UFES REGISTRA QUEDA DO NÚMERO DE APREENSÃO
DE DROGAS
A Administração Universitária
atribui essa redução à sua nova política
de combate às drogas
A Vigilância Universitária registrou, no
primeiro semestre deste ano, doze casos de apreensão de drogas
dentro do campus. Em relação aos anos anteriores, este
dado revela uma diminuição do número de ocorrências
deste tipo. No ano de 2001, por exemplo, em um período de três
meses, registraram-se 60 casos. O diretor do Departamento de Serviços
Gerais da Prefeitura Universitária, Anival Luiz dos Santos, disse
que essa redução se deve à implementação
de uma nova política de combate às drogas.
A droga mais encontrada é a maconha. Há registro de apenas
uma apreensão de cocaína. Segundo o diretor, a maior parte
dos usuários não faz parte da comunidade acadêmica.
São estudantes de escolas situadas em bairros próximos
da Ufes que procuram o campus por considerá-lo um local permissivo
a esse tipo de prática. Em caso de flagrante, a vigilância
apreende a droga, comunica os pais do estudante e preenche um relatório
sobre o ocorrido. Apenas quando há reincidência, o caso
é encaminhado à Polícia Federal.
"Desde 2003, a vigilância está sendo instruída
para realizar um trabalho de conscientização junto aos
usuários. Este trabalho consiste em tentar dialogar com eles
ao invés de reprimi-los e apreender as drogas", conta Anival.
De acordo com o fiscal de segurança da Vigilância Universitária,
Dejair dos Santos, a prisão dos usuários é tarefa
da Polícia Federal, a qual é acionada somente quando há
reação violenta à abordagem ou é encontrada
uma grande quantidade de drogas. "Nossa principal função
é zelar pelo patrimônio da Ufes, não temos poder
de polícia", diz.
Estudantes da Ufes, usuários de maconha, possuem diferentes opiniões
a respeito da atuação da vigilância. R.C., 20 anos,
abordado após consumir a droga, sentiu-se ameaçado e coagido.
Ele diz não fumar maconha em locais mais visíveis, pois
respeita as pessoas que não consomem e tem medo de retaliações.
Ele considera a Ufes como um espaço onde há uma maior
proteção aos usuários. Já R.T.M., 24 anos,
apesar de nunca ter sido flagrada, teme que isso lhe aconteça.
"Mas mesmo assim acho o campus um local tranqüilo para fumar
porque tem pouco policiamento", diz a estudante. M. R., 22 anos,
também já foi abordada pela vigilância, porém
não se sentiu coagida e acha que a Ufes deve ser mais tolerante
com os usuários.
O professor do Departamento de Letras Alexandre Moraes, que realizou
uma pesquisa abordando o tema das drogas, não considera o campus
universitário um local privilegiado para o consumo da maconha.
Para ele, o uso de drogas na Ufes não é maior do que em
outros locais e essa imagem precisa ser desfeita. Além disso,
percebe uma diminuição do número de usuários.
Porém, não menciona a nova política adotada pela
Administração Universitária como motivo para essa
redução, mas sim a mudança no perfil dos estudantes.
"São pessoas que estão cada vez mais preocupadas
com o trabalho e vivem a universidade de uma maneira diferente da geração
anterior", considera.