, sim, muitos problemas relacionados à segurança, mas várias medidas estão sendo tomadas para resolvê-los, apesar das dificuldades. "Atualmente a universidade conta com apenas 40 servidores para cuidar da vigilância de todo o campus de Goiabeiras e de Maruípe, já que há servidores em desvio de função, por diversas razões, com dispensas médicas, em férias, e outros em processo de aposentadoria. Fica claro que convivemos com uma carência de pessoal que inviabiliza uma prestação de serviços a contento", desabafou. Iluminação Quanto à questão da iluminação precária no campus de Goiabeiras, o prefeito Carlos Simões garantiu que estão sendo adotadas as medidas para que o sistema seja normalizado. "Os postes de iluminação na Ufes são muito altos. Para podermos trocar as lâmpadas temos que contratar um caminhão com escada apropriada para fazer o serviço, o que tem um custo alto, e não compensava alugar uma máquina dessas para trocar uma ou duas lâmpadas, mas como agora a situação se agravou, já estamos providenciando a contratação para normalizarmos a situação", garantiu. |
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