10/12/2004

Raquel Machado Galvão

 

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Querendo publicar, para quem apelar?

O paradoxo existente entre as publicações que recebem incentivos da UFES e as "independentes"

Diz o ditado que além de ter um filho e plantar uma árvore, todas as pessoas devem escrever um livro durante a vida. E na hora de publicá-lo? Quais são os recursos e as dificuldades encontradas pelos escritores? Dentro da UFES, existem duas maneiras de se levar adiante o lançamento das publicações: pela Editora da Ufes (EDUFES) ou de uma forma mais "alternativa".

Segundo a Secretária de Produção e Difusão Cultural da UFES, Rosana Paste, todas as universidades federais têm uma editora: "Ela é voltada para funcionários, professores e alunos". A obra pode ser enviada para a Secretaria da Cultura. Posteriormente, ela passa por uma análise do conselho editorial, formado por um representante de cada Centro da Universidade. Assim que a publicação é aprovada, a EDUFES começa a correr atrás de patrocínio. "Atualmente, quem publica ganha 10% da tiragem do livro. Mas quando o setor contábil for mais organizado, pretendemos dar ao menos 1% do que é arrecadado para o autor", conclui Rosana.

O professor Thimóteo Camacho escreveu dois livros pela editora e acha que só o fato de divulgar o trabalho já é uma vantagem: "Ganhei 50 exemplares ao publicar Ensaio Sobre Violência em 2003. Tenho muita satisfação em divulgar o meu trabalho".

E como ficam aqueles que querem publicar algo dentro da Universidade e não encontram apoio? "Acredito que a falta de patrocínio não interfere no conteúdo, mas na qualidade gráfica do que escrevemos", pontua a estudante do 4º período de publicidade, Elisa Ribeiro. Ela é uma das autoras do fanzine mensal Entrementes, realizado por alunos de Comunicação Social que bancam as cópias para distribuição.

Caso semelhante é o de Thiago Raft, vendedor de um sebo que fica entre o IC II e IC III. Por contra própria, ele lançou a Revista Lado C, que reúne textos de autores variados, como Caio Fernando Abreu e Carlos Drummond de Andrade. "A Ufes não estimula porque nos considera panfletários", ressalta Thiago, que cobra R$1 pela Revista afim de bancar sua viagem para o Fórum Social Mundial, em janeiro próximo.

Ainda no âmbito criativo, acontece no corredor do IC III um Varal de Poesia onde qualquer um pode deixar o seu recado poético. A iniciativa foi dos alunos de Letras que, por ironia, não detém qualquer publicação literária.

A diversidade acaba rodeando tanto as obras da EDUFES - que teve 24 livros publicados em 2004 - quanto às iniciativas daqueles que não conseguem incentivo e patrocínio dento da universidade. Todos visam um objetivo comum: expressar-se. Resta à comunidade acadêmica dar o apoio necessário, mesmo que seja como mero leitor. E que ninguém morra tendo apenas plantado uma árvore e gerado um filho...

 
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