14/02/2004

Almir Alves

 

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Alunas de pedagogia solicitam antecipação da colação de grau

Com a antecipação as alunas conseguiriam garantir as vagas obtidas no concurso público na PMVV

Doze alunas do 8º período do curso de Pedagogia da Ufes estão vivendo um verdadeiro drama que começou com a publicação do resultado final do concurso público da secretaria municipal de educação de Vila Velha (Semed).

As alunas se inscreveram no concurso que oferecia vagas para professores do ensino fundamental, educação especial e pedagogos, foram aprovadas e classificadas em todos os testes.

Mas em virtude das três greves que as alunas sofreram durante a graduação, a conclusão do curso atrasou em aproximadamente um ano, o que está causando embaraços às estudantes na apresentação da documentação necessária para a nomeação nos cargos em que foram aprovadas.

Segundo a aluna Denize Pimentel Lannes, do 8º período de Pedagogia e uma das prejudicadas, a situação é revoltante, pois não é todo dia que há um concurso dessa natureza, nem tampouco que se é aprovado. "Concorremos com milhares de pessoas em busca de uma vaga, e depois de tanto esforço nosso mérito está ameaçado em virtude de um embaraço que não ocorreu por nossa culpa", lamentou.

De imediato as alunas buscaram junto à Ufes um atestado que comprovasse que elas irão colar grau em maio próximo, o que foi prontamente fornecido pela universidade. No entanto, a Secretaria Municipal de Educação de Vila Velha (Semed) rejeitou o documento alegando que o edital prevê que no ato da apresentação da documentação o aprovado deverá apresentar o diploma ou comprovante de conclusão do curso exigido para a respectiva função.

A aluna Sheila Rocha Pompermayer, também do 8º período de Pedagogia, informou que o grupo de alunas está tentando resolver a situação junto à Semed, porém o secretário de Educação, Roberto Beling Neto, que inclusive é professor da Ufes, mostrou-se irredutível quanto aos termos do edital.

"Os professores e demais funcionários do Departamento de Pedagogia da Ufes estão nos dando a maior força, todos estão solidários, acreditamos até mesmo na possibilidade de anteciparmos a conclusão do curso e a colação de grau, mas as possibilidades de conseguirmos êxito na Semed são remotas", lamenta Sheila Pompermayer.

Ainda segundo a estudante, foi realizada uma reunião entre as alunas interessadas e o secretário de Educação de Vila Velha, em que ele teria se mostrado reticente quanto à possibilidade das estudantes serem nomeadas, mas ainda assim, no final da reunião, o secretário ficou de checar junto à procuradoria da Semed quanto à legalidade da prorrogação do prazo da apresentação dos documentos por 30 dias, ainda prorrogáveis por mais 30, considerando que o estatuto dos servidores municipais prevê que o aprovado em concurso tem até 60 dias para tomar posse. "Sabemos que as possibilidades são remotas, mas vamos fazer tudo que for possível para garantir nosso direito", disse Sheila.

Diante da possibilidade, as alunas encaminharam um documento à Diretora do Centro de Educação (CE) da Ufes, professora Maria José Campos Rodrigues, solicitando a antecipação da conclusão formal das disciplinas, que passaria para o dia 31 de março, e a antecipação da colação de grau para o dia 2 de abril. "Se o CE autorizar, podemos apresentar toda a documentação dentro de 60 dias e, dessa forma, manter nossas vagas na Semed", destacou a aluna Denize Pimentel.

O conselho do CE se reuniu e deferiu a solicitação das alunas, tendo posteriormente encaminhado o processo à Pró-reitoria de Graduação (Prograd) para decisão do pró-reitor de Graduação. “Os conselheiros se reuniram e aprovaram em caráter excepcional a solicitação das alunas, porém o parecer conclusivo compete à Prograd”, informou a professora Maria José Campos Rodrigues.

Segundo a Prograd, o processo está sendo analisado para que seja constatada a viabilidade na antecipação da colação de grau das alunas, e provavelmente no decorrer da semana será emitido um parecer.

As alunas ainda demonstraram certa revolta com o comportamento da Reitoria, que elas classificaram como "apático". "Esperávamos que a Reitoria fizesse um contato com a Semed e interviesse a nosso favor. Esse problema está acontecendo com muitos outros alunos finalistas, porém ninguém toma uma providência", protestou a aluna Sheila Pompermayer.

Caso as medidas que estão sendo tomadas pelas alunas não tenham um resultado positivo, elas estão dispostas a ingressar com um pedido de mandado de segurança na Justiça. "Procuramos o Núcleo de Práticas Jurídicas, do Departamento de Direito, e mantivemos contato com os advogados. Estamos nos preparando para, em último caso, ingressar na justiça a fim de fazer valer nossos direitos", finalizou a aluna Denize Lannes

 

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