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Como você avalia a política de cota para negros? Sou a favor. Existe uma frase de Ruy Barbosa que faz parte da Constituição Federal e diz “a igualdade consiste em tratar desigualmente os desiguais na medida de sua desigualdade”. De fato, os negros têm um passado histórico desprivilegiado. Essas diferenças sociais precisam de atitudes mais práticas do que teóricas.
---- Essa medida é um absurdo. A cor é apenas uma forma de abafar um problema social gravíssimo. Assim como os negros, muitos brancos não têm condições financeiras e muito menos acesso à universidade. Essa questão deveria ser resolvida desde o Ensino Fundamental. Independente da condição social, se o aluno estiver preparado ele passa no vestibular. A política de cotas não deixa de ser uma forma de discriminação, só que positiva. A constituição prega a igualdade entre as raças e não se admite a discriminação.
---- Sou contra o sistema de cota para negros, afinal há uma parcela da população negra que tem acesso ao ensino superior. Acho que essa política deveria ser feita para minorias e não apenas para essa parcela da população.
Sou contra. Só porque os negros são discriminados, isso não é motivo para reservar vagas para eles. Todos têm direitos iguais. Por isso, acho que a política de cota não deveria existir. Na hora de fazer vestibular, todo mundo tem que concorrer igualmente. Tenho dois filhos e gostaria que eles disputassem o acesso ao ensino superior em igualdade com outras pessoas. É mais justo.
Sou a favor. Claro que isso tem que haver. Os Estados Unidos já fazem essa política de discriminação positiva. Apesar de ser a favor, vejo que no Brasil isso não daria tão certo como nos Estados Unidos. Lá, é bem fácil distinguir quem é negro ou branco. Aqui, a população é bem miscigenada. Seria difícil fazer essa distinção. Muitas pessoas poderiam usar desse artifício para conseguir entrar na universidade pública. A idéia é boa, mas acho que tem que ficar bem esclarecido o parâmetro de seleção.
---- Essa é uma questão complexa que deve ser mais discutida. Faço parte do movimento negro e, a princípio, sou a favor. Porém, acho que essa não seria a solução. O mais justo seria aumentar a qualidade do ensino fundamental e garantir acesso a todos. Se essa cota se estendesse para minorias cairíamos no mesmo erro, até porque se você reserva uma parte das vagas para essas pessoas desprivilegiadas pode cair a qualidade do ensino superior.
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