25/06/2004

Natália Honorato e
Zainer Rodrigues

 

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UFES divulga perfil dos estudantes

A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) vem acompanhando a discussão levantada pelo Governo Federal sobre o sistema de cotas que deve ser implantado no Brasil. Esse sistema vai estabelecer 50% do número de vagas já existentes nas universidades federais, para alunos oriundos de escolas públicas. O reitor Rubens Rasseli, buscando se inserir no debate nacional, nomeou no dia 01 de março último uma comissão que realizou um estudo durante 90 dias sobre o perfil dos alunos egressos neste ano.

A professora do departamento de História, Adriana Campos, foi uma das principais responsáveis pelo levantamento da comunidade acadêmica em relação à origem da escolaridade, ou seja, se os alunos vêm de escolas pública ou privada.

O estudo revelou que em alguns cursos a porcentagem de alunos que cursaram o ensino médio em escolas particulares e ingressaram na universidade federal em 2004, é superior ao de estudantes formados em escolas públicas.

O trabalho ainda mostrou que os cursos com maior número de aprovação de estudantes vindos de escolas privadas são geralmente os mais concorridos no vestibular, como por exemplo, Odontologia (81,7%), Medicina (80%), Farmácia (77,5%), Medicina Veterinária (76%), Ciências Biológicas (75,4%), Enfermagem (75,0%), Comunicação Social (72,5%) e Engenharia Florestal (72,0%).

Esses dados demonstram que não basta apenas estipular cotas para escolas públicas, devendo haver um suporte, como bolsas de estudo, para que alunos com menos condições financeiras consigam se manter nos cursos.

Segundo o assessor de comunicação da UFES, Luíz Vital, o mapeamento do perfil dos alunos da universidade é necessário para que seja tomada uma decisão que atenda a carência dos estudantes, caso o sistema de cotas seja realmente apoiado pela legislação federal. Porém, mesmo que o sistema seja implantado na instituição, o problema de alguns alunos para se manter financeiramente em certos cursos de carga horária flexível vai continuar, afirma Vital. Isso porque esses cursos terminam por inviabilizar o estágio.

Apesar desse debate sobre cotas fomentar uma série de discussões e previsões, a Reitoria da UFES deixa claro que não há data de implantação desse sistema e que a universidade não tomará nenhuma decisão isolada e sem respaldo federal.

 
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