02/07/04

Paulo Gois Bastos
e
Priscilla Thompson

Foto: Priscilla Thompson

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UFES REGISTRA QUEDA DO NÚMERO DE APREENSÃO DE DROGAS

A Administração Universitária atribui essa redução à sua nova política de combate às drogas

A Vigilância Universitária registrou, no primeiro semestre deste ano, doze casos de apreensão de drogas dentro do campus. Em relação aos anos anteriores, este dado revela uma diminuição do número de ocorrências deste tipo. No ano de 2001, por exemplo, em um período de três meses, registraram-se 60 casos. O diretor do Departamento de Serviços Gerais da Prefeitura Universitária, Anival Luiz dos Santos, disse que essa redução se deve à implementação de uma nova política de combate às drogas.

A droga mais encontrada é a maconha. Há registro de apenas uma apreensão de cocaína. Segundo o diretor, a maior parte dos usuários não faz parte da comunidade acadêmica. São estudantes de escolas situadas em bairros próximos da Ufes que procuram o campus por considerá-lo um local permissivo a esse tipo de prática. Em caso de flagrante, a vigilância apreende a droga, comunica os pais do estudante e preenche um relatório sobre o ocorrido. Apenas quando há reincidência, o caso é encaminhado à Polícia Federal.

"Desde 2003, a vigilância está sendo instruída para realizar um trabalho de conscientização junto aos usuários. Este trabalho consiste em tentar dialogar com eles ao invés de reprimi-los e apreender as drogas", conta Anival. De acordo com o fiscal de segurança da Vigilância Universitária, Dejair dos Santos, a prisão dos usuários é tarefa da Polícia Federal, a qual é acionada somente quando há reação violenta à abordagem ou é encontrada uma grande quantidade de drogas. "Nossa principal função é zelar pelo patrimônio da Ufes, não temos poder de polícia", diz.

Estudantes da Ufes, usuários de maconha, possuem diferentes opiniões a respeito da atuação da vigilância. R.C., 20 anos, abordado após consumir a droga, sentiu-se ameaçado e coagido. Ele diz não fumar maconha em locais mais visíveis, pois respeita as pessoas que não consomem e tem medo de retaliações. Ele considera a Ufes como um espaço onde há uma maior proteção aos usuários. Já R.T.M., 24 anos, apesar de nunca ter sido flagrada, teme que isso lhe aconteça. "Mas mesmo assim acho o campus um local tranqüilo para fumar porque tem pouco policiamento", diz a estudante. M. R., 22 anos, também já foi abordada pela vigilância, porém não se sentiu coagida e acha que a Ufes deve ser mais tolerante com os usuários.

O professor do Departamento de Letras Alexandre Moraes, que realizou uma pesquisa abordando o tema das drogas, não considera o campus universitário um local privilegiado para o consumo da maconha. Para ele, o uso de drogas na Ufes não é maior do que em outros locais e essa imagem precisa ser desfeita. Além disso, percebe uma diminuição do número de usuários. Porém, não menciona a nova política adotada pela Administração Universitária como motivo para essa redução, mas sim a mudança no perfil dos estudantes. "São pessoas que estão cada vez mais preocupadas com o trabalho e vivem a universidade de uma maneira diferente da geração anterior", considera.


As drogas apreendidas pela Vigilância ficam detidas na Prefeitura Universitária até que a Polícia Federal faça o recolhimento

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