02/07/04

Euler Mota
e
Rogéria Nippes

Foto: Isabela Bessa

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Servidores já aderiram à greve

No dia 24 de junho foi decidida, em Assembléia Geral dos servidores da Ufes, a deflagração de greve por tempo indeterminado. O motivo da paralisação foi o descumprimento do termo de compromisso, que acordava o pagamento de uma gratificação por antecipação de carreira e estabelecia o envio de um Projeto de Lei referente, até o dia 15 de junho, firmado pelo Governo com a Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra Sindical). A greve tem caráter nacional, e profissionais de 28 universidades públicas brasileiras se aliaram ao movimento grevista.

O Coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Ufes(Sintufes), José Magesk, afirmou que para reverter o quadro de paralisação será necessário que o Governo Federal reavalie seus procedimentos e sua decisão, cumprindo imediatamente o termo de compromisso firmado.

Esta situação acarreta grandes transtornos, não só para comunidade acadêmica, mas também para sociedade capixaba. O Hospital Universitário Cassiano Antonio de Morais (Hucam), cujos funcionários são servidores, está inserido neste contexto. Vários setores estão sem funcionamento e a tendência é que o atendimento seja diminuído ao máximo. A coordenadora do Sintufes, Janine Teixeira, diz que somente os pacientes com risco de vida serão atendidos. Consultas, internações e operações serão desmarcadas, sendo os pacientes previamente avisados.

A população que procurou o serviço do Hucam já sente as dificuldades causadas pelo movimento grevista, como é o caso do funcionário da secretaria de saúde de Jaguaré, Paulo Sérgio da Silva, que viajou quilômetros para marcar consultas e não conseguiu ser atendido. O aposentado Drino Araújo, que sofre problemas graves de saúde, sentiu-se prejudicado com as conturbações causadas pela greve, alegando que em suas condições não poderia ficar tanto tempo em uma fila de espera. Porém alguns pacientes, como Roberto Antônio Gffgen, que teve duas cirurgias desmarcadas, entenderam a greve como a única maneira de reivindicação por melhores condições de trabalho dos servidores públicos, legitimando-a.

A viabilidade de continuar as aulas mesmo com a greve dos servidores é outro tema bastante controverso entre os estudantes. O aluno de Administração Marcelo Lage, afirma que as aulas devem continuar, uma vez que o calendário da Ufes está muito atrasado, e uma nova paralisação dos professores acarretaria problemas aos estudantes que perderiam oportunidades de estágio, e até de emprego no caso dos formandos. O estudante de Engenharia Civil, Leonardo Guimarães, é contra greve, mas entende a necessidade de interromper as aulas neste período, já que muitos alunos precisam da Biblioteca Central para suas pesquisas e trabalhos acadêmicos, e do Restaurante Universitário.


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