UFES divulga perfil dos estudantes
A Universidade Federal do Espírito
Santo (UFES) vem acompanhando a discussão levantada pelo Governo
Federal sobre o sistema de cotas que deve ser implantado no Brasil.
Esse sistema vai estabelecer 50% do número de vagas já
existentes nas universidades federais, para alunos oriundos de escolas
públicas. O reitor Rubens Rasseli, buscando se inserir no debate
nacional, nomeou no dia 01 de março último uma comissão
que realizou um estudo durante 90 dias sobre o perfil dos alunos egressos
neste ano.
A professora do departamento de História, Adriana Campos, foi
uma das principais responsáveis pelo levantamento da comunidade
acadêmica em relação à origem da escolaridade,
ou seja, se os alunos vêm de escolas pública ou privada.
O estudo revelou que em alguns cursos a porcentagem de alunos que cursaram
o ensino médio em escolas particulares e ingressaram na universidade
federal em 2004, é superior ao de estudantes formados em escolas
públicas.
O trabalho ainda mostrou que os cursos com maior número de aprovação
de estudantes vindos de escolas privadas são geralmente os mais
concorridos no vestibular, como por exemplo, Odontologia (81,7%), Medicina
(80%), Farmácia (77,5%), Medicina Veterinária (76%), Ciências
Biológicas (75,4%), Enfermagem (75,0%), Comunicação
Social (72,5%) e Engenharia Florestal (72,0%).
Esses dados demonstram que não basta apenas estipular cotas para
escolas públicas, devendo haver um suporte, como bolsas de estudo,
para que alunos com menos condições financeiras consigam
se manter nos cursos.
Segundo o assessor de comunicação da UFES, Luíz
Vital, o mapeamento do perfil dos alunos da universidade é necessário
para que seja tomada uma decisão que atenda a carência
dos estudantes, caso o sistema de cotas seja realmente apoiado pela
legislação federal. Porém, mesmo que o sistema
seja implantado na instituição, o problema de alguns alunos
para se manter financeiramente em certos cursos de carga horária
flexível vai continuar, afirma Vital. Isso porque esses cursos
terminam por inviabilizar o estágio.
Apesar desse debate sobre cotas fomentar uma série de discussões
e previsões, a Reitoria da UFES deixa claro que não há
data de implantação desse sistema e que a universidade
não tomará nenhuma decisão isolada e sem respaldo
federal.