14/02/2004

Texto: Bruno Marques, Fabrícia Borges e Vitor Graize
Fotos: Vitor Graize

 

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Chuvas fazem estragos na Ufes

Falta de estrutura é a principal responsável pelos problemas, que já viraram rotina em alguns cursos. No Centro Biomédico, em Maruípe, a água chegou a 75 centímetros de altura.

As chuvas que caíram sobre o Estado no fim do ano passado e início deste ano e geraram transtornos em vários municípios atingiram também a Universidade Federal do Espírito Santo. A falta de estrutura faz com que todos os anos o problema se repita e prejudique alunos, professores e funcionários.

No Centro Biomédico (CBM), em Maruípe, as enchentes já não são mais novidade. Segundo o vice-diretor do Centro, professor Carlos Alberto Redins, esse é um problema antigo e que tem piorado a cada verão, apesar de algumas medidas preventivas já terem sido tomadas. Há alguns anos o piso foi erguido em 22 centímetros na entrada do prédio da Anatomia e também em algumas salas, mas pouco adiantou, já que a água entra pela rede de esgoto, o que significa uma preocupação a mais por se tratar de uma área de saúde.

Segundo ele, as enchentes foram aumentando até que, há quatro anos, chegaram a 60 centímetros de altura. A enchente de janeiro deste ano, porém, foi pior. Atingiu a marca de 75 centímetros. A água dessa vez alcançou os teclados de computadores e cobriu uma das cubas em que estavam guardados alguns fetos, misturando-se com o formol.

“Parecia que tinha explodido uma bomba aqui dentro”, afirmou Redins. “Perdemos material de professor e cerca de 4 mil pares de luvas, além do material de limpeza gasto para retirar toda a lama das paredes.” As perdas não foram maiores porque alguns armários foram previamente levantados.

Ele diz que a região em que está localizado o Centro é cercada por morros, o que faz com que um grande volume de água se acumule ali. A solução, portanto, caberia à Prefeitura de Vitória, que deveria fazer obras estruturais em toda a região.

Reformas

Enquanto isso não acontece, o CBM passa por algumas reformas. No fim de fevereiro devem ser concluídas as obras de dois novos prédios. Eles estão sendo construídos num nível mais elevado que o atual prédio da Anatomia, que deverá ser parcialmente desativado com as novas construções.

Há ainda um projeto da construção de um terceiro prédio que será responsável pela substituição completa do atual, que deverá, então, ser derrubado. Além disso, planeja-se, segundo Redins, aterrar parte do terreno, a fim de elevar a área onde funcionarão os novos edifícios.

Goteiras

No campus de Goiabeiras, o principal problema são as goteiras. No Centro de Educação Física e Desportos, várias salas foram afetadas, como as de Ginástica Olímpica e Judô, além dos corredores. Baldes foram usados para evitar que a água se espalhasse causando maiores prejuízos.

Segundo Carlos Alberto Stein, diretor em exercício do Centro, o problema também não é recente, porém a expectativa é de que em breve seja solucionado. "A Prefeitura Universitária já está ciente e nós esperamos que nos próximos dias seja feito um estudo da real situação do telhado."

No Centro de Artes, a situação também é ruim. São inúmeras goteiras espalhadas por todos os prédios. O chefe do Departamento de Formação Artística, Valdelino Gonçalves dos Santos Filho, o Didico, diz que só no Cemuni II 52 telhas precisam ser trocadas e aponta os prejuízos em máquinas, armários, mesas e trabalhos e quadros de alunos.

Segundo Didico, o problema se repete há alguns anos, mas a direção do Centro não toma providências. Ele diz ainda que não recebe verbas e inclui o problema das enchentes num âmbito mais geral de descaso com as universidades públicas brasileiras.

O diretor do Centro de Artes, Kleber Frizzera, confirma que os prédios do CAr sofrem prejuízos com as chuvas e aponta como causas das goteiras a existência de muitas árvores próximas aos prédios e de telhas soltas e desgastadas.

Kleber também diz que a universidade em geral sofre com a falta de verbas e que não há recursos para a reforma dos prédios. Segundo ele, há dois anos circula no Ministério da Educação um projeto que destinaria cerca de R$ 1,5 milhão para a recuperação dos Cemuni's, o que solucionaria grande parte dos problemas de infraestrutura dos prédios.

Na última semana, as telhas dos prédios do Centro de Artes estavam sendo arrumadas.

CCJE

No Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, o prédio dos laboratórios do curso de Comunicação Social foi o mais atingido. No ano passado, em decorrência das chuvas e de um problema com a caixa d’água do edifício, uma ilha de edição do laboratório de vídeo foi danificada e o equipamento ainda hoje está sem condições de uso.

As chuvas deste ano causaram infiltração no teto de uma das salas do laboratório que, por prevenção, já se encontrava vazia desde os problemas ocorridos em 2003.

De acordo com a professora Ruth Reis, chefe do Departamento de Comunicação Social, a diretoria do Centro foi informada diversas vezes sobre a situação de risco do laboratório, mas pouco foi feito para evitar novos acidentes. Para Hugo Reis, estudante do curso de Comunicação Social e monitor do laboratório, “a questão é simples e pode ser solucionada rapidamente, mas nada ainda foi feito nessa direção”.

Providências

Na manhã da última quinta-feira, 12 de fevereiro, o reitor Rubens Rasseli e a diretora do CCJE, Sônia Dalcomuni, estiveram no prédio de laboratórios do curso de Comunicação Social, afetado pelas chuvas. Segundo Sônia, os consertos necessários já estão sendo providenciados. Ela disse que funcionários devem fazer os devidos reparos no telhado do prédio já na próxima semana.

A visita faz parte de uma análise geral das condições de todo o campus de Goiabeiras por parte do novo reitor.

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