Servidores já aderiram à greve
No dia 24 de junho foi decidida, em Assembléia
Geral dos servidores da Ufes, a deflagração de greve por
tempo indeterminado. O motivo da paralisação foi o descumprimento
do termo de compromisso, que acordava o pagamento de uma gratificação
por antecipação de carreira e estabelecia o envio de um
Projeto de Lei referente, até o dia 15 de junho, firmado pelo
Governo com a Federação de Sindicatos de Trabalhadores
das Universidades Brasileiras (Fasubra Sindical). A greve tem caráter
nacional, e profissionais de 28 universidades públicas brasileiras
se aliaram ao movimento grevista.
O Coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Ufes(Sintufes), José
Magesk, afirmou que para reverter o quadro de paralisação
será necessário que o Governo Federal reavalie seus procedimentos
e sua decisão, cumprindo imediatamente o termo de compromisso
firmado.
Esta situação acarreta grandes transtornos, não
só para comunidade acadêmica, mas também para sociedade
capixaba. O Hospital Universitário Cassiano Antonio de Morais
(Hucam), cujos funcionários são servidores, está
inserido neste contexto. Vários setores estão sem funcionamento
e a tendência é que o atendimento seja diminuído
ao máximo. A coordenadora do Sintufes, Janine Teixeira, diz que
somente os pacientes com risco de vida serão atendidos. Consultas,
internações e operações serão desmarcadas,
sendo os pacientes previamente avisados.
A população que procurou o serviço do Hucam já
sente as dificuldades causadas pelo movimento grevista, como é
o caso do funcionário da secretaria de saúde de Jaguaré,
Paulo Sérgio da Silva, que viajou quilômetros para marcar
consultas e não conseguiu ser atendido. O aposentado Drino Araújo,
que sofre problemas graves de saúde, sentiu-se prejudicado com
as conturbações causadas pela greve, alegando que em suas
condições não poderia ficar tanto tempo em uma
fila de espera. Porém alguns pacientes, como Roberto Antônio
Gffgen, que teve duas cirurgias desmarcadas, entenderam a greve como
a única maneira de reivindicação por melhores condições
de trabalho dos servidores públicos, legitimando-a.
A viabilidade de continuar as aulas mesmo com a greve dos servidores
é outro tema bastante controverso entre os estudantes. O aluno
de Administração Marcelo Lage, afirma que as aulas devem
continuar, uma vez que o calendário da Ufes está muito
atrasado, e uma nova paralisação dos professores acarretaria
problemas aos estudantes que perderiam oportunidades de estágio,
e até de emprego no caso dos formandos. O estudante de Engenharia
Civil, Leonardo Guimarães, é contra greve, mas entende
a necessidade de interromper as aulas neste período, já
que muitos alunos precisam da Biblioteca Central para suas pesquisas
e trabalhos acadêmicos, e do Restaurante Universitário.
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